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As Constituições pedem à Direcção Geral que preste “um serviço de animação e de direcção a fim de que o Instituto viva a sua fidelidade à vocação, segundo o carisma do Fundador, e desempenhe a sua missão na Igreja” (116). Ao concluir este relatório, queremos expor de maneira sucinta alguns temas que maior ênfase tiveram no nosso serviço de “animação” do Instituto. Para além das Constituições, ela inspira-se em grande parte dos Actos do XCG, que foram durante todo o mandato o texto base de referência para o nosso trabalho. Nunca deixámos de o recordar nem de convidar os confrades a relê-lo e a aprofundá-lo.
1. A serviço do carisma O carisma é a nascente viva e perene a que todos os Missionários da Consolata devem ir continuamente matar a sede. Manter viva a memória do Fundador, recuperar o seu espírito, promover estudos sobre o Instituto e os nossos Missionários, fazer surgir e manter clara a identidade do Instituto são alguns dos deveres principais de toda e qualquer Direcção Geral. De facto, a valorização do carisma ajuda-nos a unir-nos como família, cria entre nós coesão e põe a foco cada vez mais a nossa identidade. Estimuladas pelas celebrações centenárias do Instituto, todas as circunscrições concretizaram várias iniciativas de reflexão sobre a figura do Fundador e de aprofundamento do seu carisma e da sua espiritualidade. A participação da Direcção Geral nestas iniciativas foi muitas vezes procurada e em vários casos tornou-se realidade. Oferecemo-nos de boamente para pregar cursos de exercícios espirituais aos Missionários e aos nossos jovens, convencidos de que tais momentos constituem sempre uma ocasião privilegiada para reafirmar o nosso credo carismático com todas as suas implicações sobre a nossa vida espiritual. Não encontrámos no Instituto diversidades acentuadas quanto à interpretação deste carisma. Pensamos que o XCG deu um contributo determinante para esclarecer eventuais dúvidas, se é que ainda existiam. Ainda perduram, principalmente entre os mais idosos, pareceres diversos sobre o modo de interpretar o papel do Cónego Tiago Camisassa na história do nosso Instituto. A trasladação dos seus restos mortais para a Casa Mãe, para junto do túmulo do Fundador, ajudou a alumiar melhor a sua figura e a sublinhar o papel que teve na vida de José Allamano na fundação e nos primórdios do nosso Instituto. Também estimulámos o “Ufficio” da Postulação a estudar a oportunidade de dar início a novas causas de beatificação. Acreditamos que elas, para além de serem um dom para a Igreja, ajudam muito a fazer reviver o carisma do Instituto iluminando o testemunho de vida dos seus melhores filhos. Também acreditamos que a recente trasladação dos restos mortais de Mons. Filippo Perlo para a Casa Mãe das Sisters of Mary Immaculate de Nyeri possa ajudar a olhar com maior serenidade e objectividade para a obra deste grande Missionário que foi entre os principais protagonistas dos três primeiros decénios de vida do Instituto.
2. No apoio à espiritualidade O carisma de José Allamano e do Instituto remetem sempre para uma espiritualidade sólida e profunda, eclesial, bíblica e litúrgica, que encontra a sua unidade em torno da missão. Durante os cem anos de vida do Instituto, os elementos fundamentais da nossa espiritualidade foram enriquecendo-se pouco a pouco, graças também ao contributo substancial do Concílio Vaticano II e recentes documentos da Igreja. O IX e o X Capítulos Gerais permitiram-nos superar – esperamos que definitivamente – aquela prejudicial dicotomia que entre nós circulou durante tanto tempo entre consagração religiosa e vida missionária. Estas duas realidades integram-se certamente e formam em nós uma só coisa. Estimulados pelo XCG (cfr. 34) temos continuado a insistir sobre o valor da vida consagrada e dos seus múltiplos aspectos no interior da nossa vocação missionária. “La Vita Spirituale” do Beato Fundador continua a ser o vademecum da nossa espiritualidade. Não conseguimos concretizar o desejo do XCG, o de reeditar “La Vita Spirituale”, podando-lhe alguns aspectos obsoletos. As opiniões contra a reedição foram, ao que nos parece, maiores que aquelas a favor. O XCG também estimulou os confrades americanos e africanos a estudarem e aprofundarem a espiritualidade e o carisma do Instituto, do ponto de vista da sua cultura. Alguns trabalhos produzidos tiveram bom resultado, tendo sido também apreciadas algumas peças menores escritas sobre estes temas. O Secretariado Geral para a Formação Básica e os Estudos estimulou os jovens a fazerem investigação académica (teses) sobre o carisma de José Allamano e da sua espiritualidade. Os membros do Conselho Geral ou dos Secretariados Gerais pregaram trinta cursos de exercícios espirituais durante este mandato. Os temas escolhidos não se afastavam muito da doutrina do Fundador e dos elementos essenciais da nossa identidade e espiritualidade. Cartas e outros escritos que foram publicados no Boletim Oficial e na “Documentazione IMC” tiveram eco mesmo fora do Instituto graças a extractos que foram publicados em revistas de vida consagrada. Pensamos que é conveniente continuar a insistir sobre a necessidade duma espiritualidade mais acentuada e duma vida de oração mais profunda, apoiando, se necessário, iniciativas e projectos específicos orientados para este nosso objectivo.
