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| V Domingo da Quaresma |
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| Por Pe. Patrick Silva, imc | |
| 23 de March de 2007 | |
http://centromissionario.org.brCaminhada quase terminada… Estamos já celebrando o quinto domingo desta Quaresma, ou seja, nossa caminhada está quase no final, no próximo domingo entramos na semana mais importante da nossa fé, o percurso que nos há-de levar a Jerusalém, onde acontecerão os eventos centrais da nossa fé. O evangelho deste domingo, de certa forma, segue as pisadas da semana passada. No domingo anterior descobrimos um Pai disposto a tudo perdoar e acolher de volta à sua casa. Esta semana, temos um novo episódio centrado sobre o perdão de Deus. Vejamos… Coloquemos nosso texto de hoje no seu devido contexto, para melhor entendermos o que nos quer dizer. No capítulo 7 do evangelho de João assistimos a uma discussão(Jo 7, 37-52), no final dessa discussão todos regressam a suas casas (Jo 7,53). Jesus não tendo uma casa em Jerusalém, vai para o monte das Oliveiras (Jo 8, 1), onde, provavelmente, passa noite em oração, de madrugada vai para o templo. A multidão se aproxima dela para o escutar. Interessante ver como Jesus atraía as multidões, pois logo cedo já estavam lá para o escutar. Porém, as autoridades religiosas da época se sentem incomodadas com esta situação e procuravam eliminar Jesus (quando alguém se torna incomodo, é melhor fazê-lo desaparecer, ainda hoje isto acontece). Assim, com a intenção de encontrar um pretexto para o “eliminar”, trazem a Jesus uma surpreendida em adultério (logo a pergunta que não quer calar, estava sozinha? Onde está o homem?). Colocam a mulher no meio e informam Jesus, de que esta tinha sido apanhada em flagrante adultério, mas mais informam a Jesus de que a lei de Moisés mandava apedrejar tais mulheres (Lev 20, 10; Det 22,22-24). “Que dizes tu?” (Jo 8, 5). A pergunta na verdade é uma armadinha. Se Jesus respondesse: “aplicai a lei”, eles teriam dito: “não é assim tão bonzinho como parece, já que manda que se apedreje uma mulher!”; por outro lado, de respondesse “não a matem”, eles tiram dito: “vejam como ele não cumpre a lei de Moisés!”. Sob a aparência da obediência e fidelidade a Deus, as leis são manipuladas e se servem de uma mulher para poderem pegar Jesus nalgum tropeço. Reação de Jesus A reação de Jesus à armadilha é surpreendente. Jesus se mantem calmo e escreve com o dedo no chão. Muitos se interrogaram sobre o que é que Jesus escreveu. Assim, alguns disseram que Jesus escreveu os pecados daqueles que estavam trazendo aquela mulher. Outros, pensam que este gesto demonstra que Jesus controla totalmente a situação, está acima da situação e não faz caso das falsas acusações. O gesto pode ainda ter um outro significado simbólico: as palavras escritas no chão, sabemos que duram pouco aí, pois o vento, a chuva acabam por as fazer desaparecer rapidamente. Assim, este gesto poderia significar que Jesus queria dizer que o pecado que estão acusando a mulher, é como as palavras que ele escreveu no chão, já desapareceram. Pois, Deus já lhe perdou o pecado de que a acusam. Insistência e nova reação Perante a calma de Jesus, os acusadores começam a ficar nervosos e insistem com Jesus. Só então Jesus lhes lança o desafio: “Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra” (Jo 8, 7). E de novo voltou a escrever no chão… recusando-se a entrar na discussão estéril e inútil em volta da lei, quando, na realidade o problema era outro. Jesus muda o centro da discussão. Em vez de usar da lei para condenar a mulher, convida os seus adversários a se esaminar à luz da mesma lei. Jesus não discute a lei. Discute e condena a atitude má de quem manipula as pessoas e a lei para defender os interesses que são contrários a Deus, autor da lei. Concluíndo o episódio A resposta de Jesus desarma os adversários. Os fariseus e os escribas envergonhados acabam saindo de cena. Acaba acontecendo o contrário daquilo que eles esperavam. A pessoa condenada pela lei não era a mulher, mas eles mesmos que pensavam ser fiéis à lei. Então Jesus fica sozinho com a mulher, Jesus se levanta e pergunta à mulher: “Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou?” (Jo 8,10). Ela responde que ninguém a condenara. Então Jesus lhe fala: “Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar.” (Jo 8, 11). Jesus não permite a ninguém usar a lei de Deus para condenar um irmão ou uma irmã, quando ele ou ela são também pecadores. Como encontramos no evangelho de Lucas: “como podes dizer a teu irmão: Deixa-me, irmão, tirar de teu olho o argueiro, quando tu não vês a trave no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e depois enxergarás para tirar o argueiro do olho de teu irmão” (Lc 6, 42). Entendendo o evangelho Deus não nos pune, não fizemos nada de mal de modo que o Senhor nos mande uma doença ou algo de grave contra nós. Quase sempre na origem da nossa dor estamos nós mesmos, as nossas fraquezas, as nossas escolhas erradas. Deus não é um concorrente à nossa felicidade, Ele não tem nada “contra” nós. Não precisamos de nos afaster dele para nos realizarmos pessoalmente. Deus não é um pai/patrão que devemos amenizar com muitas devoções e muitas orações, Deus é um pai que nos espera, que nos respeita, que nos deixa fazer caminhos e experiências na vida, esperando sempre de não nos perder. Deus é um pai bom, que dá o pão ao filho que lho pede, que faz chover sobre justos e maus. Esta é a conclusão deste evangelho. Boa semana a todos, não esqueças que é a última semana de Quaresma. Estás pronto para receber Jesus na Páscoa? |
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| Última Atualização ( 23 de March de 2007 ) |
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