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XXIII Domingo Tempo Comum PDF Imprimir E-mail
Por Pe. Patrick Silva, imc   
08 de September de 2007
ImageO autor do livro da Sapiência escreve um texto que ainda hoje poderíamos considerar muito atual: “os pensamentos dos mortais são tímidos e nossas reflexões incertas (...) quem investigará as coisas do céu?” Ou seja, o autor descobre que não encontramos em nós repostas para todas as nossas inquietudes. O nosso mundo fez progressos fantásticos na ciência e no conhecimento, mas tem dificuldades em crescer em sabedoria, não consegue dar respostas às questões do sentido da vida. O nosso mundo tecnológico, bem organizado, capaz de viagens espaciais, capaz de melhorar o bem estar das pessoas, porém, não conseguir dar resposta ao porquê um jovem se refugia na droga, não é capaz de conter o ódio que dá origem à guerra, à indiferença das pessoas, à solidão de tantos...

O autor deste livro dá uma resposta: a única coisa essencial é a procura da sabedoria, ir para além das aparências, redescobrir a profundidade do ser. A sabedoria não é cultura ou inteligência, mas saborear a realidade, descobrir, que fomos criados para amar e que amando mudaremos o mundo. Assim, necessitamos do dom da sabedoria para apontar mais para o alto na nossa vida.


O convite lançado por Jesus há algumas semanas atrás de “entrar pela porta estreita” continua se especificando cada vez mais. Hoje Jesus dá três critérios para ser seus discípulos. Desde já aviso, as palavras de Jesus são dureza! Tem vezes em que as palavras de Jesus são doces aos nossos ouvidos, creio que hoje se levarmos a sério estas palavras iremos com uma certa sensação de amargura para casa. O desafio é grande, mas vale a pena.

Primeiro critério para ser discípulo de Jesus: “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo.” Eu avisei! Na verdade esta tradução não é fiel ao texto hebraico, pois o original é bem mais forte e diz:” “Se alguém vem a mim, mas não odeia de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo.” Odiar?! Estamos perante algo que se chama hebraísmo, na verdade não é que Jesus nos manda odiar, mas quer dizer que algo tem mais valor que as outras coisas. Mas o que quer dizer este critério? Jesus afirma que para ser seu discípulo, temos que o colocar no topo da nossa lista. Jesus quer ser o primeiro, todos os outros têm que aparecer em segundo lugar na lista, mesmo os pais, irmãos, namorados, etc...

Segundo critério: “Quem não carrega a sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo”. O convite é que peguemos em nossa cruz / vida e caminhemos atrás dele. Deixemos a nossa vida cotidiana e passemos a viver na escola de Jesus. Naquele tempo, seguir Jesus significava viver uma vida não fácil. Por seguirem Jesus, muitos viam seus amigos se afastarem, eram odiados, mal vistos, corriam riscos, etc. E hoje? Será que hoje se tornou (erroneamente) fácil de seguir Jesus?

Terceiro e último critério: “Se não renunciares a tudo o que tens, não podes ser meu discípulo”. A primeira tentação é de pensar que este critério é válido somente para as coisas materiais. Mas na verdade vai muito além disso: significa deixar também a nossa maneira de pensar, de agir, de se comportar. Ou seja, Jesus quer que não sejamos escravos dos coisas nem na nossa maneira de pensar, de agir, de se comportar.

Não me canso nunca de afirmar que aquilo que Jesus deseja para nós é a felicidade. Hoje ele tem uma resposta clara para a alcançar. Jesus é resposta! Somente ele pode satisfazer toda a nossa inquietude, todo o nosso desejo.

Poderíamos até considerar Jesus um tanto presuntuoso, porém, é verdade. Aqueles que tiveram a coragem de aceitar estes três critérios e se tornaram discípulos de Jesus, já experimentaram essa felicidade.

Aceitar estes critérios significa uma mudança clara de vida. Se quisermos nos tornar discípulos de Jesus, temos que tomar atitudes concretas. Um exemplo concreto é o que escutamos na segunda leitura da carta de Paulo a Filêmon, quando Paulo convida Filêmon a ir para lá da lógica do tempo e deixar partir o seu escravo, Onésimo. Depois que aceitamos o convite de Jesus, a nossa vida nunca será a mesma.
Última Atualização ( 08 de September de 2007 )

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