| Home |
| Endereços úteis |
| Pesquisa |
| Contacta-nos |
| Site Map |
| Padre Franco Soldati |
|
|
|
| Por Giovanni Tebaldi | |
| 12 de March de 2006 | |
|
(1921-2004) Morreu Dom Soldati, um campeão das missões. Foi assim que “Il Cittadino”, o jornal de Lodi, noticiou a morte do padre Franco Soldati no dia 6 de Janeiro de 2004. Com ele desaparece o último dos quatro irmãos Soldati. Este religioso ancião tinha 82 anos e havia já muito tempo que sofria. É uma história um tanto incrível, esta de Franco, Gabriele, Pierino e Luísa Piera. Nascidos O padre Franco nascera Prestou alguns anos de serviço como assistente nos seminários do IMC e, finalmente, partiu para o Quénia. Deparou-se-lhe aí uma visão perfeitamente compatível que haveria de o arrastar a gastar a vida nos anos seguintes numa transformação do modo de pensar, de viver e de agir. Surgiu nele um processo de inculturação que haveria de seguir caminhos bem diferentes dos habituais e que não se esgotaria na simples justaposição de valores culturais, mas numa interiorização duma nova mentalidade. O padre Franco tornar-se-ia africano até à medula do seu ser e até se lhe tornar perfeitamente natural transmitir a mensagem evangélica em termos acessíveis e compreensíveis. Sob este aspecto, ele conseguiu transmitir uma mensagem de grande valor que merece ser replicada – não necessariamente em termos de estilo, que era único na sua originalidade e inimitável nas suas manifestações. Recordações biográficas O padre Ermanno Montini, que o encontrou na Itália e no Quénia, escreveu as seguintes notas autobiográficas: «O meu conhecimento da família Soldati remonta a muitíssimos anos (já cinquenta) quando eu, com os meus dez anos, e tendo acabado o básico, tinha confidenciado a um padre missionário a minha meia vontade de me fazer missionário como ele. Ele era então um padre jovem, cheio de entusiasmo, que eu tinha encontrado no mês anterior com a minha mãe em Bevera, na casa dos Padres da Consolata, e que se chamava Gabriel Soldati, irmão do padre Franco. Bem depressa acabei por conhecer o resto da família: quatro irmãos, sendo três rapazes e uma rapariga que tinham ficado órfãos de pai bem cedo na sua vida, e eram alimentados por uma mãe que trabalhava dia e noite à máquina de costura - mas que a tísica bem depressa arrancaria ao afecto dos filhos. Interveio logo a sua tia Giacomina, que os levou para sua casa e os tratou como a filhos seus. A nova família cresceu no afecto e nas dificuldades, de forma que Franco sentiu a responsabilidade pelos irmãos que, um a seguir ao outro, se tornariam missionários. O Pedro entrou para os jesuítas e foi missionário durante muitos anos no Extremo Oriente, enquanto que o Franco e o Gabriele foram para os Missionários da Consolata; a Aldina, mais nova, seguiria o mesmo caminho fazendo-se Missionária da Consolata sob o nome de Irmã Luísa Piera. Quando chegou o meu turno de ir para o Quénia, fui mandado para a diocese de Meru, na missão de Kyeni, hoje incorporada na diocese de Embu. Há vários missionários que, para nós, são verdadeiros gigantes. O padre Franco é um desses. Ele nunca fazia viagens compridas: ia uma vez por ano ao centro para exercícios espirituais e todos os sete anos (depois cada cinco) a Nairobi para apanhar o avião para a Itália. Trabalhava em Mwereria, palavra kimeru que agora compreendo melhor após vários anos de missão. Fundara uma obra para crianças deficientes Ainda sabia pouco sobre o padre Franco; só ouvia falar muito dele. Dezassete anos mais tarde, neste meu peregrinar, fui enviado para Kangeta em Igembe, e, por sorte, essa missão confinava com a do padre Soldati. Pude assim conhecê-lo bem. Ele e o irmão Argese, Mukiri – o silencioso – como o povo decidiu tratá-lo. Comigo vivia o padre Canova e, durante algum tempo, nós quatro formámos uma comunidade única com três residências diferentes : amámo-nos e ajudávamo-nos uns aos outros mesmo encontrando-nos raramente, de preferência no ‘chalet’ do irmão Argese. Da cooperação entre o padre Franco e o irmão Giuseppe nasceu o «Tuuru Water Scheme» - o maior aqueduto privado do Quénia, que foi definido pela “Misereor” como a fina-flor de todas as suas intervenções caritativas no mundo. Para sustentar as suas obras de caridade, o padre Franco escrevia artigos em revistas e jornais, batia a todas as portas e fazia de mendicante pelas crianças. A missão de Tuuru tornou-se uma cidadezinha ordenada e limpa, cheia de meninos deficientes, e o aqueduto acabaria por servi-los não só a eles mas a outras 200.000 pessoas. O padre Franco trabalhou nas missões de Egoji, Tigania e Turu. Tinha um conhecimento profundo da língua e da cultura local, procurando de todas as formas inculturar o cristianismo e tornar a sua mensagem relevante para todas as categorias sociais. Até se tornou mwariki; entrando para o grupo dos njuri ncheke e instalando-se frequentemente nas suas cabanas de retiro para meditar, estudar e compreender. Ia experimentando novos métodos de apresentar a mensagem e consumia-se só ao simples pensamento de se dar mais cultura ocidental que mensagem evangélica. Interrogava-se muitas vezes sobre se o caminho era certo, sem nunca pretender ou querer ensinar os outros. E foi daí que lhe veio a alcunha de “Mwereria”, quer dizer, aquele que mostra o caminho mas é calado, que se não impõe mas mostra o caminho claramente com o exemplo e apontando o percurso. É aquele que sabe para onde se deve ir e conhece os meandros para lá chegar; é reflectido e pensador. A sua casa foi muitas vezes uma morada provisória e a alimentação foi sempre frugal. Rarissimamente viajava para fora da sua missão: estava presente em muitas reuniões, e sempre nos exercícios espirituais de ano, quase sempre ausente das celebrações e das festas e quase nunca em visita a pessoas que não fossem da missão. Até comprara um cavalo para poupar em transportes, não porque lhe agradasse andar a cavalo. Passou muito dinheiro pelas suas mãos que se transformou em aquedutos, casas e alimento para as crianças e para os pobres, igrejas, escolas e construções para os outros. Tenho gosto em lembrar aquela festa que nós, Missionários da Consolata organizámos em Meru, a 7 de Outubro de 1990, por ocasião da beatificação do nosso fundador, o beato José Allamano. Foi tudo organizado pelo irmão Mukiri no santuário da Consolata de Mukululu. Deu-se uma participação em massa da família consolatina com o apoio de todos os padres e religiosas daquela zona. Nessa altura, o padre Franco foi escolhido como celebrante e pregador de ocasião. A trapa na selva O padre Franco Soldati era pessoa de poucas palavras mas sabia comunicar bem com a sua pena. Apareceram muitos artigos seus nas revistas do IMC, havendo muitas cartas a demonstrar a sua extraordinária capacidade comunicativa. Os assuntos são variados, conforme os tempos e os lugares. Assim, em Meru discutia-se sobre se traduzir a expressão do Pai Nosso “que estais nas nuvens” ou “que estais no alto”. O trabalho entre os Borana do norte ia avançando, mas era preciso dinheiro para construir escolas; em Kangeta estávamos à facada com os protestantes; o Quénia ficaria independente dentro Giovanni Tebaldi
|
| Quem são... |
| Santidade |
| Boletim Oficial |
| Documentaçâo |
| Nossas revistas |