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| Padre Pietro Lorenzo Ori (1920-2003) |
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| Por P. Giovanni Tebaldi | |
| 12 de March de 2006 | |
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Era de Reggio Emília e trazia consigo a marca duma região que deu ao Instituto valiosos missionários e missionárias. Tinha carácter alegre e expansivo, não se deixando levar pelas realizações, mas acabou por ser muito activo e um grande construtor. Nasceu a 13 de Julho de 1920 na casa dos seus pais Sisto e Compagni Veronica. Entrou para o Instituto em 1933. Fez a sua educação nas casas de Sassuolo, Favria Canavese, Varallo Sesia e Certosa di Pesio. A guerra tinha convulsionado tudo. Assim, os seminaristas andavam duma casa para outra para fugir aos bombardeamentos e às surpresas da fome. O seminarista Ori professou em Rosignano no dia 2 de Outubro de 1944 e foi ordenado sacerdote no mesmo local no dia 15 de Agosto de 1945 pelo Bispo de Casale Monferrato, Mons. Angrisani. Desde a altura da ordenação até 1953, o Padre Ori foi professor, ecónomo e formador dos primeiros seminaristas da casa de Fátima, em Portugal. Os seus pequenos seminaristas de então, que já são hoje missionários na casa dos sessenta anos, lembram-no como uma pessoa que, graças ao seu espírito brincalhão e afável, sabia conquistar a confiança e a amizade das pessoas, envolvendo-as, assim, alegremente no estudo e no trabalho manual. A música, na sua qualidade de maestro, ajudava a condimentar este seu esforço pela formação de missionários trabalhadores e sadios. Mas a missão bateu-lhe à porta. Depois de ter passado um ano na Inglaterra, chegou à diocese de Meru em 1955, onde ficou até 1970 trabalhando em várias missões com inteligência e com dedicação. Todos lhe reconheceram alta qualidade de organização e espírito missionário. Tinha sempre acalentado um segredo: o de construir uma igreja para uma comunidade cristã. E foi assim que começou a edificar a igreja de Nkubu… mas não a pôde concluir por falta de dinheiro. Dirigiu-se então ao Superior Geral, o Padre Domenico Fiorina, a pedir-lhe ajuda. Quando menos esperava, chegou-lhe uma surpresa: ao chegar a Mombaça para passar férias, deu com a soma de 10.000 xelins à sua espera. Na festa de Nossa Senhora da Consolata, padroeira da missão de Nkubu, o Bispo de Nyeri acabaria por abençoar solenemente a igreja. «Foi uma sagração extraordinária: um tríduo de preparação, 500 baptizados, 50 casamentos. Depois de três anos de suor e sacrifício, estou satisfeito porque realizei o meu sonho». Era a altura do Capítulo Geral de 1969, que fora convocado para actualizar a doutrina e a metodologia do Instituto. O Padre Ori escreveu aos amigos do Quénia com alguma apreensão: «esperamos que os nossos padres capitulares actualizem o nosso Instituto em conformidade com o espírito do Fundador e do Concílio Vaticano II e não conforme os ventos de nortada que sopram…». Deixou cada uma das suas missões com a recordação de um padre dedicado aos valores da pessoa e do desenvolvimento humano. Assim confessou ele numa carta: «O ano de 1970 foi o ano de ouro da minha vida; foi o ano das minhas bodas de prata sacerdotais». Mas também foi o ano do sofrimento devido à perda do Padre Luigi Eandi, levado pelas águas do rio Ketheno. O seu corpo – escrevia ele – foi recuperado graças à intervenção dos mergulhadores e, poucos dias depois, foi sepultado em Egandene, a missão que fundara. O Padre Ori foi apanhado por uma onda de solidão após o desaparecimento do seu amigo. Mas a missão tem os seus prazos e só nos deixa pequenas interrupções para voltarmos a ganhar fôlego. Seguidamente, retomou a sua caminhada com grande confiança. Em 1971, apareceu-lhe outro horizonte – o qual compreende a faixa de território que confina com a Etiópia. Graças à obra do Padre De Marchi, e do Superior Geral, o Padre Mario Bianchi, realizou-se o desejo de todo o Instituto de voltar para a Etiópia, aquela terra que era a meta sonhada pelo Fundador. O Padre Ori escreveu ao Superior Regional, o Padre Guido Motter, a informá-lo de que fora enviado pelo Padre De Marchi a tomar parte na abertura deste novo campo de missão. «Estou pronto para ir com o Padre De Marchi até ao fim do mundo». Na verdade, as dificuldades de gestão logo se tornaram difíceis, devido à organização provisória dessa missão. Passados cinco anos, o Padre Ori pedia ao Superior Geral para «voltar às maravilhosas e inesquecíveis missões do Quénia». O Superior Geral pediu-lhe para se aguentar até o Conselho avaliar a situação. E a conclusão foi que, para bem das missões da Etiópia, deveria continuar. Por isso foi reenviado para a Etiópia a seguir à sua visita à Itália. Desde 1971 até 1977 foi director da escola dos Galla Arussi, passando depois a Shashemane no Vicariato de Meki, como director técnico das construções das missões e das escolas: qualidade esta que era reconhecida e solicitada por muita gente. Mas, por esta altura, já parecia ter consciência de que a sua aventura africana estava para terminar, e pediu para voltar para Fátima, onde começara a sua actividade missionária quando era novo. O Padre Domenico Zordan, seu amigo, convidou-o a ir com ele para Dire Dawa. “Se fores para Fátima, onde já há tantos padres, Nossa Senhora não será muito larga em bênçãos, porque o teu lugar não é lá». De facto, a demonstração só durou alguns meses. Deixou Fátima em 1988 para voltar à sua querida Meru onde fez actividade pastoral nas missões de Mekinduri, Timau e Mojwa, dando mais uma vez mostras de inteligente laboriosidade e de grande fé. Mas o cansaço começava a fazer-se sentir. Os anos de missão tinham desgastado as suas forças e ele sentia a necessidade de fazer mais um remate, que cumpriu com uma rápida passagem por Moçambique. No dia 22 de Junho de 2000, foi destinado à casa de repouso de Alpignano. E foi lá, no dia 2 de Outubro de 2001, que celebrou o seu 60.º aniversário de profissão religiosa. «Meu Caro padre Ori – escreveu-lhe o Superior Geral, Padre P. Trabucco em nome de todo o Instituto – o seu sereno acolhimento da vontade de Deus na presença do seu sofrimento físico é um dom precioso que certamente vai oferecer por todas as intenções do Instituto neste Centenário da sua fundação». Passou o resto dos seus dias na calma da Casa de Alpignano, acompanhado pela solicitude dos confrades, dos médicos e dos enfermeiros. Depois chegou o dia da parada cardíaca. O P. Giovanni Genta, que partilhou com ele a missão de Meru e esteve a seu lado nos últimos anos da sua vida, assim escreve sobre ele: «Do seu nome Pedro pode dizer-se dele que serviu ao Senhor na construção da Sua Igreja, de catedrais, capelas, escolas e universidades; do nome Lourenço pode dizer-se que coroou a sua vida totalmente dedicado aos pobres e ao seu instituto que amava acima de tudo». No dia 31 de Julho de 2003, fulminado por um ataque cardíaco, acabou os seus dias nesta terra. A sua lembrança continua viva em todos os que tiveram a sorte de o conhecer. P. Giovanni Tebaldi |
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