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P. Giovanni Berté PDF Imprimir E-mail
Por Consolata.org   
06 de March de 2006

1937-2005

Era filho de Guido e Maria Zeni e nasceu em Prada di Brentonico (TN) a 5.3.1937. Entrou para o Instituto em 1956 e professou em 1957. Em 1963 foi ordenado sacerdote e nos três anos seguintes estudou Business Administration em Pittsburgh, nos Estados Unidos. Em 1966 foi destinado ao Quénia, onde trabalhou na missão de Laisamis, diocese de Marsabit.
Em 1971 foi destinado à África do Sul. O padre Berté tinha então 34 anos e, juntamente com o padre Giovanni Viscardi, abriu um novo campo de missão em Kwa-Zulu, Natal, que hoje constitui a diocese de Dundee. Aqui, logo se revelou o seu grande zelo missionário tal como as suas capacidades de organização, passando assim em breve de coadjutor do pároco de Piet Retief (’71 a ’72) a pároco de Ermelo (’79 a ’84), de Dundee, a seguir (’85-’96). Entre 1996 e 1999 ocupou o posto de superior delegado dos nossos missionários da África do Sul, tendo voltado a ser pároco, desta vez em Newcastle de 2001 a 2004.
Também foi vigário geral e administrador da Prefeitura de Wolskrust durante mais de 20 anos – prefeitura que depois passaria a ser a Diocese de Dundee. Nesta função visitava sistematicamente as forças pastorais para dar as suas sugestões e fazer animação. Como era por natureza inclinado para construções, favoreceu e ajudou na edificação de igrejas, escolas, asilos e obras de caridade em muitas paróquias, com grande envolvimento pessoal. Uma das suas primeiras edificações foi o Centro Pastoral de Damesfontein dos Missionários da Consolata e, a menina dos seus olhos, o Centro Pastoral Diocesano, onde se realizam cursos de formação para os agentes pastorais da diocese.
A formação de líderes, tal como a visita às famílias e a criação de grupos de oração e pequenas comunidades, foram exactamente as grandes referências da missão do padre Berté. O seu carácter bonacheirão, enriquecido com o dom do acolhimento atencioso, tornou-o amigo de todos.
O padre Giovanni viveu para a missão e trabalhou para a missão durante toda a sua vida, sem reservas, até que a sua saúde se foi deteriorando, tendo que voltar para a Itália em 2003. Em Setembro de 2004, depois de longa estadia na Casa Mãe, retirou-se definitivamente para Alpignano devido a um grave esgotamento, mas sempre atormentado pela ideia de voltar a Dundee.
Foi assistido pelo padre Genta e por todo o pessoal da enfermaria com grande paciência. A 5 de Janeiro de 2005, depois do pequeno almoço, começou a sentir problemas respiratórios e cardíacos, vindo a falecer logo depois de o padre Genta lhe ter administrado o Sacramento dos Doentes.
Pelas 15:30 de Sexta-feira, dia 7 de Janeiro de 2005, foi celebrada a missa de exéquias, a cuja concelebração presidiu o padre Franco Gioda, superior regional, que leu a mensagem de pêsames enviada pelos confrades da África do Sul. Também deram o seu testemunho os padres G. Giovanetti e F. Discepoli.
No dia seguinte, o corpo foi transportado para Prada de Brentonico onde, depois da celebração da Santa Missa e cumprido o ritual da despedida, ficou sepultado.
A Redacção de “Da Casa Madre”


