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| Padre RAMBALDO OLIVO |
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| Por E. T. | |
| 12 de March de 2006 | |
PADRE RAMBALDO OLIVO1912-2003 Filho de Evaristo e Caterina Collino, o padre Rambaldo nasceu em Campolongo al Torre (UD) a 7.9.1912. Foi baptizado com o nome de Rambaldo mas a família logo o começou a tratar por “Baldo”; os outros só lhe chamavam “Olivo” – o que o levou a ter gosto em ser uma simples “oliveira verdejante”. Entrou para o Instituto em 1927, tendo professado em 1934; foi ordenado sacerdote em 1938. Partiu logo para o Tanganyika onde trabalhou 65 anos seguidos. As etapas do seu apostolado foram: Madibira e Irole (1938-1943) como coadjutor do pároco. Depois foi pároco da catedral de Tosamaganga durante 27 anos (entre 1943 e 1970) e , a seguir, foi pároco de Madibira durante 10 anos. Voltou a ser coadjutor nas paróquias de Ng’ingula, Kibao-Mufindi, Igwachanya e Tosamaganga (entre 1981 e 2003). De carácter optimista e entusiasta, era sempre positivo quando escrevia aos superiores, contando-lhes as alegrias do apostolado missionário e detendo-se em agradecimentos pelo seu trabalho e ajudas que lhes enviavam. Ao escrever ao padre Domenico Fiorina, superior geral, a 11 de Julho de 1950, assim dizia: «Reverendíssimo Senhor Padre: que nos recordasse a todos, disso sempre estive e estou convencido; mas que de modo especial se recorde dum desgraçado destes, isso é que eu não esperava! Muito e muito obrigado pelo seu cartãozinho e pela sua especial bênção que certamente me terá feito muito bem – pois peço-lhe mais uma, rápido. Estou óptimo e acertou ao imaginar-me feliz e satisfeito, pois que de facto é verdade!…». O padre Olivo identificou-se por completo com o seu trabalho que exigia capacidade física, mental e afectiva. É o que depreendemos do que escreveu ao padre Livio Ferraroni: «Tosamaganga era naquela altura uma missão cujos limites iam até “ aos confins da terra”. A poente confinava com o Great Ruaha e a sul foram-lhe desmembradas várias paróquias, além de outra a poente. A guerra de 1940-1945 trancou os missionários em casa e, depois, a retoma foi vagarosa por alguns anos. O padre Olivo percorria este território de lés a lés principalmente no início dos anos 50. A organização de São Pedro Claver dotara as missões de Iringa com uma série de motocicletas. O padre Olivo tornou-se famoso pelas suas corridas a todo o vapor pelas estradas (que ainda não mereciam esse nome). Ao chegar às pontes não parava; mas fazia como aqueles “centauros” que me lembro de ter visto nos anos trinta a voltear no poço da morte, saltava por cima delas – com a ajuda de pelo menos uma dúzia de anjos da guarda. A geração do padre Olivo pôde conhecer os anciãos da primeira missionação; ele ainda falava deles nos anos 90, trazendo à memória os nomes dos velhos chefes que colaboraram no surgir e consolidar-se da missão, sobretudo no que se refere às escolas e levar lá os alunos, sobretudo raparigas. Pois bem: ainda hoje aquela gente gosta de se encontrar com ele, mas agora são eles a vir ter com ele, a casa ou ao hospital». O padre Giovanni Giorda, ao dar o seu testemunho, acrescentou: «O padre Olivo, que era um missionário do povo, levava muito a peito a situação material e espiritual das pessoas. Até mesmo nestes anos mais recentes, a sua vida ainda se fazia saindo da missão, visitando as numerosas sucursais (17) da paróquia, aliás fundadas por ele havia muitos anos e que agora tão desenvolvidas estão: visitava as famílias e os doentes, celebrava a eucaristia, baptizados e casamentos – e ainda trabalhava, incansável, a reestruturar as igrejas. Os anos mais recentes, quando se encontrava já impossibilitado (não pela doença mas pela idade), foram uma cruz bastante pesada: eu procurava dar-lhe coragem dizendo-lhe: “agora que já