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XI Domingo Tempo Comum PDF Imprimir E-mail
Por Pe. Patrick Silva, imc   
17 de June de 2007
ImageO evangelho que somos convidados a ler e meditar este domingo nos apresenta dois episódios distintos: uma refeição em casa de um fariseu, onde uma mulher se intromete e o grupo dos seguidores de Jesus.
 
O primeiro episódio é central neste evangelho. As personagens são três e os três têm um papel importante: Jesus, a mulher e um fariseu. Não podemos ficar apenas atentos ao gesto misericordioso de Jesus em relação à mulher, dita pecadora. Ocorre olhar este episódio tendo como pano de fundo a reação do fariseu. Desta maneira vamos descobrir duas maneiras, bem distintas, de pensar e de se relacionar com Deus.


Em relação a Jesus, o fariseu se comportou de um modo, enquanto que a mulher, se comportou de uma outra maneira. O próprio Jesus reconhece as diferenças de atitudes, fazendo-as notar ao fariseu: “não me deste água para lavar os pés; mas esta, com as suas lágrimas, regou-me os pés e enxugou-os com os seus cabelos. Não me deste o ósculo; mas esta, desde que entrou, não cessou de beijar-me os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo; mas esta, com perfume, ungiu-me os pés. (Lucas 7, 44-46).


Em relação à mulher, o fariseu viu nela a pecadora e somente a pecadora, enquanto que Jesus olha para mulher e é capaz de ver nela, o arrependimento, o reconhecimento e o amor.

Assim, seja qual foi o ângulo que observemos, as relações entre os personagens são de oposição, de um lado o fariseu, do outro Jesus e a mulher. Porque o fariseu é assim cego? Certamente que ele estima Jesus, mas é incapaz de ir mais além, não sente nenhum especial reconhecimento em relação a ele. Vê na mulher o pecado. Olha o gesto de Jesus e fica escandalizado, acha que um homem de Deus não pode tocar num pecador, não se pode contaminar, deve estar longe de tal gente, é incapaz de descobrir a misericórdia de Deus. A razão dessa cegueira está na sua própria concepção, ele se considera justo e portanto está do lado dos justo e não se quer misturar com quem não é justo. Jesus tem uma idéia bem diferente. Jesus sabe que Deus é como um Pai que ama todos os filhos, bons e maus, e não se afasta dos pecadores, mas ao contrário vai ao seu encontro. O contraste entre Jesus e o fariseu não é somente moral, mas também teológico. O fariseu não se acha pecador, mas ao contrário ele é justo, ele segue fielmente a lei e acha que isso é tudo o que é preciso. Para ajudar o fariseu Jesus conta a parábola, o fariseu não tem problemas em responder à questão colocada por Jesus. Não errou em nada. A mulher foi perdoada e salva, tinha uma dividia grande, mas lhe foi perdoado tudo. O encontro com Jesus representou para ela a liberação, um perdão não esperado, uma dignidade reencontrada. O fariseu ao contrário, não experimenta em relação a Jesus nenhum reconhecimento particular. Somente quem sabe de ser perdoado e gratuitamente amado (e faz a experiência), é capaz de captar o verdadeiro sentido da visita de Jesus.

O evangelho se conclui com a comunidade de Jesus, os seguidores de Jesus. Aqui podemos constatar uma realidade muito interessante, a presença numerosa de mulher no grupo dos discípulos de Jesus. Jesus, ao contrário, dos mestres da sua época, não tem medo, vergonha de estar na presença das mulheres, conversa com elas, se deixa tocar por elas, é um Jesus que é capaz de acolher a todos.
Última Atualização ( 16 de June de 2007 )

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