| Home |
| Endereços úteis |
| Pesquisa |
| Contacta-nos |
| Site Map |
| Padre Giulio Cesare (1927-2006) |
|
|
|
| Por P. Pietro Trabucco, imc | |
| 16 de Maio de 2007 | |
|
Padre Giulio Cesare, imc
1927-2006 Ao abrir o ficheiro com os documentos pessoais do P. Giulio Cesare para fazer este breve perfil da sua vida, deparei-me logo com um postal interessante que enviara do Quénia em 1970 ao então Vice-Superior Geral P.Guido Motter. Traz a assinatura do Giulio a seguir a uma única palavra que escrevera: “Obedecerei”. A imagem que se encontra sobre esse postal representa uma macaca muito simpática que se encontra empoleirada tranquilamente no tecto duma casa, perscrutando o horizonte muito longínquo, em atitude divertida e desligada do mundo. Este documento, embora pouco “ortodoxo”, parece-me o mais revelador da personalidade do Padre Giulio: de poucas palavras e de muita acção. Não se interessa com os contornos e lança toda a sua atenção sobre o essencial. Sonha com uma missão longínqua e sua águas de Moisés para se preparar para ela. Chega lá, mas depois acaba por ter de a viver mais na “retaguarda” do que na frente de combate. Era pessoa sempre pronta, com a mais serena disponibilidade, para prestar qualquer serviço que lhe seja pedido. E parece que lhe cabe sempre ter que remar contra a maré, mas nunca perde o seu sorriso nem a boa disposição. Não se importa consigo mesmo, razão pela qual facilmente se envolve em problemas causados pela sua generosidade sem limites. O seu ficheiro é porém magro quanto a informações: consigo ver a sua ficha pessoal, os habituais documentos essenciais, poucos certificados de estudos, breves relatórios dos seus formadores, algumas actas oficiais sobre destinações, duas cartas enviadas aos superiores por paroquianos que não querem a sua partida para outro sítio e…o postal de que falei. Por sorte, ao redigir estes apontamentos, vieram em meu auxílio as lembranças pessoais e as de outros confrades que por várias razões estiveram a seu lado, guardando recordações lindíssimas e indeléveis do Giulio. No decorrer da sua vida, o Padre G. Cesare trabalhou mais com pincéis e outras alfaias do que com a caneta. Por isso é que agora é tão difícil, senão impossível, desenhar o seu retrato no papel. Quem era afinal o Padre Giulio Cesare? Era filho de Arturo e Felicita Morello e nasceu em Moncalieri (TO) a 21 de Março de 1927. Os pais eram muito religiosos e criaram na família um ambiente propício ao aparecimento de nada menos que três vocações religiosas: o César, missionário da Consolata; um irmão, salesiano; e uma irmã, freira. O Giulio, uma vez terminada a formação básica, foi para a escola técnica dos Irmãos das Escolas Cristãs, na área das artes e ofícios. Especializou-se como gravador de metais e dedicou-se a esta arte durante dez anos. Em 20 de Outubro de 1952, com 25 anos, decidiu entrar para o Instituto e foi admitido no grupo das chamadas “vocações tardias” em Rosignano Monferrato. Uma vista de olhos aos relatórios dos formadores mete-nos em contacto com algumas expressões recorrentes que, como pinceladas, delineiam claramente a personalidade deste nosso confrade. “Dá óptimos sinais de apego à vocação, aplicação intensa aos estudos e bons resultados, de piedade profunda e sólida, caridoso, delicado com todos e respeitador, muito laborioso, orientado para as artes, especialmente a pintura”. Nas observações finais, os formadores arranjam sempre modo de ultrapassar a simples adjectivação e acrescentam: “possui óptimos dotes e promete sair-se muito bem, sendo inventivo e laborioso”. “Respeitador e de boa vontade, sem dúvida que se sairá muito bem”. “É bom elemento, com dotes morais e de rectidão verdadeiramente louváveis”. “Tem a vantagem de ser elemento de coesão no ambiente que frequenta; o seu talento artístico de qualidade superior torna-o muito elaborado”. Outro formador exprime-se de maneira mais prosaica mas igualmente eficaz: “É um homem feito, que poderia até dar notas a todos nós”. A sua missão Depois de ter completado o seu currículo de formação básica passando por Rosignano, Certosa e Turim, foi ordenado sacerdote a 7 de Abril de 1962 por Dom Carlo Re, IMC. A sua primeira destinação foi para o Seminário de Varallo Sesia como prefeito dos alunos do secundário. Dois anos mais tarde conseguiu a suspirada destinação ao Quénia, para a Diocese de Meru. Numa das actualizações periódicas do ficheiro biográfico, o Padre Giulio aparece como “secretário da cúria”. Mas quem teve modo de o seguir de perto durante a estadia no Quénia sabe que tal expressão era um eufemismo que em muito atenua o papel e o serviço que cumpriu na “Bishop’s House” (Casa Episcopal), junto de Dom Lorenzo Bessone. Era um secretário