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| Ascensão de Jesus |
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| Por Pe. Patrick Silva, imc | |
| 20 de May de 2007 | |
Celebramos hoje a Ascensão de Jesus, ou seja, o retorno de Jesus rumo ao Pai. Não sei vocês, mas esta festa, assim à primeira vista, não é que me alegra muito. Talvez eu tenha dentro de mim os mesmo sentimentos dos discípulos, acho que também eu gostaria que Jesus ficasse para sempre ao meu lado. Porém, uma visão mais profunda desta festa, nos fará mudar este sentimento numa alegria profunda, aliás, assim se conclui este evangelho. São poucas linhas que falam de vida, de movimento, de caminho, de encontro. O caminho é aquele traçado pelo testemunho. Os apóstolos são enviados, não levam qualquer coisa de seu, mas se fazem vida, movimento, caminho, encontro, caminho que faz florescer a vida aonde chegarão. “Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia.” (Lucas 24, 46) O que está escrito? Onde? O único escrito que conhecemos é aquele do encontro. Deus parece que não consegue “viver” sem o ser humano, por isso, vai à sua procura, onde quer que esteja, não desiste até que não o abraça novamente. Isto é o que está escrito. Um amor eterno, capaz de ir até ao sofrimento, de beber até ao fim o cálice da dor para assim ver o de novo o rosto do filho amado. Deus desce aos confins da negação da própria vida para assim poder resgatar o ser humano e lhe dar de novo a vida, uma vida nova. Três dias. Três momentos. Paixão, morte e ressurreição. Isto está escrito. Para Cristo e para aqueles que lhe pertencem. Paixão: entregar-se confiante ao outro. O outro faz de ti o que quer, te abraça ou te afasta, te acolhe ou te rejeita... mas tu continuas a amar, até ao fim. Morte: uma vida que não volta atrás... morre, mas não para sempre, porque a morte só tem poder sobre a carne, o espírito que vem de Deus, a Deus retorna. Ressurreição: tudo adquire um novo sentido à luz da vida: o amor doado não morre, mas ressuscita sempre.
“E que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.” (Lucas 24, 47) A palavra de Jesus não pode parar. Precisa de anunciadores, de missionários. Os apóstolos vão, mandados em nome de Deus. Vão a todos os povos. Não existe mais um povo eleito, mas agora todos os povos são eleitos, escolhidos. Vão anunciar uma mensagem de esperança de alegria: os seus pecados não existem mais, podem viver uma vida divina, não mais marcada pela negatividade, mas sim pela positividade, não mais pela tristeza, mas sim pela alegria. Jesus morreu e ressuscitou para cada um de nós, sem exceção. O começo é em Jerusalém, pois foi ali que os apóstolos foram testemunhas de tudo o que aconteceu, e é a partir dessa experiência pessoal transformadora que devem ir e anunciar a todos. “Vós sois as testemunhas de tudo isso.” (Lucas 24, 48) A Deus se conhece por experiência. Ser testemunhas significa trazer escrito na própria pele a palavra que é de Cristo. Quando uma pessoa é tocada por Cristo, torna-se uma lâmpada, tem que brilhar. E ainda que às vezes a lâmpada possa querer apagar-se vai continuar brilhando, porque a luz não é própria, mas sim do Espírito Santo. “Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto.” (Lucas 24, 49) As promessas de Jesus nunca são incompletas ou não realizadas. Jesus parte, mas não nos deixa abandonados. Sabe bem de que precisamos de uma presença constante de Deus. Portanto, envia um reforço, para que sejamos revestidos do próprio Deus, o Espírito Santo. Será o Espírito que agora nos acompanhará, nos guiará, nos consolará, nos recordará as palavras de Jesus. Com esta força vinda do alto, não temos mais medo, em tudo seremos mais que vencedores. Aquele que está revestido de Deus não teme, em tudo é um vencedor. “Depois os levou para Betânia e, levantando as mãos, os abençoou.” (Lucas 24, 50) O momento da partida é solene. Betânia, o lugar da amizade, Jesus levanta as mãos e abençoa os seus. “Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado ao céu.” (Lucas 24, 51) Separar-se não é um acontecimento alegre, pelo contrário, a separação faz mal, faz doer. “Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo. E permaneciam no templo, louvando e bendizendo a Deus.(Lucas 24, 52-53) A alegria dos apóstolos é grande, a alegria de regressar a Jerusalém com um tesouro grandioso, a alegria de pertencer a Jesus. Será que você já descobriu essa alegria? Não pode haver maior alegria do que aquele que descobre que pertence ao grupo de Jesus. Essa alegria se transforma em louvor, permanecendo no templo louvavam a Deus. O verbo permanecer é fundamental para o cristão. O evangelho de João nos convida a permanecer em Jesus, se não permanecermos em Jesus não podemos dar fruto, não teremos a vida em nós. Permanecer é estar com, viver com. A ascensão muda a nossa idéia de Deus. Não é mais um Deus da “comida feita”, um Deus que resolve todos os meus problemas. Não é um Deus administrador de uma grande multinacional. Não é um Deus com um 0800 para resolver os meus problemas. Mas é um Deus presente, que dá a missão do anúncio do evangelho à Igreja. Isto é, cada um de nós é o rosto de Jesus para cada um que encontramos no caminho da nossa vida. A ascensão assinala o fim de um momento, o momento da presença física de Deus, agora é o tempo de Igreja, isto é, de cada um de nós. Deus conta com cada um de nós para anunciá-lo a todos os povos. Experimentamos Jesus, agora temos que o testemunhar até aos confins da terra, na certeza de que estamos revestidos com a força do Altíssimo. |
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| Última Atualização ( 22 de May de 2007 ) |
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