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Relatório da Direcção Geral - III AS CIRCUNSCRIÇÕES PDF Imprimir E-mail
Por Consolata.org   
10 de March de 2006

1. As novas fundações

a) A Mongólia
“A Direcção Geral, no primeiro triénio, dê início à análise duma fundação na Ásia, que será concretizada no terceiro triénio” (XCG 44). Em comunhão com as Missionárias da Consolata, foi possível concretizar à letra esta orientação capitular, que passou pelas seguintes etapas:
- Uma comissão ad hoc mista deu início a uma série de iniciativas na Primavera de 2000 para recolher informação sobre as zonas mais necessitadas da Ásia que se conjugassem com os nossos critérios de selecção. Para tal também foi contactada a Congregação para a Evangelização dos Povos.
- Em Fevereiro de 2001, os dois Conselhos Gerais decidiram concentrar as suas atenções sobre dois países: o Camboja e a Mongólia, que foram visitados no mês de Julho do mesmo ano.
- No mês de Novembro de 2001, após a visita dos dois países e partindo da base de dados que tinham sido colhidos, os dois Conselhos decidiram fazer uma fundação na Mongólia, a concretizar-se em 2003, após prévia preparação do pessoal.
- No contexto do Centenário da primeira partida para o Quénia, deu-se em 19 de Maio de 2002 a entrega do crucifixo aos Missionários e Missionárias da Consolata pelas mãos do cardeal Crescenzio Sepe, no Santuário da Consolata de Turim.
- No mês de Maio de 2003 houve em Nepi um curso intensivo de preparação para os Missionários e as Missionárias, que encerrou a 31 de Maio com o mandato missionário. Mas um dos Missionários teve de desistir por razões de saúde, tendo sido substituído rapidamente por outro.
- Em 20 de Julho de 2003, os enviados saíram de Roma, passaram pela Coreia do Sul para colher os vistos e chegaram à Mongólia no final do mês.

Não vamos repetir aqui os critérios e as motivações que encaminharam nossos passos para a Mongólia, pois que já foram amplamente ilustrados tanto nos noticiários como numa carta conjunta dos dois Institutos datada de 16 de Novembro de 2001.
Neste momento, os nossos missionários ainda estão ocupados na aprendizagem da língua. Durante o ano 2005 já deverão dar início à sua primeira actividade missionária conjunta numa cidade fora da capital. O discernimento sobre esta fundação está em plena actuação tanto por parte dos missionários como por parte da Igreja local.

b) Djibuti
“Na África: estude-se a possibilidade de abrir uma presença específica de diálogo com os muçulmanos numa das nossas circunscrições” (XCG 74).
A sugestão do XCG foi encarada com decisão pelos Superiores Regionais da África no seu primeiro encontro continental após o Capítulo, em Dezembro de 2000. De entre as várias propostas e alternativas que vieram à tona naquela ocasião (Zanzibar, Moçambique, Costa do Marfim), a de Mons. Georges Perron, Bispo de Djibuti teve especial ressonância e consenso. Enquanto se faziam iniciativas que pudessem fazer conhecer melhor aquele pequeno país do Corno da África, as Missionárias da Consolata manifestaram a sua disponibilidade para se juntarem ao nosso projecto se tivessem mais tempo à sua disposição. Os dois Conselhos Gerais, com base nos critérios que receberam dos Superiores do Continente, acabaram por concordar que a fundação seria em 2004.
Entretanto, a meio de 2001, a Diocese de Djibuti acolhia um novo Bispo na pessoa de Mons. Giorgio Bertin, OFM. O diálogo e os relacionamentos com ele foram intensos; fizeram-se repetidas visitas a Djibuti, tanto a Direcção Geral como a da Região da Etiópia. Os Missionários que foram escolhidos para esta nova fundação tiveram assim um ano inteiro à disposição para fazer uma preparação específica sobre a realidade do Islão, participando em cursos do PISAI em Roma. Por fim, em, meados de Setembro de 2004, e já chegados ao destino, começaram logo a fazer a rodagem do seu novo trabalho, na Caritas diocesana e numa escola secundária, bem como na continuação dos estudos islâmicos.
A Região da Etiópia, logo desde o início manifestou pleno acolhimento desta comunidade e do seu projecto específico, tendo feito o propósito de a respeitar e favorecer na sua especificidade, afinal querida pelo XCG e confirmada depois pelos Superiores Regionais do Continente. Ela empenhará os confrades na individuação e em fazer o percurso de diálogo com o Islão, sobretudo através do testemunho e, pelo menos a princípio, com o trabalho nas escolas, na área da saúde e na caritas, onde o contacto com as pessoas é imediato e permite um diálogo contínuo vivencial. Desta forma, os Missionários de Djibuti poderão depois tornar-se úteis, pelo conhecimento adquirido da realidade islâmica e das experiências concretas da vida, às nossas circunscrições da África que têm contacto permanente com populações muçulmanas.