não podes andar em correrias como dantes, continua a ser missionário rezando por todas as pessoas que conheceste na tua vida de missionário”. E de facto, os seus dias passavam recheados de orações e terços». Assim escrevia o padre Olivo na Páscoa de 1999 aos seus conterrâneos, como era costume: «…Estou velho e pouco posso fazer. Mas garanto-vos que rezo muito por todos vós. Porém… também eu preciso das vossas orações. São Paulo fazia o mesmo com os seus cristãos, e eu não sou São Paulo! Rezai para que os meus ossos fiquem aqui em Tosa. Hoje ainda continuo independente, como sempre. Mas amanhã?». Em Setembro do mesmo ano escrevia de novo: «Sim, ainda estou do lado de cá e faço 87 anos (de “fim de Verão”) e ainda faço umas coisas nesta vinha do bom Deus. Por exemplo, daqui a pouco pegarei na minha Suzuki para ir ver os doentes no hospital, com uma curva para celebrar missa no fim da visita… Não pensem que ando triste, descontente ou desmoralizado. “Hata kidogo”, nada disso! Contente com a minha vida missionária. E muitíssimo grato a Deus por toda a ajuda que me deu e que ainda hoje me dá a oportunidade de fazer algo, e sempre para Ele». O padre Giuseppe Inverardi, superior regional, descreve assim a parábola do padre Olivo, fazendo ressaltar os traços que iluminam a sua longa vida sacerdotal e missionária: «Apagou-se em Tosamaganga a 26 de Junho pelas 9:45 da noite. Ele, que muitas vezes disse ter medo de se encontrar sozinho na altura da sua morte, teve a graça da presença do padre Giorda, do padre Poloni e duma dezena de Irmãs Teresianas – que o acompanharam durante a sua breve agonia. Tinha deixado escrito: “Estou sempre a dizer a Deus: leva-me quando quiseres, mas se possível livra-me da morte súbita e improvisa. Dá-me tempo para mais uma varridela… No entanto, fiat ut vis”. O Senhor Deus ouviu a sua oração. Até demais! O seu apagamento foi vagaroso: foi-se consumindo até ao fim, sem doença alguma, salvo a idade. Nos dois últimos anos, a sua total inactividade, a velhice e o temor de ser um peso para os outros, foram um tormento para ele. Razão pela qual se queixava de que Deus o tivesse esquecido, chamando a si pessoas mais jovens que ele e de boa saúde. Sempre que os sinos do campanário tocavam a finados, lá começava ele: “Para a próxima vez vão tocar por mim”. Mas passaram-se anos! Seja como for, estava sempre em expectativa. Deixou escrito: “Não tenho dores físicas e, confesso, nem tão pouco morais. Procuro fazer aquilo que o GRANDE CHEFE quer, e Ele tem sido tão MISERICORDIOSO para comigo. Espero bem que não se canse de o ser. Estou sempre pronto para ser chamado…” . E noutra ocasião: “Estou aqui à espera da voz do Pai de todos nós”. Tal era o refrão que sempre escrevia nas muitas e curtas mensagens que me dirigia. E era também o refrão de todas as conversas que tinha com todos. Em espírito de comunhão, visitei-o na noite da festa de Nossa Senhora da Consolata. Passado um bocado, ia despedir-me dele. Mas ele não queria que eu saísse dali. Procurei levantar-me, para sair, umas 10 vezes, mas ele agarrava-se à minha mão e obrigava-me a sentar-me de novo. Até que, finalmente, tendo sossegado, pude ir-me embora. Era a primeira vez que me manifestava, com certa força, tal insistência. Tive a percepção de que sentia que a sua “Páscoa” estava próxima. Passados dois dias, já em Kipengere, soube por rádio que a sua pressão arterial descera para os 40 e que as suas condições não eram nada boas, sendo-lhe administrado o sacramento dos doentes uma vez mais. Passei lá de novo para o cumprimentar na noite do dia 24. Estava um pouco melhor. Embora os últimos meses tivessem aumentado a sua fraqueza, pensei que poderia tratar-se de mais uma “ressurreição” do padre Olivo. Assim, como tinha que ir a Dar es Salaam na Quarta-feira, foi o que fiz, mas quase com a certeza de ser de novo chamado a