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P. Madiya Liévin Ngondo PDF Imprimir E-mail
Por Alexis Kabwansongo   
06 de Março de 2006

1968-2005

Filho de Mawele Muanu León e Tshibebula Marie José, nasceu a 10 de Outubro de 1968 em Kananga (Congo), tendo entrado no Instituto em 1993 pelo seminário de Mont-Ngafula, onde frequentou o curso de filosofia. Fez o Noviciado em Maputo (Moçambique) e professou em 1997. Foi ordenado sacerdote em 2002.
Foi destinado à Venezuela mas adoeceu ainda antes de partir. Foi transferido então para Turim e foi submetido a longo tratamento médico no hospital Koelliker, mas em vão. As suas condições de saúde deterioraram-se inexoravelmente. Consciente da sua situação, pediu para ir morrer na sua terra. Assim, foi acompanhado ao Congo pelo Irmão Domenico Bugatti. Passados poucos dias, a 13 de Março de 2005, voltou para o Pai. Tinha 36 anos de idade, 7 de profissão religiosa e 3 anos e nove meses de sacerdócio.
Era pessoa alegre e dócil, empenhada e serena, aberta ao diálogo, servindo de ponto de referência para a comunidade. Durante os anos de formação fez trabalho pastoral em várias paróquias, revelando sensibilidade social, capacidade de relacionamento com o povo e criatividade litúrgica. Em particular exerceu aquele tipo de trabalho que o levou a conhecer e a partilhar da situação dos pobres, de forma que, como deixou escrito, «É aqui que posso compreender a necessidade de me fazer pobre, simples e humilde para poder atrair as pessoas».
Os formadores acharam-no em boa sintonia com o espírito e o carisma do Instituto, capaz de se adaptar às situações e desejoso de disponibilizar a sua vida para servir os outros: por isso viram nele um bom Missionário da Consolata. Mas a doença não lhe permitiu realizar o seu sonho missionário – embora, com o oferecimento das suas dores, tenha descoberto um novo modo de ser missionário.
Pela noite do dia 13 houve uma vigília de oração. Na Segunda-feira, dia 14, pelas 9:30, houve uma missa campal de corpo presente na paróquia Mater Dei. Presidiu o padre Osório Citora, seu condiscípulo no seminário. Depois celebrou-se uma vigília nocturna muito participada.
O funeral foi na Terça-feira, dia 15, pelas 15:30, na Igreja Mater Dei. Presidiu o Vigário Geral da Diocese de Kisantu, concelebrando todos os padres do IMC, muitos religiosos e diocesanos. Também assistiu à celebração Mons. Kisonga, Bispo auxiliar de Kinshasa. A homilia ficou a cargo do Vigário. Também falou o Bispo Kisonga. O padre Stefano Camerlengo leu as mensagens vindas de Isiro, do padre Rinaldo Do, superior regional, e do p. Matthieu Kasinzi de Djibuti. Estavam presentes os pais de Liévin, muitos parentes e uma enorme multidão de gente. O corpo foi sepultado no cemitério dos Padres Sacramentinos que fica próximo da paróquia Mater Dei.
A Redacção de “Da Casa Madre”


TESTEMUNHOS

Tinha um coração missionário
Soube com tristeza da morte do meu caro Liévin. Com ele perdemos um irmão cheio de entusiasmo e zelo apostólico. Tinha um coração missionário mas, infelizmente, não teve tempo de concretizar o seu sonho missionário. No mês de Agosto de 2004, numa noite em que eu lhe fazia vigília, fez-me muitas perguntas sobre a realidade das nossas missões na Etiópia e sobre a minha experiência missionária naquele país. No final, disse-me: «Matthieu, eu não tive a sorte de ir para a Venezuela porque adoeci, coisa que muito me entristece. Mas há já alguns meses que estou a viver uma missão diferente. Sabes qual é ela?». «Não», disse-lhe eu. E, em continuação, disse: «estou a rezar por todos vós que estais em terra de missão para que sejais verdadeiros missionários e façais bem a muita gente, segundo os ditames do Beato José Allamano. Então, coragem. E confia na minha oração diária. Espero que Deus, um dia, também me deixe ir para as missões…». Entre muitas outras coisas, estas palavras de Liévin são a verdadeira “herança missionária” que nos deixou.
Quero agradecer ao Instituto por todos os meios que pôs à disposição do Liévin antes e durante a sua doença.
Adeus, Liévin, eu sei que do céu, com os anjos e os santos, com o teu coração missionário, rezas e rezarás sempre por nós que te recordamos como amigo e como irmão.
P. Matthieu Kasinzi


Recordando um amigo
Conheci o p. Liévin quando me encontrava no seminário filosófico de Mont-Ngafula, em Kinshasa. Naquela altura também ele estava a começar a sua formação teológica no seminário Giuseppe Allamano. Embora não fôssemos da mesma comunidade, encontrávamo-nos muitas vezes por ocasião das celebrações eucarísticas, retiros, festas e eventos desportivos…
Tínhamos-lhe dado a alcunha de “Tatu Mukulu”, que quer dizer “bom cavalheiro”. Nasceu entre nós dois uma bela amizade que ficou reforçada quando eu voltei do Noviciado em Moçambique e passámos quatro meses juntos na casa da Delegação em Kinshasa. Ainda estava bastante bem, embora adoecesse de quando em quando. O superior tinha-lhe confiado a pastoral de Mitendi, uma comunidade da nossa paróquia Mater Dei; algumas vezes eu próprio o acompanhei de automóvel. Entregou-se de corpo e alma a este encargo, dedicando-se com paixão especialmente à animação e formação da juventude, embora a sua saúde fosse muito precária. Uma certa noite sentiu-se tão mal que tivemos de o levar ao hospital. No dia seguinte tinha um programa de excursão fora da cidade com os rapazes e recusou-se terminantemente a desdizer esse compromisso, embora estivesse muito mal.
Foi transferido para a Itália para tratamento médico adequado. Ficámos em contacto por via telefónica e ele sentia-se optimista a respeito da sua saúde, esperando até poder trabalhar um pouco neste país. Mas a realidade era que a sua saúde ia piorando de dia para dia, de forma que, dias antes de ele voltar para o Congo, fui vê-lo em Turim.
Enquanto o ajudava a fazer as malas, o padre Liévin garantiu-me que, ao voltar ao Congo, iria recuperar-se e nos encontraríamos de novo em Kinshasa. Eu tinha-lhe dito que todas as nossas comunidades andavam a rezar pela sua saúde. E ele mostrava-se optimista e cheio de esperança. Na manhã da sua saída, antes de subir para o avião, fiquei uns instantes com ele no automóvel. Pediu-me então para agradecer à comunidade de Bravetta e a todos os que o acompanharam com as suas orações. Deu-me um abraço e disse-me: «Até à vista em Kinshasa: estuda e porta-te bem».
O padre Liévin não era apenas meu patrício: era sobretudo um “irmão mais velho”, um “Yaya”, como dizemos por lá.
Que Deus lhe dê o eterno descanso.
Alexis Kabwansongo

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