TESTEMUNHOS

A 16 de Outubro de 1975, o padre Giuseppe Rinaudo e eu chegávamos ao aeroporto de Joanesburgo (RAS) e, a receber-nos estava um padre de baixa estatura, de pele queimada pelo sol, com ar festivo. Era o padre Giovanni Berté. “É um irmão nosso cheio de missão!”, dissemos entre nós. E tivemos ocasião de ver confirmada essa opinião nos anos seguintes. De facto, ele “fazia-se irmão” de cada um logo no primeiro encontro.
Era hábito seu fazer a apresentação dos recém-chegados às comunidades e aos ambientes em que iriam exercer o seu ministério. Nessa volta que fazia dar, nem sequer faltava o encontro com o Bispo e com os outros sacerdotes ao serviço da diocese de Dundee.
Pessoalmente, logo me senti bem acolhido por todos e numa família. O padre Giovanni demonstrava a sua atenção fraterna e atenciosa através de visitas frequentes, um pequeno presente, interessando-se pela saúde física e espiritual, do nosso progresso no estudo das línguas, da integração na comunidade dos missionários ou na pastoral.
Durante a viagem de Joanesburgo para Ermelo (que era a sede do Superior Delegado, ou seja, dele mesmo), falou-nos sobretudo dos Padres, do trabalho pastoral, dos projectos de evangelização, da necessidade das línguas e do conhecimento das culturas. Uma recepção realmente cativante! «A evangelização na África do Sul – repetia várias vezes – assenta em três pontos: a visita às famílias, a todas as famílias; os encontros de oração com agenda fixa; a formação de líderes (animadores, ou guias)» que deveriam depois tornar-se animadores da oração dominical na ausência do padre e futuros responsáveis dessas mesmas comunidades. «Os líderes… temos que os formar, porque são eles as pessoas mais adequadas para evangelizar a sua gente», insistia ele com convicção.
A sua personalidade animada pela missão foi valorizada pelo Prefeito Apostólico de Wolskrust e depois pelo Bispo de Dundee, quando a Prefeitura foi elevada a Diocese. Tanto o Prefeito Apostólico como o novo Bispo pediram aos Missionários da Consolata que lhes cedessem o padre Berté como Vigário Geral. Pois foi esse o ministério que exerceu até que a saúde lho permitiu.
Como Vigário Geral, uma das primeiras realizações que cumpriu foi o Centro Pastoral de Damesfontein. Os primeiros cursos de formação para leigos, para os quais foram convidados também os padres, no intuito de salvaguardar a unidade de intentos e métodos entre as várias forças pastorais, tiveram início em 1976.
O padre Giovanni tinha talento para a construção: creio que nestes últimos 30 anos não há igreja, escola, asilo ou casa de missionários e missionárias em que não tenha estado pessoalmente envolvido. Mas também tinha consciência dos seus limites, já que não tinha vergonha de afirmar que não possuía o dom das línguas. O seu espírito missionário não ficou abatido com essa limitação; pelo contrário, chegou a valorizar tais limitações. Como? Fazendo apostolado em missões onde a língua dominante era o inglês e, por ordem do Bispo, haveria de estar em visita permanente a todas as forças pastorais para lhes dar sugestões, conselhos e coragem.
De entre as suas muitas iniciativas recordo especialmente três, em virtude dos abundantes resultados que produziram: o Grupo de São Judas Tadeu para homens, com o intuito de os ajudar a aprofundar a fé e recuperar os que se afastavam da Igreja – o que também era uma estratégia para entrar nas famílias que dificilmente poderia ter abordado de outra maneira. Este grupo, que começou em 1974, ainda se encontra em actividade e é muito útil à evangelização.
Logo desde o início, o padre Giovanni notou que nas locations havia muitas mulheres que eram mães, uma chaga específica das leis da separação racial. Para ir ao encontro delas, fez-se promotor da Irmandade das “Mulheres do Sagrado Coração”. O entusiasmo inicial foi tal que esta irmandade é hoje uma das realidades mais dinâmicas da Diocese. Na última missão do seu ministério, que foi Newcastle, o padre Giovanni fundou uma Escola Bíblica que ele próprio dirigiu durante dois anos, com reuniões muito frequentes entre católicos e protestantes.
O coração do padre Giovanni era muito sensível, especialmente quanto às necessidades das crianças órfãs e dos idosos abandonados. Assim, foi sob a sua direcção que surgiu o Orfanato e a Casa dos Idosos. E nos anos ’90 teve outro sonho: o de ajudar missionários e leigos mediante cursos de formação contínua. A sua convicção era tão forte que o Bispo aceitou a proposta que deu origem ao Centro Pastoral Diocesano, hoje admirado e invejado pelas outras dioceses da África do Sul. O padre Giovanni viveu para a missão e para a missão trabalhou toda a vida, sem reservas, até que a sua saúde soçobrou, acabando ele por abandonar a África do Sul. Voltou para a Itália em 2003 com a esperança de se refazer, mas a doença era já irreversível. Deixou-nos no dia 5 de Janeiro de 2005.
P. Francesco Discepoli



