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A Tenda dos Mártires PDF Imprimir E-mail
Por Éder Massakasu Aono   
29 de June de 2007
“O Verbo se fez carne e armou sua Tenda no meio de Nós”.

Dos dias 14 a 30 de maio, à sombra do Santuário da Virgem Mãe Aparecida, nossa Negra Mariama, na cidade de Aparecida, São Paulo, uma humilde Tenda foi erguida. Lá, rostos de muitos irmãos e irmãs de toda América Latina e do Caribe podiam ser contemplados, todos com uma coisa em comum: o martírio, o sangue derramado por todo este continente da Esperança. Vidas pelo Reino da Vida. Vidas doadas, a exemplo do Mártir Ressuscitado, Jesus. Homens e mulheres, cristãos ou não, jovens e crianças, patriarcas e matriarcas, indígenas e negros, leigos e leigas, bispos, padres, religiosos e religiosas, pastores e pastoras que entenderam que a vida é mais e as doaram pelo Reino.

Essa Tenda foi uma forma das Pastorais Sociais, Comunidades Eclesiais de Base e dos Movimentos Populares estarem em comunhão com a V Conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe e mandarem seu recado aos pastores vindos deste afro-ameríndio continente. Foi um espaço de reflexão, oração e discussão, acolhido e amado pela comunidade local, que abriu suas portas e coração para receber os grupos que, a cada dia trouxeram sua contribuição.


Partilha, doação e alegria foram os sinais fortes que marcaram esses dias. Todos que passaram por lá testemunharam que essa experiência foi como vivenciar um pouquinho do Reino que se sonha.

A história da Tenda foi escrita por muitos momentos de oficinas e oração, momentos esses em que a comunidade mais esteve presente e suplicava as luzes do Divino aos irmãos e irmãs reunidos no subsolo da Basílica discutindo, avaliando e votando no futuro da Igreja da América Latina e do Caribe.

Os dias se iniciavam com o louvor da manhã, com o Oficio Divino das Comunidades salmodiando o Sol Nascente que vinha visitar a Deus, Pai e Mãe. A cada dia se renovava a esperança, dia após dia contemplava-se o mistério da Ressurreição na paixão dos trabalhadores e trabalhadoras, dos moradores e moradoras da rua e seu sofrimento com o frio, o mistério da Ressurreição na vida do mundo.


Logo depois do almoço o Terço e o Oficio de Nossa Senhora ajudavam a contemplar o Verbo Divino que veio morar conosco e está no meio de nós. A religiosidade popular e a vida do povo deram-se as mãos e no desfiar do terço podia-se contemplar as vidas na vida do Messias e sua Mãe.

E a cada anoitecer, uma perfeita Ação de Graças oferecia-se a Tupã, Olorum, ao Deus de tantos nomes, ao Deus Trindade, a Melhor Comunidade. Com o Pão da Palavra, com o Pão da Vida, com o Cálice da Benção, esse mesmo Deus a todos alimentou. Com o Corpo e Sangue de Jesus, que antes eram frutos da terra, do suor e do trabalho de homens e mulheres, que eram vidas doadas, que antes eram pão e vinho, alimentavam-se os sonhos.

A Tenda recebeu com alegria muitos amigos padres e bispos que celebraram junto, como os do grupo Ameríndia, que trouxeram seus testemunhos, bispos companheiros de caminhada como dom Pedro Stringhini, que não estava na Conferência, mas mesmo assim passou pela Tenda e celebrou. Amigos, bispos presentes na Conferência, como dom Antonio Possamai, bispo emérito de Ji Paraná, dom Ricardo Ramirez, bispo de Las Cruces do Novo México - EUA, dom Demétrio Valentini, bispo de Jales, SP, dom Luiz Soares Vieira, arcebispo de Manaus, AM, dom Erwin Kräutler, bispo do Xingu, PA e dom Celso Queiroz, bispo de Catanduva, SP. Os sacerdotes que passaram pela Tenda: Beozzo, Ferraro, Teo, Roberto, Sérgio Torres, Fernando Doren, Antônio, Aécio, Júlio Lancellotti, Belo, Pablo Richard, Martinho, Lauren, Paulo Suess, Agenor Brighenti, Júlio, Marcelo e Angel e tantos mais que celebraram e animaram a caminhada.

Agradecimentos a dom Angélico Sândalo, bispo de Blumenau, SC, padre Zezinho, scj, dom Sérgio Castriani, bispo de Tefé, AM, dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo e tantos outros que passaram pela Tenda para apoiar o grupo. Irmãos de outras religiões celebraram, fortalecendo os sonhos de unidade. Muitos irmãos e irmãs de outros países estiveram presentes, reunindo utopias e rezando juntos.

Partilhou-se pão, pão de mel, frutas, as Roscas do Divino, o pão dos pobres, quentão, bolo, biscoitos, mandioca, batata doce e chimarrão. Multiplicaram-se luzes, plantou-se e colheu-se amor na comunidade, que recebeu a todos. O solo que foi pisado se santificou, celebrando-se o sangue mártir que fecunda a esperança.

Com certeza a Conferência de Aparecida ficará marcada pela Tenda dos Mártires, pois o que os bispos refletiram, foi vivido na prática. A Igreja Povo de Deus está viva e atuante, seguindo firme na opção preferencial pelos pobres.


Éder Massakasu Aono, Sorocaba, SP
Última Atualização ( 28 de June de 2007 )

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