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Aparecida e a Missão PDF Imprimir E-mail
Por P. Ramón Cazallas Serrano, imc   
15 de Agosto de 2007
A V Conferência do CELAM, em Aparecida, “buscou dar continuidade ao caminho de renovação percorrido pela Igreja Católica desde o Vaticano II e nas anteriores quatro Conferências Gerais” (Mensagem aos Povos da América).

Dia 31 de maio, Festa da Visitação de Nossa Senhora. A V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe conclui os seus trabalhos em Aparecida, SP. Foram quase 20 dias de estudo, discussões e muita oração por parte dos bispos e participantes, num total de 266, para discernir o “hoje” da Igreja latino-americana e caribenha. Foi um kairós, um tempo oportuno de graça para avaliar a caminhada e ver o que Deus está pedindo à sua Igreja neste continente.

Oficialmente não podemos saber as decisões e as prioridades eclesiais deste evento, até que o papa aprove definitivamente o Documento Final. Mas, baseando-nos na Mensagem da V Conferência aos Povos da América Latina e do Caribe, nas conversas e escritos de alguns bispos e participantes, podemos antecipar alguns pontos, sobretudo aqueles relacionados com a Missão e com o mundo dos pobres.


Colegialidade episcopal

É uma graça que os bispos se reúnam para verificar o caminho da Igreja e que esse encontro ocorra no continente latino-americano. Sobretudo nesta época de globalização que suscita desafios comuns e oportunidades para a evangelização. Se hoje ninguém pode viver e afrontar as situações sem contar com os demais, tanto menos a Igreja cujo programa é o projeto de Jesus, que transcende fronteiras e barreiras. Nenhuma Igreja e nenhum bispo podem caminhar sozinhos perante a complexidade das situações. A colegialidade é um valor primário na Igreja de Jesus que o Concílio Vaticano II incentivou. Da colegialidade, naturalmente, nasce a corresponsabilidade de todos no caminhar desta Igreja. É importante ter bem presente este princípio para entender a Missão e a responsabilidade de cada paróquia e de todo bispo na tarefa missionária da Igreja universal.

Método recuperado

Não podia ser de outro jeito. Com exceção da Conferência de Santo Domingo, "ver, julgar e agir" foi o método clássico usado em todos os encontros anteriores. Partir da realidade e analisá-la para saber e conhecer em que “terra pisamos” e, assim poder melhor jogar a semente para que dê o fruto oportuno. Jesus conhecia muito bem a terra onde pisava, as necessidades do povo e oportunamente ia agindo e fazendo os seus milagres, segundo os problemas e situações dos seus interlocutores e seguidores. A eficácia da evangelização depende em boa parte, do conhecimento que o evangelizador tem da sua realidade.

Conferências anteriores

Aparecida se apresenta como continuadora das Conferências anteriores (Rio, 1955; Medellín, 1968; Puebla, 1979 e Santo Domingo, 1992), “buscando dar continuidade ao caminho de renovação percorrido pela Igreja Católica desde o Vaticano II e nas anteriores quatro Conferências Gerais” (Mensagem aos Povos). A V Conferência é um novo passo que dá continuidade e ao mesmo tempo, recapitula o caminho de fidelidade, renovação e evangelização da Igreja latino-americana a serviço dos seus povos, como se expressaram oportunamente as Conferências anteriores.

As opções de Aparecida

Fica difícil enumerar as opções e prioridades da Conferência antes de conhecer o Documento Final. No título dela poderíamos dizer que já temos algumas: discípulos, ...



Ramón Cazallas Serrano é missionário, mestre em Teologia Dogmática e diretor do Centro Missionário “José Allamano”, em São Paulo, SP.

Publicado na edição Nº06 – Julho/Agosto 2007 - Revista Missões.
Última Atualização ( 14 de Agosto de 2007 )

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