| Home |
| Endereços úteis |
| Pesquisa |
| Contacta-nos |
| Site Map |
| Padre Aldo Pellizzari (1942-2003) |
|
|
|
| Por Giovanni Tebaldi | |
| 12 de March de 2006 | |
|
A morte do padre Aldo Pellizzari foi de todo inesperada. Foi uma partida de surpresa, sem aviso, ao fim duma noite aparentemente calma e tranquila como todas as outras, mas tão triste como um adeus. Foi um enfarte que o fulminou aos 61 anos de idade na noite de 23 de Agosto de 2003, na missão de Makambako, a última etapa do seu intenso serviço missionário. Tinha trabalhado na diocese de Iringa-Tanzânia desde 1971 com a disponibilidade que o caracterizava e que fazia dele um amigo alegre e fiel. As missões que o receberam como pároco e guia são as mesmas que vivem da lembrança de muitos missionários da Consolata, para quem deve ir o mérito de terem acompanhado o nascimento da Igreja local com sacrifício e dedicação. Nyabula, Ng’Ingula, Matembwe, Igwachanya são algumas das missões em que o Padre Aldo se entregou todo num amor sacerdotal tanto aos vizinhos como aos afastados, escrevendo uma das mais belas páginas da igreja africana. Havia nele os elementos constitutivos da missão de todos os tempos: uma fé sacerdotal simples e imediata que provinha de longe, desde os primeiros anos que passou na paróquia de Montebelluna, onde nasceu a 11 de Julho de 1942 de Attilio e Maria Baldin. A maturação da sua fé e do seu amor haveria de se manifestar durante os anos de formação no Instituto dos Missionários da Consolata nos seminários de Biadene (ciclo), Vittorio Veneto (secundário), Certosa di Pesio (noviciado), Varallo (curso filosófico) e Turim (curso teológico). Em 8 de Março de 1969, a poucos meses da sua ordenação sacerdotal que teve lugar a 21 de Dezembro de 1969, o Padre Igino Carnera, que foi seu director espiritual, assim se lhe referiu: «O Aldo Pellizzari é um jovem como os outros, que vive com intensidade a sua vida, com as virtudes e os defeitos que o caracterizam. Foi estudante nos nossos seminários menores e, por isso, educado na disciplina desse ambiente e que, pouco a pouco se sentiu ser dono da sua própria liberdade, aberto a todas as possibilidades. Actualmente, o Aldo parece ter feito a descoberta de si próprio. Sente vivamente o seu ideal sacerdotal e missionário, e fez essa verdadeira descoberta por contacto com as pessoas. Ele diz – e eu acredito – que foi o movimento Mani Tese (Mãos Estendidas) - a ter maior influência sobre a sua formação, e ao qual deu tanto do seu tempo e das suas energias. Teve a oportunidade de tirar a medida ao seu auto-controle, à sua grande sensibilidade e à sua afectividade que conseguiu refrear com esforço e com alguma dificuldade, subordinando-os à sua vocação. Em suma, parece-me ser um jovem sério, à procura da autenticidade, bastante extrovertido e capaz de muita doação aos outros…A liberdade não lhe subiu à cabeça; conservou o seu estilo de pobreza, o sentido da adaptação jovial às situações e à convivência espontânea. A obediência não lhe parece difícil quer em virtude da flexibilidade do seu carácter quer em virtude do bom espírito de que está animado. Tem defeitos e está consciente deles; mas imagino-o no futuro como um bom padre, com confiança e simpatia». Esta descrição, que quase parece escrita ao fim duma vida, é uma identificação perspectivada daquilo que o Padre Aldo teria vindo a ser nos anos que se seguiram. Sensibilidade, afectividade e doação foram os elementos constitutivos da sua trasbordante humanidade que se esquecia de si e se derramava sobre as famílias pobres, sobre as crianças da rua e da escola, sobre os padres africanos e sobre os confrades que encontrava. Dava-lhes do que era seu desinteressadamente, tal como a mão direita não sabe o que faz a esquerda. A simplicidade de coração e a doçura de trato eram a fina flor do seu carácter, um resto da vida de criança avessa a toda a forma de complicação ou racionalizações que conservou ao longo da vida com a frescura das coisas que perduram. Pensava com o coração e era com o coração que vivia a missão, deixando em quem o visse a impressão de que via a vida como um jogo ou como a água duma cascata que desce por um vale abaixo. Pelo