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XXIV Domingo Tempo Comum PDF Imprimir E-mail
Por Pe. Patrick Silva, imc   
16 de Setembro de 2007
A liturgia da palavra deste domingo nos lançará um desafio: quem é Deus? É a esta pergunta que cada um de nós é convidado a responder. As leituras vão nos iluminar na descoberta do verdadeiro rosto de Deus.

Estou certo que cada um de nós tem uma idéia de Deus, mais ou menos correta, mas todos temos. Muitas vezes Deus é o policial pronto para me castigar sempre que transgrido uma das suas regras, outras vezes é o vigia que está sempre de olho. São estas idéias errôneas que nos impossibilitam de descobrir o verdadeiro rosto de Deus.

A história de Israel é a descoberta do verdadeiro rosto de Deus. Nesta esplêndida página, que lemos na primeira leitura, vemos Deus que descobre ter tido demasiada confiança em relação a este povo escolhido, está mesmo decidido a renunciar a este povo e a recomeçar. Moisés, porém, desafia Deus e se recusa a segui-lo! Corajoso Moisés! Deus fica maravilhado com a atitude de Moisés e acaba mudando a sua idéia. Nesta história de amor entre Deus e o seu povo, vemos como o próprio Deus vai aprendendo com a experiência de lidar com um povo de cabeça dura. Porém, é o próprio Moisés quem recorda a Deus quem ele é!

No evangelho, Lucas nos orienta a descobrir quem de verdade é este Deus. O evangelho começa dando a conhecer as duas audiências de Jesus: os publicanos e pecadores; e os fariseus e mestres da lei. O primeiro grupo aproximava-se de Jesus para o escutar, enquanto que o segundo grupo para o criticar a Jesus! Mas não deveria ser o contrário? Perante estes dois grupos de audiência Jesus conta duas parábolas. As parábolas são reveladoras da visão que Jesus tem de Deus.


Deus é misericórdia, diz Lucas. A misericórdia exprime a onipotência de Deus, o amor infinito, caridoso e exigente. As parábolas podem parecer óbvias, talvez que se atualizadas para o nosso contexto deixem de ser tão óbvias, quanto à primeira vista podem parecer, imagine que a parábola dizia: “Se um de vós tem cem reais e perde um real, não deixa os 99 e vai à procura daquele real que se perdeu até encontrá-lo?” O que acha desta parábola? Ilógico não? Em nossa mentalidade acomodada, não faz qualquer sentido sair à procura daquele real perdido, sendo que ainda ficamos com os 99, mas Deus é diferente, ele arrisca os 99 para ir procurar aquele perdido.

Converter-se significa passar da nossa perspectiva à perspectiva de Deus e isto significa fazer como Ele. Nós dizemos: “te amo porque és amável, mereces, porque és bom”. Deus diz: “ti amo obstinadamente e sem desencorajar-me, porque sei que o meu amor te tornará melhor”. É uma grande diferença! No fundo construímos a nossa vida em volta aos nossos méritos. Porém, ninguém merece o amor de Deus, o seu amor é absolutamente gratuito, livre e pleno. Deus não nos ama, porque somos bons, mas amando-nos sem medida nos torna melhores, abrindo-nos à esperança. O cuidado meticuloso com que este pastor procura a ovelha perdida é o sinal deste amor de Deus por quem experimenta de estar “perdido”.

A experiência do pecado, que é o tal “estar perdido”, torna-se uma ocasião para um encontro mais duradouro e autêntico com este Deus que nos “persegue” com o seu amor. Bem longe de ter uma visão poética ou aproximativa do pecado, Lucas, sabe que a experiência do sofrimento interior que é o pecado, este “estar perdido”, esta distância de Deus e de nós mesmo, pode tornar-se um encontro que salva.

A nossa fé não se fundamenta nas nossas capacidades, nas nossas devoções, nos nossos esforços, mas neste Deus que “loucamente” nos procura. Tomar consciência de tal significa abrir-se à festa, participar, como a mulher que encontra a moeda perdida, à festa que Deus faz para quem se deixa encontrar. Os justos, aqueles que se sentem bons, com todos os méritos, não poderão jamais experimentar a alegria de ser carregados nos ombros do pastor. Fechados nas suas certezas, não conseguem abrir o coração à alegria do Pai.

Ao contrário, aqueles que reconhecem ser pequenos, ser pecadores, e se deixam encontrar por este Deus que os procura fazem a alegre experiência da festa com Deus.
Última Atualização ( 16 de Setembro de 2007 )

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