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Deus Ama sem Fronteiras: da Amazônia para o Mundo PDF Imprimir E-mail
Por Guido Labonté   
09 de Outubro de 2007
Campanha Missionária 2007 lança um olhar sobre a Amazônia e convida a alargar os horizontes da Missão.

“Todos os cristãos são chamados a serem missionários e a testemunharem o Evangelho” são palavras bem conhecidas que nos convidam a refletir e a entrar em comunhão com todos os povos, num compromisso com a construção do Reino de Deus.

Há 15 anos, por ocasião da visita de dom Gutemberg Freire Régis, cssr, na quela altura bispo de Coari, Amazonas, à minha terra natal no Canadá, fiquei impressionado quando ele conversou sobre a situação sociocultural e nos falou das necessidades, tanto materiais quanto humanas para toda a região da Amazônia.

Fraternidade e Amazônia


A Campanha da Fraternidade deste ano, tendo como tema a Amazônia, destacou o lema “Vida e Missão neste chão” com a preocupação de provocar uma reflexão e chamar a atenção dos cidadãos de nosso país e também do mundo para a solidariedade. Foi “um convite para que se conheça, se aprecie e se respeite toda a vida que a Amazônia guarda: seus povos, sua biodiversidade, sua beleza”. Foi também um chamado que continua para que “aprendamos, com eles, a fortalecer uma cultura que proteja a vida e a garanta para toda a humanidade”. Tornou-se uma ocasião para que a Igreja não só na Amazônia, mas em todo o Brasil “reveja com confiança, ousadia e destemor sua ação pastoral, de modo a ser sinal vivo da presença do Reino de Deus na Amazônia” (CF 266).

“As Igrejas da Amazônia respondem por um território de quase metade de nosso país e, ao lado de dificuldades antigas, enfrentam novas situações que exigem redobrada presença pastoral. Diante do enorme desafio, os bispos da Amazônia têm contribuído com a comunhão eclesial, mediante inúmeras iniciativas... A Igreja na Amazônia surge no horizonte de outras Igrejas do Brasil, repetindo o clamor: vem à Amazônia! Socorre-nos!” (Comissão Episcopal da Amazônia, A missão da Igreja na Amazônia, p. 9-10).

Missão além-fronteiras

Porém, eu fiquei muito mais comovido quando o mesmo bispo amazonense, aquele que eu tinha encontrado na minha terra e com quem eu estava colaborando na Prelazia, demonstrou uma notável abertura e um real apoio aos leigos da Amazônia que queriam se preparar e se dedicar para a missão além-fronteiras Ad Gentes. Ele entendeu muito bem que a nossa Igreja da América Latina e mesmo da Amazônia têm um “dever” de “dar de sua pobreza” partilhando sua experiência e oferecendo algo de original e importante (Puebla, 368).

Na sua Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2007, o papa ressalta claramente que “o compromisso missionário permanece o primeiro serviço que a Igreja deve à humanidade para orientar e evangelizar as transformações culturais, sociais e éticas; para oferecer a Salvação de Cristo ao homem do nosso tempo, em muitas partes do mundo humilhado e oprimido por causa de pobrezas endêmicas, da violência e da negação sistemática dos direitos humanos”.

A Igreja não pode omitir-se e nem perder tempo diante da urgência da missão e de sua responsabilidade universal de anunciar a Boa Nova a todos os povos. “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulas” (Mt 28, 19a). O mandato de Jesus é eminentemente missionário. E esta missão que Jesus deixou a seus discípulos continua ainda hoje para nós que reconhecemos a dimensão missionária de nosso batismo. “Fazer que todas as nações se tornem discípulas” é uma tarefa que não está terminada e que ainda hoje os cristãos têm o “dever” de continuar. Na nossa atualidade latino-americana, essa mesma fé que animou a vida e a cultura de nossos povos tem como responsabilidade e missão “enfrentar sérios desafios, pois estão em jogo o desenvolvimento harmônico da sociedade e a identidade católica de seus povos” como afirmava o papa no seu discurso inaugural da V Conferência de Aparecida.

A Campanha Missionária

A Campanha Missionária resgata o tema da Campanha da Fraternidade e aprofunda em leitura e chave missionária: "Deus Ama sem Fronteiras: da Amazônia para o Mundo".

“A relação entre a Igreja que está na Amazônia e as demais Igrejas particulares de nosso país e do mundo, com todas as implicações, é uma relação de mão dupla. A Amazônia tem muito a ensinar e a aprender” (CF 309). É só lembrar do que os bispos da Amazônia refletiram e escreveram em 1997 no Documento “A Igreja se faz carne e arma sua tenda na Amazônia”...



Guido Labonté, da Sociedade das Missões Estrangeiras - SME de Quebec, Canadá, missionário no Amazonas e no Japão. Secretário-executivo do Centro Cultural Missionário – CCM, em Brasília, DF. - Publicado na edição Nº08 – Outubro 2007 - Revista Missões.
Última Atualização ( 08 de Outubro de 2007 )

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