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Relatório da Direcção Geral - OS VÁRIOS SECTORES e RELACIONAMENTOS PDF Imprimir E-mail
Por Consolata.org   
10 de March de 2006

.Na programação da Direcção Geral tinham o nome de “sectores” as áreas do nosso trabalho missionário cuja coordenação ficasse sob os Conselheiros Continentais e o Secretariado para a Missão. Já tratámos, à parte, dos Secretariados Gerais que têm tido autonomia operacional.

1. Sector da formação contínua
O último Capítulo Geral enfrentou este problema várias vezes, desejando que o Instituto se colocasse “em estado de formação contínua”. Depois convidou a Direcção Geral e as das circunscrições a promover “uma enérgica acção de renovamento de todos os Missionários, por meio duma formação contínua que não se limite a actualizar conhecimentos mas sirva para motivar as pessoas a aprofundarem e a assimilarem o carisma, o espírito do Fundador, os ideais da consagração, da comunhão e da missão” (47). O mandato que agora termina foi rico em iniciativas de formação contínua, que já foram apontadas acima ao tratarmos do Secretariado e dos Conselheiros Continentais. Esforçámo-nos por manter o nosso olhar sempre orientado para o objectivo determinado pelo Capítulo, o do renovamento das pessoas, tanto sugerindo aos confrades programas ad hoc bem como organizando em cada actividade formativa momentos específicos de releitura da realidade pessoal, ou então oferecendo a quem o desejasse a possibilidade de receber acompanhamento pessoal. Vamos agora apresentar com brevidade as principais acções de formação realizadas:
a. Curso para missionários jovens: com a duração de três meses e destinado aos que já tinham atingido os dez anos de ordenação sacerdotal ou de profissão perpétua (Irmãos). Organizaram-se três, em conjunto com as Missionárias da Consolata, em três línguas diferentes (em italiano em Nepi; em inglês em Nairobi, e em português/espanhol em São Paulo), para se poder atingir o maior número possível de missionários. Uma relevante maioria participou neles (cerca de dez por curso), embora não tivesse sido possível atingir a totalidade.
A fórmula adoptada parece ter dado bons resultados e envolvido intensamente os participantes. Previa momentos específicos de aprofundamento e revisão sobre a pessoa, a missão e depois uma síntese final. O cerne destes cursos era a releitura da experiência pessoal de vida e de missão, para depois se poder redigir um programa de vida pessoal futura à luz dos nossos valores.
A presença das Irmãs, em número talvez semelhante ao dos missionários, foi considerada muito favoravelmente por todos, não obstante um ou outro inevitável contratempo. As revisões finais foram todas positivas, somadas ao desejo unânime de poderem repetir aquela experiência depois de um certo número de anos de serviço missionário.

b. Curso para missionários adultos (Fevereiro – Junho): apenas três cursos foram realizados durante este mandato devido à fraca adesão, apesar do alargamento do critério de admissão. De facto, não se restringiu o número de participantes aos que tinham celebrado ou estavam para celebrar o seu 25.º aniversário de ordenação ou profissão perpétua.
Esta experiência é antiga e tem sempre sido valorizada positivamente pelos participantes. Com o passar dos anos, conseguiu-se equilibrar os conteúdos académicos nas Universidades com os aprofundamentos específicos de Instituto, de carisma e de missão. Também para este curso se teve presente a ênfase sobre “renovação de vida”.
Qual terá sido o motivo para uma participação tão fraca? Não pudemos fazer um estudo aprofundado, mas cremos que o maior impedimento à participação foi o tipo de encargos das pessoas (formação, ensino ou serviços regionais), ou então o facto de, com a multiplicação das iniciativas a nível individual ou continental, muitos já terem arranjado maneira de passar por momentos formativos prolongados.
Pensamos que será preciso oferecer, no contexto desta assembleia capitular, algumas linhas programáticas bem claras sobre o assunto, para evitar que todos os anos se tenha de fazer um apelo aos missionários e aos Superiores Regionais para depois acabarmos cancelando o curso no último momento. Tal orientação deveria ficar em harmonia com o programa do último Capítulo Geral, que estabeleceu “a obrigação de frequentar durante a vida pelo menos três momentos prolongados de formação permanente, a serem escolhidos entre as propostas da Direcção Geral e das circunscrições” (83).

c. Curso para missionários idosos: fizeram-se dois na Itália, com duração de três semanas cada um. Um terceiro curso, com a duração de poucos dias, teve lugar em Portugal para os respectivos confrades. Os nossos missionários idosos manifestaram grande apreço por esta iniciativa já que lhes permitiu poderem contar aos outros confrades a sua longa experiência de vida missionária e ouvir conselhos úteis sobre como viver positivamente os anos da velhice.
A Consulta intercapitular de 2002 julgou oportuno alargar esta experiência formativa ao maior número possível de idosos através de iniciativas a nível de Região, ou melhor ainda, de Instituto. Devido a outras iniciativas de formação já agendadas, não se pôde disponibilizar este curso a todos os nossos missionários de terceira idade.
Parece-nos que está a surgir uma nova sensibilidade mesmo entre os missionários idosos que, em número cada vez maior, estão a pedir apoio formativo adequado à sua idade. E depois até mostram que sabem tirar proveito disso. Mas estes cursos são apenas um dos meios que o Instituto e as Regiões deveriam utilizar. Também são preciosos outros instrumentos, tais como o diálogo com o Superior, o acompanhamento especializado quando necessário, os cuidados espirituais adequados.