3. Para uma comunhão mais ampla e mais plena Sermos e sentirmo-nos como uma família, unidade de intenções entre todos os Missionários, amor à Igreja, eram todos aspectos fundamentais profundamente sentidos pelo Fundador – que nos transmitiu com toda a clareza. Da nossa parte, fizemos o possível por acolher esta herança do Beato Allamano e reafirmá-la em muitas ocasiões da vida do Instituto. Sabemos que o espírito de Família se cria e se reforça de muitas maneiras: por exemplo, fazendo circular as notícias sobre a vida de família, partilhando as ocasiões alegres e tristes dos confrades, procurando valorizar o mais possível o contributo de cada um em prol do Instituto. Procurámos estar presentes, sempre que possível, nos eventos do Instituto ou em momentos especiais da vida dos Missionários. Tornar vivos os noticiários internos do Instituto segue o caminho deste aumento de espírito de família. O espírito de comunhão, se vive dentro de nós, extravasa depois, inevitavelmente, para as nossas comunidades cristãs e para a Igreja. Pensamos que se deve favorecer de todas as maneiras a comunhão com as Igrejas locais, com os Bispos e com a presença junto aos sacerdotes e religiosos. A nossa colaboração sincera e actuante com as várias organizações diocesanas, com as conferências dos religiosos, com as associações e os movimentos eclesiais e projectos de solidariedade, são geralmente apoiados. É sempre melhor optar por uma caminhada de conjunto do que por um protagonismo isolado, mesmo que fosse excelente.
4. Numa família internacional e multicultural O colorido internacional acentua-se cada vez mais na nossa Família e aumentará nos anos seguintes. A internacionalidade é elemento fundamental do nosso carisma e componente da nossa própria identidade (cfr. Const. 23). A aquisição serena e enriquecedora desta dimensão internacional não acontece automaticamente, sendo fruto duma caminhada formativa que se deve estudar, promover e acompanhar com cuidado e atenção. De facto não chega reunir-se sob o mesmo tecto com gente de nacionalidade diversa para criar uma comunidade internacional como as Constituições pretendem. A verdadeira interculturalidade atinge-se quando nos fixamos em atingir a integração cultural, onde as culturas não concorrem mutuamente mas se enriquecem umas às outras. As diferenças não são obstáculos mas sim oportunidades de desenvolvimento para todos. Da parte da Direcção Geral procurámos promover este percurso, favorecendo e acompanhando a composição internacional das comunidades dos seminários teológicos e esforçando-nos para que o elemento local, que sempre tem a tarefa-chave, tivesse suficiente representação. Também procurámos tornar possível à maioria dos neo-destinados sair da sua própria região para fazer uma primeira e relevante experiência missionária. Um outro elemento de grande importância é a preparação do pessoal, sobretudo daquele proveniente de circunscrições mais jovens, para que aprenda a assumir funções de responsabilidade. Uma precaução que não deve nunca ser esquecida é a de evitar expor prematuramente os Missionários jovens a funções superiores às suas forças ou à sua preparação. Tem papel fundamental a este respeito a formação de comunidades apostólicas relevantes em número e qualidade que possam acolher e acompanhar estes jovens missionários na sua primeira exposição à internacionalidade.