contrário, sabia adaptar-se a todas as situações, mesmo às mais difíceis, com o sorriso nos olhos e com uma profunda confiança na vida. Andava convencido de que o desenvolvimento da África não era um produto de importação e que seria alcançado pelos africanos com força de vontade e com sacrifício. «Acreditava na educação logo desde tenra idade – escreveu o superior regional da Tanzânia, o padre Giuseppe Inverardi – razão pela qual dirigiu a construção de 4 asilos. Na zona de Ukomola mandou abrir um poço. Comprometido com o bem estar dos jovens, construíra há anos, em Igwachanya, uma escola técnica para rapazes e outra para raparigas. Também se preocupava em arranjar emprego para jovens. Andava sempre a sonhar com possibilidades e projectos… raramente fáceis de executar. Mesmo assim não desistia. Nestes últimos meses, à vista de umas férias na Itália, andava mais tranquilo. No regresso queria continuar a sonhar e a realizar projectos. Não valia a pena pedir ao padre Aldo programas bem definidos e meios bem medidos. Não é que não visse a sua necessidade. Mas o seu estilo era o da espontaneidade e o do coração. Em tudo metia o coração, por todo o lado… Identificava-se com a actividade, as pessoas e o local. Facilmente se afeiçoava a tudo e a todos. Razão pela qual as substituições eram sempre um pequeno drama para ele. Mas, uma vez superado o primeiro choque, voltava a ser ele próprio, com a sua cordialidade habitual, sempre pronto a servir. Se calhar, nunca ninguém viu o Padre Aldo transtornado. Mas não é porque lhe fosse fácil. Ele próprio dizia que não reagia e que interiorizava tudo com a sensibilidade e com o sofrimento. Além disso nem sequer lhe faltou a “noite vocacional”. Foi ele próprio a confidenciá-lo à sua ficha pessoal ao escrever: “Novembro de 1974-Abril de 1975: Itália. Repensar”. A julgar do seu empenho seguido e da sua fidelidade à oração, saiu dessa noite iluminado e saiu reforçado do seu repensamento. Mais homem, mais padre, mais missionário». Há na sua vida missionária períodos de disponibilidade incondicionada para o serviço dos seus confrades. Principalmente dois: o de “profissional liberal” (como gostava de se chamar) na procuradoria de Dar es Salaam, desde 1987 a 1994, como encarregado do despacho dos negócios da região da Tanzânia e dos transportes nas várias missões. Ao volante do camião, o Aldo percorria as estradas poeirentas que ligam uma missão à outra. A sua chegada trazia sempre alegria. Um outro período de especial intensidade foi o de 1994-1999 na posição de ecónomo da Casa Geral de Roma, onde a disponibilidade para o serviço se tornou um trabalho ao mesmo tempo agradável e oneroso. Não será fácil esquecer aquela figura amiga que, sempre a andar pelas escadas e pelos corredores, revelava a sua presença e trocava uma saudação apressada com os confrades. Mas também sabia encontrar momentos de meditação e de recolhimento na oração diária e na adoração do Santíssimo no sacrário. Mas a missão voltou a chamá-lo uma vez mais; e o Padre Aldo respondeu com a mesma disponibilidade que o caracterizara. Foi-lhe entregue a paróquia de Makambako – Tanzânia, já fundada em 1954 , na diocese de Njombe. Retomou a sua actividade de doação à causa dos pobres. E fê-lo até ao dia em que Deus o chamou a Si. Os fiéis acorreram de vários lados para o velório e para o saudar pela última vez, depondo coroas de flores a seus pés. A Igreja de Makambako encheu-se de lés a lés. Os vigários gerais das dioceses de Njombe e Iringa, e o Bispo de Mbeya, Mons.Evaristo Chengula, IMC, concelebraram com mais 69 padres. O superior regional deu-lhe o adeus com palavras comovedoras. As Irmãs da Consolata que o tinham conhecido e sentido presente choraram-no como a pessoa querida e amiga. Agora, por decisão dos seus cristãos, o seu corpo repousa na missão de Makambako à sombra da sua igreja e ao lado dos seus fiéis. A sua memória vive no meio dos paroquianos de Montebelluna, muitos dos quais o tiveram por colega de infância e de vida. E ele continuará a amar a sua terra e o seu povo, a quem se sentia eternamente ligado. Giovanni Tebaldi |
| Quem são... |
| Santidade |
| Boletim Oficial |
| Documentaçâo |
| Nossas revistas |