d. Períodos sabáticos: os pedidos de período sabático têm aumentado nestes tempos. As possibilidades e as modalidades são hoje múltiplas e todas enriquecedoras. Roma ainda retém o lugar que mais preferências desperta devido à possibilidade de os participantes viverem numa nossa comunidade e poderem aceder com facilidade aos numerosos ateneus eclesiásticos. St. Anselm (na Inglaterra) é, por outro lado, o lugar preferido pelos missionários de língua inglesa e por aqueles que precisam de apoio psicológico e espiritual. A presença na Terra Santa tem-se tornado mais rara em virtude da difícil situação política do Médio Oriente, mas oferece sempre experiências fortes e diferenciadas, e com acentuada ênfase bíblica. Madrid também oferece boas possibilidades de renovação tanto a nível espiritual como a nível académico.
O pedido de tais tempos sabáticos é normalmente feito por cada um. Outras vezes é proposta pelos Superiores Regionais e coincide com uma troca de cargo ou com um revezamento fora da Região.
Os Superiores de circunscrição, por ocasião da Consulta de 2002, decidiram marcar bem algumas características que estes períodos de renovação ou sabáticos sempre deverão ter. Só para lembrar:
«Exortamos os missionários a participar em cursos oferecidos pelo Instituto. Nos casos em que tal não for possível, ou por razões especiais, propõe-se um período sabático, que terá as seguintes características:
- acentuação maior da parte formativa e menos da académica. O período sabático deve orientar-se para a renovação da pessoa do missionário nas suas várias dimensões (espiritual, humana, apostólica, carismática, etc.).
- O programa formativo deve ter o acordo dos Superiores Regionais e da Direcção Geral, que colaborará, quando lho for pedido, na sua realização.
- Será dada atenção toda especial ao aprofundamento do carisma, da vida religiosa e da nossa espiritualidade. Se os centros de formação escolhidos não oferecerem tais conteúdos, que esse aprofundamento se faça numa comunidade do Instituto» (Boletim 100, p. 40).
e) Acompanhamento dos neo-destinados: os Capítulos anteriores fizeram notar várias vezes a necessidade de acompanhar de perto e com solicitude os missionários que chegam a uma nova região, para que possam inserir-se gradualmente e bem na realidade local e receber o apoio de que necessitam para iniciar o seu serviço missionário. Também nas nossas visitas às Regiões sempre recordámos este compromisso, que cabe sobretudo aos Superiores de circunscrição, os quais, muitas vezes, por força da necessidade, poderão acabar por destinar imediatamente o missionário a um dado trabalho sem lhe permitir uma introdução adequada. Uma outra tentação em que o Superior pode cair é a de decidir resolver situações difíceis servindo-se do “desfalcado” missionário recém-chegado.
Queremos lembrar alguns meios que cada vez mais frequentemente se utilizam para facilitar a vida aos neo-destinados: tempo adequado para estudar a língua, visitas às comunidades da Região, convivências prolongadas em algumas comunidades relevantes, participação em tudo o que a Igreja local oferece aos novos missionários. Também a Consulta de 2002 sugeriu outras orientações operacionais:
«Que as circunscrições prevejam comunidades capazes de acolher os missionários na sua primeira experiência missionária.
Os Superiores e os encarregados da formação contínua sigam bem de perto estes missionários visitando-os e dialogando com eles regularmente.
Haja o cuidado e a atenção de fazer reuniões periódicas dos jovens missionários. Elas devem incluir temas formativos, valorizando a partilha de experiências, momentos de oração e também tempos de lazer.
Preparem-se orientações para incluir na Ratio Formationis que definam alargadamente a formação a oferecer aos recém-chegados. Valorizem-se todas as experiências positivas que se tenham feito nas várias Regiões” (Boletim 100, 42).
O Secretariado Geral para a Formação, face à revisão da Ratio Formationis, fez uma sondagem entre os missionários de primeira destinação, e eles revelaram que muitos não receberam os apoios necessários para iniciarem o seu serviço missionário de maneira eficaz e que, por vezes, o contexto comunitário em que foram inseridos foi pouco acolhedor. Estamos convencidos de que as primeiras sementes de algumas crises vocacionais que depois podem aparecer, surgem também de um primeiro impacto negativo com a missão.

Nestas e noutras iniciativas de formação, o Secretariado e os Conselheiros Continentais foram particularmente activos, sobretudo a nível de continente. Falaremos disto no contexto do serviço dos Conselheiros Continentais. Aqui vamos mencionar apenas outras iniciativas de formação contínua em que a Direcção Geral esteve envolvida sob qualquer aspecto:
- a publicação semestral da Documentazione IMC, que difunde em todo o Instituto as reflexões e as temáticas que foram aprofundadas anteriormente nos vários cursos de formação;
- a pregação de 15 cursos de exercícios espirituais por membros da Direcção Geral;
- o precioso contributo dado pelo Postulador a várias iniciativas de formação, principalmente desenvolvendo temas pertinentes ao Fundador e ao seu carisma;
- breves cursos de formação para superiores locais, sobre relações comunitárias, história do Instituto (principalmente por ocasião das celebrações jubilares);
- preparação de alguns materiais de apoio à formação contínua pelo Secretariado: lista de centros terapêuticos e de formação espiritual, que foi enviada aos Superiores de circunscrição; base de dados sobre cursos de actualização de vária ordem; envio da lista dos confrades disponíveis para animar momentos de formação contínua aos Superiores de circunscrição.

