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| Padre LIVIO TESSARI |
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| Por Giovanni Tebaldi | |
| 12 de March de 2006 | |
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PADRE LIVIO TESSARI 1928-2003 A missão vem de longe O padre Lívio Tessari nasceu em Silvelle di Trebaseleghe, na província de Pádua, diocese de Treviso, a 2 de Dezembro de 1928, de uma família de agricultores e pequenos proprietários. O Lívio frequentava a paróquia assiduamente durante a idade escolar. No quinto ano obteve distinção em religião, trabalhos manuais, comportamento e higiene. Entrou para o Instituto em 1940, frequentando o básico em Montevecchia e Vittorio Veneto e o secundário em Cereseto e Varallo Sesia. Em 1949-1950 fez o Noviciado na Certosa di Pesio, que terminou com uma avaliação invejável: «É um bom elemento – podemos ler na sua ficha pessoal. Tem uma piedade sólida e constante; é de convivência fácil e agradável, cheio de iniciativa. É de bom carácter: debaixo do manto da simplicidade e sem barulho, fica um coração de ouro e uma enorme bondade… Tem apego à sua vocação e ao Instituto… pelo que será certamente um bom missionário». Foi ordenado a 20 de Junho de 1954 por Mons. Lorenzo Bessone, que acabaria por ser o seu primeiro bispo no Quénia. Entre 1954 e 1959, tendo em mira as missões da África, o padre Lívio dedicou-se a estudos técnicos e tornou-se professor dos jovens Irmãos missionários na Escola Técnica de Alpignano. A seguir, entre 1959 e 1961, foi assistente em Vittorio Veneto, seguindo-se o cargo de ecónomo na casa de formação de Biadene. Em 1961, tendo sido destinado ao Quénia, ainda colónia inglesa, foi para Londres estudar inglês. Chegou ao Quénia em Fevereiro de 1962. O seu primeiro cargo foi o de ajudar a fazer a instalação eléctrica para o fornecimento de água e funcionamento da unidade de Raios X no hospital de Nkubu. Ao mesmo tempo começou a familiarizar-se com a língua local para se poder tornar eficaz no trabalho pastoral e missionário. No mês de Outubro de 1962, o Bispo Dom Lorenzo Bessone entregou-lhe a missão de Kyeni, no distrito de Embu, onde começou a sua década de intensa actividade missionária. A missão arranca do coração Deus cria um missionário sempre segundo o coração das pessoas; e o Quénia pós-1963 era um desafio, o de uma nova estação que resultava do debate político mas também de sangue derramado, pronto para a construção dum país e duma igreja local. Foi nesse contexto de expectativa que o padre Lívio se viu ao lado da sua gente como um amigo, um catequista e um formador, demonstrando uma fé profunda e concreta capaz de estimular os cristãos a contribuírem em primeira pessoa para a construção da sua pátria com disponibilidade absoluta. Esta actividade assentava nas raízes da coerência espiritual: «a sua espiritualidade não assentava no sentimento – afirma o seu pároco, Daniele Bortoletto, que o seguiu de perto na caminhada missionária. Assentava na reflexão, na meditação e na contemplação de base bíblica. Este espírito de interioridade alimentava a sua vibrante inteligência prática, a sua capacidade de organização, que tornava os africanos pessoas participativas nas várias iniciativas a seu favor até os tornar artífices da sua própria história». Foi este espírito de interioridade que animou o seu serviço em prol do desenvolvimento humano e cristão, sem se deixar levar pela vaidade do sucesso. Os seus objectivos eram inconfundíveis: a evangelização tinha absoluta primazia e fazia-se pelo exemplo e pelo diálogo – na convivência com o bispo e respectivo presbitério e na escolha de algumas prioridades, sendo as igrejas como lugares de encontro e oração a mais importante. Vale a pena recordar que, de entre as muitas igrejas que construiu com as respectivas comunidades cristãs, sobressai a de Karaba Wango, que foi construída segundo a planta do arquitecto Emílio Maiga de Sanremo. Ela representava a cooperação missionária de muita gente, entre os quais o Bispo de Treviso, Mons. Migani, que ofereceu um cálice e uma píxide; as Irmãs de Roma, que ofereceram a Via Sacra; e a Caritas de Roma, que ofereceu os paramentos, por exemplo. A evangelização como prioridade Foram duas as prioridades