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Brasil: Ser cristão é ser missionário PDF Imprimir E-mail
Por CNBB/Rev.Missões   
13 de October de 2006
A Quinta Conferência do Episcopado Latino Americano foi convocada pelo Papa Bento XVI para ser realizada em Aparecida-SP, de 13 a 31 de maio de 2007. O Papa celebrará a Missa de abertura no Santuário Nacional e dirigirá sua palavra ao povo presente e a todos os bispos provenientes dos países da América Latina e Caribe.

O Papa quer convidar os cristãos do nosso continente a viverem como discípulos e missionários de Jesus Cristo e fez dessa proposta o tema da 5ª Conferência.
A Igreja em nosso continente faz um caminho inédito em todo o mundo como busca de realização da missão evangelizadora. Nossos povos possuem características comuns, por isso a Igreja procura discutir conjuntamente a obediência aos imperativos da missão. As “Conferências” precedentes de Rio de Janeiro (1955), Medellin (1968), Puebla (1979) e Santo Domingo (1992) fortaleceram a comunhão eclesial na A.L. e a ajudaram a se aproximar da realidade de seus países.

Estamos preparando a 5ª Conferência com reuniões de bispos, como a que aconteceu agora em Santiago do Chile, da qual participei.

O Dia Mundial das Missões será celebrado no domingo, dia 22 de outubro próximo. É ocasião para refletirmos mais uma vez sobre o sentido de nossa existência, especialmente no que diz respeito à nossa relação com o próximo. Podemos afirmar que cada um tem missão especial neste mundo. O evangelho nos faz descobrir Cristo Jesus, o Salvador. Ele veio trazer a paz. A paz porém não se faz sem a nossa colaboração.

“A missão se não for orientada pela caridade, isto é, se não brotar de um profundo ato de amor divino, corre o risco de se reduzir a mera atividade filantrópica e social. Com efeito, o amor que Deus nutre por toda pessoa constitui o coração da experiência e do anúncio do Evangelho e, por sua vez, quantos o acolhem tornam-se suas testemunhas. O amor de Deus, que dá vida ao mundo, é o amor que nos foi concedido em Jesus, palavra de salvação, ícone perfeito da misericórdia do Pai celeste” (Bento XVI).

O mandamento de difundir o anúncio deste amor foi confiado por Jesus aos apóstolos depois de sua ressurreição, e os apóstolos, interiormente transformados no dia do Pentecostes pelo poder do Espírito Santo, começaram a dar testemunho do Senhor morto e ressuscitado. A partir de então, a Igreja continua esta mesma missão, que constitui para todos os fiéis um compromisso irrenunciável e permanente.

A comunidade eclesial cristã, por sua vez, como Igreja-comunidade, é chamada a fazer conhecer Deus, que é amor. Deus não criou o mundo e o homem por necessidade, mas por amor, fruto de uma iniciativa de amor.

Mesmo com o pecado, Deus não abandonou os nossos primeiros pais eprometeu-lhes, bem como aos seus descendentes, a salvação, preanunciando o envio do seu Filho unigênito, Jesus, que revelou na plenitude dos tempos o amor do Pai, um amor capaz de resgatar toda a criatura humana da escravidão do mal e da morte. A cruz é o sinal surpreendente desse amor. Cumpre-se aquele virar-se de Deus contra si próprio, com o qual Ele se entrega para levantar o homem e para salvar o amor na sua forma mais radical, como escreveu Bento XVI na Encíclica Deus é amor. É lá que esta verdade pode ser contemplada. E começando de lá, pretende-se agora definir em que consiste o amor. A partir daquele olhar, o cristão encontra o caminho do seu viver e do seu amar.

O amor fraterno que o Senhor pede aos seus amigos tem a sua fonte no amor paterno de Deus. “Como o Pai me amou, assim também vos amei (...) Não pode haver maior prova de amor do que dar a vida por seu amigo”. Esta é a missão da Igreja de todos os tempos. A missão de cada um, feito filho de Deus no batismo, e da comunidade eclesial, adquire a força e a generosa disponibilidade dos discípulos de Cristo, para realizar obras de promoção humana e espiritual que dão testemunho, como já afirmara o Papa João Paulo II. Para quem age na perspectiva da caridade ou por ela é inspirado, nada é impróprio, tudo é bom.

Ser missionário significa debruçar-se, como o bom samaritano, sobre as adversidades de todos, de forma especial dos mais pobres e necessitados, porque quem ama com o coração de Cristo não busca o seu próprio interesse, mas unicamente a glória do Pai e o bem do próximo. Ser fiel a Cristo é ser fiel ao amor. Esperamos vivamente que a preparação de nossas comunidades para viver o espírito da 5ª Conferência, ajude cada um a construir um mundo de paz.

*Cardeal Geraldo M. Agnelo, Arcebispo de Salvador (BA). Presidente da CNBB
Última Atualização ( 13 de October de 2006 )

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