Ao concluir a listagem das principais iniciativas realizadas pela Direcção Geral no sector da formação contínua, não podemos deixar de recordar o número relevante de confrades que obtiveram graus académicos ou então estão no ensino superior neste momento. Em números:
- 9 fizeram doutoramento;
- 22 tiraram a licenciatura;
- 25 conseguiram a licenciatura ao terminarem a Teologia de base;
- 2 estão agora a fazer o doutoramento
- 10 estão a fazer estudos orientados para uma licenciatura

2. O Sector de animação missionária e vocacional

Usando palavras claras e incisivas, o XCG reafirmou a importância e o papel que a animação missionária e vocacional (AMV) deve ter hoje em todas as nossas circunscrições: «Perante a sentida necessidade de clarificar a relação da animação missionária e vocacional com as outras actividades do Instituto, o Capítulo reafirma que ela é parte integrante do nosso ad gentes (cfr. Const. 17), e se posiciona entre as escolhas prioritárias do próprio Capítulo, no âmbito dos “serviços qualificados” ao Instituto e à Igreja, de modo particular» (86). O apoio que a Direcção Geral deu a este sector consistiu principalmente em intervenções dos Conselheiros Continentais, apoiados pelo Secretariado para a Missão. Visto que as situações variam muito de um Conselheiro para outro, concentremos agora a nossa atenção em cada um dos nossos quatro continentes:

√ África: ela tinha recebido do Capítulo o especial mandato de organizar de maneira decidida a animação missionária em todas as Regiões. Enquanto que o aspecto vocacional se revelava bem cultivado, o da animação missionária estava quase completamente ausente. Para cumprir com as orientações capitulares, as Direcções Regionais empenharam-se destinando um número maior de missionários a este serviço. Ao mesmo tempo, estão a surgir novos Centros de Animação Missionária (CAM) que permitem animar a Igreja local não só através duma acção itinerante, mas também favorecendo tempos prolongados de convivência, reflexão e oração nestes nossos centros. Foi particularmente distintiva neste esforço a acção da Região do Quénia, ao estabelecer centros nas várias zonas. Já existem quatro e há um quinto em concretização próxima. A Região da Tanzânia está a projectar um CAM na periferia de Dar-es-Salaam para oferecer um serviço de animação missionária a todo o país.
O XCG também pedira que «estes animadores sejam preparados com cursos para o efeito, para aprofundar a natureza da animação missionária na África, as estratégias a adoptar, como efectuar uma coordenação entre as circunscrições» (87). Nos encontros anuais dos Superiores de circunscrição, foram aprovadas as iniciativas continentais para a formação dos animadores: foram elas três encontros em que participaram todos os animadores IMC e MC durante uma semana, com o objectivo de estudar a organização do trabalho mas sobretudo de formar os próprios animadores com reflexões dirigidas por peritos e com partilha das próprias experiências. O desejo que foi expresso no último encontro (Iringa 2004) foi o de que o próximo pudesse ter o carácter de verdadeira escola de formação com uma duração de pelo menos três semanas.
Uma limitação que os animadores do continente encontraram foi a da grande mobilidade, que não garante continuidade ao trabalho nem permite a aquisição duma preparação adequada.

√ América: o continente americano continua a ser um terreno fértil para a animação missionária e vocacional, embora apresente situações muito diversificadas de nação para nação. A América do Norte aproxima-se mais da Europa tanto pela escassez vocacional como pela sua colaboração solidária com a missão.
No período do mandato 93-99, debateu-se a hipótese de fazer uma fundação em Cuba, sobretudo na sequência de algumas iniciativas de colaboração entre a América do Norte e a Igreja daquele país. Mas neste mandato, a partir da Consulta intercapitular, começou-se a sondar a possibilidade de uma fundação no México, principalmente por razões de AMV. Fizeram-se viagens exploratórias cujos resultados foram debatidos pelos Superiores Regionais do Continente no seu encontro anual de 2004. Um dossier sobre estas pesquisas encontra-se à disposição do Capítulo.
Tiveram efeito positivo os três encontros continentais dos representantes do sector da animação missionária e vocacional. Sem dúvida alguma que se cumpriu uma caminhada na direcção de maior concretude, atingindo-se também um consenso maior quanto à planificação da AMV a nível de continente. O último encontro, que se deu em Bogotá, plasmou o propósito de se redigir um Plano Global de AMV para o continente, com a participação das Missionárias da Consolata.
Neste continente, constata-se a escassez de pessoal destinado a este sector, além da mobilidade excessiva. Algumas Regiões têm CAM mas eles andam subvalorizados. É boa a colaboração com as Missionárias da Consolata em várias actividades Regionais.