que considerou essenciais à evangelização e ao desenvolvimento humano: a educação formal e a saúde. Demonstrou uma capacidade extraordinária de organização nestes sectores, sempre assente na discrição, na honestidade mais pura e na ajuda das associações paroquiais, grupos de apoio e ONG, tanto quenianas como italianas. Não conseguia tolerar uma comunidade cristã que não tivesse cor nem forma. Por isso, durante os seus anos de missão, criou em Kyangunyi um Catholic Women Social Centre e, em Kyeni, uma “Catechistical & Bible School” para jovens. Através do financiamento que conseguiu da “Sviluppo e Pace” de Turim, construiu em Kyeni-Kiaragana as “locais” da “Women’s Union for Social Action”; criou 12 escolas elementares nas aldeias da missão e começou duas escolas secundárias para rapazes. Uma delas, para raparigas, ficou conhecida como a “Kyeni Girls Secondary School” que era dirigida pelas Ursuline Sisters of Brentwood-England e se tornou famosa pelos óptimos resultados que conseguia nos exames finais. Entre 1990 e 1991, com a aprovação do governo e da Diocese de Embu e com a doação de 32,3 hectares de terreno pela população local, o padre Lívio fundou a Wachoro Boys Secondary School e a Gitaraka Girls Secondary School que, num período de poucos anos, se tornaram eficazes na resposta às necessidades educativas daquela área. A imprensa nacional deu amplo espaço à inauguração da Gitarakwa Girls Secondary School com a presença das autoridades, de parlamentares e do ministro da Agricultura, Mr. Jeremiah Nyaga, que manifestou o seu apreço pelo que os Missionários da Consolata andavam a fazer no sector da educação. No final da cerimónia, o padre Tessari confiou a gestão da obra a uma comissão interina até à passagem dos poderes à presidente que designara, Miss Catherine Njagi. Era esta uma das características mais apreciadas no padre Lívio, ou seja, a entrega de cada obra à responsabilidade do povo, reservando para si apenas o trabalho da continuidade das obras mediante constituição de grupos de apoio, de simpatizantes e de recursos. O outro sector, o da saúde, tinha a sua preferência porque considerava urgente a oferta de serviços, ainda que mínimos, aos milhares de doentes que não tinham acesso aos lugares de tratamento, dando-lhes uma educação pelo menos elementar. Esta sua preferência revelou-se logo desde o momento da sua chegada à missão de Kyeni em 1962, onde já havia um pequeno hospital dirigido pelo Doutor Antonio Lucia. A este respeito, vejamos o que o próprio Doutor nos tem a dizer: «Encontrei-me com o padre Lívio pela primeira vez por volta do ano 1961 quando passou por Kyeni (Quénia) com Mons. Lorenzo Bessone… Vinham de Nairobi e iam para Meru passando por Kyeni, Chuka, Egoji e Nkubu… Durante uma breve paragem em minha casa, fiz-lhes notar que seria bom termos no hospital maior disponibilidade de energia eléctrica. Daí a poucas semanas chegava a Kyeni um gerador com capacidade duas vezes maior do que a daquele que tínhamos e era o padre Lívio em pessoa que no-lo trazia – e mal tinha sido destinado a Kyeni! A partir daí fomos amigos inseparáveis, trocávamos todas as nossas opiniões, e corremos ambos pela mesma causa (do hospital) sem nunca parar…». É justo recordar aqui que foi nos anos 1962-1972 que o padre Lívio e o Dr. Lucia, com a ajuda das Irmãs Missionárias da Consolata, desenvolveram o Hospital de Kyeni, dotando-o de todos os aparelhos necessários. Com a ajuda da diocese de Fidenza, foi possível dotar o hospital de laboratório clínico, escola de enfermagem, departamento neo-natal, aparelhos de Raios X e instalações mais eficientes de água e electricidade. Em 1968, o padre Lívio começou em Ishara a missão e o hospital com o apoio da diocese de Veneza – hospital esse que em poucos anos foi adoptado pelo governo para dar assistência de saúde ao povo daquela área. Em 1973 foi destinado à Casa Geral de Roma e, durante cinco anos, aí exerceu funções de coordenador do auxílio às missões. O seu trabalho específico era o de apresentar às várias Agências projectos de desenvolvimento para as missões, e assim conseguir os meios necessários para os concretizar. Nesta função, com ofertas vindas da Associação “Sviluppo e Pace” de Turim e da Comunidade Económica