Iringa. De facto, pelas 10:15 de Quinta-feira, dia 26, recebi a notícia de que tinha passado desta a melhor. Voltei apressado a Iringa. Entretanto o padre Pancotti já tinha avisado todos os que estão contactáveis por telefone, tendo combinado os preparativos para o funeral com o padre Giorda e com a diocese. O corpo esteve em câmara ardente com orações e cânticos das Irmãs Teresianas por todo o dia 27. Foi visitado pelos seus confrades, pelas Irmãs Missionárias da Consolata, pelos cristãos das 17 aldeias da paróquia de Tosamaganga e por muitos mais. Pelas 18 horas o corpo foi levado para a capela mortuária do hospital. No Sábado de manhã, pelas 8 horas, foi trazido para a Igreja. Levava um crucifixo ao peito e também um pequeno quadro de Nossa Senhora da Consolata. O crucifixo era o mesmo que tinha recebido quando partira para as missões. Pois ele escrevera um dia: “Antes de deixarmos a Itália, foi-nos entregue o crucifixo. Foi uma linda cerimónia. Ainda ando com esse mesmo crucifixo, embora já esteja gasto. Espero que me possa apresentar ao Pai do Céu com ele”. E era verdade: o crucifixo estava mesmo muito gasto. O mesmo se diga do pequeno quadro da Consolata. O crucifixo e aquele quadro estavam sempre sobre a cadeira, ao lado dele. De vez em quando, pegava neles, tocava-os e dava-lhes um beijo. Eram o seu viático. O funeral começou às dez horas, presidindo Mons. Evaristo M. Chengula, Missionário da Consolata, Bispo de Mbeya. Este nosso confrade tinha chegado a Dar es Salaam na noite já adiantada de Quinta-feira. Na Sexta de manhã, logo que soube da notícia da morte do padre Olivo, manifestou o desejo de participar no funeral. Também estava presente Mons. Pascal Kikoti, natural de Nyabula – na diocese de Iringa – que se encontrava de passagem para Dar es Salaam. Imagine-se a pena de Mons. Tarcisius M. J. Ngalalekumtwa, Bispo de Iringa: como estava em Dar es Salaam com compromissos importantes na Conferência Episcopal, não teve a possibilidade de estar presente. Mas, mesmo de longe, orientou os preparativos para o funeral e o enterro. Este Bispo ficou sempre muito grato ao padre Olivo por este o ter deixado ser acólito mesmo ainda antes de receber o baptismo! A enorme igreja de Tosamaganga estava à pinha. E quem sabe lá o que teria sido se as escolas não estivessem fechadas para férias. Esta linda igreja recebeu os dois bispos, uma multidão de Irmãs, religiosos e os cristãos das várias aldeias de Tosamaganga, além de todos os Irmãos do Imaculado Coração de Maria. É que para eles, era o dia da festa da sua padroeira. Mesmo assim, decidiram unir-se completamente à assembleia que se reuniu para o funeral: na igreja, no cemitério e para a tradicional refeição, na sua própria casa. Foram duas festas juntas, porque o adeus ao padre Olivo só podia ser uma festa. Na homilia, Monsenhor Chengula começou por se referir à liturgia da festa que se celebrava e ao significado que ela reveste para os Irmãos. A seguir, resumiu a vida, a personalidade e o trabalho do padre Olivo. Depois da Comunhão, o padre Inverardi agradeceu a todos pela sua presença e sublinhou os dois traços característicos do padre Olivo: o espírito missionário e a alegria e facilidade nas relações com as pessoas. Aliás, elas aparecem num texto seu: Espírito missionárioO seu modo de fazer era sempre o mesmo, quer se tratasse de Madibira, primeiro durante dois anos e, depois, por mais dez; quer se tratasse de Tosamaganga, onde paroquiou desde 1943 a 1970 e mais tarde, por mais onze anos até à morte; quer se tratasse de Kibao onde esteve 9 anos, ou Igwachanya, onde passou dois anos. Bastarão duas citações para o descrever: “Eu visitava as famílias todas de cada aldeia, mesmo as pagãs e as muçulmanas; nunca ninguém me deitou da porta fora”. “Eu andava sempre por lá a visitar as aldeias, a controlar as várias escolas, a cuidar