5. Para fazer crescer entre nós uma espiritualidade da consolação O XCG sugeriu alguns caminhos de consolação que, tendo nascido do nosso carisma e da nossa história centenária, exprimem de maneira mais consonante com os nossos dias, a intuição do Beato José Allamano, para quem a evangelização e a promoção humana nunca poderiam andar separadas. O próprio Capítulo Geral sugeriu então percursos formativos para que a consolação não se limitasse à simples promoção humana. Como Missionários da Consolata, temos de fazer crescer em nós uma verdadeira “cultura da consolação” que, como fermento na massa, dá sabor a toda e qualquer expressão da nossa missão. E relembrava o empenho de favorecer uma espiritualidade da consolação que exprima acolhimento, auscultação, mansidão, solicitude pelos irmãos. Exortava-nos a aprofundar a doutrina social da Igreja. Convidava as Regiões a examinarem o modo de fazer missão e as suas estruturas, a fim de que não nos afastássemos do povo e dos pobres. Por fim pedia à Direcção Geral que promovesse uma reflexão sobre este tema durante oeste mandato. As celebrações centenárias e outras temáticas propostas pelo próprio Capítulo impediram-nos de dar maior realce a este tema da consolação no decorrer do mandato. Optámos por apresentar uma série de onze reflexões que pudessem tornar-se, mês após mês, tema de retiro espiritual ou então para um encontro de partilha comunitária. Graças à boa vontade de igual número de confrades, esta iniciativa foi acolhida positivamente no Instituto e parece que tenha sido valorizada em todas as circunscrições. Neste contexto, queremos recordar três opções de “consolação” que neste momento estão a ter um significado especial no Instituto: - A escola de “perdão e reconciliação”: tendo começado na Colômbia, está a ter boa difusão também noutros países. É um antídoto muitíssimo eficaz para o clima de violência que se instalou em muitos lugares sobretudo por razões políticas. Os efeitos tão positivos desta “escola” poderiam sugerir ao nosso Instituto favorecer tal iniciativa onde quer que trabalhemos. - A pandemia da SIDA/HIV cujas consequências devastadoras todos conhecem, está a multiplicar, mesmo no nosso Instituto, iniciativas merecedoras de atenção e apoio, sobretudo na África. Pensamos que uma reflexão mais aprofundada e uma actuação mais coordenada poderiam tornar mais consciente e eficaz o nosso trabalho a favor daqueles que foram contagiados com esta doença. - A imigração, sobretudo no Continente Europeu, está a criar muitos problemas que a sociedade civil por vezes procura resolver com meios restritivos, quando não punitivos. As três Regiões da Europa sentiram-se interrogadas por força do nosso carisma missionário e de consolação a intervir para aliviar os sofrimentos dos imigrantes e acompanhá-los na sua inserção nos países e Igrejas quem nem sempre se lhes apresentam hospitaleiras.
VI. UMA OLHADA PARA AS NOVAS FRONTEIRAS
Nestes últimos anos voltaram de novo à luz da ribalta inquietações e interrogações sobre a procura de novos espaços para a animação missionária. Na Europa perguntamo-nos porque é que não criamos novos campos de AMV, visto que os países em que estamos integrados há tantos anos são quase que estéreis em vocações. Há já algum tempo que a América está a fazer discernimento e a interrogar-se sobre a conveniência ou não de ir para o México. Até a Ásia sonha com as Filipinas… A Direcção Geral sempre afirmou que, sem um mandato específico do Capítulo nesse sentido, não assumiria a responsabilidade de concretizar tal iniciativa. Mas que poderia aceitar, com base experimental e limitada, uma eventual tentativa feita por uma Região ou um Continente. Esse tema foi retomado na Consulta intercapitular, com os seguintes resultados: «O Capítulo deu indicações claras sobre novas fundações. Mas a Consulta reflectiu sobre o facto de o Instituto não ter realizado, nos últimos anos, fundações que tivessem como objectivo primário a AMV, e manifestou-se de forma positiva sobre a oportunidade de tal ideia. Orientações operacionais: - Uma eventual fundação não deverá contemplar exclusivamente a animação vocacional, mas antes de mais procurar oferecer um serviço de animação missionária às Igrejas locais. - O Conselheiro Continental irá acompanhar essa análise e fazer a pesquisa a nível do próprio continente e em ligação estreita com os Superiores de circunscrição. - Os Superiores Regionais, tendo em vista o próximo Capítulo Geral, aprofundem este tema nas suas circunscrições para que a análise se alargue e se veja o consenso dos confrades» É nossa convicção que uma nova fundação, seja qual for a finalidade, deve ter mandato capitular. Uma