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| P. Giovannino Tebaldi |
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| Por Redacção de “Da Casa Madre” | |
| 10 de March de 2006 | |
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1932-2004 Nasceu de Gualtiero e Golfarelli Maria em Ostellato (Fe) no dia 24.11.1932. Em Outubro de 1945 entrou para o seminário de Ravenna, onde fez o secundário. Entrou para o Instituto em 5 de Agosto de 1947. Consagrou-se a Deus com a profissão religiosa em 1952. Em 1954 foi enviado para Roma, completando os estudos teológicos na Universidade Urbaniana. Foi ordenado sacerdote em 1957. A Missão Entre 1958 e 1960 leccionou literaturas no nosso seminário de Castello di Brianza. Depois foi enviado para o Quénia onde, entre 1961 e 1963 leccionou a língua latina no seminário diocesano de Nyeri. Em 1963, enquanto Mons. Carlo Cavallera, bispo de Nyeri, se preparava para deixar o governo da diocese em mãos indígenas para se lançar na aventura missionária do Northern Frontier District, que culminaria com a criação da diocese de Marsabit, o Padre Tebaldi ficou envolvido na fase exploratória daquele projecto, tendo ido sondar as condições de viabilidade de uma ou mais escolas no território de Marsabit. Durante a construção das missões, sucessivamente, de Baragoi e Laisamis, teve de viver durante meses numa tenda na companhia dos padres Michele Stallone e Luigi Graiff, naquelas temperaturas sufocantes dos trópicos, tentando aproximar-se das populações nómadas dos Samburu e procurando entrar na alma daquele povo. Foi uma missão difícil e perigosa em prol da qual tanto Michele Stallone em 1965 como Luigi Graiff em 1981 foram chamados ao testemunho supremo do martírio. Entre 1964 e 1968 foi director da escola secundária católica de Gaichanjiru. Entre 1968 e 1973 foi docente de cultura religiosa e história do Commonwealth na escola secundária pública de Nanyuki. Durante este período foi ele que pessoalmente preparou os manuais de educação religiosa segundo os programas escolares nacionais, depois impressos e difundidos pela tipografia da diocese de Nyeri. Foi um trabalho que o apaixonou, como chegou a escrever ao superior geral em 9.10.1970 nestes termos: «Trabalhamos muito a sério e há boa colaboração. Da minha parte, lancei-me a fazer um trabalho capilar entre os rapazes. Com a ajuda dos membros da Acção Católica, estamos a tentar atrair para a nossa arena um número razoável de rapazes protestantes ou indiferentes… Reze por mim, para que Deus me assista e me dê a força de viver de forma integral a minha vida sacerdotal». Entre 1974 e 1977 exerceu o cargo de responsável pelo “sector de jovens” no Pastoral Centre da diocese de Nyeri. Foi um período de acção intensa e febril que o colocou continuamente em contacto com os jovens, os pais e os professores, envolvendo-os nas problemáticas que iam surgindo. Trabalho na Itália Regressando à Itália, foi encarregado da redacção do boletim “Da Casa Madre”, colaborando intensamente, entre 1983 e 1988, nas actividades da OPAM (obra de promoção da alfabetização do mundo). Percorreu, sem descanso, toda a Itália como conferencista perito e como entusiasta animador, relacionando-se sistematicamente com a UNESCO e fazendo vistorias nos países em vias de desenvolvimento. Quando falava da África naqueles encontros, em conferências e em debates, o Padre Tebaldi ficava entusiasmado, parecendo por vezes querer pegar no chicote do templo para deitar abaixo as bancas dos lugares comuns, da ignorância, mas também a da retórica “terceiro mundo”. Para ele, a África não é uma linda desculpa para fazer algo que traga satisfação, tal como um documentário, uma reportagem, uma experiência de voluntariado porventura apresentável em qualquer transmissão de grandes audiências. «A África é como uma filha, ou como uma irmã, de quem de súbito nos lembramos que deixou de ser criança». O Padre João olhava para a África com o coração amarrado por uma torrente de afectos, coragem e preocupações. Era o mesmo coração caprichoso que lhe impusera a separação da África, mas que não o impediria de a amar como filha e talvez até como mãe. Em 1985 fez uma exigente viagem pelo Quénia, pela Tanzânia e pela Etiópia, visitando escolas de todo o tipo e nível, encontrando-se com professores e estudantes, fazendo levantamento das carências e das expectativas, despertando o interesse das organizações nos projectos OPAM. Para explicar aos outros o que vira, escreveu então um opúsculo de título Africa Mia, que acabou por acompanhar o n.