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P. Giuseppe Mina PDF Imprimir E-mail
Por A Redacção de “Da Casa Madre”   
10 de March de 2006

1911-2004

Era filho de Giovanni Battista e Fissore Margherita e nasceu a 10.04.1911 em S. Lorenzo di Fossano. Ainda jovem, trabalhou como artesão de escultura e placagem profissional. Foi o primeiro presidente do Círculo paroquial da Juventude Católica dedicado a Pier Giorgio Frassati. Sob orientação do Padre Michele Pellegrino – o futuro cardeal de Turim – foi cultivando a sua vocação sacerdotal, até que, em 1933 e já com 22 anos, entrou para o Instituto em Favria Canavese. Em 1938 consagrou-se a Deus com a profissão religiosa, sendo ordenado sacerdote em 1942.

Em 2002, por ocasião do 60.º aniversário da sua ordenação, publicou Momenti per dire grazie al Dono em que, mediante uma carrada de rápidas referências partilhou connosco as brilhantes chispas da sua longa vida. Foi uma vida compassada pelo chamamento de Deus que ouviu aos dezoito anos e pela ordenação sacerdotal em 1942. Foi uma vida em que se viu que os planos de Deus nem sempre correspondem às expectativas de cada um, mas onde tudo e em cada caso se torna acção de graças que abarca a trajectória completa dos mais de 90 anos que Deus lhe deu para viver.

O Fundador

Ao falar do Fundador, contava ele: «A minha mãe era assinante do Bollettino Missioni Consolata. Eu tinha 15 anos quando lá li a notícia da morte de José Allamano. Não me preocupei em saber mais sobre o assunto. Estava naquela altura da transição da adolescência para a juventude e havia muita coisa a dar voltas à minha cabeça, a pontos de minha mãe andar pensativa.

A seguir, ao entrar exactamente para o Instituto fundado por José Allamano, tomei consciência de que muitos confrades da minha idade tinham-no conhecido e até o recordavam desde os dez ou onze anos, como alunos que eram do Piccolo Seminário San Paolo.

Ao entrar para o Instituto aos 22 anos, a figura do Fundador de tal modo foi impregnando a minha vida que me parece – perdoem-me a presunção – saber quase tudo a respeito dele. Amo-o e procuro seguir os seus ensinamentos, sempre dirigidos para o alto, para a santidade. É estimulante o seu lema de fundo “Antes de mais, santos; depois, missionários”. Ao voltar ao facto de como soube da notícia da sua morte em 1926… o seu “ámen” final, ao sopro da avé-Maria… são a síntese duma vida que me marcou e que procuro conduzir em simbiose com a sua vida de Pai, homem de Deus, da Igreja e da missão universal da salvação».

Os confrades

«Padres já eu encontrei às centenas; vivi muito tempo com alguns nas casas e outros conheci-os nas missões. Acompanhei mais que 500, tendo alguns já passado desta a melhor, tendo deixado em mim uma lembrança que não vem nem da carne nem do sangue mas do desejo comum de concretizar da melhor maneira a vocação ad gentes…A família que vim a encontrar não era uma perfeição, mas eu sempre vi, regra geral, muita boa vontade e dedicação nos padres com quem convivi. E continuo a ouvir o tom com que me acompanharam, mesmo quando andávamos à procura da melhor maneira para concretizar planos de acção».

A missão

Uma vez ordenado sacerdote, o Padre Mina foi chamado a fazer apostolado na Itália no campo da formação como prefeito e como director espiritual nas casas de Cereseto, Comotto, Rovereto e Vittorio Veneto (1942 a 1948). É ele próprio quem o relata: «Depois da ordenação, eu queria partir para as missões, mas os superiores meteram-me na formação dos nossos seminaristas; e não tive como de lá sair, embora tivesse procurado… fazer-me ouvir.

Pediram-me anos de assistência aos jovens e depois vieram os cargos de direcção. Bastantes anos destes foram vividos no período da segunda guerra mundial, face a enormes dificuldades. Havia muito empenho por parte dos padres em ajudar os alunos na sua vocação, por vezes em alturas de verdadeira emergência! E quanto não foi também o empenho dos alunos em serem fiéis à sua vocação!».

Em 1948 começou a trabalhar na formação dos irmãos auxiliares como pró-director, nas casas de Varallo Sesia e Camerletto. A seguir, em 1950, vi-me como director dos irmãos em Alpignano. Entreguei-me com muita paixão a cumprir os seus ideais. A construção da casa e a preparação dos cursos profissionalizantes com carácter missionário foram uma verdadeira aventura de seis anos. Quando a Casa dos Irmãos ficou pronta, fui parar à Certosa di Pesio como Mestre dos noviços».

