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Relatório da Direcção Geral - II RECURSOS HUMANOS PDF Imprimir E-mail
Por Consolata.org   
10 de March de 2006

II. OS RECURSOS HUMANOS

Começamos por aqui porque, como muito bem dizem as Constituições (30) eles são o bem mais importante e mais precioso que Deus deu e dá ao Instituto. A nossa visão é a de pessoas que têm recebido o dom de encontrar-se com tantos confrades no decorrer das visitas às circunscrições, que acompanharam muitos missionários tanto no âmbito da formação básica como em várias iniciativas de formação contínua, que passaram longas horas em sessão de Conselho Geral a tratar da destinação dos confrades ou a procurar soluções adequadas a casos de crise ou dificuldade. O nosso saber também foi enriquecido com a correspondência epistolar, com a leitura das Actas das circunscrições e com diálogos interpessoais sempre muito enriquecedores. Claro que neste Relatório nos vamos deter mais sobre situações problemáticas na intenção de as focalizar bem, indicando, se possível, as causas dos problemas e sugerindo também, quando nos sentirmos capazes, qualquer pista de solução ou qualquer remédio pertinente. Ao darmos aqui pouco espaço aos missionários sem problemas e zelosos no seu trabalho, não significa que a nossa atenção a seu respeito tenha sido fraca ou que o Capítulo não tenha que mostrar interesse por eles e apoiá-los na sua missão.

1. Alguns dados numéricos (em 31 de Janeiro)
Ano 1975 1981 1987 1993 1999 2005
Mission. 1.081 1.046 993 991 995 987
Idade 44 47 49 52 52 53.7
Mediana
Padres
Ano 1975 1981 1987 1993 1999 2005

África 6 3 21 40 77 152
América 54 61 72 94 107 135
Europa 792 780 688 620 560 470
Total 852 844 781 754 744 757


Irmãos
Ano 1975 1981 1987 1993 1999 2005

África 2 - 5 14 12 14
América 6 5 3 4 4 6
Europa 110 104 93 93 73 46

Total 118 109 101 111 89 66


Estudantes professos
Ano 1975 1981 1987 1993 1999 2005

África 4 12 23 48 87 75
América 7 18 32 31 30 30
Europa 73 31 29 32 15 6
Ásia - - - 1 - 3

Total 84 61 84 121 132 114


Movimentação do Pessoal 1999-2004:

Ano Noviços Orden. Sac. Irmãos Prof. Perp. Falecidos Saídos *

1999 26 26 - 20 21
2000 26 24 1 14 14
2001 30 30 2 17 21
2002 28 12 1 8 16
2003 43 12 1 20 17
2004 37 15 - 13 9

Total 190 119 5 92 98

• Saídos: Missionários com votos temporários ou perpétuos que deixaram definitivamente o Instituto

Situação do pessoal por idade mediana no ano de 2004:

Idade 21-30 31-40 41-50 51-60 61-70 71-80 81-90 91-100
119 194 116 136 213 137 51 8

Esta leitura suscita algumas considerações e poderá ilustrar um pouco mais a situação actual do Instituto quanto aos seus recursos humanos:
- a situação numérica do pessoal, nas últimas três décadas, revela uma ligeira mas constante flexão, embora a partir de 1987 revele uma estabilidade substancial.
- a flexão actual dos estudantes professos deve-se, em parte, à adição do Ano Propedêutico por parte da Região do Quénia. Assim, veio a faltar um ano de Noviciado em Sagana. Deve juntar-se ainda a esta causa estrutural o penoso problema das desistências dos jovens professos temporários que atinge uma média anual de 11 unidades.
- a idade mediana do Instituto estabilizou, na última década, em torno dos 52-53 anos.
- o número actual de falecidos durante os últimos seis anos permanece estável.
- ainda dá preocupações a entidade numérica dos missionários que saem do Instituto após a ordenação sacerdotal e após a profissão perpétua. Mais abaixo trataremos deste assunto de maneira mais exaustiva.
- a faixa etária mais numerosa encontra-se entre os 61-70 anos. A seguir vem a que fica entre os 31-40 anos; e logo depois, a dos setentões. O envelhecimento inevitável que se nota terá um impacto negativo nada indiferente sobre os compromissos do Instituto durante os próximos anos.