º 12 (Dezembro de 1985) da revista mensal daquela organização como suplemento. Quando em 1988 deixou aquele cargo, o presidente da OPAM, o padre Carlo Muratore, louvou o seu trabalho, escrevendo: «Tenho que admitir com toda a honestidade e testemunhar a favor da tua dedicação desapegada e ilimitada à causa da OPAM e ao elevado espírito de sacrifício que te levou a percorrer a Itália espalhando por todo o lado a boa semente da promoção humana dos países subdesenvolvidos… Não sei que caminhos Deus tem para ti. Mas tenho a certeza de que, aonde quer que fores chamado, sempre semearás bondade e grande determinação de bem fazer». Entre 1987 e 1997, o Vicariato de Roma teve-o como assistente diocesano da AIMC (Associação Italiana dos Professores Católicos). Jornalista e escritor Giovannino foi jornalista e escritor versátil, que trabalhou durante dois anos nas redacções de Milão do diário católico Avvenire e da revista Mondo e Missione do PIME. Entre 1989 e 2002 foi redactor da revista Popoli e Missione das Obras Missionárias Pontifícias. Para as escolas do Quénia publicou textos de educação religiosa e uma colecção de narrativas africanas; na Itália publicou vários trabalhos que enriqueceram a ensaística missionária dos anos mais recentes. Em 1994 publicou Il Sínodo Africano, um relatório pontual do congresso que as Igrejas de África realizaram em Roma e respectivas coordenadas: teologia, registo histórico, objectivos actuais, projecções e desafios. A seguir, em 1995, começaram a tomar corpo algumas reflexões nascidas do próprio Sínodo: Sulle strade della speranza – Fermenti di Chiesa in Africa, fermentos esses subjacentes aos muitos problemas e fraquezas que, com tanto realismo, vieram à tona no decorrer do Sínodo africano e que o autor recolhe como frutos ainda verdes mas já cheios de promessas. Em 1997 saiu Africa – I giorni dell’esodo, páginas de sabor claramente autobiográfico apoiadas no fio condutor da sua convicção de que os acontecimentos que estavam a envolver e por vezes a baralhar muitos países do continente eram afinal mensagens duma vontade de transformação: «Assisti às gloriosas conquistas do desenvolvimento a seguir à independência – e tenho não poucos motivos para acreditar que a África poderá chegar à outra margem». A salvação fica sempre na outra margem; por essa razão, pensava o Padre Tebaldi, os dias que a África está a viver são dias de êxodo para a salvação. Em Novembro de 1999, publicou La missione racconta – i Missionari della Consolata in cammino con i popoli (já traduzida em várias línguas) em que narra a história dos cem anos do Instituto e traça a panorâmica da obra que os seus missionários fizeram e continuam a fazer no mundo segundo o carisma que o beato José Allamano nos deixou de herança. Em Novembro de 2001 veio à luz La mia vita per la missione (em vias de tradução para português), que é uma biografia do Fundador dos Missionários e das Missionárias da Consolata. Com largos traços da sua pena, dá-nos aí uma imagem inédita de José Allamano, um protagonista da sua época que cultivou a paixão pela santidade e pela missão. Foi exactamente nesta obra que a sua veia de escritor criou páginas de beleza e intensidade sem par, ao encontrar-se com os ideais missionários que animaram a sua vida, o amor que tinha pela sua família religiosa e a sua paixão pela África. Entre muitas outras passagens, sirva de exemplo a descrição que aí faz do missionário. Missionário «é aquela figura extraordinária e patética que calcorreou todos os carreiros da África, impelido por um ideal de fé, no mesmo momento em que outros para ali vinham atraídos pela sede insaciável de terra, haveres e mão de obra gratuita. A África serviu de enorme pano de fundo a esta personagem de características inconfundíveis, de fantasia bizarra, de vida frugal, de resistência física quase inesgotável. O seu amor pela África foi tão arrebatador como o da pessoa enamorada, como se fosse uma doença da pele, dos ossos e da alma. Doença essa que nunca foi diagnosticada: a doença da África. Qual mito de laboriosidade mais que de