No ano seguinte, o Padre Mina foi destinado para o Quénia, onde trabalhou durante seis anos entregue à instalação da Acção Católica na diocese de Nyeri por ordem de Mons. Carlos Cavallera num primeiro momento e depois sob Mons. Gatimu. Depois de seis anos de trabalho intenso, aquela instituição já podia contar com um quadro de pessoal dirigente de origem africana da diocese e já se encontrava estabelecida em todas as missões onde avançava com um método simples, adequado à mentalidade africana. Foi também graças à sua obra de sensibilização que naqueles anos se começou a enviar africanos para o estrangeiro a frequentar cursos de ciências sociais. Também teve notável incremento o movimento dos professores católicos com exercícios espirituais anuais que vieram a ter grande êxito. «Naquela altura em que todos davam do seu melhor, pude conhecer, apreciar e aproximar-me, em situações de emergência, de grandes figuras de padres que, lideradas por Mons. Carlo Cavallera, penetraram na minha alma, e tão fundo, que jamais os poderei esquecer. Só tenho a lamentar que o tempo que passei com eles tivesse sido tão curto, ao fim de tantos anos de ardente expectativa».

Os Irmãos

«Considero uma grande graça ter trabalhado com eles, tanto na Itália como nas missões, gente com aquele tratamento característico de irmãos – que não eram apenas técnicos de boa mão de obra – capazes de nos encher de humanidade como expressão de amor, fazendo de um dia de tempestade uma jornada de sol brilhante.

Sempre tive uma simpatia muito especial pelos irmãos, coisa que agora já é veneração: fizeram-me óptima companhia, de família. Ao entrar no Castelo de Alpignano que lhes fora destinado, logo me entusiasmei com o projecto da construção dum edifício moderno, que tivesse a possibilidade de receber cursos profissionalizantes de carácter missionário. Mas não tínhamos meios: a Casa Mãe estava destruída, por causa dos bombardeamentos. O Padre Domenico Fiorina, que era o novo superior geral e tinha ideias largas, logo disse: “Se tiverdes disposição, avançai: nós ajudaremos”. Aceitámos o desafio e, todos juntos, tanto os velhos como os jovens alunos, fizemos a casa. Ainda não tinha sido acabada e já estavam instalados os cursos profissionalizantes com aprovação do governo. Funcionaram; as vocações amadureceram; houve partidas para as missões e eles tornaram-se, na África e na América, irmãos construtores de catedrais, estradas, casas, escolas e pontes… para uma civilização do amor».

Mestre de Noviços

«No fim do segundo triénio como director da Casa de Alpignano (1956), fui despistado para a Certosa di Pesio como Mestre de noviços. Quase que cheguei a pôr de parte a ideia de ir para a África por já ter então 45 anos. Só me aguentou aquela vontade inata de comunicar aos jovens a beleza da vocação para a missão. Eu procurava ouvi-los, num diálogo construtivo. O noviço tem que ser o artífice da sua própria formação, pois que nada passa para a vida se não for assimilado. Pouco a pouco, o caminho ia aparecendo e o encontro com Cristo, com o Instituto e com a missão ia amadurecendo».

Na Casa Mãe

Tendo terminado a sua missão de Mestre, o Padre Mina assumiu o cargo de superior da Casa de Alpignano, de 1970 até 1972. A seguir, com problemas de coração, residiu na Casa Mãe durante mais de vinte anos (de 1973 a 1994), dedicando-se ao ministério pastoral e prestando vários serviços a organizações exteriores à comunidade. Foi deveras notável o seu empenho pelas associações de Damas e Amigos das Missões. Também exerceu o cargo de Consultor Eclesiástico da API COLF (Associação Profissional Italiana das Zeladoras da Família – Secção de Turim).

O escritor

Como escritor fecundo e perspicaz que era, foi correspondente oficial da Casa Mãe para o Boletim Da Casa Madre, onde todos os meses se daria a ser lido como cronista vivaz, com o hábito de usar a sabedoria popular, citações eruditas e piadas de bom gosto. Redigiu o perfil biográfico de numerosos missionários defuntos mostrando sempre, com inteligência e espírito de caridade, os traços essenciais da pessoa e respectivo trabalho. Resultaram desse trabalho autênticas biografias de testemunhos que foram publicadas pela EMI na sua colecção Uomini e Missione. De entre elas contam-se: Un cencio per Dio (P. Domenico Dolza); Un Uomo fatto missione (P. Antonio Barbero); Ad ognuno la sua stella (P. Ernesto Girardino); Un missionario di fuoco (P. Lorenzo Sales), etc.