√ Europa: as problemáticas europeias ligadas ao sector da animação missionária e vocacional serão, como cremos, conhecidas de todos. Enquanto por um lado se nota uma certa falta de compromisso na juventude, fechamento da Igreja local à missão e uma descristianização crescente, por outro lado estão a surgir elementos positivos, tais como um crescente interesse pelo voluntariado, a solidariedade, a vitalidade dos movimentos eclesiais, a procura de tempos de oração e a atenção à Palavra de Deus.
A AMV teve na Europa uma história extensa e uma experiência sólida, com actividades que cada Região andava a realizar de maneira bastante autónoma, ou então fazendo colaboração com outras forças missionárias do mesmo país. Desde há já alguns anos, entrou em bom ritmo um percurso de colaboração entre as circunscrições da Europa, para realizar em conjunto uma pesquisa nesta área e activar projectos comuns. Também as MC estão a aderir a esta colaboração europeia. Além disso, também nos chegou das celebrações centenárias um novo impulso à comunhão e à colaboração continental na animação missionária.
Merecem menção as duas escolas para animadores missionários com duração de três semanas, que são organizadas unitariamente pelas três Regiões da Europa e que foram muito apreciadas, principalmente por aqueles que ainda estavam nos primeiros anos deste serviço. Os encontros dos responsáveis regionais pela AMV também foram regulares e as iniciativas de Verão para jovens provenientes das três Regiões foram exactamente fruto desta colaboração.
Há já algum tempo que os nossos Superiores e animadores têm andado a olhar para lá dos nossos campos tradicionais de actividade que se tinham tornado um tanto áridos, à procura de terrenos susceptíveis de serem lavrados mas que poderão produzir mais frutos. As pesquisas e os contactos concentraram-se sobretudo na Diocese de Vitebsk (Bielorrússia), onde o nosso confrade P. Witold Malej está a oferecer serviço pastoral. Houve um pedido explícito do Bispo há seis anos para que o Instituto fizesse ali uma fundação. Dois Conselheiros foram à Bielorrússia e ficaram com uma impressão positiva; e por fim, dois Superiores regionais voltaram lá recentemente de visita à diocese. O resultado das várias pesquisas estará à disposição da assembleia capitular.

√ Ásia: temos também algumas palavras para o continente da Ásia, que para nós ainda significa, no fundo, a Coreia. Depois de anos de semeadura no campo da animação missionária, parece agora estar a abrir-se, de maneira nova e porventura inesperada, a possibilidade de vocações missionárias. Sabemos que existe nos coreanos uma certa dificuldade (mais acentuada porém no passado) em sair do seu país e enfrentar outras culturas. Agora, numa questão de alguns anos, este país que teve desenvolvimento económico enorme, tornou-se mais aberto e interessado no mundo exterior, pelo menos à procura de novos mercados.
Desde a sua chegada a este país, os nossos missionários sempre deram uma atenção toda especial à animação missionária. A revista e as nossas instalações sempre tiveram como objectivo principal a AMV da Igreja Coreana. Quanto ao acolhimento aos jovens, eles têm preferido ser prudentes, exactamente em consideração das dificuldades já mencionadas. Ultimamente, os que pedem para ser Missionários da Consolata parecem mais motivados e mais abertos para a interculturalidade, e o seu número parece estar a aumentar. Também a nova fundação da Mongólia pode constituir uma saída válida para as iniciativas de animação realizadas na Igreja coreana.