que os catequistas de facto ensinassem, a visitar e a abençoar as famílias, a levar-lhes a Palavra da Vida”. Certa vez, escreveu, e tudo em letra grande: “Um obrigado muito especial e muito sincero ao bom Deus que manteve a sua santa mão sobre mim durante todos os anos que passei na África. São anos de que nunca me arrependi”. A missão vivia no seu coração e jorrava de todo o lado. Alegria e facilidade nas relações com as pessoasO seu testemunho de quando estava em Madibira pela primeira vez fala por si: “Nunca tive problema nenhum, nem com o novo ambiente nem com o pessoal missionário, fossem eles padres, irmãos ou irmãs”. Ao recordar as dificuldades de colaboração e da vida comunitária, vale a pena ler o que escreveu sobre os anos que passou em Tosamaganga com o padre Berghi, que lhe pedia para nunca esconder nada do que tivesse para lhe dizer: “Estivemos juntos 17 anos e nunca aconteceu eu ir-me deitar de nariz torcido por qualquer ofensa que o padre Berghi me tivesse feito. Acabámos por nos tornar mais que “irmãos siameses”. Debatíamos os assuntos, fazíamos a programação juntos e nunca um fazia nada sem o outro saber. Ainda hoje temos lindas recordações dos anos que passámos juntos”. Esta citação poderia até ser mais comprida, pois que ainda reconhecia outros méritos ao padre Berghi. A procissão até ao cemitério foi comprida. O enterro foi meticuloso, com a observância rigorosa dos rituais culturais, incluindo a cobertura do caixão com terra mexida. Depois fizeram-se as derradeiras orações. Claro que para um velho missionário de 91 anos, 65 dos quais passados na Tanzânia, e destes 31 em Tosamaganga, não poderia ter faltado uma dança ao som dos tambores à volta da sua tomba coberta de flores. Não foi uma dança fúnebre. Foi uma dança de alegria, em que participaram os padres e as irmãs. E foi repetida uma vez mais junto à casa onde o padre Olivo vivera muitos anos. Foi um gesto de respeito, de gratidão e de afecto. Com ele, pelo menos do lado dos padres e das irmãs, desapareceu uma geração de missionários – a dos que chegaram antes da segunda guerra mundial. Gente que caminhou e caminhou, muitas vezes doente de malária. Foi gente que viveu a sementeira da Palavra com lágrimas, sim, mas que também saboreou os primeiros frutos, tal como os frutos dos decénios seguintes. Eram missionários com a missão no coração. Ele próprio o disse: “À medida que os anos foram passando, mais fui gostando da África e mais ainda do pessoal de Madibira”. Se alguma recordação há-de ficar indelével em quem o conheceu, será exactamente a do seu zelo missionário: em visitar, anunciar, catequizar e celebrar – e também na sua sensibilidade profunda para com os necessitados. Era uma pessoa generosa. O padre Olivo mantinha amizades fortes com muita gente, tanto missionários como outros – até poderia listar os nomes – e com os quais transparecia um relacionamento de grande estima e afecto. Ficou lúcido até ao fim, perguntando por eles e mandando cumprimentos. Sentia profundamente a gratidão. Neste anos mais recentes, escrevia-me muitas vezes a agradecer pelas coisas mais pequenas. Mas este sentimento aparece também num texto seu. Manifesta agradecimento para com… - Mons. Beltramino, sempre pronto a confessar quando estava presente; - Os confrades, padres e irmãos, que o ajudavam no apostolado – a pontos de o levar a dizer “…se fiz algo de bom, é à ajuda dos missionários residentes em Tosamaganga e dos missionários de passagem que o devo”; - As Irmãs Missionárias da Consolata, que se ofereciam para dar instrução pelas aldeias; - As Irmãs Teresianas, pela ajuda com a instrução dos catecúmenos; - Os padres diocesanos Titus e Rodrigo; - As autoridades locais e o povo, que considerava serem boa gente. - Pedia e conseguia a colaboração de todos. Por outro lado, ninguém conseguia recusar-se face à sua autoridade