circunscrição, sem a ajuda e o apoio de todo o Instituto, não pode ter pessoal e meios suficientes para fazer uma nova fundação e mantê-la no seu caminho natural de desenvolvimento. Parece-nos, além disso, que as nossas circunscrições, frente ao problema vocacional, têm situações muito diversificadas. Os países ocidentais da Europa, em termos de vocações religiosas e missionárias, apresentam-se como um terreno pouco fecundo. Os de Leste (ex-países comunistas) ainda têm riqueza e abundância de vocações, ainda que muitos duvidem que tal situação possa durar devido à rápida difusão da globalização e do secularismo. Na América Latina as prospectivas de vocações poderiam ser melhores se as nossas Regiões investissem mais em pessoal nesta área. Assim, o problema parece estar não tanto na procura de novas áreas de trabalho como na nossa capacidade de cultivar bem aquilo que já temos cá dentro. Quanto à Ásia, o problema parece-nos ainda prematuro. Graças a Deus, a Coreia parece estar a dar presentemente sinais de despertar em termos de vocações missionárias. Cremos que seja conveniente o Capítulo levar em consideração este tema que foi formulado por bastantes circunscrições e oriente as opções do Instituto para os anos futuros. Por fim também temos pedidos que nos vieram de vários lados, com propostas de novas fundações, tais como: - Bielorrússia (Diocese de Vitebsk) - Chade (Diocese de Laï) - Lituânia; - México. Para além desta lista, pensamos que seria interessante a proposta que nos foi enviada pelas Irmãs Missionárias de S. Pedro Claver para fazer obra conjunta na Polónia, orientada sobretudo para a animação missionária entre o clero, que ainda é muito numeroso e agora está mais aberto à dimensão missionária ad gentes.
Conclusão
Tendo lembrado a caminhada do Instituto no decurso dos últimos seis anos, tal como o serviço de animação cumprido pela Direcção Geral, é agora desejo nosso manifestar o nosso mais sentido obrigado a todos os confrades que encontrámos nas nossas visitas e que, com humildade e empenho, continuam a aguentar com o “pondus diei et aestus”, aos Superiores de circunscrição e respectivos Conselhos, aos encarregados dos vários Secretariados, tanto Gerais como Regionais. Sem o seu generoso contributo não teria sido possível concretizar a maior parte das actividades realizadas nestes anos. Em meu nome pessoal, quero dirigir o devido obrigado aos membros do Conselho Geral. Trabalhámos lado a lado, ajudando-nos e integrando-nos mutuamente na oferta do nosso serviço ao Instituto. Sabendo que a nossa animação não foi isenta de erros e falhas, queremos pedir a todos, neste momento, compreensão e perdão. Consola-nos a consciência de sempre nos termos esforçado por procurar, acima de qualquer ideia ou projecto pessoal, o bem do Instituto. Estamos a celebrar o XI Capítulo Geral enquanto a Igreja vive na alegria a Páscoa de Cristo e o ano da Eucaristia. Vamos assim encerrar o nosso relatório formulando um voto de êxito para os nossos trabalhos capitulares que estão a começar e para todo o Instituto que na oração nos está a acompanhar. Vamos celebrá-lo deixando-nos guiar pela experiência pascal dos dois discípulos de Emaús.
Que saibamos nestes dias acolher o Ressuscitado no nosso meio e deixarmo-nos acompanhar passo a passo por Ele, enquanto contamos uns aos outros como a nossa Família missionária está a viver neste momento, entre dificuldades e problemas, mas com o forte desejo de sermos sempre testemunhas credíveis dele entre os povos.
Que cada um de nós saiba sempre acolher na sua vida a cruz de Cristo como segredo de êxito da sua missão e da do Instituto, acreditando que cada forma de martírio é o melhor testemunho que possamos dar ao Evangelho de Cristo.
Que saibamos neste tempo de Capítulo encontrar na Palavra e na Eucaristia a fonte da nossa inspiração para que seja Ele a abrir a nossa mente à compreensão da Sua vontade e nos aqueça o coração para que nunca fraqueje entre nós a caridade fraterna.
Que ajudemos o Instituto, através dos trabalhos capitulares, a não ceder nunca à desconfiança face aos desafios e às exigências da missão de hoje, mas a cultivar sempre o optimismo e a esperança.
Que compreendamos que só na conversão a Ele, que é o centro da nossa vida e fonte da nossa missão, teremos a força necessária para encaminhar o Instituto para o seu segundo século de vida com decisão e largueza de visão.
Que a Nossa Mãe Consolata e o nosso Pai Fundador intercedam por todos nós e nos abençoem.
P. Piero Trabucco, IMC (Superior Geral) P.Antonio Bellagamba, IMC P. Norberto Ribeiro Louro, IMC P. Aquiléo Fiorentini, IMC P. Jean André Benedetti, IMC
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