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Convocação do XI Capítulo Geral PDF Imprimir E-mail
Por P. Piero Trabucco, IMC   
10 de March de 2006

20 de Junho de 2004
Festa Solene de Maria Santíssima Consolata


Caríssimos Missionários,
No dia solene da Festa da nossa Mãe e Padroeira, Maria Consolata, temos a alegria de emitir a convocação do Décimo Primeiro Capítulo Geral do Instituto. Numa contemplação devota da Sua imagem, compreendemos a grande necessidade de colocarmos sob a Sua protecção este acontecimento de tanta importância para o nosso Instituto, querendo ao mesmo tempo olhar para Ela como modelo sublime de consagração e serviço missionário.
Nesta carta, além de cumprirmos com os requisitos legais das Constituições, queremos relembrar alguns pontos que possam facilitar a nossa preparação e estimular em todos uma expectativa vigilante para que o Capítulo Geral se torne em verdadeira passagem do Espírito no nosso Instituto.

Significado do Capítulo Geral

Os Capítulos Gerais, que se têm celebrado desde 1969 de seis em seis anos, têm tido um papel insubstituível e fundamental para reavivar e manter viva no Instituto a estação da renovação que começou com o concílio Vaticano II. Os capítulos têm sido autênticos laboratórios de reflexão sobre a vida e a missão do Instituto e de discernimento sob a iluminação do Espírito acerca do futuro que enfrentamos. A redescoberta e a valorização do carisma do Beato Allamano, mediante o aparecimento de inúmeras publicações nestes últimos decénios, também permitiram às sessões capitulares manter a bússola apontada com precisão para aquela inspiração nas fontes que dá ímpeto à autenticidade de vida dos Missionários e segurança para os novos caminhos da missão.
As Constituições ilustram a natureza e a finalidade do Capítulo Geral de modo incisivo e claro: «O Capítulo Geral é a assembleia dos legítimos representantes do Instituto, reunida para examinar a sua vida e a sua actividade, definir orientações e dar normas. Na oração e na reflexão, deixando-se guiar pelo Espírito da verdade, o Capítulo questiona-se e confronta-se com o Evangelho, com as directrizes da Igreja e o carisma da fundação. Procura discernir, num determinado momento da história, a vontade de Deus para actualizar sempre mais o nosso serviço missionário» (Const. 110).
O Capítulo é antes de mais uma expressão privilegiada de comunhão e de reflexão no seio da nossa família que começa com a preparação, atinge o auge durante a sua realização e depois regressa aos confrades através da actuação das orientações capitulares. Estes três momentos são portanto um todo único que deve ser vivido por cada um com uma participação activa, evitando dar atenção quase exclusiva ao momento da realização do Capítulo. Todos levamos a peito o presente e o futuro do nosso Instituto. Portanto, sintamo-nos obrigados a participar nele de modo activo, embora sob modos e formas diferentes.
A reflexão atenta e a oração constante devem acompanhar estes três momentos porque a fasquia em jogo é elevada. Trata-se da nossa vida e da nossa missão. Deve fazer-se súplica constante ao Espírito Santo para seja o nosso guia, na companhia da intercessão do nosso Beato Fundador e com a assistência materna da Virgem da Consolata.
Se quisermos conhecer a “vontade de Deus” sobre o nosso Instituto, é preciso que a nossa atenção fique alerta face a um vasto horizonte: o mundo de hoje; a Igreja e o seu magistério; os desafios da vida consagrada e as interpelações, tanto velhas como novas, provenientes da missão.
O Capítulo Geral tem, por fim, o objectivo de eleger o novo Superior Geral e o respectivo Conselho. Prepara-se para este fim com a oração e o discernimento, levando em consideração o bem do Instituto e as novas exigências da missão que ele deve enfrentar. A este respeito deve encontrar eco na circunscrição um diálogo sereno e aberto, com o objectivo único de nos sintonizarmos melhor com os desígnios de Deus e discernir a Sua vontade.

A preparação

A experiência positiva que se fez no Décimo Capítulo Geral levou os respectivos membros a sugerirem que se repita o mesmo iter no Décimo Primeiro Capítulo. A Direcção Geral aceitou a sugestão e, assim, já encaminhou a respectiva preparação nos seguintes termos:
• Já se fez uma sondagem inicial entre os membros do Instituto para identificar a temática do Capítulo e o tipo de preparação a implementar;
• A Comissão Pré-Capitular já redigiu o texto dos Lineamenta (ou linhas gerais), que obteve a aprovação da Direcção Geral;
• Os Missionários estão agora a estudar o texto dos Lineamenta, que irá de Maio a meados de Setembro, e enviarão seus contributos para a redacção do Instrumentum Laboris que será elaborado pela mesma Comissão;
• O Instrumentum laboris será entregue aos capitulares no final de Novembro, juntamente com a Agenda do Capítulo.
Confiamos aos Superiores das comunidades locais e das circunscrições o empenho pela animação do evento para que todos os Missionários possam oferecer a tempo os seus contributos de reflexão e de discernimento sobre os Lineamenta.

Tema: “Quero-vos assim…” – o nosso estilo missionário

Os últimos Capítulos Gerais optaram por concentrar a sua atenção sobre um tema único, embora não exclusivamente. A sondagem que se realizou entre todos os membros do Instituto revelou de novo a mesma sugestão: que o Capítulo aprofunde um assunto principal mas não deixe de abordar outros temas que os Capitulares entendam ter especial relevância para o Instituto. A maioria das sugestões que foram recebidas aconselha a escolha do tema: “O nosso estilo missionário” (Ratio missionis). Houve ainda dois outros temas que obtiveram amplo consenso: “a interculturalidade do Instituto” e “a formação, básica e permanente”.
No seguimento das sugestões recebidas e com o acordo da Direcção Geral, a Comissão logrou redigir os Lineamenta que descrevem o nosso estilo missionário, tal como transparece dos documentos do Instituto. Caberá aos confrades solidificar o texto apresentando elementos de novidade, adendas e eventuais correcções. O texto, uma vez revisto pela Comissão, constituirá no final o Instrumentum Laboris que será entregue ao Capítulo Geral que, por sua vez, julgará se deverá ou não transformá-lo em Ratio missionis para o Instituto.

