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P. Attilio Ravasi PDF Imprimir E-mail
Por P. Gianfranco Graziola   
06 de March de 2006

1937-2005

Era filho de Nazzareno e Maria Stucchi e nasceu em Bellusco (MI) a 6 de Fevereiro de 1937. Entrou para o Instituto em 1959. Professou pela primeira vez em 2 de Outubro de 1965 e foi ordenado sacerdote a 19 de Dezembro de 1970. Depois de ter passado um ano como prefeito dos rapazes em Rovereto, partiu para o Quénia, tendo lá chegado em 1972. Desde 1973 até 1980 fez pastoral na Diocese de Meru, nas missões de Kanyakine, Amu’genti, Matiri e Gatunga.
Em 1981 era formador e ecónomo no seminário de Langata. Em 1985 voltou a fazer pastoral, em Timau. Em 1990 foi chamado a trabalhar na animação missionária na Itália, na casa de Galatina. Depois, em 1995, voltou para o Quénia, trabalhando um ano em Mikinduri. Desde 1996 residia em Nanyuki e era administrador da Diocese de Marsabit.
O padre Attilio foi-se de repente. Na Terça-feira, dia 12 de Abril, começou a sentir-se menos bem. Foi para o seu quarto descansar. Por sorte estava por ali o padre Alex dos Combonianos (vigário de Marsabit). À noite, levou-o para o hospital, mas de repente a sua situação tornou-se muito grave. Na Quarta-feira, dia 13 de Abril, foi levado de avião para Nairobi. Tendo chegado pelas duas horas, já tinha chegado ao paraíso às seis. A causa da morte foi: ataque cardíaco maciço, que não notara devido à diabetes.
Na Quarta-feira de tarde, no Santuário da Consolata de Nairobi, fizeram-se as exéquias, a que presidiu o Bispo Ambrogio Ravasi, seu irmão, ladeado por Mons. Virgilio Pante e Mons. Peter Kihara. Foram numerosos os confrades e irmãs da Consolata a participar, tal como padres e religiosos de outras congregações.
O corpo foi levado para Bellusco, na Itália, que era a sua terra natal. Na Quarta-feira, dia 20 de Abril, celebrou-se solene funeral a que presidiu seu irmão, o Bispo A. Ravasi, tendo feito a homilia Mons. Silas Njiru, Bispo emérito de Meru.
A Redacção de “Da Casa Madre”