3. O Sector pastoral e da primeira evangelização

Todos conhecemos as dificuldades que o Secretariado Geral para a Pastoral enfrentou nos anos passados no seu intuito de oferecer aos confrades envolvidos na pastoral ou na primeira evangelização instrumentos úteis à reflexão ou à revisão de vida. Por duas vezes este Secretariado submeteu aos confrades um texto de Ratio Evangelizationis, mas recebeu escassa atenção de volta. A ênfase do XCG sobre o ad gentes e sobre a necessidade de fazer discernimento mais atento sobre o tipo de evangelização que estamos a fazer parece ter gerado em todos um novo desejo de reflectir sobre esta dimensão fundamental da nossa vocação missionária, para voltarmos com decisão ao carisma original do nosso Instituto.
É prova disso a resposta positiva dos missionários à iniciativa promovida pelo Secretariado para a Missão que, por ocasião do nosso Centenário, convidou os Missionários envolvidos na pastoral a reflectirem sobre o “método de Murang’a”, visto no contexto actual do nosso trabalho de evangelização nos vários continentes.
Mas fica sempre válida a revisão realista que o XCG fez: «A tarefa prioritária da evangelização requer uma constante actualização bíblica, enquanto nós, evangelizadores, nem sempre nos deixamos evangelizar, tornando-nos estranhos ao caminho de fé proposto aos outros. Não são poucos os Missionários que parecem viver de renda, evangelizam com esquemas que remontam ao período dos estudos, agora totalmente superados e que não correspondem à evolução da realidade e às necessidades do povo» (37). O que foi feito neste mandato é apenas um primeiro passo, embora relevante. É preciso continuar, talvez com maior energia, este caminho de reflexão, de formação, de confronto. Também a tentativa de esboçar uma Ratio Missionis como instrumentum laboris do presente Capítulo Geral tinha passado ao primeiro lugar, embora não exclusivamente, pelo desejo de dar um novo impulso à reflexão sobre a nossa evangelização.
As circunscrições, especialmente por ocasião das conferências, fizeram uma avaliação séria das suas actividades actuais de evangelização e indicaram, com a ajuda dos critérios apresentados pelo Capítulo, obras a abandonar, e outras novas a encetar. Em todos os casos resultou daí um exercício útil de discernimento. Mas não faltaram resistências de alguns Missionários atribuíveis, na sua maior parte, como cremos, à idade ou à incapacidade de se disponibilizarem para novas realidades. Em nenhum caso esse aprofundamento do nosso ad gentes pretendeu ser um juízo de valor sobre o trabalho anterior de evangelização.
O Secretariado, no campo da evangelização e da pastoral, organizou as seguintes iniciativas de apoio aos missionários:
- No início deste mandato, foi preparado um instrumento simplificado de apoio para ajudar as circunscrições na revisão dos seus compromissos actuais de pastoral, tendo em vista a decisão que as Conferências teriam podido fazer sobre a sua continuação ou a sua devolução às Dioceses.
- Aproveitando o ensejo do Centenário da nossa missão, lançou, com bom resultado, em quase todas as Regiões, a iniciativa de envolver os nossos missionários afectos à pastoral numa reflexão de três dias. Estava previsto: a revisão do método pastoral usado e dos critérios em que se apoiava; confronto com o programa pastoral da Igreja local; atenção ao nosso carisma de missionários ad gentes; propostas e sugestões de renovação. Tanto os actos do XCG como o texto das Conferências de Murang’a acompanharam com bom resultado a reflexão dos missionários.
- Foram actualizados os dados estatísticos das nossas fundações pastorais no mundo, servindo-nos de questionários e fichas adequados.
Gostaríamos de reafirmar uma vez mais as orientações da Consulta intercapitular de 2002 que nos convidavam a manusear a Ratio Evangelizationis e a relançá-la, depois de se lhe terem introduzido as necessárias actualizações, como instrumento de revisão atenta do nosso estilo e método de evangelização. Exortava ainda a procurar maior unidade a nível de Instituto sobre os modos de realizar os planos pastorais, procurando evidenciar a especificidade carismática que nos caracteriza. Nem faltara um convite aos formadores para que acompanhassem os nossos jovens no decurso da sua formação, para que aprendam um novo estilo de fazer evangelização capaz de reflectir de maneira clara o nosso carisma e o espírito de comunhão que o deve caracterizar.

4. Os Irmãos

O XCG determinou que «as tarefas confiadas pelo nº 132.7 do Directório Geral ao Secretariado dos Irmãos se integram nos respectivos sectores de animação, formação, pastoral, dirigidos a todos os Missionários, prestando atenção a eventuais aspectos respeitantes aos Irmãos» (p.81).
Não tem havido iniciativas específicas de formação contínua para os Irmãos organizadas pela Direcção Geral. Não obstante, em todas as ocasiões formativas comuns, a presença dos Irmãos, embora numericamente pequena, nunca faltou. Temos procurado concretizar as normas capitulares sobre a formação dos candidatos a Irmãos (p. 85) embora não tenhamos podido ser taxativos face à grande variedade de experiências formativas a que os jovens candidatos ficaram sujeitos nos primeiros anos de formação; o mesmo se diga da preparação profissional. Lamentamos com pena a saída do Instituto de alguns Irmãos jovens, no final da sua preparação profissional (doutoramento), com os quais o Instituto contava para serviço missionário qualificado.
Ficámos a entender que nem todos os Irmãos concordam com a decisão do XCG e gostariam de regressar à antiga praxe formativa. O nosso parecer fica a favor da fórmula proposta pelo último Capítulo, até porque, para além de oferecer um percurso formativo mais harmonioso, pode evitar que se repita o doloroso abandono no final da formação técnica ou profissional que coincide com o termo da formação básica.

