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| Irmão ANTONIO COSTARDI |
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| Por P. Giacomo Mazzotti | |
| 12 de March de 2006 | |
IRMÃO ANTONIO COSTARDI1931-2003 Era filho de Antonio e Santina Pedroni e nasceu em Palosco (BG) a 15.12.1931. Entrou para o Instituto em 1949 e professou em 1952. O seu primeiro campo de trabalho foi em Alpignano como chefe de oficina, instrutor e professor dos candidatos a irmãos auxiliares. Entretanto diplomou-se como técnico de mecânica na escola salesiana de Rebaudengo (TO). Depois de 12 anos de “marmita” na retaguarda, foi finalmente enviado para Roraima em 1967. Foi grande a sua alegria, que manifestou ao padre Domenico Fiorina, superior geral: «…deu-me um grande presente, que há tantos anos desejava e que não foram em vão, antes me serviram para aprender muitas coisas que serão úteis na missão para bem das almas. O meu obrigado pela estima e pela confiança que deposita em mim…». Logo foi feito chefe de oficina da escola de artes e ofícios de Calungá (Boa Vista), cargo esse que deteria até 1977. Em 3.7.1967, tão logo entrou em funções, manifestou ao superior geral as boas impressões que tinha e o desejo de bem fazer que o animava: «Confesso que me agradou muito o ambiente, e também os confrades. Tenho assim a possibilidade de fazer muito trabalho: as obras não faltam e a boa vontade também não. Esta semana, por insistência dos superiores, assumi a responsabilidade da oficina. Conto em cumprir bem o meu dever e estou animado de boa vontade e do desejo de fazer algum bem». Ajudaram-no neste bom começo as boas relações que teve com os confrades, sobretudo com o irmão Marino De Cesari que trabalhava na mesma escola e com quem «partilhamos alegrias e canseiras». Passados alguns meses, a 15 de Novembro, escreveu de novo ao superior geral a contar-lhe maravilhas sobre a união de intenções que havia e sobre a fraternidade que se vivia: «Eu procuro ser prestável aos meus confrades em tudo o que de mim depende. Com os irmãos Marino De Cesari, Giovanni Leonardi e, agora, Pietro Menegon que a nós se junta, somos de uma só alma, animados pelos mesmos ideais. Senti-me muito feliz ontem, quando, todos juntos, lançámos os alicerces da serração. Trabalhámos com bom ritmo e com uma harmonia que deixou os nossos alunos boquiabertos… Senhor Padre, como é lindo trabalhar com caridade, com entendimento mútuo: até parece que as dificuldades desaparecem e os problemas se resolvem sozinhos. Peço a Deus que nos guarde sempre neste espírito». Durante este período, embora a caminhada fosse comprida, o irmão perseverou e aplicou-se com todo o empenho para que a escola conseguisse o reconhecimento oficial. Mas a escola não era a única coisa a desenvolver; a actividade pastoral tornar-se-ia expressão plena do seu espírito missionário. E foi uma actividade que o envolveu por completo. Ao escrever ao padre Tullio Martinelli, seu amigo e ecónomo geral, a 25.3.1972 dizia: «Passo os Sábados e os Domingos no bairro de São Vicente: dou catecismo, tendo nós já começado a fazer baptizados na nossa pequena igreja. Procuramos elevar o ambiente em termos de religião. Eu também ando a visitar as famílias que, na maior parte, surgem de uniões fracas e acabam sempre por se separarem… uma grande confusão! O mesmo se diga dos sacramentos para os filhos. Temos um grupo de jovens que nos ajudam. Fundámos entre eles o “clube da amizade” que se dedica ao jogo de voleibol…». Entre 1977 e 1994 trabalhou sucessivamente em São Paulo, Erexim e Cascavel como animador missionário e vocacional. Trabalhou em equipa com os animadores, visitando escolas e paróquias, apresentando a vocação de irmão auxiliar, sendo muitos os jovens que, por causa do seu testemunho, entraram para os nossos seminários. As muitas cartas que durante este período mandou ao superior geral de turno, incluindo relatórios de viagens, convívios e visitas feitas, são um