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O rosto da Igreja Latino Americana PDF Imprimir E-mail
Por D. Demétrio Valentini   
14 de August de 2007
Neste próximo domingo, dia 19, vamos realizar a vigésima terceira romaria diocesana. O lema escolhido para este ano – COM MARIA PARTIMOS EM MISSÃO - nos coloca em sintonia com a Conferência de Aparecida.

Realizada no mês de maio deste ano, ela fortaleceu em toda a Igreja da América Latina um renovado impulso na sua caminhada, e uma generosa disposição para se colocar a serviço da vida verdadeira de nossos povos.

Olhando sua história, a Igreja da América Latina se reconhece como fruto de uma grande graça que Deus concedeu a este continente, que acolheu generosamente a fé cristã, mesmo em meio a muitos problemas de ordem cultural, política e econômica.


Da acolhida ao Evangelho de Jesus pelos povos do nosso continente, resultou a Igreja Latino americana, que ao longo de cinco séculos serviu de expressão religiosa e de vivência comunitária para a grande maioria das pessoas que viviam ou vieram habitar o nosso continente.

Na Conferência de Aparecida a Igreja latino americana olhou com gratidão para a sua caminhada história, consciente de suas limitações humanas, mas também consciente da graça especial que Deus lhe proporcionou de diversas maneiras.

Entre elas, está sem dúvida a devoção a Maria, vista por nossos povos como uma expressão autêntica e exemplar do Evangelho de Jesus Cristo. Maria é o Evangelho vivo, que muitas pessoas sabem ler e colocar e colocar em prática em suas vidas.

O testemunho dos romeiros que freqüentaram o santuário de Aparecida, numa atitude de simplicidade e de fé amadurecida, impressionou os bispos que participavam da quinta conferência, e os confirmou na convicção de que a devoção a Maria continua sendo um dos traços mais característicos da religiosidade de nosso povo, e um dos valores que mais o aproximam do evangelho de Jesus Cristo.

O Papa Bento 16, em sua visita ao Brasil, ficou impressionado com outra característica de nosso povo, aberto e acolhedor, expressando alegre sua comunhão com a Igreja.

Assim acontece com os missionários que chegam ao Brasil. Acabam sendo bem recebidos, e se sentem profundamente identificados com o povo brasileiro. Assim se explica a presença de mais de cem bispos no Brasil, vindos de outros países, mas perfeitamente integrados em suas dioceses.

Outra marca de nosso povo é sua disposição de participação, que se nota especialmente nas celebrações litúrgicas, e na maneira como se distribuem os diversos ministérios.

A proximidade entre comunidade e ministros torna nossa Igreja latino americana mais simples e mais humana.

Nisto tudo se verifica na prática a afirmação do Concílio, que descreveu a Igreja como “povo de Deus”, congregado em comunidades, e reunido “na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

Esta realidade eclesial, até pouco tempo atrás, era transmitida simplesmente de geração em geração, em virtude de tradição. Assim é que a grande maioria do povo latino americano, ainda hoje, se reconhece católico. Porém cada vez mais as pessoas assumem sua fé não mais por tradição, mas por opção pessoal. Daí surge o grande desafio para a Igreja Católica. Além de retomar sua identidade, que a caracteriza historicamente, ela precisa refazer sua identificação com o povo, nas novas circunstâncias em que ele vive hoje, em decorrência das muitas mudanças que se verificam hoje em todos os âmbitos da vida das pessoas.

*Dom Demétrio é Bispo de Jales (SP)
Última Atualização ( 11 de August de 2007 )

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