A inspiração

Os nossos primeiros missionários que se encontravam no Quénia compreenderam bem depressa que não bastava terem claramente na cabeça o ideal da missão, as ideias-força da espiritualidade, os objectivos mais urgentes da missão. Eles também sentiam a necessidade de haver um acordo exequível sobre a metodologia de trabalho e de um programa de vida comum que tornasse o seu trabalho missionário mais eficaz e ao seu testemunho de vida mais claro. Assim, passados dois anos sobre a sua chegada ao Quénia, os Missionários sentiram a exigência de que o espírito de família e a unidade de intento se exprimissem em linhas operacionais sobre o modo concreto de fazer missão e de fazer evangelização. Em Março de 1904 realizaram a primeira das chamadas “conferências de Murang’a”, durante as quais traçaram os chamados “Os meios e os melhores modos de apostolado”. O Fundador foi generoso em louvores ao aprovar o trabalho feito (cfr. Quasi una vita, IV, 108), precisamente porque cumpria um desejo seu bem específico.
Agora, a cem anos de distância, também nós somos chamados a responder às seguintes perguntas: como poderemos nós concretizar, em unidade de intento, as orientações e as linhas operacionais que foram traçadas pelas Constituições e pelos últimos Capítulos Gerais? Que estilo de vida e de trabalho nos deve distinguir e pode permitir que, onde quer que nos encontremos, trabalhemos em concórdia?
A tarefa que nos espera não será fácil, face à composição internacional da nossa família, para mais empenhada em situações de trabalho muito diferentes. E no entanto, acreditamos que aquilo que estamos para realizar não é um objectivo impossível. São tantos e tais os elementos que nos unem que são realmente capazes de nos tornar “um só coração e uma só alma”. Afinal, temos a mesma vocação missionária, possuímos uma fonte carismática comum à qual sempre podemos ir beber, seguimos todos o mesmo Senhor nos votos religiosos e funcionamos no espírito das mesmas Constituições, sentimo-nos unidos na mesma Igreja de Cristo e em tensão para o anúncio do evangelho aos povos.

Data e local

Com profunda gratidão a Deus e em sinal de comunhão fraterna da nossa Família, temos a alegria de convocar o Décimo Primeiro Capítulo Geral para o dia 10 de Abril de 2005 em São Paulo (Brasil). Será esta a segunda vez que o Capítulo terá lugar fora da Itália. Levaram-nos a esta decisão a passada experiência positiva e também a intenção das Missionárias da Consolata de terem as suas sessões capitulares na mesma cidade na mesma data. Assim, a proximidade oferecerá às duas assembleias a possibilidade de termos celebrações em conjunto e também tempos de partilha e discernimento sobre temas de comum interesse.
Com base na experiência anterior, pensamos que 4 a 5 semanas poderão chegar para concluir os trabalhos capitulares. No entanto não devemos esquecer que a duração efectiva do evento será determinada pelo próprio Capítulo.

A oração

Como anexo a esta carta enviamos também uma breve ajuda para a oração pessoal e comunitária, que foi preparada em conjunto com as Missionárias da Consolata. Exortamo-vos a rezar diariamente ao Espírito Santo pelo bom êxito do Capítulo, fazendo uso, sempre que as normas litúrgicas o permitam, da Missa votiva do Espírito Santo. E que se utilizem também as Missas próprias do Instituto, especialmente as de 29 de Janeiro e 16 de Fevereiro.
Nesta oração de súplica pelo Capítulo devemos envolver também as comunidades religiosas que nos são mais próximas, tal como as comunidades cristãs que servimos, os amigos e os leigos que colaboram connosco. Bem sabemos que o Capítulo Geral não interessa apenas ao Instituto, já que é um evento eclesial. E a Igreja na sua totalidade deve de qualquer modo participar porque ela é missionária, o nosso carisma opera em seu benefício e é só um o espírito apostólico que nos anima, quer dizer, o Reino de Deus no mundo.

Conclusão

A Direcção Geral, com a ajuda da Comissão Pré-Capitular, procurará acompanhar da melhor maneira a preparação do Décimo Primeiro Capítulo Geral, com a consciência de que a sua eficácia será proporcional ao empenho concreto e ao interesse que cada Missionário e cada comunidade local ou regional mostrar. Ao mesmo tempo, convidamo-vos todos a colaborar com as Missionárias da Consolata em todas as iniciativas de oração e de reflexão que possam melhorar a nossa preparação e tornar a celebração dos nossos Capítulos Gerais mais eficaz. Assim, iremos escrever uma importante página de fraternidade e de comunhão, em plena sintonia com aquele espírito que o Fundador tanto desejava que tivéssemos.
Saudamo-vos com afecto em Nossa Senhora da Consolata,

P. Piero Trabucco, IMC
(Superior Geral)
P. António Bellagamba, IMC
(Vice Superior Geral)
P. Norberto Ribeiro Louro, IMC
(Conselheiro Geral)
P. Aquiléo Fiorentini, IMC
(Conselheiro Geral)
P. Jean André Benedetti, IMC
(Conselheiro Geral)

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