Aos dados puramente estatísticos queremos juntar algumas observações que a experiência nos sugere:
- Os missionários que necessitam de cuidados médicos devido à idade continuam a ser numerosos. A casa Beato Giuseppe Allamano continua a fazer o seu precioso e fiel trabalho de acolhimento, enquanto que algumas Regiões já começaram a interrogar-se sobre que tipo de assistência deverão ou poderão dar aos seus missionários idosos.
- Recentemente, deram-se alguns casos de missionários jovens que, por doença, começaram a precisar de cuidados médicos contínuos.
- Não queremos tão pouco esquecer que, face à ordenação episcopal de quatro confrades, que ocorreram entre 1999 e 2001, o Instituto atingiu o ponto máximo de Missionários Bispos, que é de 13.

2. Distribuição do pessoal e seu revezamento
O XCG, embora estivesse consciente da delicadeza e da complexidade do tema, deu orientações que pudessem ajudar a Direcção Geral na distribuição do pessoal. Antes de mais, lembrou quão difícil se torna para a Direcção levar a cabo a substituição de todo o missionário que, por qualquer razão venha a sair duma circunscrição. Por isso, sugeria às Regiões que aderissem com crescente convicção à ideia do redimensionamento das suas obras. Recomendou que se favorecessem novas fundações, que se reforçasse a formação básica e a AMV, e que se procedesse à qualificação do pessoal para sectores específicos do trabalho missionário.
Nos últimos seis anos, conseguimos concretizar a nova fundação na Mongólia e cumprir o plano de Djibuti. Tanto no primeiro como no segundo caso, contámos com grande disponibilidade por parte dos missionários interessados. Fez-se um esforço todo especial para consolidar as equipas formativas dos nossos seminários. Da nossa parte, nem sempre foi possível favorecer a AMV devido ao facto de o pessoal destinado a uma circunscrição ser depois distribuído pelas Direcções Regionais segundo critérios que até podem diferir dos da Direcção Geral.
Nas nossas visitas canónicas nunca deixámos de fazer lembrar os critérios capitulares sobre a distribuição do pessoal. Também quisemos dar a saber às circunscrições da América Latina, mediante uma carta ad hoc, a nossa preocupação sobre o fraco envolvimento do pessoal missionário na AMV. No decurso das visitas ou nos encontros anuais com os Superiores Regionais recordámos-lhes as orientações feitas pelo XCG no sentido de cada comunidade ter, na medida do possível, três missionários no mínimo. Temos que admitir que algumas circunscrições levaram essa sugestão a sério, a pontos de suspenderem novas fundações ou de acelerarem o seu redimensionamento. Mas outras, tendo começado bem, enfraqueceram no seu compromisso. A orientação predominante ainda é o crescimento numérico das nossas fundações mais que o esforço de redimensionamento que depois torne possível a requalificação das nossas fundações e do nosso trabalho. Continua a precariedade das comunidades locais, e a inversão da tendência desejada pelo XCG ainda não resultou. De facto, apesar das insistências, tanto capitulares como nossas, o Instituto está a terminar agora este mandato com mais comunidades que as que tinha em 1999!
Queremos fazer notar ainda que o revezamento do pessoal duma Região para outra continuou mas com certo cansaço. A grande maioria das destinações que se realizam anualmente não respondem afinal aos critérios dum revezamento normal. Parece-nos que as razões principais que dificultam a substituição do pessoal sejam as seguintes:
- quase todas as circunscrições são, ao mesmo tempo, lugares de animação missionária e vocacional e de actividade pastoral missionária. Em bastantes casos, o missionário e a Direcção Regional preferem que a mudança de uma actividade pastoral para outra de animação missionária ou de formação aconteçam no seio da própria Região.
- Temos notado resistência por parte de alguns missionários à saída do seu país. Por esta razão, decidimos várias vezes reafirmar a importância para o Instituto do ad extra, quer dizer, da partida. A consulta intercapitular de 2002 fez especial apelo a isso e decidiu reafirmar a sua relevância.
- O convite do último Capítulo no sentido de cada missionário, uma vez cumpridos nove anos numa circunscrição, se tornar disponível ao revezamento, teve um efeito bastante limitado. Foram poucos os missionários que nos informaram desta situação pessoal. Da nossa parte, talvez tenha faltado um apelo concreto que pudesse tornar mais incisiva esta orientação capitular.

