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IV Domingo da Quaresma PDF Imprimir E-mail
Por Pe. Patrick Silva, imc   
17 de March de 2007
http://centromissionario.org.br
O evangelho de hoje é de tal maneira rico, que deixo de lado as outras leituras deste domingo, para me concentrar no evangelho que somos convidados a escutar neste IV domingo da Quaresma.

O evangelho começa com uma constatação e uma critica a Jesus: os publicanos e pecadores vêm até Jesus para o escutar; enquanto que os fariseus e mestres da lei se sentem incomodados por esta atitude. Esta situação dá a oportunidade a Jesus de lhes contar uma parábola. A bem conhecida parábola do Filho Pródigo, ou melhor mesmo, a parábola do Pai Misericordioso.

Entendendo a parábola...
Para melhor entender a parábola, vou dividi-la em três cenas, como se fosse um filme, dividido em três cenas principais.

Primeira cena: Partida
Um homem tem dois filhos, o mais jovem quer a parte da herança. Em todas as culturas pedir a própria parte da herança, significa dizer ao pai: “Pai, não posso esperar que tu morras, dá-me agora a minha parte!”. Tal equivale a dizer: Pai, para mim já estás morto. O filho mais novo parte. Os primeiros tempos devem ter sido de grande alegria, dizem que quando se tem dinheiro, amigos não faltam, porém, a herança chega ao fim e tudo se muda. A herança se esgota, o jovem fica sozinho, agora não tem mais direitos, nem mesmo de se alimentar da comida dos porcos. Perdeu a sua identidade, a sua dignidade.

Mudança de cena:
A situação não poderia continuar, o jovem pensa na sua situação, vê que não pode permanecer daquele jeito. As palavras que Lucas coloca na boca do jovem são esclarecedoras do arrependimento daquele Filho: “Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados.” (Lc 15, 18-19). Ele já nem quer ser tratado como filho, um empregado do pai já lhe parece suficiente.

Segunda cena: Regresso
Após “ter caído em si”, o jovem decide de regressar à casa do Pai. Penso no receio que acompanharia este jovem no regresso; penso na vergonha de encontrar aquele que ele desejara morto; penso nas criticas que o irmão e os empregados iriam fazer ao vê-lo regressar; mas, penso também na sua coragem, apesar de tudo, ele teve coragem de mudar a situação em que se encontrava. Quantas vezes estamos caídos, abatidos, mas nos falta a coragem de “cair em nós mesmos”.

Mudança de cena:
O filho se aproxima, mas ainda está longe, o pai o avista e lhe corre ao encontro, o abraço, o beija. Espera um pouco!! O que está acontecendo? O pai é que corre ao encontro? Ao encontro daquele que o desejara morto? Que pai é este? Estranho não é? Eu pensava que este pai iria mandar os empregados dizer a este filho que não era bem vindo, que pai estranho este. Não critica, não acusa, não aponta o dedo, mas ao contrário, corre ao encontro, abraço, beija, se alegra, dá as boas vindas. Mas não fica por aqui, se apressa a devolver a dignidade de filho àquele que estava regressando. Espera um pouco de novo!! Mas o filho não queria ser apenas um empregado, não foi isso que o bonito discurso do filho pedia? “Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.” (Lc 19, 21) Pois é, mas o pai não quis saber disso. Devolveu-lhe de imediato a sua dignidade: túnica, anel, sandálias. Culminando com uma festa de regresso. Até parece que este filho tinha feito alguma coisa de grande!!!

Terceira cena: o estar do filho mais velho
Depois de mais um dia de trabalho na fazenda do pai, o filho mais velho regressa a casa, ao se aproximar da casa, escuta a música e vê a festa. Aquele filho cansado do dia de trabalho, ficou sem entender o que se passava na sua casa, perguntou a um empregado, que o informa do acontecido: o irmão mais novo tinha regressado a casa. Já estou imaginando a raiva que começou a apoderar-se dele. Ele não poderia partilhar dessa festa, afinal aquele irmão, gastara tudo com prostitutas (como é fácil acusar). Mais, como pôde o pai dar uma festa para alguém assim, e ele que todos os anos trabalhara na fazenda nunca tivera direito a uma festa! Não dá mesmo par entender.