faz-tudo, mas acima de tudo era uma pessoa sempre atenta aos missionários, às Irmãs ou aos leigos que chegassem ali para resolver qualquer assunto. As anedotas daqueles tempos que se referem à disponibilidade e à generosidade do Padre Giulio são muitíssimas: dois ou três compromissos tomados ao mesmo tempo; o seu “é para já”, que se alargava para semanas e meses pela simples razão de que os seus dias só tinham 24 horas; os seus sorrisos de resposta a quem se queixava por o seu despacho ainda não estar pronto, ou então porque os seus documentos continuavam mortos sobre a mesa de trabalho debaixo de montes de papéis. Não é possível esquecer aquelas alturas em que a paciência de um ou outro chegava ao limite e ele, o Giulio, conseguia desarmar tudo com o seu clássico convite: “vamos tomar um café!”. Ou então… quando voltava sorridente do correio com a chave da caixa amarrada a um enorme anel. Era um estratagema inventado por um leigo missionário americano face aos seus repetidos extravios da chave da caixa do correio! Outro talento seu que se tornou bastante precioso tanto no contexto missionário como no contexto da animação missionária foi o seu génio artístico e o seu gosto pela arte e pela beleza. Não têm conto as igrejas e as capelas que projectou, os jogos de cores, os quadros e os painéis que pintou para exposições em cima da hora privando-se do sono, as consultas “artísticas” que dava aos missionários sobre qualquer assunto. Se as suas capacidades técnicas e artísticas o levaram a realizar inúmeras actividades a favor dos missionários, não devemos esquecer o precioso serviço pastoral que prestou às comunidades religiosas e às escolas. Não teve a possibilidade de aprender a língua local, mas os seus empenhos e os seus serviços pastorais não sofreram muito com isso. O regresso à Itália O Padre Giulio foi chamado para a Itália em 1970. Foi um dos primeiros missionários a quem se aplicou a norma da substituição, que amadurecera no Capítulo Geral de 1969, exigindo-lhe assim um regresso prematuro à pátria. O P. Giulio sofreu imensamente com isso, mas nem sequer lhe passou pela cabeça agir de modo diferente. Escreveu uma carta ao Vice-Superior Geral em 1 de Julho de 1970 a dizer-lhe, em estilo breve e desembaraçado, que aderia plenamente às decisões dos superiores, nestes termos: Caro Padre Motter, Recebi a “condenação” e agora preciso de saber qual a data da “execução”. Ficar-lhe-ia grato se me pudesse dizer qual é a data limite até que posso ficar aqui. Só para concluir os muitos, e muitos compromissos que há muito estão prometidos e nunca puderam ter cumprimento…Se me dá licença, creio poder avançar com a data da segunda metade de Setembro. Acha que serve? […]. Em Cristo, P. Giulio C. Esperava por ele em Turim o Seminário Teológico. Ali iria passar seis anos, sempre como ajudante no campo da formação. Só temos uma carta datada deste período, carta essa que endereçou ao Superior Geral e ao Superior Regional, e na qual apresenta as razões que o movem a pedir para ser exonerado do cargo de formador para poder consertar a saúde. Escreveu, além do mais: «As condições ambientais do mundo e do Instituto têm sido difíceis: os contrastes ideológicos e os problemas derivados foram para mim uma dura provação durante a qual o Senhor me acompanhou…Procurei contribuir para o bem do Instituto com todas as forças, aceitando o teste e enfrentando as batalhas que me pareciam surgir do dever da fidelidade». Mas só no ano seguinte é que o Padre Giulio conseguiria terminar o seu serviço no campo da formação. Em 1976 foi nomeado superior e, a seguir, ecónomo da Casa de Alpignano. Depois cumpriu a missão de pároco, primeiro em Alpignano e depois na paróquia Regina delle Missioni em Turim. Depois duma permanência de três anos em Gambettola, foi destinado, em Novembro de 1998 para Alpignano de forma definitiva. No começo do ano 2006 apanhou uma doença grave que em poucos meses o levou à morte. O Padre Guilio Cesare faleceu na enfermaria de Alpignano a 17 de Novembro de 2006 com 79 anos, fraternamente assistido pelo Padre Genta, seu colega de trabalho missionário no Meru. O funeral celebrou-se na Igreja paroquial de S. Martinho em Alpignano, onde fora pároco durante seis anos. Presidiu à Eucaristia o seu irmão e sacerdote salesiano. Durante a homilia, tomaram a palavra os representantes da Câmara Municipal, da paróquia e de vários movimentos, de entre os quais, o “Rinascita” e a “Equipe Nôtre Dame” de que o Padre Giulio fora animador assíduo. Os seus restos mortais repousam no cemitério de Alpignano. P. Pietro Trabucco, imc
|
|
| Última Atualização ( 15 de Maio de 2007 ) |
| Quem são... |
| Santidade |
| Boletim Oficial |
| Documentaçâo |
| Nossas revistas |