Sobre esta matéria queremos reafirmar, em termos bem explícitos, que deve haver no ADN do Missionário da Consolata, a disponibilidade para a mudança, com a consequente aceitação da partida e da itinerância. Cremos que se encontre reflectida nesta afirmação a intuição do Beato Fundador ao apontar o voto de obediência como o primeiro e o mais importante de todos para o missionário. Não podemos porém ocultar alguns motivos de perplexidade sobre o revezamento quando ele não permite uma verdadeira inserção numa circunscrição, quando o tempo da sua concretização é prematuro, ou mesmo quando ele se cumpre apenas para “transferir um problema”. Somos do parecer que se impõe ainda uma reflexão adicional sobre este tema para que se reformulem novas orientações que melhor respondam à situação actual do nosso pessoal e para que ele se torne verdadeiramente uma coisa valiosa para o indivíduo, para as circunscrições e para o Instituto, num contexto duma internacionalidade alargada.

3. Pessoal em situações especiais
Vamos tratar agora duma questão que sempre empenhou muito a Direcção Geral, em termos de tempo, energia e preocupação. Trata-se dos Missionários que passam por situações especiais de crise ou de doença, ou então que precisam de atenções especiais, sobretudo no campo psicológico. A tarefa de acompanhar estes confrades foi assumida em alternância por todos os membros da Direcção Geral, embora o principal responsável fosse o Vice Superior Geral.

a) crises vocacionais entre os professos perpétuos
Como já pudemos mencionar, o número de casos não é coisa leve, se levarmos em conta a entidade numérica do Instituto. Estas crises manifestam-se de várias maneiras:
- Há missionários que, perante uma dificuldade de vida comunitária ou perante uma situação crítica, pensam que podem encontrar uma solução dos problemas saindo do Instituto e entrando para o clero diocesano. Em geral, os Bispos são muito abertos na sua aceitação e limitam-se a verificar junto ao Instituto que esse sacerdote candidato à “incardinação” na Diocese não tenha sido acusado de crimes sexuais e tenha capacidade para o ministério sacerdotal. Esta é de longe a situação mais comum. Da nossa parte, procurámos sempre fazer o possível por ajudar o indivíduo a superar as suas dificuldades, dando-lhe a oportunidade de períodos de reflexão prolongada, tanto no seio do Instituto como em centros especializados.
- Há depois um pequeno número que consta de Missionários que, por causa de dificuldades na vida comunitária, foram aconselhados pelo seu Director Espiritual a optar pelo sacerdócio diocesano por ser considerado mais adequado à sua índole e personalidade.
- Dois missionários, foram por nós instados ao abandono da vida religiosa e do próprio ministério sacerdotal, depois duma consulta à Congregação para a Vida Consagrada. Os problemas que tinham eram de tal natureza que não poderiam encontrar solução no seio da opção vocacional religiosa ou sacerdotal. O abandono teria sido o menor dos males. Ter conseguido convencê-los foi visto por nós como uma “graça”.

O perpetuar-se destas situações de crise vocacional leva-nos a reflectir a fundo sobre as causas e sobre as motivações que levam os confrades a fazerem tais escolhas. Também nos interrogam seriamente sobre a profundidade do discernimento vocacional que fazemos quando admitimos jovens às várias fases da sua caminhada formativa. E também interpelam a qualidade da nossa formação de base, embora devamos evitar torná-la o bode expiatório de situações que, o mais das vezes, vão para além de qualquer intervenção educativa. Parece-nos ser digno de nota que a quase totalidade dos que abandonaram a nossa Família durante estes anos não o fez para encontrar noutra situação qualquer a possibilidade de levar a cabo um empenho maior que não conseguissem concretizar no Instituto.

