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| Padre Angelo Pagani (1928-2003) |
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| Por Giovanni Tebaldi | |
| 12 de Março de 2006 | |
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“É ‘bergamasco’ até nas práticas de piedade” – é o relato na sua ficha de noviciado. Era muito apegado às terras de Bérgamo, manifestando o modo de ser das pessoas dessa região no seu estilo, no comportamento, no trabalho, no sacrifício e na sobriedade. Tinha boas raízes. O município de Castelli Calepio, na província de Bérgamo, onde nascera a 24 de Fevereiro de 1928, de Pietro e Picchi Lucia, era habitado por famílias de agricultores e pessoas a dias que casavam a honestidade com a prática religiosa. O Ângelo frequentou as escolas elementares de Cividino e Palazzolo sull’Oglio, tornando-se aprendiz de envernizador aos onze anos. Mas isso durou pouco.
A 2 de Outubro de 1941, com a guerra no auge, entrou para o Seminário de Montevecchia, onde a vida encontrava protecção contra a fome mas onde a comida tinha que ser dividida entre os colegas, com muita parcimónia. O pároco de Cividino, Ângelo Brignoli, ao ser interrogado pelos superiores do Instituto a respeito de Ângelo, atestou o seguinte: «A sua boa vontade é do mais alto grau e tem uma cultura bastante boa. No que toca ao espiritual, é o melhor dos rapazes que poderia ter aqui». Em Montevecchia, o Ângelo continuou a fazer a sua escolaridade; no fim da guerra foi para o Seminário de Varallo Sesia fazer o Secundário. No ano lectivo 1949-1950 fez o Noviciado. Ao terminá-lo, o Mestre de Noviços fez dele a seguinte descrição:…«É um bom elemento. Tem uma piedade sólida e constante; é dócil e flexível; é de fácil e agradável convivência. Não revela grande inteligência, mas é muito aplicado. É pessoa de iniciativa e bom senso no trabalho manual. É generoso no esforço e no sacrifício: a generosidade é a sua característica principal. É um jovem feito da tradicional firmeza dos ‘bergamascos’: poucas palavras, mas muita acção…»
Foi ordenado sacerdote em Turim no dia 20 de Junho de 1954 por Mons. Lorenzo Bessone, Bispo de Meru (Quénia) e, logo no dia seguinte partiu para Londres. Assim escreveu ao Superior Geral, o Padre Domenico Fiorina: «Chegámos ontem à noite à estação de Londres. Estava à nossa espera o Padre Mario Borelli…A casa parece muito linda e acolhedora. Talvez fiquemos aqui em Londres para tirar o curso de língua inglesa». Mas não ficou por muito tempo, afinal. Entre 1955 e 2003 encontramo-lo na Tanzânia nas missões de Kipengere, Kisinga, Nyabula e Matamba – nomes que nos lembram os confrades que ali semearam o seu espírito missionário em condições de extrema pobreza. A missão de Kipengere está ligada ao Padre Bartorelli devido à sua actividade educativa e pertence agora à Diocese de Nyombe, que nasceu no ano de 1968 por desmembramento de Iringa e Peramiho. Para essa mesma diocese foram também as missões de Kisinga e Matembwe, sendo que esta última é uma fortaleza luterana fechada ao ecumenismo. A única missão que continuou ligada a Iringa foi Nyabula, essa missão que o Padre Emílio Oggé descreveu no seu livro “Come nasce una missione”. Foi nestas paragens duramente testadas pelo tempo, pela guerra e pela pobreza que o Padre Ângelo labutou durante 49 anos no estilo ‘bergamasco’ que foi amadurecendo em contacto com Deus e com as pessoas. A sua fé em Deus foi tão grande como o seu amor pelos seus paroquianos – e como as dores que sentia no corpo. De facto, sofria de bronquite crónica, de diabetes, de hipertensão e de má circulação. Conforme testemunho do Padre Giuseppe Inverardi, “suportou tudo com serenidade, nunca fugindo a qualquer actividade por razões de saúde”. Sempre fez pastoral com enorme delicadeza no meio dos jovens e dos adultos. Mas a sua saúde já andava muito fraca, não aguentando mais. Conseguiu celebrar a missa com os seus confrades até ao dia 6 de Julho. Mas nos dias 7 e 8 já se não levantou para a concelebração da manhã. Apareceu ao pequeno almoço e celebrou a eucaristia mais tarde. No dia seguinte, 9 de Julho, era esperado ansiosamente. Procuraram-no e foram dar com ele todo curvado contra a cabeceira da cama, de cabeça dobrada para trás. Foram muitos os confrades e as irmãs que fizeram vigília aos seus restos mortais e estiveram presentes na concelebração que logo se realizou em Nyabula. Na Sexta-feira seguinte, realizou-se uma eucaristia solene a que presidiu Mons. Tarcisius Ngalalekumtwa na catedral de Tosamaganga. Concelebraram com ele 44 sacerdotes perante uma multidão de paroquianos, amigos, irmãs Missionárias da Consolata, irmãs Teresianas, irmãos do SCIM e seminaristas. Na sua homilia, o Bispo exaltou a personalidade do Padre Ângelo Pagani: era simples, firme, nada teórica. Giovanni Tebaldi
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