Narrow screen resolution Wide screen resolution

Notícias em idiomas diferentes

Noticias - News - Notizie - Notícias
Conflito na Raposa: Mais de 10 mil índios estão isolados PDF Imprimir E-mail
Por Leandro Freitas   
08 de April de 2008
Duas pontes queimadas e uma bloqueada. Essa é a realidade enfrentada pelos 10.500 índios que vivem em 157 comunidades da Raposa Serra do Sol. Isso é resultado do início da Operação Upatakon 3, que acirrou os ânimos dos arrozeiros que se recusam deixar a Terra Indígena.

Com isso, além do isolamento, os índios sofrem com a falta de atendimento médico, merenda escolar, educação e comunicações.

A Raposa
Serra do Sol está subdividida em quatro sub-regiões. O acesso principal é a RR-202, que leva ao Distrito de Surumu, a 120 quilômetros de distância de Boa Vista.

Em toda Raposa Serra do Sol vivem 18.992, conforme censo feito recentemente pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR). Segundo o coordenador de Projetos do Conselho Indígena, Júlio Macuxi, as regiões das Serras, Surumu e Baixo Cotingo estão totalmente isoladas, sem as pontes trafegáveis. “O acesso a essas regiões somente via aérea”, afirma.

Com o isolamento, aumenta o número de deslocamento aéreo, o que compromete o orçamento estipulado pela Funasa (Fundação Nacional de Saúde). Só esta semana foram feitas quatro viagens para região. Essa é a média mensal. O valor da hora-vôo é de aproximadamente R$ 1,4 mil e o deslocamento custaria pouco mais de R$ 2,4 mil.

Uma das vítimas que teve de ser transportada de avião para atendimento médico em Boa Vista foi o tuxaua da aldeia do Barro, Moacildo da Silva dos Santos. Ele foi atingido por uma bomba caseira na noite de segunda-feira, dia 31 de março. Quase 24 horas depois ele chegou a Boa Vista para tratamento de saúde.

Pontes

Muitas versões ecoam em relação à destruição das pontes que dão acesso ao Surumu. Uma delas e a que tomou mais corpo na imprensa local foi de que índios ligados ao CIR atearam fogo em duas pontes. A outra foi que arrozeiros lideraram o movimento.

Diante de várias versões, o Conselho Indígena de Roraima protocolou no dia 1º de abril documento no Ministério Público Federal, Polícia Federal e encaminhou cópia ao Governo Federal pedindo solução ao caos que está germinando na Terra Indígena.

Segundo a assessora Jurídica do CIR, Joênia Wapichana, a Operação é apenas um ato administrativo previsto no decreto de homologação da Raposa Serra do Sol e deve ocorrer, de forma que seja mantida a integridade do documento assinado pelo presidente Lula.

A reportagem do /*Notícias da Hora*/ apurou que a prática criminosa foi planejada e executada por um grupo de não-índios, que ao ver as pontes em chamas, pediu ajuda aos índios da comunidade Cachoeirinha, que fica às margens da RR-202 para apagar o fogo. A informação é de que esses motins foram liderados pelos arrozeiros. Os plantadores de arroz negam a informação.

Entretanto, ao comandar pessoalmente manifestação na ponte sobre o rio Surumu, Paulo César Quartiero, presidente da Associação dos Rizicultores de Roraima, foi preso por policiais federais e solto horas depois quando pagou fiança no valor de R$ 500. Ele foi acusado de desobediência civil, desacato à autoridade, obstrução de rodovia federal e incitação à desordem pública. O advogado dele, Valdemar Albrecht nega todos esses crimes e afirma que Quartiero estava no Distrito do Surumu na condição de prefeito reconduzido à Prefeitura de Pacaraima.

Educação

Um dos primeiros setores atingidos pela série de atentados dentro da Raposa Serra do Sol é a educação. Em nota, a Secretaria Estadual de Educação anunciou a suspensão do fornecimento de merenda escolar às escolas indígenas. Os alunos estão praticamente sem aula.

No Surumu, a Escola Padre José de Anchieta está interditada. Antes a estrutura passara por reforma e as aulas estavam previstas para iniciarem em abril, mas com os conflitos, foram suspensas. Ao todo, 64 alunos indígenas estão sem aula.


Tuxaua denuncia presença de homens armados

Atingido por uma bomba caseira, o tuxaua da aldeia do Barro, Moacildo da Silva dos Santos, denunciou a presença de homens armados na região de Surumu “a serviço dos arrozeiros e dispostos a enfrentar os agentes da Polícia Federal e impedir a Operação Upatakon 3”.

Ele veio a Boa Vista para atendimento médico e prestou informações ao Ministério Público Federal e Polícia Federal sobre acontecimentos na região.

Moacildo sofreu atentado na segunda-feira (31), quando por volta das 19 horas um motoqueiro lançou uma bomba caseira na direção dele. Com o impacto, ele foi arremessado a 50 metros de distância e caiu desorientado.

“Só ouvi a explosão e desmaiei. Na queda machuquei o braço direito. A minha família me socorreu e depois fui trazido de avião para Boa Vista”, recorda o tuxaua. Ele formalizou denuncia na Policia Federal e pediu investigação.

Índios falam de racionamento de energia elétrica

Com o isolamento, as comunidades já começam sofrer impactos. O racionamento de energia elétrica está sendo realidade nas regiões do Socó e Uiramutã. No Mutum, índios já estão sem energia elétrica, conforme informou o Conselho Indígena.

Segundo Júlio Macuxi, o combustível [diesel] está armazenado no pátio do CIR, no entanto, não tem como ser transportado à região por causa das pontes que estão queimadas.

Nas regiões que sofrem com o racionamento de energia elétrica, o serviço está disponível no período de 11h30 do dia anterior às 5h do dia seguinte. Em dias normais, o horário é de 8h do dia anterior às 5h do dia seguinte.

CER

Responsável pelo fornecimento de energia elétrica, a Companhia Energética de Roraima (CER) alega que as duas usinas termoelétricas que estão dentro da área de conflito (Surumu e Contão) continuam sendo abastecidas e nega o racionamento.

Segundo a Assessoria de Comunicação Social, o trajeto que durava duas horas [pela RR-202], agora é feito em quatro horas, em virtude de um desvio que pela estrada que dá acesso ao Passarão.

3 days ago: In this photo released by Agencia Brasil settlers protest against the eviction from the Raposa Serra do Sol reservation, in northern Roraima state, Brazil, Thursday, April 3, 2008. Brazil's Justice Minister Tarso Genro said the National Security Force is being prepared to help carry out the eviction of white settlers from a 1.7 million-hectare (4.2 million-acre) Amazon Indian reservation.
Última Atualização ( 07 de April de 2008 )

Fundador

Quem são...

Biênio de Reflexão

Santidade