b) envelhecimento e doença
Os missionários acima dos sessenta anos são actualmente 40%, ao passo que os de mais de setenta são 18,5%. Estes valores devem levar a que nos interroguemos sobre o que estamos habilitados a oferecer a estes confrades para que possam enfrentar esta etapa da sua vida de modo positivo e como dom de Deus. Falaremos noutro lugar sobre o aspecto formativo. Limitamo-nos agora a fazer algumas considerações de teor organizacional.
O cuidado dos Missionários idosos ou doentes não é apenas uma situação com que temos de lidar, mas é um dever que temos de procurar cumprir da melhor maneira. O apelo pelos idosos e pelos doentes remete directamente para o precioso serviço que a Região da Itália, com instalações adequadas, consegue oferecer aos nossos confrades. Mas não está em jogo só esta Região. A maior parte das circunscrições já está a enfrentar este problema duma maneira ou doutra, problema que está a aumentar rapidamente. Mas antes de pensarmos em instalações de apoio, deveríamos dar uma atenção toda especial às pessoas dos idosos e dos doentes. Vamos apresentar aqui alguns problemas que muitas vezes encontramos nesta área e que poderiam despertar eventuais orientações por parte da assembleia capitular.
- Bastantes Missionários resistem à ideia do envelhecimento e pretendem, com todas a suas forças, continuar tarefas para as quais já não estão adequados. Só a ideia de terem de se retirar do trabalho directo já os aterroriza.
- Outros Missionários adaptam-se de má vontade à sua situação de velhice, cedendo aos confrades mais novos as funções e responsabilidades também contrariados. Há casos de missionários que se esforçam até à última para ficar na vanguarda, mas criando depois bastantes dificuldades à comunidade onde se encontram ou à própria eficácia do trabalho missionário.
- Outros ainda simplesmente não têm cuidado com a saúde e não ligam às ordens dos médicos, que no decorrer da terceira idade deveriam afinal tornar-se rotina.
- Temos a percepção de que há necessidade de incentivar iniciativas formativas específicas para os confrades da terceira idade em que não apenas a dimensão espiritual ou carismática venha encarada como também outras dimensões que por vezes causam conflitos e dificuldades (convivência, saúde, aspectos psicológicos, inactividade, etc.).

c) A problemática psicológica
Surpreende-nos o elevado número de confrades (22) que no decurso deste mandato foram enviados a centros especializados para terapia de apoio, sobretudo no campo psicológico, afectivo e sexual. Foram poucos os casos de pessoas com problemas de alcoolismo que pediram terapia de apoio. Ninguém foi obrigado por nós a fazê-lo, embora tenhamos de admitir que, em certos casos, alguns precisaram duma boa dose de encorajamento. No término destas sessões, as avaliações foram sempre positivas. Nalguns casos, o missionário pediu para continuar a terapia ou então pediu para lá poder voltar para controlo.
Temos de reconhecer que a nossa época produz uma abundância de pessoas frágeis, vulneráveis e, por isso, necessitadas de apoio psicológico. Talvez devêssemos encorajar mais os jovens, já durante a sua formação de base, a procurar e frequentar estes centros que estão à disposição em muitos países, para depois não se ter de intervir só quando a crise estala. Já não satisfaz aquela clássica e rápida visita ao psicólogo antes da admissão no seminário, ou alguns breves cursos a nível de grupo. Parece que entre as gerações mais jovens cada pessoa tem realmente necessidade duma análise aprofundada da personalidade, ao longo do tempo, que assim lhe permita ter um autoconhecimento profundo e completo, tal como para aprender a utilizar os mecanismos de apoio durante o resto da vida.
A Direcção Geral sempre optou por carregar com as despesas correspondentes a estes tratamentos para evitar que as circunscrições se sintam tentadas a fugir-lhes, pois nalguns casos são bastante elevadas. O Vice Superior Geral tem sido a pessoa de referência para estes casos, em nome da Direcção Geral.

d) Assumir a responsabilidade
No decorrer da Consulta intercapitular de 2002, foram apresentados dois documentos à assembleia. O primeiro era um formulário de “Declarações de responsabilidade e disposições” que cada missionário, por vontade própria, teria podido preencher, assinar e enviar à Secretaria Geral em Roma para ser conservada no ficheiro pessoal de cada um. O texto foi a seguir distribuído aos confrades através dos Superiores de Circunscrição. Apenas alguns o assinaram e enviaram para Roma. Pensamos que seria conveniente o Capítulo levá-lo em consideração e, se achar oportuno, instituir as respectivas normas.
O segundo documento, que fora preparado pela Direcção geral e também estava ligado ao mecanismo da tomada de responsabilidade, referia-se à praxe do Instituto perante casos eventuais de abuso sexual. Eram normas que tinham a ver com os superiores de Circunscrição e com o seu papel e responsabilidade face a eventuais casos de abuso. Os membros da Consulta debateram o texto e fizeram algumas correcções. Somos do parecer que é oportuno dar este texto a conhecer e que receba o aval do Capítulo Geral.

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