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Brasil: “Bendito o que vem em nome do Senhor!” PDF Imprimir E-mail
Por p. Jaime Carlos Patias, imc   
04 de May de 2007
Bento XVI é o segundo papa a visitar o Brasil. João Paulo II esteve no país em três ocasiões: 1980, 1991 e 1997. No roteiro da visita que acontece de 9 a 13 de maio, merece destaque o encontro inter-religioso a realizar-se no dia 10, no Mosteiro de São Bento, onde o papa vai ficar hospedado durante sua permanência na capital paulista. Aproximadamente 10 representantes das religiões judaica, muçulmana e cristã estarão com Bento XVI. No mesmo dia, às 18h00 acontece um encontro com a juventude no Estádio do Pacaembu, ocasião em que os jovens falarão sobre os principais problemas enfrentados por eles no Brasil.

Dia 11, no Campo de Marte, Zona Norte da capital paulista, numa missa para os fiéis, o papa canonizará o beato Frei Galvão, primeiro santo nascido em solo brasileiro. No mesmo dia, Bento XVI fará um encontro com os bispos do Brasil na Catedral da Sé. No final da tarde segue para Aparecida, onde se hospeda no Seminário Bom Jesus para, no dia seguinte visitar a Fazenda da Esperança, em Guaratinguetá. De volta a Aparecida, o papa reza o Rosário no Santuário e se encontra com padres, religiosas, religiosos, diáconos e seminaristas.


No dia 13, na praça principal, o Pontífice reza a missa de inauguração da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, evento que se estende até o dia 31 de maio. Às 16h00, já na sala de Conferência do Santuário inaugura os trabalhos da Conferência. No final do dia, um helicóptero levará Bento XVI ao aeroporto de Guarulhos de onde a comitiva regressa a Roma.

Na reta final dos preparativos, entrevistamos dom Pedro Luiz Stringhini, 54, natural de Laranjal Paulista, SP, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, da Região Belém, e Coordenador da Secretaria Executiva da Visita do Papa. Ordenado sacerdote em 1980 e bispo em 2001, dom Pedro Luiz é também encarregado das Pastorais Sociais, Pastoral Carcerária, e representante dos bispos na Comissão Central do Seminário da Caridade.

Dom Pedro, qual a importância da visita do papa ao Brasil por ocasião da V Conferência?

A visita do papa ao Brasil tem dupla importância. Em primeiro lugar, sendo ele a dar abertura à Conferência de Aparecida, fica evidenciado o grande significado da mesma para os destinos da Igreja na América Latina e Caribe. Em segundo lugar, o papa decidiu fazer dessa oportunidade um momento de visita pastoral, permanecendo dois dias na maior cidade e maior Arquidiocese do país -São Paulo -, onde celebrará a missa de canonização do beato Frei Galvão. Será o momento do povo, do rebanho que acolhe seu pastor.

O que se espera da juventude no seu encontro com o papa?

Um grande comparecimento a esse evento singular. Do encontro, espera-se que ajude os jovens a se sentirem acolhidos e comprometidos com Jesus Cristo, com a Igreja e com um futuro de paz e justiça para a humanidade. O encontro permitirá à juventude saudar o papa e ouvir sua mensagem, que certamente será de esperança. Através da fala de alguns representantes, os jovens vão falar ao Santo Padre dos desafios pelos quais passam hoje.

De Aparecida devem sair diretrizes para a ação da Igreja nos próximos anos em nosso continente. O lugar é simbólico para os desafios da missão da Igreja?

A escolha do Brasil deveu-se à urgência da missão em nosso país, isto é, o apelo premente de evangelizar o povo, de ir encontro e acolher os irmãos afastados, de apontar saídas aos graves problemas do país. A opção pelos pobres se faz atual a fim de ajudar o povo a ter trabalho, moradia, educação. A defesa da vida ameaçada, da família fragilizada, a superação da violência, tudo isso certamente iluminará a reflexão da V Conferência. A cidade de Aparecida, santuário de Maria, lugar de peregrinação do povo, é por si mesmo lugar teológico, ambiente espiritual, terreno fértil para os frutos que a Conferência espera produzir.

“É certo que nós próprios precisamos de missionários, mas devemos dar de nossa pobreza” foi um apelo de Puebla (n. 368). Que disposição tem hoje a Igreja do continente para a missão Ad Gentes e além-fronteiras?

Temos que nos sensibilizar sempre mais em relação à missão Ad Gentes. Os Regionais do Sul da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil têm dado significativa ajuda à Igreja da Amazônia, enviando recursos materiais e humanos (padres e religiosas especialmente). Mas ainda é pouco considerando a extensão, uma vez que a Amazônia abrange um pouco mais de 50% do território nacional. Haja vista também a difícil situação social da Região.

Diante do princípio de igualdade e relação de gênero, como o senhor vê a participação da mulher na V Conferência?

Haverá presença e participação de mulheres na Conferência de Aparecida. Isso é necessário. Quando se fala na relação de gênero, além do aspecto de igualdade quanto à dignidade e direitos, é importante ressaltar também as diferenças, que complementam e enriquecem, pois a mulher tem sensibilidade e modo peculiar de enxergar a realidade, de modo que a reflexão teológica e pastoral fica sempre mais completa com a participação de ambos os gêneros.

Após reunir todas as contribuições vindas das conferências episcopais, como o senhor avalia o documento final?

O documento final traz sempre um esforço de síntese. Permanece como referência e orientação. Porém, a Conferência é sempre mais que o documento; é um momento em si que perdura como sinal de unidade e comunhão. Da mesma forma, a ação evangelizadora, missionária e pastoral extrapola os limites da Conferência. É uma ação que precisa acontecer a despeito mesmo de conclusões menos ou mais incisivas da Conferência. É importante que a contribuição provinda das comunidades seja levada em conta e ajude o documento final a ter rosto latino-americano, isto é, o rosto dos pobres a partir dos quais se reconheça o rosto de Cristo.

O fato criado com a visita do papa, com a atenção da mídia para pormenores sem importância não estaria desviando a atenção do tema central da V Conferência, "Discípulos e missionários de Jesus Cristo?"

Isso é normal, pois a mídia é destinada às massas, para as quais tais pormenores normalmente não são sem importância. São pormenores que tocam em aspectos ligados a expressões religiosas, vida familiar, costumes, modos de se relacionar, artesanato, questões ligadas ao mundo do trabalho (confecção de objetos religiosos etc). Nós falamos de pastoral e teologia; o povo fala mais de religião, dimensão esta que a Conferência deveria também considerar. A cobertura da imprensa à visita pastoral do Papa, que vai abrir a Conferência, ajudará a o povo a voltar sua atenção à Conferência após o retorno do papa a Roma.


Publicado na edição Nº 04 – Maio 2007 - Revista Missões
Última Atualização ( 03 de May de 2007 )

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