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| Brasil: Muitos batizados poucos missionários |
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| Por P. Joaquim Gonçalves, imc | |
| 28 de October de 2006 | |
Precisamos de missionários com nova visão de Igreja e de mundo para sermos fiéis à Trindade. Que todo batizado é missionário, é um princípio fundamental da doutrina da Igreja. Sabemos que a Missão começa mesmo quando o batizado chega ao seu encontro pessoal com Cristo e por ele com a Trindade.Esse encontro não acontece por meio de um ritual, mas resulta de um longo processo até chegar ao amor apaixonado pelo Reino. Mesmo assim, um amor apaixonado pode estacionar num certo intimismo espiritual, alimentado por práticas religiosas. A repetição constante de que todo o cristão é missionário pode levar os batizados a pensar que para ser missionário não seria necessário o “sair e ir” mais longe, em sentido cultural, geográfico e social. Sabemos que um discurso sem prática corre o risco de cair no vazio. Talvez por causa disso a admiração pelos poucos missionários e missionárias se reveste, muitas vezes, de um certo enfeite da vida e se torna cada vez mais coisa rara. Na verdade, toda a Igreja é missionária e no seu seio a Igreja local é o sujeito fundamental da Missão em todas as dimensões e expressões, sendo essa a mais madura expressão de sua vida. Toda a água que jorra de uma fonte necessita de saídas e no seu percurso vira rio, umidade do ar, chuva que gera nova vida em lugares ermos, ou vai engrossar o oceano, se universalizando. O Concílio Vaticano II quis começar uma vida nova para a Igreja depois de um longo período de cristandade. Na cristandade se entendia a Missão como tarefa de alguns que partiam para salvar almas. Esses missionários eram apoiados por acordos entre instituições religiosas, as Igrejas e governos. Evangelização e colonização andavam normalmente de braço dado, às vezes silenciando algum “espírito mais profético” que reclamava do processo. O serviço missionário estava orientado para a exportação de um modelo de sociedade e para a implantação da Igreja. A partir do Vaticano II muitas dessas coisas começaram a mudar. As congregações religiosas, estavam mais preparadas para mudanças do que a maioria das Igrejas locais. Aos poucos a reflexão formulou uma nova teologia missionária. Hoje compreendemos melhor que a fonte da Missão é a Trindade, da qual nasce a Missão histórica da Igreja. Assim, a salvação passa a ser entendida como retorno da humanidade ao coração do Pai. Entretanto, a modernidade nos trouxe outros elementos que vieram desafiar e enriquecer a reflexão sobre o mistério da salvação: o pluralismo cultural e religioso, a globalização, a independência dos países colonizados, a maior autonomia entre ciência e fé. Este novo contexto cultural nos chama para inventar novas práticas para lidar com a dimensão religiosa: o diálogo, a inculturação, a escuta, a tolerância, a descoberta dos valores do outro, a compreensão “dos cristãos anônimos”. As novas posturas levam tempo para se incorporar em convicções duráveis, e as dificuldades encontradas para levar adiante novas práticas podem também suscitar saudade da antiga cristandade quando a Igreja parecia ser mais forte, ter mais poder de presença na sociedade e sua voz ser mais escutada. Novos missionários e missionárias Reconhecemos que precisamos de missionários com nova visão de Igreja e de mundo para sermos fiéis à Trindade, fonte da Missão, e a Jesus o missionário do Pai. Missionários novos com forte sentido de testemunho e de profecia, e não com saudade da cristandade. A história da águia nos ajuda a entender isso. A águia, quando fica velha, se quiser se renovar, precisa sacrificar o bico e as asas. Bate insistentemente na rocha o seu bico até que ele se solta. No lugar dele cresce rapidamente um novo. É com esse bico que ela consegue arrancar as penas velhas. No lugar delas crescem novas. E logo, logo, ela tem tudo para voar novamente mais alto e enxergar mais longe. Ainda outro exemplo: se em cada sete anos o agricultor não descascar o sobreiro não teremos rolhas de cortiça para novas garrafas de vinho de boa qualidade, nem teremos botas ortopédicas, porque a planta, se segurar para si aquela casca apertada, morre mais cedo. A Missão também tem uma constituição muito própria: se não se renovar, se não ganhar novas asas, não vai voar mais longe nem vamos ter vinho novo para beber. Joaquim Gonçalves é missionário e pároco da paróquia Santa Paulina, Heliópolis, SP.
Publicado na edição de Outubro de 2006 da Revista Missões. |
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| Última Atualização ( 01 de November de 2006 ) |
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