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(1925-2004)
Filho de Alfredo e Frigerio Maria, nasceu a 12-02-1925 em Arcore (MI), tendo ingressado no Instituto em 1948. Consagrou-se a Deus com a profissão religiosa em 1952, sendo ordenado sacerdote em 1958. Moçambique, especificamente o Niassa, foi o seu primeiro campo de apostolado. Aí se dedicou inicialmente à assistência às escolas-capelas nas missões de Cobué, Unango e Massangulo. Foi um trabalho duro que teve de fazer sozinho, mas com profundo espírito religioso: «Nestes meses de África, fiquei a compreender que a vida não é um prazer mas é um dever; e creio que sempre assim será. Por isso, estou pronto para tudo e não tenho medo. Daqui a pouco terei sido padre missionário há pouco mais de um ano; e todas as vezes que me dou conta da minha dignidade sacerdotal, sinto ainda maior ímpeto para a caminhada na perfeição» (17-09-1959 – carta ao P. Domenico Fiorina, superior geral). Desde 1961 até 1965 foi superior de Cobué onde, devido à vida dura que ali levava, se deu conta de que “ser superior, grande ou pequeno, não é um privilégio mas sim uma ocasião para mais trabalho e mais sacrifício». Entre 1965 e 1967 trabalhou na missão de Unango numa situação muito complicada, no contexto da guerra anti-colonialista, onde não faltaram ameaças e acusações dos vários bandos à ordem do dia. Até foi preso. Salvou-se da explosão duma mina e de duas emboscadas a toque de granada e metralha da guerrilha, o que o fez sentir-se “como vítima pronta para o sacrifício”. Ficará com dificuldades auditivas irreversíveis. Entre 1969 e 1973 encontramo-lo já em Roraima, no Brasil, dedicado à pastoral: primeiro em Boa Vista e depois em Manaus, onde exerceu funções de procurador. Com fervor renovado, dedicou-se às obras paroquiais e à reorganização da pastoral, com bons resultados. No mês de Setembro de 1971 foi vítima dum desastre de aviação: o avião da prelazia em que viajava com mais quatro pessoas despenhou-se, acabando ele gravemente ferido. Foi então transportado para São Paulo onde se restabeleceu à força de longos tratamentos. «Eu já estava pronto para ir para o céu – escrevia ele a um amigo que era ecónomo – mas São Pedro não me quis receber porque eu não tinha as minhas contas bem feitas». O trabalho da sementeira na propriedade do seu Senhor continuou com ardor, mas os resultados, em seu entender, não foram satisfatórios, compreendendo também que os tempos de Deus não são como os do homem, de forma que é preciso avançar na luz e na escuridão da fé. Escrevia assim ao Padre Mario Bianchi, superior geral: «…convenci-me de que não devemos prestar demasiada atenção ao relógio, pois para Deus o tempo conta bem pouco. Assim, prefiro sentir-me mais unido a Cristo e aceitar com fé as contradições e a lenta evolução das coisas, sempre contente por passar, e depois desaparecer, na imensa história da salvação, a obra de Deus… Entretanto, quero assegurar-lhe que irei enfrentar com bom senso todas as dificuldades e em nada me pouparei. Sinto que nalgumas situações me falta a fé e gostaria de ter mais para poder purificar na cruz os sentimentos que muitas vezes me enganam e me fazem sentir “necessário”, quando afinal não o sou mesmo nada… Não pense que estou desanimado ou que sou pessimista: o meu compromisso, em que acredito, é “ser missionário até ao fim”». (12-07-1971). Em 1974 encontramo-lo na Itália onde se ocupa da procuradoria das missões em Turim. Ali, com espírito de serviço, atendia os pedidos dos confrades que trabalham nas missões, desdobrando-se em actividades para satisfazer os pedidos de todos. Em 1980 voltou para Roraima, fazendo pastoral em Manaus e Taiano. Entre 1983 e 1989 trabalhou na Itália como superior da casa da Certosa di