“Senhor, é verdade que poucos se salvam?” Esta é a pergunta que ressalta no evangelho deste domingo, na sua caminhada rumo a Jerusalém, alguém confronta Jesus com esta pergunta. Creio que quem fez esta pergunta, pensou estar na parte daqueles que estão salvos, sem pensar onde se estava metendo. A pergunta nos faz pensar, a nós assíduos freqüentadores da eucaristia, que nos sentimos parte daquele grupo que se sente salvo. Permitam-me uma pequena comparação com a carteira de motorista. Sabemos que a carteira de motorista tem 20 pontos, por isso, desde que as infrações cometidas sejam menores que os 20 pontos que eu tenho, me sinto um bom e respeitador condutor. Esta é muitas vezes a nossa mentalidade em relações às coisas de Deus, o importante é não perder os “20 pontos”.
A resposta de Jesus deve ter deixado a pobre pessoa que a fez vermelha de vergonha: “Fazei todo o esforço possível para entrar pela porta estreita!”
O evangelho é exigente. Não é severo ou difícil, mas autêntico e exige empenho, assim como uma prova esportiva. O nosso mundo de hoje nos oferece portas largas, uma vida fácil. Basta olhar à publicidade, tudo o que nos oferece é para que tenhamos uma vida fácil, sem grandes dificuldades, mas será que é isso que está acontecendo? Pego o exemplo dos celulares, hoje estão espalhados pelo mundo inteiro, mas mesmo assim, dizem os especialistas nunca se comunicou tão pouco como agora, nunca as pessoas foram tão fechadas em si, como nos tempos que vivemos. Jesus nos convida a entrar por uma porta estreita, a proposta de Jesus é exigente, repito que ela não é severa ou difícil, mas sim exigente. Hoje vivemos nossos compromissos cristãos de uma forma muito simplista, na verdade, ser cristão ou não é quase o mesmo, apenas nos distinguimos por algumas pequenas coisas, como ir na missa, talvez numas poucas orações. Mas será que é tudo isso? A porta estreita, que Jesus nos fala, envolve toda a nossa vida, não é um só ir na missa, fazer minhas orações, mas requer uma vida autêntica como Jesus.
A resposta de Jesus não dá números para os salvos, mas diz que é um caminho exigente para alcançar a salvação, exigente não significa impossível, severo. Muitas vezes associamos esta exigência a uma vida de tristeza, e portanto, a proposta de Jesus não atrai, mas Jesus atraía pela sua maneira de ser, então, sua proposta também devia ser atraente. Será que somos capazes de ver essa atração, ou as atrações do mundo de hoje, são mais aliciantes?
Jesus exemplifica seu ensinamento falando de uma porta que se fecha de modo definitivo, apesar de os que batem à porta afirmarem que comeram, beberam e escutaram o ensinamento, mesmo isso não basta. Ou seja, temos uma vida para nos tornarmos autênticos seguidores de Jesus, não é suficiente, escutar seu ensinamento, comer e beber com ele (eucaristia?!), mas é preciso um esforço continuo para que nossa vida seja cada vez mais semelhante à vida de Jesus. Estou certo que no dia em que nossa vida se assemelhar àquela de Jesus seremos certamente pessoas bem mais felizes.
Terminando este mês vocacional, convido uma vez mais, a rezar para que o Senhor envie operários para o imenso campo de trabalho que temos pela frente. Uma boa caminhada rumo à porta estreita. |