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Brasil: A saga da Copacol PDF Imprimir E-mail
Por Alceu Sperança   
10 de October de 2007
Até o início da década de 60, o cooperativismo era considerado “coisa de comunista”. Foi preciso que um padre católico se colocasse ao lado dos agricultores para que a proposta pudesse ser implantada com sucesso. Como os comunistas eram perseguidos e sofriam forte repressão, interessava aos atravessadores – maus empresários que adquiram a produção dos colonos a preços aviltantes – propagar a idéia de que o cooperativismo era o demônio em forma de empresa.O jogo começou a virar quando padre Luiz Luíse fundou a Copacol (Cooperativa Consolata) em 23 de outubro de 1963, ao lado de 32 agricultores e o apoio do deputado federal Lyrio Bertoli, recebendo a imediata concordância do presidenteconstitucional, João Goulart, que em seguida seria derrubado pelo golpe de 1° de abril.

“A situação dos pobres agricultores era dura e precária”, narrou padre Luiz Luíse para a Memória Histórica de Cascavel, projeto desenvolvido em 1980. “A terra de Cafelândia do Oeste em geral era muito generosa com os colonos, mas os atravessadores abusavam dos agricultores até lográ-los, sangrálos e matá-los. Os cereais em geral e também os suínos valiam bem pouco”.


O cooperativismo impediu que Cafelândia fosse mais uma das pequenas cidades quase fantasmas do interior paranaense, que sobrevivem mais do Fundo de Participação dos Municípios que da receita própria. Com a Coopacol (hoje, Copacol) e sua liderança empresarial, Cafelândia conseguiu se antecipar ao desastre do café, produto que deu nome à cidade. A antiga comunidade do Caixão, nome anterior de Cafelândia, foi iniciada por Luiz Bertoli, avô do deputado federal Lyrio Bertoli. Ele trouxe o primeiro colono, Honoríbio Tomaz, e as famílias Cirico e Maltezo, dentre outras. Todos vieram do interior de Santa Catarina para plantar café, e por isso mudaram o nome do Caixão (que se referia a um defunto paraguaio) para Cafelândia. Algumas poucas safras mostraram que a cultura rendia de fato muito dinheiro, mas o risco era atroz: se a Copacol não surgisse, na primavera de 1963, as enregelantes geadas de 1965 teriam varrido Cafelândia do mapa.

Foi o cooperativismo e a Copacol, portanto, que asseguraram a sobrevivência de Cafelândia, criaram o Município, deram-lhe alguns de seus melhores prefeitos e vereadores, permitiram estabelecer uma boa rede rodoviária e fortaleceram a estruturação urbana. Cafelândia, hoje, não só está no mapa do Brasil como brilha, luminosamente, no cenário econômico do mundo.


Alceu Sperança é historiador em Cascavel
Última Atualização ( 07 de October de 2007 )

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