testemunho evidente dum trabalho enorme, que foi fazendo com devoção, paixão e entusiasmo. O padre Giovanni Zinni, superior regional, assim lhe escrevia em 26.4.1986: «Fiquei admirado ao ler todo o teu vaivém pelo Paraná e louvo a tua generosa dedicação – que Deus recompensa com uma boa saúde, como tu próprio dizes. Será lá possível que todo este esforço não produza vocações? Eu creio que sim!». No ano de 1992 veio à Itália passar férias e foi obrigado a ser internado no hospital para fazer uma operação a um joelho ao qual já tinha sido operado no passado mas que ficara a doer-lhe todos estes anos. Ao escrever ao padre Luigi Morgano, superior regional, dizia: «Ontem fui ao Santuário da Consolata: rezei por toda a Região e os seus problemas; rezei para que Ela nos ajude na nossa renovação espiritual, para que possamos ser cada vez mais homens de Deus; se não quisermos fracassar. Não há dúvida: se quisermos que Deus nos abençoe, tal como a Consolata e o beato Fundador, teremos que voltar a viver uma vida mais autêntica, com menos “activismo” e com mais vida interior. Creio ser este o caminho para que haja mais vocações e para que haja perseverança. Para este fim oferecerei a Deus os meus sofrimentos e todas as incertezas que esta operação me traz». Em 1995 voltou para o Roraima para trabalhar, primeiro a serviço da missão do Catrimani, que é uma missão de fronteira entre os índios Yanomami e, a seguir, uma vez mais na escola de artes e ofícios de Calungá (1997-2002). A situação económica da escola estava complicada, com perigo de talvez ter de fechar. Mas o Irmão António não se rendeu e, como ele próprio contou «joguei a última cartada entrando em contacto com ex-alunos da escola, que agora são deputados na Assembleia Estatal ou mesmo empregados em boas posições da burocracia do Estado. Manifestei a todos a situação que corríamos na escola que um dia fora deles e que agora estava ameaçada de fechar as portas. A reacção foi imediata, sobretudo por parte da “Primeira Dama”, a esposa do governador, desde há muito pessoa simpatizante com a causa da escola, e também de Francisco Guerra, meu antigo aluno e braço direito no trabalho de rectificação de motores, há tantos anos. Este último até elaborou um projecto para ser apresentado na Assembleia dos Deputados para que fosse atribuído à escola o estatuto de “entidade de utilidade pública” e assim poder conseguir financiamento estatal. Na véspera do debate parlamentar, fui visitar os vários deputados, incluindo o Presidente da Assembleia, a quem expus as actividades e a utilidade da escola. Intervieram cinco deputados no debate, todos eles ex-alunos da escola. Claro que eu passei por momentos de grande tensão, visto que estava em jogo o futuro desta obra e, cá por dentro, rezava à Consolata – no fundo a obra era dela. No fim, o resultado foi surpreendente: de entre 15 deputados, 15 votaram a favor, e com grandes elogios à actividade da escola». O Irmão António tinha vencido a batalha, que era afinal a batalha da caridade conduzida com inteligência, paixão e confiança na Consolata que ele amava ternamente, como seu filho. Os anos passaram e chegou o momento da provação. Foi atacado por um tumor que o obrigou a deixar os seus queridos índios e ir parar a Alpignano no dia 8 de Junho de 2003. No dia 18 de Junho foi internado no hospital de Rivoli, onde faleceu no dia 27, festa do Sagrado Coração de Jesus. Tinha 72 anos de idade, 50 de profissão religiosa e 35 de vida missionária. O funeral foi no dia 3 de Julho, tendo presidido Mons. Aldo Mongiano. Os padres Silvano Cacciari, Giuseppe Mina e Luciano Stefanini apresentaram os seus testemunhos. Assim como sobre o manto da Consolata brilham três estrelas, o mesmo acontece com a vida espiritual do Irmão António: foi grande animador litúrgico, pastoral e vocacional, sempre atento às necessidades das comunidades de Roraima e peregrino de paróquia em paróquia no Brasil, em contínua procura de