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XXVI Domingo Tempo Comum PDF Imprimir E-mail
Por Pe. Patrick Silva, imc   
29 de September de 2007
ImageNo XXVI domingo do tempo comum, a liturgia nos apresenta a parábola do pobre Lázaro, sentado à porta do homem rico. Cada vez que Jesus tem algo importante para comunicar, ele conta uma parábola, uma história que reflete a realidade das pessoas. Assim, mediante a reflexão sobre a realidade visível, leva aqueles que o escutam a descobrirem os apelos invisíveis de Deus, presentes na vida. Uma parábola é contada para fazer pensar e refletir. Assim, é importante que prestemos atenção até aos pequenos pormenores.

Esta parábola é um espelho fiel, na qual se reflete não só a sociedade do tempo de Jesus, mas também a nossa do tempo atual. A parábola é uma denúncia forte e radical da situação injusta, já que nos mostra que o pensamento de Deus é contrário ao nosso pensamento. Na parábola aparecem três personagens: o pobre, o rico e Abraão. O pobre tem um nome, Lázaro, porém, não fala. O rico não tem nome, mas fala sempre e insiste. Quer ter a razão de qualquer maneira. Abraão é o pai de todos e quer o bem para todos, ele representa aqui o pensamento de Deus.


A situação do rico e do pobre

Nas personagens do pobre e do rico, aparecem os dois extremos da sociedade. De um lado, a riqueza agressiva e do outro lado, o pobre sem recursos, sem direitos, coberto de feridas, sem que ninguém o acolha, a não os cachorros que lhe faziam companhia. Aquilo que separa as duas personagens é apenas uma porta fechada da casa do rico. O rico não acolhe, não tem compaixão pela situação do pobre que se encontra na entrada da sua casa. Porém, o pobre tem um nome, enquanto que o rico não tem. O pobre se chama Lázaro, que quer dizer Deus ajuda. Através do pobre, Deus ajuda o rico, ou seja, o pobre era um instrumento para que o rico pudesse ter também um nome. Porém, o rico não aceitou ser ajudado pelo pobre, e portanto, a porta da sua casa permaneceu fechado para o pobre.

Mudança da situação

Lázaro, o pobre, morreu, depois dele também o rico acaba morrendo. O fato de o pobre ter morrido primeiro, na parábola, não é um mero acaso. Na verdade, trata-se de uma advertência para o rico. Enquanto o pobre vive, o rico tem possibilidade de ser salvo, de também ele ter um nome. Mas depois que o pobre morre; morre também o único instrumento de salvação para o rico.

O pobre morre e é levado para o seio de Abraão. O seio de Abraão é a fonte da vida, de onde nasce o povo de Deus. Lázaro, o pobre, pertence ao povo de Deus, faz parte do povo de Abraão. O rico que pensa de ser também ele um filho de Abraão, morre, é sepultado e não é levado para o seio de Abraão, mas é levado para a sepultura. Aqui termina a introdução à parábola, o verdadeiro ensinamento chega agora através dos diálogos que se seguem.

A primeira conversa é entre o rico, sem nome, e Abraão. A parábola é como que uma janela que Jesus abre sobre o outro lado da vida, o lado de Deus. Não se refere aqui ao céu e inferno. Trata-se do verdadeiro lado da vida descoberto somente através da fé e que o rico sem fé não entender. A ideologia do seu tempo não lhe permitem fazer essa descoberta. Somente à luz da morte que a ideologia se desintegra da mente do rico e que descobre o verdadeiro valor da vida. Agora, as sortes estão mudadas, o rico sofre, o pobre é feliz. O rico ao ver Lázaro no seio de Abraão pede que Lázaro, o pobre, lhe ofereça um alívio para o seu sofrimento. À luz da morte, o rico descobre que Lázaro é o seu único benfeitor. Mas agora é tarde de mais!

O rico sem é um pio judeu (poderia também ser um cristão) conhece Abraão e o chama de Pai. Abraão lhe responde e o chama de filho. Tal significa que a parábola é dirigida a todos os ricos vivos. Enquanto estão vivos têm a possibilidade de se tornarem filhos de Abraão, se abrirem as suas portas aos Lázaros que se encontram nas suas entradas. O rico pede um pouco de água para acalmar o seu sofrimento, porém, agora existe um abismo entre eles. Na verdade, no início havia apenas uma porta. Aquela porta era o abismo entre Lázaro e o rico, um abismo que o rico quis que permanecesse, por isso, agora o abismo permanece.

Na resposta de Abraão ao rico transparecem as maldições do capítulo sexto de Lucas: Mas ai de vós, ricos, porque tendes a vossa consolação!Ai de vós, que estais fartos, porque vireis a ter fome! Ai de vós, que agora rides, porque gemereis e chorareis! Ai de vós, quando vos louvarem os homens, porque assim faziam os pais deles aos falsos profetas! (Lucas 6,24-26).

O rico insiste (primeira vez)

“Suplico-te então, pai, que mandes Lázaro à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos” (Lc 16,27). O rico não quer que seus irmão tenham a mesma sorte que ele. Assim, pede que Lázaro seja enviado a sua casa. Lázaro, o pobre, é o único intermediário entre Deus e os ricos. Mas o rico, durante a sua vida nunca se preocupou com o pobre Lázaro. Preocupou-se unicamente consigo mesmo, mantendo a porta fechada. A resposta de Abraão é clara: “eles têm Moisés e os profeta”. Por outras palavras, eles têm a Bíblia. Na verdade, o rico tinha a bíblia, mas nunca entendeu que o pobre era a chave de leitura para a bíblia que ele provavelmente tão bem conhecia.

O rico insiste (segunda vez)

O rico não se dá por derrotado e continua insistindo. “Não, pai Abraão; mas se for a eles algum dos mortos, arrepender-se-ão” (Lc 16,30). Finalmente, o rico reconhece que errou e fala agora de conversão. Coisa que ele nunca fez na sua vida. Ele quer um milagre! Abraão lhe responde, dizendo que se não acreditarem na bíblia, também nem que vejam um morto ressuscitar vão acreditar. Termina aqui o diálogo. A chave para entender a bíblia e a salvação é o pobre Lázaro, sentado à porta do rico!

O rico que tem tudo, fecha-se em si mesmo, perde Deus, perde a vida, perde-se a si mesmo, perde o nome, acaba perdendo tudo. O pobre, que não tem nada, tem Deus, ganha a vida, ganha um nome, ganha tudo. O pobre é Lázaro, é Deus ajuda. Deus vem até nós na pessoa do pobre, sentado à nossa porta, para nos ajudar a superar o abismo criado pelos ricos sem coração. Lázaro, é aqui também Jesus, o Messias pobre e servo, que não foi aceite, mas cuja a morte mudou radicalmente a situação. É à luza da morte do pobre que a situação muda radicalmente. O lugar do tormento é a situação da pessoa sem Deus. Ainda que o rico pense de ter religião e fé, não sabe estar com Deus, porque é incapaz de abrir a porta ao Lázaro, como fez o rico Zaqueu, este já tem nome.
Última Atualização ( 29 de September de 2007 )

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