ciência, nunca lhe é atribuído trabalho de grande talento mas apenas a construção de igrejas, missões, escolas e hospitais – e a formação de comunidades de crentes. Tê-lo-ão confundido com o seu irmão colonialista; e até talvez se tenha parecido bastante com ele em certas circunstâncias, mas nunca na alma. De colonialista não tinha nem o comportamento nem o complexo de superioridade, nem a vaidade; mas, ao contrário dele, o missionário juntava-se às pessoas, falava a sua língua, trabalhava com as suas próprias mãos, ensinava às crianças os rudimentos da leitura e da escrita; aos camponeses ensinava o uso da tracção animal para trabalhar a terra e, aos operários, o uso do metro e do nível. Como homem de religião, ensinava o catecismo, presidia ao culto sagrado e anunciava as realidades futuras do reino de Deus» (pp.197-198). A obra deste missionário tem por finalidade «transformar secretamente e intrinsecamente o homem, pertença ele a que nação, povo ou cultura pertencer, para que se torne um possível candidato à perfeição humana e divina. A missão, antes de ser um trampolim para projectos e realizações, é um momento de diálogo com o homem da rua para lhe conhecer as aspirações e as expectativas e para o tornar depositário das bem-aventuranças. É uma sarça ardente sobre a qual o missionário e a missionária imolam as escórias da sua fragilidade humana para verem Deus na face do próximo» (ibidem, p. 204). A obra editorial de Giovannino não dá tréguas, de forma que em 2004 veio a publicar L’ultimo carovaniere, uma biografia do Padre Gaudenzio Barlassina, que dali emerge como figura extraordinária de missionário, tanto na África como no governo do Instituto. Entretanto, entre uma tarefa literária e outra, ainda conseguia escrever o perfil biográfico de vários missionários que iam falecendo, dando também a sua colaboração a revistas missionárias, a jornais diocesanos e ao L’Osservatore Romano. A passagem Sofria do coração havia já vários anos; assim, morreu de doença inesperada. Queixara-se de fortes dores abdominais na noite de 7 de Outubro de 2004 e acabou por ser internado no Ospedale Santo Spirito, onde lhe diagnosticaram uma pancreatite aguda. O quadro clínico geral revelou-se tão grave que os médicos decidiram que não deviam operá-lo. Assim, no Domingo, dia 10 de Outubro, partiu para o Pai. Tinha 71 anos de idade, sendo 51 de profissão religiosa e 48 de sacerdócio. O funeral foi na Terça-feira, na Casa Geral. Presidiu o Padre Vincenzo Mura, superior da casa, que falou do nosso confrade com grande afabilidade e deduzindo da sua paixão pela missão um mandato que nos alista a todos nós missionários a caminhar ao lado dos mais pobres: «O Padre Tebaldi deixa aqui um vazio em termos de relações humanas e de amizade que ele sabia sempre construir com facilidade e que agora levou como contributo para o céu». A seguir, foram lidas as palavras de condolências enviadas pelo Superior Geral que se encontrava de visita oficial ao Congo: «Que Deus guarde o Padre Tebaldi na sua paz, ele que sempre trabalhou com tanto ardor e com tanta paixão e se gastou pelo Seu Reino. Neste momento, tenho dois sentimentos particularmente profundos. O primeiro é de agradecimento a Deus por ter dado ao Instituto um confrade como este, vivaz, criativo e ao mesmo tempo tão próximo das pessoas. Jamais esquecerei as muitas horas que passámos a debater certas questões ou a programas mais um ensaio ou mais um livro. Agia sempre com grade entusiasmo e com muita paixão. O segundo sentimento é de grande admiração pelo seu ardor missionário e pelo seu amor ao Instituto. Tudo era passível de passar pela sua joeira crítica, mas nunca a missão, o Instituto, os pobres da África a quem dedicou tanta energia e tanta inteligência. Ele deixa ao Instituto uma rica série de livros, mas deixa-lhe acima de tudo a lembrança perene da sua paixão missionária. Que do céu nos continue a estimular para que sejamos sempre fiéis à nossa vocação, fiéis àquele carisma missionário que o fazia orgulhoso de ser “Missionário da Consolata”». Uma vez terminada a missa fúnebre, o corpo foi acompanhado pelos Padres Vincenzo Mura, Norberto Louro e Giano Benedetti até San Vito di Dogato (Fe) onde foi sepultado no jazigo da família. Redacção de “Da Casa Madre” |
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