Homilia de Mons. Michael Rowland, Bispo de Dundee, na missa de sufrágio pelo padre Giovanni Berté
Estamos reunidos para comemorar a morte de um nosso irmão com quem convivemos intimamente e que amávamos. Quando Giovanni deixou a África do Sul para tratamento na Itália, nunca esperáramos que viesse a deixar este vale de lágrimas tão rapidamente e que não mais o veríamos.
Ele amava as montanhas e dizia que se reformaria lá nos píncaros da sua Prada. E foi lá que foi sepultado, sabendo nós que teria sido aquele o lugar que teria escolhido.
Antes de vir para a África do Sul, ele trabalhara durante alguns anos no Norte do Quénia entre os Samburu e outras populações daquela zona. Foi de lá que veio para a África do Sul com o padre Jack Viscardi em acto de obediência. Foram eles a vanguarda do IMC quando veio trabalhar na prefeitura de Volskrust, no início, e na Diocese de Dundee, mais tarde.
Vivemos juntos alguns anos em Ermelo. E sentimo-nos bem juntos. Depois eu tive de me transferir para outros lugares e o John ficou em Ermelo por muito mais anos ainda. Quando me fizeram Vigário da prefeitura, ele começou a trabalhar no programa de construção das obras diocesanas.
Sentia-se “missionário” antes de mais; de forma que a primeira coisa que realizou foi a escola que eu próprio tinha começado em Damesfontein. Depois trabalhou arduamente para erigir o centro catequético para a preparação de líderes leigos. De facto, ele defendia com convicção a ideia de que, enquanto missionários, devíamos antes de mais formar catequistas e líderes em todas as missões e paróquias da prefeitura.
Mais tarde, quando se erigiu a Diocese, consegui fazer com que o John se juntasse a mim em Dundee como Vigário Geral. Tínhamos um projecto em comum: o de construir um centro pastoral. Devagarinho, foi-se tornando realidade. Era o sonho do John. Acima de tudo, ele quis que esta capela fosse um presente da Consolata ao centro pastoral. Eis porque é muito apropriado o nosso encontro de hoje nesta capela.
Não há paróquia ou missão da nossa Diocese em que o padre Giovanni não tenha a marca da sua mão. Interessou-se pela construção de todos os edifícios que erguemos nos passados 21 anos. Desde Pomeroy a Mhlumayo, a Besters a Evander Secunda…a sua mão esteve presente em toda a parte.
Estes edifícios ficarão como um monumento maravilhoso a um padre que trabalhou intensamente, e talvez até demais, para fazer crescer a Igreja e expandir a fé nesta Diocese. Agradecemos-lhe pelo trabalho que fez.
Tão logo foi nomeado Vigário Geral, veio ele dizer-me: «nós não temos nada nesta diocese (os cofres andavam vazios). Você deve ir à América recolher fundos, e eu tratarei dos problemas daqui». Assim sucedeu e ele trabalhou muito bem.
Permiti que o recorde pela grande obra feita, pelo seu amor aos Missionários da Consolata, pelas suas contínuas referências ao Beato José Allamano e pelo seu amor sincero por esta Diocese. Para que o trabalho de evangelização desse fruto, procurou canalizar todos os esforços pastorais da Diocese para a formação de catequistas.
Eu tenho a certeza de que Deus lhe deu as boas vindas à Sua eterna mansão nos píncaros da montanha: sobre aquela montanha de Deus onde se serve comida e bom vinho e onde o John estará provavelmente a ajudar a consertar os batentes dos portões do paraíso e estará já a pôr Deus e São José ao corrente dos edifícios que precisam de reparações.
E nós… nós rezamos pelos Missionários da Consolata e pela família do John, na Itália, que sempre esteve envolvida na sua missão e contribuiu para os seus projectos a favor da Diocese. Para eles vão os nossos pêsames e orações para que Deus os possa consolar.

Palavras de encerramento do padre José Luís Ponce de León, superior delegado
É meu desejo agradecer ao Senhor Bispo por nos ter reunido aqui e por permitir aos Missionários da Consolata recordar o padre John com toda a Diocese.
O John saiu do Quénia e veio para a África do Sul, que amou de todo o coração. Passou 32 anos neste país e sempre aqui, na prefeitura de Volskrust, que hoje é a Diocese de Dundee. E embora gostasse de ir para a Itália e viver no meio das suas montanhas, nas férias ele nunca deixava de pensar e falar da África do Sul.
Havia já uns anos que não se sentia bem e, enquanto esteve na Itália, nós e o Senhor Bispo exortámo-lo a prolongar as suas férias para que pudesse restabelecer a saúde, mas não conseguimos! O John tinha um bilhete de ida e volta e tinha planeado voltar o mais depressa possível. Mesmo que estivesse na Itália para descansar, continuava a pensar no que tinha em projecto aqui para a África do Sul.
Ele revelou o seu amor pela África Meridional também de outra maneira. Cada país tem as suas diferenças e situações específicas. Pois bem: nas reuniões internacionais em que o John participou na qualidade de superior delegado, sempre defendeu a nossa presença na África do Sul, procurando explicar a nossa situação muito específica. Era assim que ele exprimia o seu amor por este país e principalmente pela Diocese de Dundee.
Falava do Fundador com gosto e insistia frequentemente nas palavras de José Allamano, para quem “nós devemos ser um presente para a Igreja local”. Seja como for, ele viveu esta tensão entre ser Missionário da Consolata e estar plenamente ao serviço da Diocese. Foi uma tensão que ele experimentou mesmo em relação a nós, quando não compreendíamos certas ideias suas, ao passo que ele se sentia empenhado na realização de projectos orientados para o crescimento e para o desenvolvimento desta Diocese.
Era um verdadeiro pastor: podíamos chamá-lo em qualquer altura para lhe dizer que um dos nossos paroquianos tinha sido internado no hospital de Newcastle e ele ia logo vê-lo, tomando a peito a situação. Era a sua maneira de partilhar a consolação de Deus.
Quando nos chegou a notícia da sua morte, lembrei-me do que o John dissera: “Rezem um terço a Nossa Senhora por mim e eu rezarei outro por vocês”. E assim fiz: rezei por ele tal como ele certamente reza por nós.

Fundador

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Biênio de Reflexão

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