5. Justiça, Paz e Integridade da Criação

A quinta dimensão do nosso ad gentes, conforme está nos Actos do XCG, é o compromisso com a justiça, a paz e a protecção da criação. Esta dimensão, como o Capítulo afirmou, é “parte constitutiva da evangelização ad gentes e do nosso ministério de consolação, o qual leva a opções e gestos concretos de solidariedade para com os povos e ao empenho pela reconciliação” (p.46).
O Secretariado para a Missão tem cumprido um papel muito activo no apoio a iniciativas formativas continentais, determinadas e programadas pelos Superiores de circunscrição em conjunto com o Conselheiro Continental, em sintonia com as orientações capitulares. O seu primeiro esforço foi na direcção da preparação dos Missionários que coordenam as iniciativas a nível de circunscrição. Fizeram-se três encontros por Continente. Um outro objectivo do esforço dos coordenadores destas iniciativas formativas continentais foi o de fazer compreender qual é o lugar que a justiça e a paz têm na nossa vida religiosa e no nosso ministério missionário. As revisões feitas pelos responsáveis de circunscrição revelam um aumento de sensibilidade neste campo por parte de muitos Missionários. A justiça e a paz já não são um tabu: são uma peculiar e importante expressão do nosso carisma de Missionários da Consolata.
Do lado dos Superiores Regionais fazem-nos notar que há sempre, para os confrades, uma transmissão fraca da riqueza que foi recolhida e trabalhada nos encontros continentais. Os Superiores pensam que este passo posterior, em que os encarregados regionais devem tornar-se protagonistas, acaba por vir a faltar muitas vezes ou então se faz com pouca convicção.
Uma preciosa iniciativa em que o nosso Secretariado foi um dos protagonistas tem a ver com a difusão, em várias línguas, do Manuale di Giustizia e Pace. A Região de Portugal traduziu-o e imprimiu-o. Se for usado de modo devido, pode tornar-se um precioso vademecum para despertar a atenção do missionário e para criar uma maior conscientização sobre a justiça, a paz e a protecção da criação entre o público.
Algumas campanhas de sensibilização sobre problemáticas relativas à justiça e à paz envolveram confrades nossos como promotores. Também houve adesão activa nossa a outras campanhas determinadas pela Igreja local ou por grupos e movimentos. O Secretariado manteve um relacionamento constante com a Comissão de Justiça e Paz patrocinada pela União dos Superiores Gerais e colaborou com ela activamente. Um grupo de Congregações Religiosas europeias criou uma rede de sensibilização em relação à África (AEFJN), com sede em Bruxelas, no intuito de estar próxima dos Parlamentares Europeus para favorecer políticas correctas, solidárias e respeitosas em relação a este Continente.
Os nossos confrades da Colômbia realizaram uma iniciativa relevante para criar uma cultura a favor do perdão e da reconciliação. Teve por nome “Escuela de Perdón y de Reconciliación” que, interiorizada por muitos grupos eclesiais e membros da sociedade civil, está a expandir-se rapidamente na Colômbia, no Brasil e noutros países da América e da África. Como Missionáros da Consolata não podemos deixar de aplaudir esta iniciativa e dar-lhe toda a nossa colaboração. Trata-se de novas manifestações, atentas aos sinais dos tempos, que exprimem de maneira eficaz a nossa partilha com o sofrimento e as divisões que tantos povos estão a viver.
Mantém-se ainda sólido o número de missionários que têm pouca sensibilidade para com esta dimensão, apesar dos apelos claros que foram feitos tanto pelo Instituto como pela Igreja. O caminho a seguir é o da formação capilar e atenta por parte das Regiões. As iniciativas a nível de Instituto ou de Continente devem continuar com convicção e com decisão.

6. Os Leigos Missionários

O tema dos leigos missionários foi reafirmado com energia e convicção pelo XCG, que quis fazer uma reflexão larga sobre os leigos e sobre a sua colaboração na nossa missão antes de chegar a fazer foco sobre a questão dos Leigos Missionários da Consolata (LMC). O apelo dirigido a todos os missionários foi de mudança de mentalidade, para que fossem menos clericais e mais dialogantes, mais abertos e acolhedores para com todas as forças vivas do laicado. Nesta ocasião, a Direcção Geral não pode ainda avaliar os efeitos da exortação do Capítulo de Sagana na vida dos missionários. Mas sabemos que o tema foi debatido em todas as circunscrições; foi assunto de avaliação nas Conferências Regionais; e foi retomado pelo Secretariado nas sessões “de três dias” organizadas pelos missionários afectos à pastoral. Temos consciência de que todas as “mudanças de mentalidade” envolvem um processo difícil e prolongado, de forma que só nos resta desejar que a caminhada continue. De facto, bastantes missionários ainda não sabem distinguir bem entre voluntários leigos, colaboradores no desenvolvimento, e os LMC. Outros, por outro lado, vêem com alguma suspeita este renovado interesse nos LMC, como se fossem uma alternativa à vocação dos Irmãos. O interesse de muitos missionários vira-se mais para a prestação de serviço que os leigos podem fazer do que para o desenvolvimento dum projecto pastoral onde os missionários IMC e os Leigos partilham do mesmo carisma do Beato Allamano.
A atenção da Direcção Geral e do Secretariado voltou-se sobretudo para a redacção dum Estatuto capaz de responder às orientações capitulares e para as novas realidades presentes nas circunscrições. Não foi uma tarefa nada fácil, que exigiu seis encontros a nível regional e continental (Europa). Vários rascunhos foram feitos; o quarto é o que está a ser apresentado agora ao Capítulo. Especialmente activos neste percurso foram os leigos das três regiões europeias e os encarregados regionais IMC dos leigos.
O trabalho do Secretariado incluiu as seguintes fases:
- estudo da realidade do laicado missionário no Instituto;
- contacto com os grupos de leigos, sobretudo europeus;
- trabalho conjunto com os leigos sobre: identidade dos LMC; estrutura necessária; relações entre LMC e IMC na partilha do carisma, espiritualidade e missão;
- redacção da versão A, que foi enviada a todo o Instituto;
- redacção da versão B, que tomou em consideração as observações do Instituto, em especial o que tinha a ver com a ideia de “associação” e o conceito de “autonomia”;
- recolha de novas reflexões e reacções por parte dos leigos e da Direcção Geral que ajudou na redacção da versão C, que teve a avaliação da Consulta;
- o surgimento de perplexidades de muitos LMC face ao texto C;
- a reunião de Turim (em Agosto de 2004) como momento importante para fazer o ponto da situação sobre o percurso realizado, sobre as divergências ainda existentes e sobre aspectos ainda com necessidade de reelaboração.
Quanto ao Estatuto, somos do parecer que se fez uma boa caminhada, embora se não tenha conseguido encontrar um amplo consenso entre IMC e LMC. Parece-nos que, neste momento, encerrar o trabalho seria prematuro e talvez pudesse deitar a perder a caminhada de comunhão recíproca entre os LMC e o Instituto. Da nossa parte, propomos que o Capítulo, com uma visão completa do que foi feito neste mandato, sobretudo no que respeita ao Estatuto, encoraje o prosseguimento do trabalho até ficar completo, ao mesmo tempo que sublinhe e esclareça alguns pontos chave que estão na base do próprio Estatuto.

