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| III Domingo de Páscoa |
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| Por Pe. Patrick Silva, imc | |
| 23 de April de 2007 | |
O terceiro domingo da Páscoa, nos volta a oferecer um episódio das aparições do Ressuscitado, estamos bem recordados que na semana passada, também tivemos um desses episódios. A primeira leitura, tirada dos Atos dos Apóstolos, nos mostra um grupo de discípulos bem diferentes daquilo que tínhamos escutado no evangelho da semana passada, onde escutamos que os discípulos estavam fechados por medo, desta vez se assumem como “testemunhas”, mas mais ainda, testemunhas destemidas, mesmo perante o sinédrio. A simples leitura do evangelho nos faz entender que estamos perante duas cenas: a primeira sendo a pesca e a segunda o diálogo entre Jesus e Pedro. A primeira parte é bastante simples de entender, Pedro toma a iniciativa de ir pescar e é seguido pelos companheiros, porém naquela noite (melhor horário para pescar) não conseguem nada. A tentativa da pescaria dura até ao amanhecer, mas o resultado é sempre o mesmo, nada vem à rede naquela noite. Perante tal frustração os discípulos se aproximam da margem e eis que são interpelados por alguém: “Moços, tendes alguma coisa para comer?” Os discípulos ignoram quem seja tal personagem, mas lhe respondem que não conseguiram pegar nada. O estranho lança-lhes um desafio: “Lançai a rede à direita da barca e achareis”. Já imagino o nosso explosivo Pedro como terá ficado! Quem é este que quer dar lições de pesca a um pescador! Será que ele não teria já tentado pegar peixe também daquele lado da barca?! Mas o estranho é que nem uma palavra de rejeição da proposta. Apenas, lançaram a rede e o extraordinário aconteceu! A rede ficou repleta de peixes. O discípulo que Jesus amava (quem será?) diz a Pedro: “É o Senhor!” Pedro rapidamente coloca suas vestes e se lança ao mar. Na verdade, não estava longe da margem. Na margem encontram o estranho, que ninguém ousa questionar sobre a sua identidade, o qual os convida a comer. Esta primeira cena do evangelho deste domingo é uma cena triste, me explico. O ir pescar de Pedro e dos companheiros, significa o fechar do parêntesis chamado Jesus. Noutras palavras, como se os discípulos quisessem esquecer aquele tempo que estiveram com Jesus, frustrados, provavelmente, por três anos perdidos atrás de alguém. No fundo, revela a enorme dificuldade destes em acreditar no Jesus Ressuscitado. Porém, Deus vem até nós quando estamos na noite mais profunda da nossa vida, nunca nos deixa abandonados, e quando tudo parece perdido ei-lo a nosso lado, mesmo que não o reconheçamos, como aconteceu com os discípulos. Convida a ousar, a lançar a rede do outro lado, a avançar para águas mais profundas conforme escutamos noutra passagem. O resultado é incrível. Quantas vezes nosso trabalho é infrutífero porque não é um trabalho com Deus, mas conta apenas comigo. Trabalhar com Deus dá mais resultado, um resultado incrível. O discípulo amado é aquele que reconhece o desconhecido que está na margem, aliás não poderia ser outro, pois o amor reconhece sempre o amado. O encontro com Jesus é estranho, poucas palavras, os discípulos sentem quase que vergonha de Jesus, sabem das suas fragilidades, sabem que estavam escapando da sua missão, como Jonas... Mas Jesus vai ao seu encontro e muda tudo. A segunda parte do evangelho é o diálogo entre Jesus e Pedro. Diálogo doloroso para Pedro, mas muito edificante. Pedro bem entende esta repetição de Jesus, uma repetição dolorosa para Pedro, lhe recordou aquele galo, aquela negação. Porém, Jesus ajuda Pedro a dar a volta por cima. Aquele “não” será agora “lavado” com amor. Não mais um “não”, mas um amor que será doação total, até ao fim, até à última gota de sangue. Depois deste diálogo, Pedro está pronto para ser o “líder” dos seus companheiros. Agora sabe dos seus limites, das suas fraquezas, por isso, saberá compreender as fraquezas também de seus companheiros, dos seus limites. Acredito que o momento fulcral deste evangelho é o momento em que Pedro se lança no mar. Este lançar-se ao mar, nos recorda aqueles episódios de gente que caiu aos pés de Jesus para serem curados. Também Pedro, quer ser curado, purificado por Jesus. A imagem aqui poderia nos recordar o batismo, pelas águas do batismo somos também nós purificados dos nossos pecados. Pedro saiu homem novo deste episódio. Também nós, só quando tivermos a coragem de nos lançarmos aos pés de Jesus poderemos ser pessoas novas. Termino com a pergunta que Jesus fez a Pedro: “tu me amas?” A resposta a cada um de nós. |
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| Última Atualização ( 23 de April de 2007 ) |
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