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Moçambique lembra, agradece e celebra PDF Imprimir E-mail
Por P. Alvaro Lopez V., imc   
29 de Abril de 2008
João Paulo II e Bento XVI, dois Papas para celebrar-mos

A Igreja de Moçambique, representada nos seus bispos e no clero secular e religioso, assim como nas religiosas e num nutrido número de fieis leigos que trabalham no Maputo, reuniu-se ao redor do Altar do Senhor para celebrar os 20 anos da visita do Papa João Paulo II a Moçambique (Setembro de 1988) e o terceiro aniversário do pontificado do Papa Bento XVI.

O promotor de tão louvável iniciativa foi o senhor Núncio Apostólico em Moçambique, Mons. George Panikulam, quem não poupando esforço conseguiu reunir, na Sé Catedral de Maputo (Domingo 6 de Abril, III de Páscoa) e na sede da Nunciatura apostólica (terça féria 8 de Abril) as mais altas personalidades da vida política, social, académica e eclesiástica de Moçambique; figuras aquelas entre as que se destacou a presença do senhor Presidente da República de Moçambique, o Dr. Armando Emílio Guebuza.


Na ocasião o Sr. Núncio convidou os presentes a celebrar estas efemérides com um sentimento especial de agradecimento a Deus, de amor, de alegria e como dois eventos que confirmam a nossa esperança cristã; pois eles “são dois Sucessores de Pedro decididos a dar uma civilização do amor e uma nova esperança ao mundo contemporâneo privado de amor e de esperança e cheio de ódio e desespero”.

Na medida que corria a homília do Sr. Núncio ressoavam, com renovada força profética as palavras que o Papa João Paulo II pronunciara (a 16 de Setembro de 1988) na casa presidencial da Ponta Vermelha; na ocasião o Sumo Pontífice dizia: “na pátria moçambicana persiste a guerra, com todas as suas consequências de sofrimento, luto e desolação. Muitos homens, mulheres e crianças sofrem por não terem casa onde habitar, alimentação suficiente, escolas onde se instruir, hospitais para tratar a saúde, igrejas onde se reunir para rezar e campos onde empregar as forças de trabalho [...] face a este lamentável condicionalismo, quando se apresentou a ocasião não tenho deixado de repetir: Não a violência e sim a Paz”.

E hoje em dia, dizia mais adiante o Sr. Núncio, Moçambique “è exemplo para muitos países africanos em conflito, mostrando como se pode vencer o ódio com o amor e a desilusão com a esperança” não sem deixar de sublinhar que este era o espírito e o desejo ardente do Papa Wojtila quando dizia: “As armas não são caminho para a paz real, humana e duradoura [...] abandonem os caminhos da violência e da vingança; e retomem os caminhos da justiça, de dignidade, do direito e da razão; deixem de matar”.

Por isto, diante dos factos e já na parte conclusiva da sua homília o Sr. Núncio convidava os presentes a recordar com gratidão a visita que há 20 anos fizera o Papa João Paulo II, “uma visita histórica que produziu resultados positivos de paz e concórdia” acrescentou.

Junto de João Paulo II temos de rezar, dizia o Núncio na sua homília, pelo Papa Bento XVI para que o Senhor o guarde e proteja para anunciar o amor e a esperança que nasceram para nós no Verbo encarnado, crucificado e ressuscitado, a toda a humanidade. No meio da homília o Sr. Núncio apresentou algumas passagens das duas encíclicas do Papa Bento XVI “Deus é amor” (Natal de 2005) e “Salvos pela Esperança” (Novembro de 2007), nas que desenvolve os temas do amor e da esperança.

Dentre o que o Papa escreve nas suas duas encíclicas o Sr. Núncio sublinhou especialmente o “dever do amor do próximo” que o Papa apresenta na sua primeira encíclica, um dever “que está presente em todos os fiéis e que se torna um dever igualmente para cada comunidade eclesial (Nº 20). A esse respeito o Papa diz: “não há qualquer ordenamento estatal justo que possa tornar supérfluo o serviço do amor. Quem quer desfazer-se do amor, prepara-se para se desfazer do homem enquanto homem”.

O outro aspecto sublinhado pelo Núncio na sua homília refere-se ao tema da esperança, de onde resulta que “Deus é o fundamento da esperança, não um deus qualquer, mas aquele Deus que possui um rosto humano e que nos amou até ao fim: cada indivíduo e a humanidade no seu conjunto” (Nº 31).

Assim, e já quase para concluir a sua homília o Sr. Núncio continuo dizendo que “toda a obra da Igreja é para mostrar à humanidade o rosto deste Deus, fundamento da esperança. Sem a esperança o mundo não tem futuro e a humanidade ficará nas trevas do desespero”. Para isto não acontecer o Núncio convidava os presentes a rezar ao Senhor para que “abençoe esta terra com uma paz duradoura e com a esperança dum futuro próspero para o seu povo”, desejo que o Núncio apresentou (na noite da terça feira 8 de Abril) como o seu sonho pessoal para esta querida terra de Moçambique.

Todos os actos comemorativos destas efemérides concluíram com um brindes de desejo de paz para o país a pedido do Sr. Núncio e um outro brindes de desejo de saúde para o Papa Bento XVI a pedido do Sr. Presidente da República, Armando Emílio Guebuza; brindes que confirmaram, mais uma vez, o alto nível de fraternidade existente nas relações diplomáticas entre a Igreja e o Estado de Moçambique.
Última Atualização ( 28 de Abril de 2008 )

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