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| Brasil: A mulher negra na sociedade |
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| Por Eunice Rodrigues Barbosa | |
| 08 de March de 2007 | |
Dia 8 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Bom momento para uma reflexão sobre sua situação na sociedade. O racismo, a despeito das leis antidiscriminatórias e da norma politicamente correta da inexistência do preconceito na convivência social, apenas sofreu transformações formais de expressão. Não é dito, mas pressuposto nas representações que exaltam a individualidade e a neutralidade racial do branco. O legado da escravidão é um assunto que o país não quer discutir, pois os brancos saíram desta situação com uma herança simbólica e concreta extremamente positiva, fruto da apropriação do trabalho, durante quatro séculos, de outro grupo. Por essa razão, hoje, políticas compensatórias ou de ação afirmativa são taxadas de protecionistas, para premiar a incompetência negra.
Mercado de trabalho Na década de 70, durante a ditadura militar, houve crescimento econômico no Brasil e, conseqüentemente, aumento da presença feminina no mercado. A década de 80 foi marcada pela crise econômica, a inflação e o desemprego. Acentua-se um fenômeno que ainda continua em constante elevação: a “feminilização” da pobreza e o aumento da participação da mulher no mercado de trabalho, porém, piora de sua qualidade de vida. Segundo recente pesquisa do DIEESE, as mulheres representam 50,2% da força de trabalho do Brasil e ocupam os postos com menor remuneração. Para as mulheres negras a situação é pior. Desde a escravidão o seu trabalho garantiu a subsistência das famílias afro-descendentes. Elas são precursoras do trabalho informal, labutando como quituteiras, lavadeiras, empregadas domésticas, trabalhadoras rurais etc. Os homens negros foram excluídos da possibilidade de trabalhar, com a vinda dos imigrantes europeus e posteriormente, asiáticos. Pobreza e violência As mulheres representam 51,3% da população com mais de cinco anos de idade e 50,5% dos estudantes. Cerca de 7% nunca freqüentaram escolas; 59% não passaram do ensino fundamental; 27% chegaram ao ensino médio e 6% têm alguma formação superior. Cerca de 30% deixaram de estudar devido à necessidade de trabalhar; 18% por causa de gravidez e 7% para criar os filhos e filhas. Em função do trabalho, 32% nunca freqüentaram a escola. As mulheres apresentam maior escolaridade (23,2%) do que os homens (20,1%). Porém, um maior nível de instrução não se traduz em maiores rendimentos, pelo contrário. No caso das mulheres negras, devido à dupla discriminação (gênero e raça), a situação é muito mais grave. Milhões de meninas negras enfrentam diversos preconceitos em sala de aula, pois em função do mito da “democracia racial”, predomina um racismo velado e hipócrita, produtor de impactos negativos na auto-estima e na identidade, criando uma barreira para o seu desenvolvimento. A pobreza brasileira é distribuída nos grandes cinturões concentradores de miséria regionais (Estados do Norte e Nordeste), urbanos (as periferias) e rurais (as pequenas propriedades familiares, remanescentes de quilombos, e as agriculturas de subsistências). Segundo o Censo do IBGE 2000, 32% das famílias brasileiras são chefiadas por mulheres. A mulher negra recebe menor salário e as famílias chefiadas por elas são mais vulneráveis que as outras. A violência de gênero é outro mal que funciona como instrumento de promoção de desigualdades entre homens e mulheres. É uma forma de violência que vitima principalmente as mulheres, oprimindo, subtraindo direitos e desvalorizando-as. Constitui uma violação aos direitos humanos e limita o exercício dos direitos fundamentais. No Brasil e no mundo, a violência contra a mulher atingiu uma proporção assustadora que deve ser combatida como um problema de saúde pública. Eunice Rodrigues Barbosa é assistente social da Febem, SP, da Associação de Moradores de Vila Hermínia, Freguesia do Ó. Recentemente esteve em visita ao projeto educacional Holy Ghost College em Sankera, Benue State, Nigéria. |
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| Última Atualização ( 06 de March de 2007 ) |
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