Pesio. Como testemunhou a “Società Podistica Amatori” de Mondovì, deixou ali boas recordações devido às numerosas iniciativas desportivas, folclóricas e outras com que revitalizou o antigo mosteiro: «O Padre Mario, com a sua vivacidade e a sua vontade de trabalhar, logo se nos revelou muito cordial mas sobretudo muito coerente com as suas prerrogativas de homem de Deus e de “vida”. As portas que pareciam as mais teimosas à abertura – relacionamento com as autoridades locais, com a Administração do Parque Regional, com grupos semelhantes ao nosso que já funcionavam na Chiusa Pesio, bem cedo se transformaram em relações de amizade e de colaboração. E foi esta a maior prerrogativa do Padre Mario: a de criar relações de amizade» (6-10-1989). Depois retomou por mais dois anos o trabalho de procurador das missões em Turim. Em 1993 voltou para Roraima como pároco de Manaus. Em 1996 voltou definitivamente para a Itália por razões de saúde, trabalhando nas casas de Rovereto e Marina Palmense onde, a 7 de Maio de 2004, foi para o Pai em consequência dum ataque cardíaco. Missionário de rija têmpera, o Padre Mario distinguiu-se pela obediência, que assim o levou a trabalhar em campos diversos, dando do seu melhor com humildade e com generosidade e criando em torno de si um ambiente de amizade e de comunhão. O povo da paróquia participou em massa na vigília fúnebre e no funeral que se deu a 9 de Maio. Presidiu o Padre Franco Gioda, superior regional, assistido pelo vigário geral da diocese de Fermo e pelos párocos da zona. O corpo foi levado para Arcore onde, na terça-feira, tiveram lugar as exéquias, uma vez mais muito concorridas. Presidiu à celebração o Bispo Dom Aldo Mongiano (que partilhou do apostolado missionário com o Padre Teruzzi tanto em Moçambique como em Roraima). Concelebraram com ele Dom Carillo Gritti, o Padre Gioda, vários confrades de Bevera e de Bedizzole, bem como alguns padres da zona de Arcore. Com pormenores comoventes, Dom Mongiano recordou, na homilia, o trabalho do Padre Teruzzi no Norte de Moçambique naqueles tempos difíceis da guerrilha pela independência, com as já bem conhecidas desgraças, o apostolado entre os Índios de Roraima e em Manaus, o seu trabalho como procurador das missões e, por fim, a sua actividade pastoral na Itália pelas várias casas do Instituto. «O Padre Teruzzi – acrescentou o celebrante – foi um verdadeiro “homem de Deus”, animado de extraordinária disponibilidade e espírito de serviço às pessoas, nos lugares aonde a Providência o chamou. Tinha uma humildade profunda e sincera, sempre aberta à amizade, cordial com todos. Sentia-se sempre envolvido nos problemas das pessoas e dos grupos onde viveu, de forma íntima. Morreu quando ia levar a Eucaristia aos doentes na primeira sexta-feira do mês de Maio. O modo como nos deixou reflecte também em síntese a essência e a caminhada missionária, quer dizer, levar Cristo a todos, principalmente aos que sofrem». No seu testamento espiritual ele deixou escrito: «O sacerdócio missionário foi o meu ideal mais maravilhoso e foi a coroa brilhante da minha vida. Nunca senti tristeza alguma por ser sacerdote ou missionário: fui sempre feliz e ainda o sou agora. Sofrer perseguições por amor da justiça nos territórios de missão (Moçambique), onde paguei a minha conta em pessoa, faz parte do património da vida missionária; no entanto, no meu país também passei dificuldades. Perdoo e até agradeço, já que será mesmo por esta razão, com certeza, que seremos felizes. Trabalhei sempre com entusiasmo; amei muito a minha congregação; e agradeço aos superiores e a todos os que me ajudaram e encorajaram a atingir o ideal missionário». A Redacção do “Da Casa Madre”
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