2.O Redimensionamento
A Direcção Geral não deixou de recordar às circunscrições a necessidade e a urgência de fazer redimensionamento, aliás pedido com insistência pelo XCG (cfr. p.48), mas sempre em termos apenas exortativos. As indicações mais concretas já foram feitas na Programação de seis anos, quando indicámos a quatro regiões (Quénia, Tanzânia, Brasil e Colômbia) o compromisso de empreender um redimensionamento mais decidido. A estas Regiões e a outras lembrámos os seguintes critérios surgidos do Capítulo:
-fazer uma revisão séria dos seus compromissos;
-indicar logo as comunidades ou obras a abandonar, com especificação do tempo e modos;
-lembrar que quaisquer novas obras só poderão ser assumidas após assinatura de convenções claras com os Ordinários e nas áreas indicadas pelo Capítulo.
Algumas Regiões só se mexeram lentamente a caminho do redimensionamento, apresentando o motivo de que também tinham que manter um número suficiente de comunidades para nelas colocarem o pessoal de idade. Mas ao mesmo tempo, reclamavam por pessoal jovem que fosse capaz de levar por diante as actividades próprias da região e dar às comunidades locais uma vitalidade maior.
Vemos agora com surpresa, ao fim do nosso mandato, que o número de comunidades do Instituto, em vez de diminuir, cresceu (há 29 comunidades novas e 26 foram encerradas). Apesar de tudo, parece-nos poder reafirmar, com base na experiência que juntámos, a necessidade de continuar ou aumentar o redimensionamento com os seguintes motivos:
- porque o pessoal do Instituto não está a aumentar, crescendo o número de idosos;
- porque isso é necessário para poder requalificar outras obras ou dar início a obras novas segundo os critérios capitulares ou para fazer novas fundações;
- sem redimensionamento acaba-se por penalizar a animação missionária e vocacional por falta de pessoal suficiente e adequado;
- porque sem uma redução de obras jamais se poderá pôr em prática a exortação do XCG que indicava como três o mínimo de missionários por comunidade.

2. Reestruturação das circunscrições
a) o Congo
A 16 de Junho de 1999, poucos dias antes da conclusão do XCG, a Direcção Geral decretou a divisão da Região do Congo em duas circunscrições: a Região do Congo, que incluía as comunidades do Norte, e a Delegação de Kinshasa, que incluía dois seminários e duas paróquias.
Essa decisão amadureceu em conjunto com os confrades interessados devido à divisão de facto do país e à impossibilidade de se viajar de um lado para o outro. A esperança dos confrades e o compromisso da Direcção Geral era manter a divisão apenas por algum tempo, esperando que a situação social e política melhorasse e depois se pudesse a voltar à unidade da Região. A reunificação deu-se logo no dia 1 de Outubro de 2004, tornando-se aquelas duas circunscrições uma só Região, liderada por uma Direcção Regional transitória. A “normalidade” plena voltará logo após o Capítulo Geral, quando uma nova Direcção Regional for eleita pelos confrades, segundo a modalidade que escolherem.
Durante os cinco anos em que as duas circunscrições fizeram caminhadas autónomas, as prospectivas de intercâmbio entre a Região do Norte e a Delegação do Sul em termos de pessoal, projectos missionários ou iniciativas de formação contínua, não puderam acontecer. Mas note-se que a autonomia que tinham não sacrificou o compromisso missionário dos dois grupos. Pelo contrário, passados cinco anos, a Região unida do Congo está agora mais enriquecida com pessoal e maior número de comunidades e de obras.

b) Seminário de Totteridge – Londres
Já por várias vezes os vários Capítulos Gerais tinham problematizado sobre o seminário Teológico de Totteridge por causa do seu isolamento e por causa da presença muito reduzida de confrades na Inglaterra. O último Capítulo debateu o problema uma vez mais no contexto do redimensionamento do Grupo da Casa Geral, mas não tendo condições para chegar a orientações claras, preferiu pedir uma análise à Direcção Geral.
A 17 de Abril de 2000, o Conselho Geral formou uma comissão de estudo coordenada pelo Vice Superior Geral, confiando-lhe a tarefa de aprofundar os motivos pró e contra a nossa presença em Londres e da nossa participação no Missionary Institute. Esse trabalho foi conduzido com todo o cuidado, em várias fases e encontros, desde a segunda metade de 2000 até ao Verão de 2001. Por fim, em 24 de Outubro de 2001, a comissão reuniu-se para fazer o ponto da situação, em conclusão do percurso de análise e identificar os motivos favoráveis à continuação do seminário de Totteridge e os que aconselhavam o encerramento (cfr. Dossier ad hoc).
No dia 8 de Março de 2002, o Conselho Geral, tendo analisado com atenção o trabalho apresentado pela comissão e as propostas que desenvolvera, decidiu que a comunidade de Totteridge começasse a preparar-se para o encerramento no mês de Junho de 2003. As instalações do seminário foram vendidas no mês de Janeiro de 2004.
Actualmente, os sete institutos fundadores já não mandam os seus estudantes para o Missionary Institute, de forma que ele está também a encerrar os cursos teológicos para seminaristas e, a título experimental, está a oferecer cursos de formação missionária para leigos e religiosos da zona de Londres. Se o número de alunos cair abaixo dos 100, o Missionary Institute fechará dentro de poucos anos e o edifício será vendido. O nosso Instituto é uma das sete Congregações Religiosas que são proprietárias do imóvel.
A nossa presença em Londres continua com a comunidade de acolhimento de Finchley, que está aberta aos confrades em trânsito e aos que têm de fazer estudos de língua.

