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V Domingo da Páscoa PDF Imprimir E-mail
Por Pe. Patrick Silva, imc   
06 de May de 2007
ImageNeste quinto domingo da Páscoa somos convidados a ler a escutar um pequeno evangelho, mas de grandes conseqüências para a nossa vida. Diz o ditado popular que “os homens (e as mulheres também) não se medem aos palmos.” Pois bem, este evangelho apesar de curto vai deixar marcas em nós. O episódio ainda deve estar fresco na nossa memória, somos convidados a regressar aos dias antes da Páscoa, quando Jesus revela aos seus discípulos que um o vai trair. Jesus está perturbado! A hora de Jesus está aí, ele sente no seu coração a dificuldade do gesto imenso que está para realizar. Os apóstolos olham um para o outro e procuram identificar o traidor. Na verdade, cada um deles é um pouco traidor ao seu modo. João inclina a cabeça verso Jesus e lhe pergunta sobre o traidor: “Quem é, Senhor?” Jesus molha o pão e o oferece a Judas. Judas recebe o pão e seu coração fica nas trevas. Dar pão é o sinal mais lindo de acolhida para o povo de Israel, porém, Judas vê aquele pedaço de pão, como uma ofensa. Judas sai para as trevas, mas consigo leva o pão, a eucaristia. Jesus se entrega às trevas, mas a luz “quebrará” a densa escuridão.

“Agora o Filho do Homem foi glorificado”


Jesus continua, exagera: agora fui glorificado! Agora que Judas está indo para traí-lo, agora que o seu coração está tenebroso e hostil, Deus poderá manifestar quanto o ama. Na traição de Judas vemos a medida do amor de Jesus: Judas perdeu-se, mas o Senhor não veio para salvar o que estava perdido? (Mt 19,11; Lc 19,10) Com Judas, Jesus poderá demonstrar qual é a medida do amor de Deus, que é a ausência de medida! Pois não tem limites! Cada pessoa que toma consciência de si coloca-se a pergunta: estou perdido ou salvo? Jesus responde: “estás perdido e salvo”. Os apóstolos não entendem, aliás, como não entenderam o gesto do lava pés. Pedro, logo de seguida, dirá que está pronto para dar a vida por Jesus! Pedro pensa de ser Deus” Pobre! Jesus lhe recorda que é ele que vai dar a vida pelos seus discípulos. Um galo canta, Pedro chora, recorda os seus limites... Não deve morrer por Deus, mas morrer com Ele. Tudo o que o discípulo pode fazer é imitar o Mestre, nunca substituí-lo! (Precisamos pensar se às vezes não nos colocamos à frente do nosso Mestre, querendo ser mais que o Mestre e nos esquecemos que devemos apenas imitar nosso Mestre).

Amai-vos uns aos outros

Eu bem disse que este curto evangelho ia deixar conseqüências para vida! Aqui vão as conseqüências: “Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13, 34). Entre o episódio de Judas e o de Pedro, os outros evangelistas colocam o episódio da Última Ceia. O evangelista João salta o episódio da Última Ceia para substituí-lo com o episódio do “lava-pés”: a liturgia é falsa se não se torna serviço ao irmão e irmã mais pobre e esquecido. João entre as duas traições (a de Judas e a de Pedro) e as duas salvações (Judas salvo do mal e Pedro do falso bem) coloca o mandamento novo. Jesus nos pede de nos amarmos, mas nos amarmos do mesmo amor que ele nos amou. Não é apenas um amor de simpatia, de escolha, de esforço, de virtude. Mas com o amor que vindo de Cristo, pode encher nosso coração para depois extravasar para o coração dos outros.
Para mim, pessoalmente, resulta difícil amar pessoas antipáticas, aquelas que me querem mal, mas somente com o amor que vem de Deus, posso tentar amar para além dos sentimentos e das emoções.

A igreja não é o clube dos valentões, das consolações fáceis, daqueles que tem Jesus como hobby, mas é a “companhia” dos que foram encontrados e amados por Jesus. Portanto, tornam-se capazes de amar os outros.

RG: amor

Pelo amor devemos ser conhecidos e reconhecidos. Não pelas devoções, pelas orações, pelos gestos exteriores, não pelas organizações de solidariedade, mas pelo AMOR. O Amor é o que tem que estar no coração, é o elemento central. Um amor em equilíbrio entre as emoções e as escolhas, entre ênfase e vontade, que se torne concreto e atuante, tolerante e paciente, autêntico e acessível, que saiba manifestar-se no momento da prova e da traição.

O desafio é grande, melhor imenso, mas pela medida do nosso amor seremos conhecidos. Boa Missão e boa semana para todos.
Última Atualização ( 05 de May de 2007 )

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