7. Coordenação dos Hospitais

Estas breves linhas tencionam explicar como começou e como terminou este “Ufficio” que foi instituído em prol dos nossos hospitais (Gambo, Ikonda, Neisu). Foi idealizado pela anterior Direcção Geral para estimular a recolha de apoios materiais e humanos a favor dos nossos três hospitais. Ele arrancou sob a responsabilidade do P. Lívio Tessari em 1998. Em 17 de Março do ano seguinte, a Direcção Geral formulou um breve Estatuto em que ficaram delineados os âmbitos, objectivos e tarefas desse “Ufficio”. Ao fim dos primeiros três anos, o Conselho Geral, tendo analisado as actividades e tomado nota do parecer das Regiões interessadas neste projecto, decidiu-se pelo encerramento das suas actividades no fim de 2001. Mas ao mesmo tempo, os seus objectivos passaram para os encarregados regionais de AMV.
Tratou-se duma tentativa surgida da boa vontade de ir ao encontro dos nossos hospitais que lutavam com muitas dificuldades. Mas revelou que não iria poder dar os resultados esperados apesar do empenho da pessoa encarregada.

D. Relacionamentos

1. Com as circunscrições
Somos do parecer que o acolhimento fraterno e a transparência do relacionamento entre as Direcções de circunscrição e a Geral nunca fraquejaram, mesmo quando houve divergência de opinião. Da nossa parte, sempre nos sentimos em família em todas as que visitámos; e os laços fraternos davam-nos força quando tínhamos que enfrentar questões difíceis ou delicadas. Queremos assim exprimir aos Superiores Regionais e respectivos Conselhos o nosso sincero agradecimento pela sua familiaridade, compreensão e colaboração.
Por impulso do último Capítulo, a Direcção Geral procurou instaurar, através dos Conselheiros Continentais, relacionamentos mais intensos e mais contínuos com as Direcções de circunscrição e com os encarregados dos Secretariados Regionais. A intensa correspondência que teve lugar denota o esforço feito, com o favorecimento dos novos meios de comunicação. Como já dissemos antes, notámos por vezes uma certa indecisão por parte das Regiões sobre quem deveria ser o seu interlocutor na Direcção Geral. Mas com o andar do tempo, parece-nos que da nossa parte e da parte das Direcções de circunscrição, as modalidades dos relacionamentos recíprocos foram sempre esclarecendo-se cada vez mais.
Estes relacionamentos consistiram essencialmente em comunicações rápidas e pontuais. Só raramente nos vimos obrigados a pedir notícias que, ao contrário, saltavam por toda a parte mas não nos chegavam dos directamente interessados. Pensamos porém que isto não sucedia por má vontade mas por causa duma praxe ainda não plenamente estabelecida.
No campo das comunicações continua difícil a questão referente ao modo mais oportuno de racionalizar melhor os meios actuais e que são, além das visitas e dos diálogos, o uso do telefone, o correio electrónico, o correio tradicional e os noticiários. Está a tornar-se por vezes extremamente difícil relacionar e organizar toda a documentação relativa a um dado problema ou a uma questão pendente. Além disso, a mudança de interlocutores pode complicar ainda mais o arquivamento e a pesquisa dos dados. Pensamos que este problema, se não for devidamente tratado e resolvido, poderá criar graves dificuldades a futuras pesquisas sobre a história do Instituto.

