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Padre Ernestos Franco Cocco PDF Imprimir E-mail
Por Giovanni Tebaldi   
10 de March de 2006

(1933-2004)

A localidade conhecida como San Maurizio Canavese, «grande aldeia agrícola que confina com o território de Ciriè, Leinì e Caselle» e foi terra natal do p. Cocco desde o dia 6 de Fevereiro de 1933, aparece bastante na correspondência de José Allamano. Em Maio de 1895, o capelão da aldeia, Dom Pavesio Bartolomeo escrevia ao «Mui Ilustre e Mui Reverendo Senhor Cónego» que, ao estar «ajoelhado perto de Dom Cafasso», se sentiu invadido de enorme admiração ao vê-lo a fixar o seu olhar, totalmente imóvel, no Santíssimo Sacramento. No dia 18 de Setembro de 1923, Mons. Bernardo Marengo, de San Maurizio, que era prelado doméstico de Sua Santidade, enviou a José Allamano, na véspera da celebração das suas bodas de ouro, uma saudação amiga. Uma outra mensagem de parabéns pelas bodas de ouro também lhe foi enviada por uma ex-postulante missionária da Consolata que era de Ceretta di San Maurizio, e se assinava como sendo «a mais negligente, a mais gulosa e a menos virtuosa» de todas (cfr. C. Bona, Lettere, passim). Destes breves apontamentos se infere que a missão se apresenta condicionada por uma selecção muito diligente de candidatos. Presume-se que essa «grande aldeia agrícola» terá mantido boas relações com o Instituto e com os seus missionários que trabalhavam na Itália e na África. E foi certamente o que aconteceu quando se abriram ao jovem Franco Ernesto Cocco as portas do seminário de Varallo Sesia, ao concluir os estudos elementares na escola Aristide Gabelli de Turim. Entre 1944 e 1949, Cocco fez o Básico e o Secundário nos seminários de Varallo e Vittorio Veneto. A 7 de Outubro de 1953 emitiu os votos que o consagravam à vida religiosa como missionário da Consolata. O resto da formação filosófico-teológica deu-se em Turim, com a ordenação sacerdotal a 14 de Março de 1959 por Mons. Bottino, Bispo Coadjutor da diocese de Turim.

Missionário no Quénia
Ao terminar o curso de inglês em Londres, o p. Ernesto seguiu para a diocese de Nyeri, Quénia, onde foi alternando docência e serviço pastoral nas missões circunvizinhas. O seu primeiro contacto com a missão veio expô-lo a um mundo novo que estava para nascer e que dava os primeiros passos na democracia. A independência mal fora declarada; a Igreja local, que desabrochava do sacrifício dos nossos missionários e missionárias, ia acompanhando, com celebrações e cânticos, a alvorada do novo dia; e o p. Ernesto fazia de mestre de cerimónias
com a exactidão que o distinguia. Com as novas substituições, o seminário foi entregue ao clero local; e o p. Ernesto entregou-se ao ministério nas missões de Kaheti, Karatina e Ichagaki, dedicando-se principalmente à direcção duma escola do segundo ciclo e à formação dos jovens alunos.

Pastor no Canadá
O p. Ernesto deixou então o Quénia em 1970 para a paróquia de São João Bosco no Canadá. Foi de lá que escreveu aos superiores em Turim a declarar-se satisfeito com a sua nova destinação. «Tenho boa vontade para me integrar na nova realidade canadiana da melhor maneira, ao menos durante estes dois ou três anos». Eis o que nos atesta o p. Ermenegildo Crespi: «Depois de ter vivido os valores e as oportunidades do movimento eclesial ‘’Encontro Matrimonial”, o p. Ernesto passou a dedicar-lhe todas as suas energias, o seu entusiasmo, a sua inteligência e as várias riquezas do seu coração de homem, amigo e sacerdote. Preocupou-se em assimilar as técnicas e o espírito desta experiência e apresentava-a com convicção a centenas de casais… Aplicou o mesmo entusiasmo apostólico ao serviço da corrente de graça que é a renovação carismática católica. Por causa dele, muitas pessoas ultrapassaram o fervor superficial, já que, foi sob sua orientação que chegaram a descobrir o sentido da sua vocação cristã».
Terminado o triénio pastoral nas paróquias de São João Bosco e da Consolata em Montreal, o p. Ernesto passou para a animação missionária e para o serviço da comunidade cristã nas paróquias de Windsor e London, Ontário (1970-1984).
Seguiu-se uma curta experiência na igreja italiana, vindo a retomar, em Toronto e Montreal, a habitual pastoral de animação missionária (1988-1996) e do “Encontro Matrimonial” em que o p. Ernesto era especialista. Ele sabia atrair as pessoas e os vários grupos com a sua simplicidade e com a sua amizade.
Voltando ao testemunho do p. Ermenegildo Crespi: «O p. Franco apresentava-se a todos com aquele infalível sorriso que transmitia solicitude, interesse e atenção. Era escrupuloso em ouvir as pessoas; era prático e sensato nas suas respostas e nos seus conselhos. O seu alimento era feito de oração e palavra de Deus, que celebrava na Eucaristia, no silêncio das suas meditações com as crianças das escolas e com as comunidades». Como se conhecia bem, tal como a sua timidez natural, evitava improvisações e quaisquer riscos, principalmente na catequese e na pregação. Esta sua incerteza talvez já viesse de longe, dos tempos em que o pai Luigi, que fora deportado para a Alemanha para nunca mais voltar, tendo de deixar a responsabilidade pelos filhos à sua mãe Rosina Concas. Entretanto, terminaria a sua estadia no Canadá, com o deteriorar da sua doença de diabetes.
Em 1996 foi-lhe oferecida a oportunidade de voltar para o Quénia, para retomar o seu trabalho missionário. Mas a situação tinha mudado muito no país e o campo de trabalho apresentava dificuldades inesperadas. «Em Nairobi talvez possas encontrar um médico que te acompanhe e te recomende especialistas, caso haja necessidade», escrevera o seu superior. Mas com o agravamento da sua saúde, bem cedo teve de voltar para a Itália, para a Casa Mãe de Turim, onde passou os seus últimos anos de doença servindo na pastoral e esperando a sua vez. Faleceria a 29 de Janeiro de 2004. Repousa agora no cemitério Sul de Turim.
Giovanni Tebaldi

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