c) Costa do Marfim
Os primeiros três missionários da Consolata chegaram à Costa do Marfim no início de 1995 e instalaram-se na Diocese de San Pedro, num quarteirão periférico da cidade, para colaborar no serviço pastoral da futura paróquia da Catedral. Em 1997 foi aberta a missão de Sago. No ano 2000 o Instituto aceitou o serviço pastoral da paróquia de Grand-Béréby por seis anos. No ano seguinte, a convite do Núncio e a pedido do Bispo de Odienné, foi aberta a missão de Dianra. Em 2002, juntou-se a este panorama uma segunda missão, a de Marandala, na mesma diocese.
Os Missionários fizeram a sua primeira Conferência no mês de Fevereiro de 2001 e, no dia 16 de Fevereiro desse ano foi criada a Delegação da Costa do Marfim, que foi colocada sob a protecção do Beato Allamano, sendo nomeado Superior Delegado o P. Zachariah King’aru.
Presentemente, a Delegação conta 14 Missionários (13 padres e 1 Irmão). Face à situação de instabilidade política e social, os confrades estão agora empenhados em reforçar o seu serviço pastoral, deixando para tempos melhores o projecto duma eventual presença pastoral na capital que possa servir também como procuradoria e ponto de referência para um eventual projecto vocacional.

d) Reestruturação do Grupo da Casa Geral
O grupo da Casa Geral está constituído por 30 missionários. Em relação a seis anos atrás, sofreu forte redução numérica. Em conformidade com as sugestões do último Capítulo Geral, a Direcção Geral serviu-se de três estratégias para chegar a essa redução, embora continuando a acolher os confrades que compõem a nova fundação na Mongólia: elevou a Costa do Marfim a Delegação; procedeu ao encerramento do seminário de Totteridge e, por fim, transferiu para a Região da Itália o Seminário Teológico de Roma-Bravetta.
Sobre esta última comunidade formativa, os diálogos com a Região da Itália prolongaram-se muito. A Itália, que no decurso da Conferência Regional se tinha manifestado negativamente sobre o acolhimento do seminário, passou depois a estar interessada naquela proposta. Cremos que o passo dado no dia 1 de Setembro de 2004 não só poderá ajudar a Região Itália como também contribuirá para regularizar uma situação anómala em relação aos jovens desta comunidade, visto que eram admitidos directamente pela Direcção Geral e não havia uma segunda instância, como mandam as normas canónicas.

3. A Nova sede para Missionários idosos e doentes de Alpignano
Sobre este projecto da Região da Itália, queremos apresentar alguns esclarecimentos e expressar algumas reflexões sobre o papel que a Direcção Geral teve e ainda tem nele. No mês de Novembro de 2000, o Notiziario della Direzione Generale relatou que “A pedido da Direcção Regional da Itália, o Conselho Geral autorizou o arranque de uma análise sobre a proposta da Câmara de Alpignano de comprar o imóvel actualmente a servir de Casa dos Missionários Idosos e do Castelo onde estão hospedados parentes dos Missionários e respectivos benfeitores. Este projecto, se concretizado, permitiria, para além do mais, evitar obras de grande vulto para o melhoramento, aliás inadiável, destas nossas instalações, e construir um novo edifício, mais funcional e segundo as normas, no terreno que actualmente está dedicado a uso agrícola”. O IMC formou logo uma comissão de estudo para acompanhar a análise do projecto da nova casa e para fazer os contactos necessários com a Câmara de Alpignano. Deram-se vários passos que levaram a um entendimento entre a Câmara e o Instituto. Seguiu-se entretanto um período de estagnação devido à crise que houve entre os vereadores. Mas o novo executivo, formado na Primavera de 2004, não se revelou disponível a concretizar o projecto. A opinião da comissão e da Direcção Geral é que convém empenharmo-nos em levar a cabo o projecto da nova construção mesmo no caso de a Câmara de Alpignano renunciar a comprar os velhos edifícios.
Em suma, por que razão ter mais um projecto? Antes de mais porque o edifício do Castelo, que acolhe hóspedes, não pode ser regularizado, devido às condições impostas pelo Instituto das Belas Artes e, por isso, não pode ser utilizado para tal fim. Além disso, também o outro edifício precisaria de avultadas obras de manutenção, enquanto que o terreno agrícola que nos pertence poderia ser expropriado pela própria Câmara.
Com este projecto, pensa-se que o Instituto não só poderá garantir melhor assistência aos confrades idosos, doentes e benfeitores, como também poderá, em caso do seu decréscimo, servir-se do novo edifício como investimento para apoio às missões.

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