O luto de um amigo
A dolorosa notícia da inesperada morte do p. Attilio Ravasi entristeceu-nos a todos, em particular os confrades que duma maneira ou outra tinham maior intimidade com ele. É extremamente importante, em ocasiões deste tipo, recordar e renovar a nossa fé no Mistério Pascal: tal como Attilio deu a sua vida a Jesus, também o seu destino teve que ser o mesmo de Jesus: ressurreição e vida eterna.
Reconhecemos que não somos felizes, que a nossa fé é fraca. O que podemos fazer é rezar: «Senhor, aumentai a nossa fé». Temos a certeza de que o bom Deus o chamou com estas palavras: «Vem servo bom e fiel, entra no Reino dos Céus!”.
Sinto que tenho a obrigação de dar testemunho da bondade e da fidelidade que marcaram o serviço missionário do padre Attilio. E é meu dever de confrade da mesma família da Consolata, além de meu dever como amigo, e também porque devemos, com ele, dar graças a Deus que o escolheu para a vida missionária, enriquecendo o nosso Instituto e especialmente a nossa região do Quénia.
Não quero fazer um relatório pormenorizado da vida deste nosso confrade; vou só lembrar aquilo que sei e experienciei dele. Começou a fazer o seu apostolado no Meru. Pelo que sei, não teve uma destinação particularmente agradável: Gatunga, por exemplo, é mesmo ainda hoje um lugar difícil.
Não encontrou facilidade na aprendizagem da língua local, mas sabia comunicar com as pessoas com abertura e espontaneidade, de tal forma que ninguém tinha dificuldade em se aproximar dele, nem sequer os mais humildes. O seu entusiasmo, a sua incansável actividade, a sua ajuda aos pobres, logo lhe conquistaram um amor espontâneo. O seu zelo pastoral empurrava-o até aos cantos mais recônditos de Tharaka. Era de facto um bom pastor na sua dedicação generosa e na realização do nosso carisma de consolação.
Langata, a nossa casa de formação, foi para ele mais um desafio. Naqueles tempos, a actividade formativa só estava a despontar na nossa região: era quase um trabalho de pioneiros. A sua dedicação foi total… Bem recordo as centenas de cartas que escrevi aos benfeitores para pedir auxílio a favor do seminário! Depois fez um parêntesis de animação missionária na Itália. Disseram-me que estava sempre pronto e disponível para aceitar qualquer compromisso e que se podia contar com ele para qualquer responsabilidade que houvesse.
Ao voltar da Itália foi uma vez mais para o Meru, em Timau e Mikinduri. Em Mikinduri fui seu sucessor como pároco e posso assegurar-vos que não foi uma troca fácil. O facto de ele ser tão activo, zeloso e popular, obrigou-me a mexer-me para manter o ritmo e continuar o seu trabalho. Igrejas, escolas, aquedutos: nenhuma destas obras era obstáculo ao seu trabalho pastoral ou à sua maneira de estar com as pessoas, em particular os mais pobres, tanto os que formavam filas no cartório paroquial como os que encontrava pelas aldeias.
Era um operário da paz, com a sua sabedoria e a sua paciência, num ambiente estragado pela política e pelos interesses de clã. Era humilde; não gostava de aparecer, a pontos de outros missionários poderem tranquilamente enfeitar-se com as obras que ele fizera.
Depois foi mandado para Nanyuki como administrador da Diocese de Marsabit, trabalho que não era nada fácil. As necessidades duma Diocese tão grande, as viagens por aquelas longas estradas sem ligações, os problemas das várias missões, a luta quotidiana pela obtenção de fundos, ter de receber grande número de visitantes e de voluntários, o acompanhamento dos vários projectos, a carga dos hospitais… A lista poderia ser infinita… e ele lá estava sempre pronto a servir.
Por vezes confidenciava aos amigos as suas dificuldades, a falta de gratidão ou de apreço por parte de alguns… mas sem rancor. Transmitia um sentido de segurança e estava sempre pronto a oferecer a sua amizade. Os confrades que trabalharam com ele são testemunhas melhores que eu. Algumas vezes, eu próprio experimentei a sua prontidão em se sacrificar pelo bem dos outros confrades e da Região. São factos extremamente confidenciais, mas sobre os quais estou pronto a pôr a mão no fogo.
Só há uns tempos atrás me manifestou o desejo de voltar a fazer pastoral no Meru – e era um desejo forte. Mas Jesus tinha outros planos e todos nós sabemos que os Seus planos são os melhores para nós, mesmo que tenhamos necessidade de rezar para ter mais fé.
Attilio, sabemos que ainda estás connosco: reza pelos que choram a tua ida, e reza também pela nossa Região.
P. Luigi Brambilla

Um pai e um amigo
Fiquei atónito e sem palavras ao saber da morte do padre Attilio Ravasi, um homem decidido mas, ao mesmo tempo, muito compreensivo. Conheci-o nos anos ’70 em Rovereto, quando era responsável pelo nosso grupo do 2.º Ciclo. Depois de ele ter partido para o Quénia, só tive a alegria de o rever em Outubro de 1981, por ocasião da ordenação episcopal do seu irmão Ambrogio, Bispo de Marsabit.
Ao receber a notícia da sua morte, veio-me à memória a recordação daquele ano em que foi para nós um verdadeiro pai e amigo. Ainda o imagino hoje, aflito com alguém que, por força da tenra idade, tinha feito das suas. Custava-lhe imenso repreender alguém, mostrar-se carrancudo, ou dar um castigo.
A sua índole bonacheirona não encaixava com as regras, muitas vezes austeras, do seminário e, precisamente por isso, nós aproveitávamo-nos uma vez por outra, causando-lhe imensas dores de cabeça perante os restantes membros da equipa de formação do seminário.
Agora que nos deixou, fica a recordação da sua profunda espiritualidade e da sua humanidade: uma recordação que levam no coração como tesouro precioso todos aqueles que tiveram a sorte de o conhecer.
P. Gianfranco Graziola

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