bonacheirona. Símbolo dela era o seu dedo no ar. Escreveu também: “Agradeço a todos os confrades que sempre me amaram, aos superiores passados e presentes, mas de modo muito especial ao padre Giorda, meu último pároco, que sempre me tratou com respeito e com afecto, nunca me abandonando”. A vida do padre Olivo foi longa e fecunda. Quase de forma miraculosa. Porque, tendo entrado na casa de Sagrado em 1926, ao chegarem as férias, soube que alguns colegas não tencionavam voltar para o seminário, o que o levou também a pensar fazer o mesmo, voltando-se assim para o trabalho agrícola. “Mas passados alguns dias, confessou mais tarde, senti uma grande pena e um remorso enorme que me levou a dizer: pois eu vou voltar para Sagrado”. A data do regresso de férias já tinha passado, de forma que se fez acompanhar de seu pai e se apresentou ao padre Lorenzo Bessone. Este jovem Director do Seminário certamente tinha visto que este rapaz era fogo. Talvez ele próprio tivesse ouvido de José Allamano que é preciso ter fogo na alma para ser missionário – readmitindo-o logo. E dizia que ficava grato ao seu pai por não se ter zangado nem à primeira nem à segunda vez. Só lhe disse: “Tu é que escolhes”. Feliz pena e feliz remorso! Feliz decisão! Padre Olivo! Tu caminhaste quilómetros e quilómetros a pé, de bicicleta e de mota. Conduziste, por vezes desalmado, até há dois anos. Agora cabe-te repousar em paz. Na paz verdadeira, com aquele leve sorriso que sempre apresentavas. Todos agradecemos a Deus pela tua longa vida e pelos muitos dons que te deu para fazeres bem aos outros. Agradecemos-te pelo exemplo de plenitude sacerdotal e por te sentires e seres Missionário da Consolata na boca, no coração e na vida. É essa a capa com que queremos ser cobertos. Deixa-a cair sobre nós. OBRIGADO! P. Giuseppe InverardiÉ assim que um conterrâneo de Campolongo o recorda em “Voce Isontina”, um semanário da arquidiocese de Gorizia: «Embota tivesse deixado a aldeia quando ainda era criança, nunca deixou enfraquecer, e muito menos esquecer, as suas raízes, tanto da família como do lugar. O seu coração grande e a vivacidade do seu carácter sempre mantiveram vivos estes laços. A sua popularidade na aldeia nunca desceu e, ao saber-se da sua morte, até explodiu. Sabemos que passou grande parte da sua vida (65 anos) na Tanzânia. Na qualidade de missionário, ele tinha consciência de que era um soldado “na linha de batalha”; por isso, não se encolhia para pedir “munições” à retaguarda. Tratava-se de auxílios e meios para apoio às obras missionárias e de promoção social. Tinha a peito de maneira muito especial a escolarização e a formação profissional para o desenvolvimento social das gerações jovens da Tanzânia. Dedicou todas a suas energias à missão: o seu amor, a sua vida. Manifestou muitas vezes a vontade de que “os meus ossos repousem em território africano”. Há anos, quando parecia que estava a chegar ao final da sua corrida, verificámos numa visita que lá lhe fizemos como era grande o afecto e a veneração de que era objecto e como as pessoas percorriam muitos quilómetros para o irem visitar. A riqueza da sua humanidade e os fortes laços que mantinha com todos os que lhe apareceram pela frente nunca esconderam o relacionamento da fé simples, mas sólida e concreta, que sempre manteve a sua vida dedicada ao serviço de Deus. Isto foi verdade em relação à sua actividade e também nestes últimos anos e, de modo brilhante, no interpretar da sua morte como um retorno à casa do Pai. E fê-lo com tanta clareza que ele nem receou escrever numa das suas cartas mais recentes: “Adeus! Para ti e para toda tua comunidade. Tão logo chegue lá acima, vou pedir a São Pedro uma maneira de falar cá para baixo!” Tenho a certeza de que já o fez e que muita gente já terá dado por isso». E. T. |
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