vocações. O Irmão António foi grande educador e instrutor profissional logo na jovem casa de formação dos irmãos em Alpignano e na criação da escola profissional de Calungá, Roraima, que obteve reconhecimento oficial. Ele foi acima de tudo um missionário convicto, amante do Instituto, religioso exemplar, herói no sofrimento, que não conseguiu travar o seu trabalho no complicado caminho de comunicação com os Yanomami. Uma vez obrigado a voltar à Itália, foi admirável na serenidade com que enfrentou as operações e a imprevisível e misteriosa morte, apesar dos melhores cuidados especializados que recebeu no hospital Koelliker. Na Missa de exéquias participaram familiares, confrades e Irmãs conterrâneas de Palosco e de várias casas vizinhas. P. Giuseppe Villae Redacção de “Da Casa Madre” Depois das exéquias em Alpignano, o féretro seguiu para Palosco, a sua terra natal, onde os seus restos mortais ficaram em câmara ardente na Igreja paroquial para encontro com os fiéis. No dia seguinte, 4 de Julho, pelas 18 horas fez-se um solene funeral, que foi presidido pelo pároco. Estavam presentes o padre Franco Gioda, superior regional, os padres da casa de Milão e da de Bedizzole, alguns padres seus conterrâneos, as Irmãs da Consolata e muitíssima gente. O seu antigo pároco da aldeia, Afonso, que conhecia bem o irmão António, fez um longo sermão em que relatou vários episódios e algumas confidências sobre ele. O Presidente do município também fez uma intervenção no final da missa, agradecendo ao Irmão pela sua obra e recordando que a própria administração municipal ajudara os seus projectos de desenvolvimento. O Irmão António ficou sepultado na capela dos padres, no cemitério da aldeia. Lugar vazio O Irmão António Costardi partiu para sempre. Era uma Sexta-feira de manhã, e a Igreja celebrava a festa do Sagrado Coração de Jesus. Já silencioso desde alguns dias e ainda internado no hospital, tinha terminado a caminhada de uma vida gasta pelo bem dos outros e por Deus. Tínhamo-lo recordado havia apenas alguns meses, por ocasião dos seus 50 anos de profissão religiosa como Missionário da Consolata. A doença já tinha começado a espreitar: tínhamos intervindo com uma longa operação e esperava-se que tudo corresse pelo melhor. Ele, que era um vulcão de ideias, viu-se obrigado a parar, adiar projectos e esperar (impacientemente) as decisões dos médicos – mas continuando sempre a sonhar com o Brasil e com a escola que fizera “renascer” para os seus índios… Não se resignava a ficar por aqui e parecia-lhe impossível não poder voltar à sua missão. Era uma pessoa que só vivia para isto, missionário na cabeça e no coração e plenamente convicto da sua vocação: não era padre, mas, como escrevíamos, “simplesmente um irmão”. Esta sua fé, do essencial e cheia de força, já vinha da família, absorvida no ambiente cristão da sua terra, reforçada pela palavra e pelo exemplo dos padres que o tinham educado. Tendo partido finalmente para o Brasil, tinha conseguido dar asas à sua generosidade, sempre disponível para os vários cargos que lhe foram confiados – mesmo os menos fáceis, como por exemplo a animação missionária nas paróquias e nas escolas ou a integração em grupos primitivos de índios da floresta amazónica. Embora já tivesse passado dos 70, ainda não se sentia reformado, de forma que o seu futuro continuava ocupado com projectos e sonhos. Por isso é que a doença não poderia ser para ele senão um pequeno parêntesis… Vira-o dois dias antes de ele falecer, no calor sufocante dum Verão demasiado quente. Cumprimentara-me com um sorriso amável e deu-me a ilusão de que o veria em casa dentro em pouco. Bem me enganei. Adeus, António, meu irmão e meu amigo – Missionário valente e generoso. Agora que estás no coração de Deus, lembra-te de nós. E, se puderes, vê se continuas a arranjar alguém que tome conta do lugar que deixaste vazio! P. Giacomo Mazzotti |
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