De entre os livros que publicou vale a pena recordar: La beatitudine di essere secondo (biografia de Tiago Camisassa, co-fundador), que escreveu em colaboração com sua irmã, a Irmã Gian Paola e Quando la missione invade la vita (biografia do nosso Pai Fundador), escrita também em colaboração, desta vez com o Padre Lino Zamuner.

Em Alpignano

Em 1994, devido a problemas de saúde e à idade, retirou-se definitivamente para Alpignano, onde continuou a sua actividade editorial com paixão. Em 2001, tendo chegado aos noventa anos, assim respondia a quem lhe perguntava que sentido tinha gastar uma vida inteira pela missão: «De facto não fui eu a programar essa coisa dos noventa anos, nem sequer sabia o que era a missão. Dos meus anos verdes (de juventude) recordo bem que gostava de viver, de estar na companhia das pessoas e sentia-me atraído pelas moças. Não era um apaixonado da vida devota ou de me encontrar com Jesus. Mas quanto a Deus, porém, eu bem sentia no fundo que tinha de O amar. Aos 18 anos, naquela altura das grandes decisões, comecei a reflectir; e aos 22 parti para o IMC. Sem arrependimentos e sem jamais pensar em voltar atrás».

E ainda lhe pediram que revelasse o segredo da sua vivacidade quase juvenil, ao que ele respondeu: «Eu, pessoalmente, sempre mantive uma convicção, ou seja, que não se morre de doença mas sim quando Deus nos chama: uns cedo, outros tarde e outros de repente. Várias vezes cheguei ao ponto de partir, mas fiquei, dizendo a mim mesmo que a vida é um dom que se não pode malbaratar. É o coração que nos faz jovens. É preciso continuarmos a ser pequeninos para podermos ter acesso ao espanto. Viver o muito obrigado é um hino à vida». E concluía reafirmando o seu amor incondicionado a José Allamano, cujo “ámen” final, ao sopro da “avé-maria” com que se apresentou ao Pai, «é a síntese duma vida que me marcou e que procuro sempre manter em simbiose com a sua vida de Pai, de homem de Deus, da Igreja e da missão universal da salvação».

Do seu buen retiro de Alpignano, mas nunca separado do mundo, ele continuava a presenciar a aventura humana que crescia à sua volta, tornando-a motivo de reflexão e de louvor a Deus. Abria-se com espanto ao “evangelho da ternura” como se fosse uma terra sempre nova a descobrir, capaz de gerar um mundo melhor. Ele admirava a beleza deste mundo através dos píncaros nevados da sua Certosa que cantou em vários poemas que transformaram em poesia a sua ânsia de Deus. E foi mesmo lá, quando depois de muitos anos voltou à Certosa di Santa Maria, também palco de longos anos de apostolado ao serviço do Instituto… que encontrou a sua vida, reviveu a sua juventude, dom do Espírito Santo, e reconheceu esta grande verdade: independentemente de sermos jovens ou velhos, a vida é bela quando a amamos.

“Hoje, tão diferente do meu ontem

com noventa anos

não sei por que tudo encontro na Certosa

…mesmo no difícil caminhar. Mas não no espírito.

E gozo os ritmos juvenis

Em quem os canta e em mim que os ouço:

São castanholas e címbalos do Espírito.

Sinto que é belo o dia quando só o amor conta».

A separação

Era o dia 28 de Outubro de 2004 quando Deus o chamou para Si. Perante o número de confrades e Irmãs, Damas missionárias, amigos e familiares, a missa de exéquias foi celebrada no Sábado, dia 30, na Igreja paroquial de Alpignano. Presidiu à celebração o Padre Norberto Louro, conselheiro geral. O Padre Franco Gioda, superior regional, leu a mensagem do Padre Geral, que se encontrava em visita oficial ao Congo: “Sinto que acaba de nos faltar um missionário que com os seus escritos e os seus múltiplos serviços prestou um serviço inigualável ao Instituto e à causa missionária. Aquele fogo interior a que o Beato José Allamano tantas vezes se referiu, sempre o Padre Mina o trouxe no coração. Ficarão célebres as causas em prol das quais tanto escreveu e lutou». Mons. Franco Peradotto, reitor do santuário da Consolata e a vice-superiora das Irmãs da Consolata manifestaram o seu agradecimento ao padre Mina. “A minha alma engrandece o Senhor…”: Padre Mina, aí no céu canta os louvores de Deus, que nós, como era teu desejo, cantamos o Magnificat dando graças ao Criador por te ter dado ao Instituto, à Igreja e ao mundo.

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