Europeia, conseguiu financiar as “locais” da Women’s Union for Social Action em Kyeni-Kiaragana e dar resposta às necessidades de alguns estudantes quenianos na Itália. De regresso ao Quénia em 1978, o padre Tessari aplicou as suas energias na missão de Kiangunyi, então parte da diocese de Nyeri, onde desenvolveu a sua actividade entre as várias comunidades da paróquia e nas escolas. Aí deu início ao Women’s Social Centre e organizou definitivamente a Girl’s Secondary School, instalando as estruturas necessárias para os dormitórios e dotando a escola de electricidade e água em abundância. Quando a missão passou para a dependência directa do clero local em 1983, o padre Lívio foi transferido para a Missão de Karaba, que fica numa região árida. E quando houve uma longa seca em 1985, organizou um programa de apoio, com alimentos doados pelo World Food Program-USA, salvando assim a vida de muita gente. Em 1985, com a ajuda da Caritas italiana, dos “Fondi Aiuti Italiani” e do Governo do Quénia, criou o “Karaba Integrated Project” que envolvia: - a plantação de 150.000 árvores em terrenos em risco de desflorestamento; - a distribuição de 2.600 cabeças de gado a famílias vitimadas pela seca; - a realização de vários furos para água potável e a construção de 9 escolas para mães. Ao mesmo tempo, com a ajuda dos catequistas, o padre Lívio mantinha em andamento as actividades pastorais, contribuindo para o aumento dos cristãos. Em 1989 deu início à nova paróquia de Karaba Wango, onde usou todos os seus talentos práticos e espirituais durante dez anos até 1998, fazendo dela uma missão modelo com estruturas educativas e religiosas, coroando tudo com a bênção da linda e funcional igreja paroquial. Em 1998, quando o padre Lívio foi chamado a Roma pelos superiores para assumir o cargo de Director do Secretariado para a coordenação dos hospitais IMC nas missões – cargo que desempenhou até 2002 – Mons. Silas Njiru, Bispo de Meru, que conhecia bem a obra que realizara no Quénia, enviou-lhe uma linda carta de parabéns, dizendo, entre outras coisas, o seguinte: «Caríssimo padre Lívio, quero dizer-te o meu mais sincero obrigado pelo serviço que prestaste durante muitos anos às dioceses de Meru e Embu. Todos nós vimos e apreciámos todo o bem que fizeste nas paróquias de Kyeni, Kevote, Karaba e Karaba Wango. Em toda a parte deixaste marcas bem visíveis e indeléveis. O povo recorda-te e continuará a recordar-te no futuro. Fica com a certeza de que a semente que plantaste haverá de germinar e dar fruto». Nos últimos anos da sua vida, esta actividade em prol dos doentes e das estruturas de saúde ocuparam-no por completo, corpo e alma. Ele tornou-se ponto de referência para médicos desejosos de dedicarem os seus conhecimentos aos hospitais de missão. Foi exactamente durante uma vistoria na zona pobre de Tharaka na companhia do Doutor Giorgio Giaccaglia que viram uma rapariga a dar à luz na estrada. “O Padre Lívio Tessari da Consolata logo lhe sugeriu: “Temos que fazer um hospital para mulheres e crianças» (cfr. “La Voce”, jornal da diocese de Ferrara-Comacchio). O projecto foi apadrinhado pela cidade de Ferrara, pela Associação “Miliano De Marco” e por grupos de apoio de Montebelluna e de Cápua. Passados dois anos, o hospital (com 50 camas, duas salas de operações, uma de radiografia e um laboratório) já estava em funcionamento, graças à presença do Doutor Giorgio Giaccaglia e de Irmãs enfermeiras indianas. Mas a saúde do padre Lívio já andava a fraquejar depois dum complicado enfarte que o vitimara em Catânia no mês de Fevereiro de 2002. No dia 15 de Junho de 2003 foi transferido para o hospital Koelliker de Turim, onde lhe foi diagnosticado um tumor no fígado. No dia 30 de Junho de 2003 veio a falecer em Alpignano. O padre Artemio prestou honras à memória do seu irmão Lívio com palavras comovidas que dirigiu aos muitos missionários presentes na missa de exéquias. Os seus restos mortais foram trasladados para a sua terra natal, descansando ao lado dos seus pais. O pároco de Canizzano-Treviso, Daniele Bortoletto, disse aos amigos que enchiam a igreja: «Deixou-nos um homem incansável na obra do evangelho: quem vai substituí-lo?». Giovanni Tebaldi
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