Mudança de cena:
O pai não entende a atitude do filho mais velho, não entende porque ele não se alegra com o irmão mais novo que “estava morto e agora vive, estava perdido e foi encontrado”. As acusações ao irmão devem ter continuado, ele deve ter discutido com o pai, se entrou ou não em casa jamais o saberemos. Lucas nos deixa um evangelho aberto a várias interpretações.

Significado da parábola
Lucas é o evangelista que mais ama mostrar a misericórdia de Deus. Na verdade, a parábola quer mostrar este pai misericordioso, sempre pronto a acolher. Esta parábola começa com a constatação de que os publicanos e pecadores se aproximam de Jesus para o escutar, ou seja, eles são o filho mais novo, enquanto que os fariseus e mestres da lei são o filho mais velho, vivem na casa do pai, mas não como filhos, mas como escravos, incapazes de ver que o que é do pai também é deles. A parábola convida a que cada um de nós se identifique com um destes dois filhos. O pai, que é Deus, mostra a sua misericórdia sem limites, um pai sempre pronto a acolher, a receber, um pai que não acusa, não aponta dedos, um pai que quer fazer festa com o filho que regressa a sua casa. Os dois filhos mostram ter atitudes contrárias. O mais novo reconhece a sua miséria e a sua culpa, e regressa à casa do pai dizendo: “Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados.” (Lc 15,18-19.21). Enquanto que o mais velho, mostra uma atitude de arrogância, não só em relação ao irmão, mas também em relação ao pai! Ao ponto, de o criticar pela atitude tomada. Não consegue aceitar a ternura do pai. O pai toma a mesma atitude para com os dois filhos, se no caso do filho mais novo saiu de casa e foi ao seu encontro, também com o filho mais velho faz a mesma coisa, ao saber que não queria entrar, saiu de casa e foi ao seu encontro. É um Deus igual para todos. Esta é a imagem de um Deus Pai que nos convida à conversão, a voltar à sua casa: “volta, Israel, rebelde - oráculo do Senhor; não te mostrarei mais um semblante enfurecido, pois que sou benigno - oráculo do Senhor; não guardo rancor eterno. Reconhece apenas a tua falta; foste infiel ao Senhor, teu Deus; vagaste à procura de (deuses) estrangeiros sob todas as árvores verdejantes; não escutaste minha voz - oráculo do Senhor. Voltai, filhos rebeldes - oráculo do Senhor -, pois que sou vosso Senhor. Eu vos tomarei, um de cada cidade e dois de cada família e vos reconduzirei a Sião.” (Jeremias 3,12-14).

Quaresma é tempo dos “c”:
- Caminho: os quarenta dias da quaresma, nos remetem aos dias que Jesus passou no deserto, que por sua vez nos remetem aos 40 anos que o povo de Deus caminhou rumo à liberdade. A vida é caminho. A quaresma nos recorda que somos caminhantes. Com tudo o que isso implica: movimento, desprendimento, não nos convém um equipamento pesado, tem paisagens tranqüilas e outras rudes... Somos caminhantes.
- Conversão: é tempo de voltar à casa do pai. De “cair em nós mesmos”, reconhecer nossa miséria e voltar para a cada do Pai, que deseja nos devolver a dignidade de filhos.
- Coração: em nossa cultura, o coração é símbolo do amor. O amor continua sendo a nota mais dominante. Como dizia Agostinho: “Ama e faz o que queres!”
- Cristo: é ele o centro da quaresma e da nossa fé. Caminhar com ele, voltar a ele, colocar nele o nosso coração.

BOA CAMINHADA
Última Atualização ( 17 de March de 2007 )

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