2. Com as Missionárias da Consolata

O último Capítulo Geral, tanto o nosso como o das Missionárias da Consolata, decidiram renovar um forte apelo aos dois Institutos a procurarem, com renovado empenho, “uma unidade superior” de comunhão e colaboração, de respeito e de confiança, típicos duma família de “irmãos e irmãs”, animada pelo mesmo espírito do mesmo Pai Fundador. Passados que foram seis anos, cremos poder afirmar que se fez uma caminhada significativa nesta direcção. Parece-nos estar a respirar um clima novo a todos os níveis. Feito de abertura e de mútua aceitação, de disponibilidade a caminhar percursos comuns, em ajuda fraterna. Não só as duas Direcções Gerais foram fiéis aos seus encontros semestrais com o objectivo de programar e rever as actividades e para organizar iniciativas de formação que pudessem servir de apoio aos Missionários e às Missionárias. Pensamos também que muitas circunscrições fizeram o mesmo a esse nível. Em todas as visitas canónicas houve colóquios com as Missionárias e, sempre que possível, os visitadores encontraram-se com os seus conselhos regionais. Todos os encontros continentais de formação contínua contaram com igual participação de Missionários e Missionárias e contribuíram não só para o desenvolvimento pessoal dos participantes como também suscitaram um desejo maior de colaboração fraterna no trabalho missionário.
Algumas iniciativas presentemente a decorrer, podem ser emblemáticas do percurso feito, como por exemplo a nova fundação na Mongólia, a de Djibuti, a colaboração recíproca na missão de Shambo (Etiópia) e a de La Tagua (Colômbia), a análise de uma próxima fundação entre os indígenas da Venezuela. Nestes casos notámos que não só existe o desejo de nos ajudarmos como entre irmãos e irmãs, mas também que cada passo se analisa, programa e realiza de comum acordo. É este o significado duma complementaridade que não sacrifica a especificidade de cada Instituto mas que até a eleva e aperfeiçoa, para oferecer à missão um serviço qualificado e um melhor testemunho de vida. Pôde-se constatar que, quando há boa vontade recíproca, esta caminhada em conjunto é possível e dá frutos abundantes.
Parece-nos porém que este empenho não tem realização diligente por parte de todos. A simultaneidade da celebração dos nossos dois Capítulos na mesma cidade poderá permitir uma dialogicidade maior e ajudar a aperfeiçoar o que já se fez e relançar novas metas de mútua colaboração e comunhão. O Beato Fundador tem que estar contente com cada esforço que se oriente para o melhoramento do espírito fraterno e a mútua colaboração.

3. Com os Bispos Diocesanos

As relações com os Ordinários das nossas Dioceses são geridas e cultivadas, regra geral, pelas Direcções de circunscrição. Alguns Bispos passam de boamente pela nossa Casa Geral e trocam connosco diálogo e informações. Serve-nos isto para conhecer as Igrejas locais sob a óptica dos Ordinários. Também no decurso das visitas canónicas às circunscrições da América e da África é raro faltar uma conversa com os Bispos. Mas acontece raramente nas Dioceses da Europa onde residimos.
Temos mantido o costume de nunca debater assuntos com os Ordinários sem termos presentes, ou o conhecimento, dos Superiores de circunscrição. Este parece ser o método melhor para não andarmos a intervir de maneira inoportuna em realidades ou questões com que não temos absoluta familiaridade.
Sentimos o dever de fazer agora um apelo a que as Convenções com os Ordinários sejam sistematicamente postas por escrito, renovadas a tempo, analisadas atentamente in loco e depois aprovadas por ambas as partes e assinadas.
Não faltam os formulários adequados já preparados pela Congregação para a Evangelização dos Povos, que poderão orientar a redacção dos textos de Convenção. As convenções continuam a ser um meio sumamente adequado para manter relacionamentos claros com os Ordinários e também para planificar e concretizar redimensionamentos ou mudanças de obras de forma serena.

4. Com os Institutos Missionários e outras organizações eclesiais

Na cidade de Roma há múltiplas iniciativas de colaboração mútua entre os Institutos missionários e destes com várias organizações promovidas pela Igreja ou por Congregações Religiosas. Procurámos dar colaboração activa às seguintes organizações:
- Sedos: é um fórum aberto a todos os Institutos de Vida Consagrada desejosos de aprofundar a sua compreensão da missão em sentido global. Estimula à pesquisa e oferece informações através dum boletim e página de Internet com conferências públicas, em equipas de trabalho e por meio do seminário anual de análise.
- AEFJN: fundado e mantido por Institutos missionários e religiosos, é desde 1988 que luta para favorecer leis e programas económicos mais justos e solidários da Europa com a África. Tem uma sede central em Bruxelas e “observatórios” nos vários países da Europa que promovem acções concretas a favor da África com o apoio do Institutos membros.
- Comissão J&PIC: foi instituída em 1974 pelas duas Uniões dos Superiores (as) Gerais. O objectivo é ajudar os religiosos e as religiosas a estarem atentos aos temas da justiça, da paz e da protecção da criação através da informação, troca de ideias, reuniões de estudo e promoção de campanhas.
- Misna: é a agência missionária de notícias. Subsidiada principalmente pelas Direcções Gerais dos Missionários Combonianos, da Consolata, do PIME, dos Xavierianos e das Províncias dos Institutos Missionários que trabalham na Itália, ela compromete-se a ser “a voz de quem não tem voz”, dando especial atenção aos problemas dos povos do Sul do mundo e das jovens Igrejas. Durante os seus dez anos de existência, teve uma notável difusão: é visitada mensalmente por mais de 100.000 utentes nas três versões (inglês, francês e italiano).
- Gruppo ad gentes: nasceu como um grupo espontâneo de reflexão entre os membros das Cúrias Gerais dos Institutos missionários e já há alguns anos que faz aprofundamento de argumentos de interesse comum.
- União dos Superiores Gerais: nasceu a seguir ao Concílio Vaticano II, tem em mira procurar na alma da Igreja e no mundo uma forma apropriada de vida consagrada através dum proveitoso intercâmbio com os respectivos membros, vivido com espírito de comunhão e participação. É portanto uma organização de animação, pesquisa, diálogo e reflexão. Organiza duas assembleias anuais de estudo e outras iniciativas.

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