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Em algum lugar bem pobre do sertão deste país, onde as vocações passaram a crescer, o povo exclama: "Agora, só doido não vai para o seminário! A gente tem o que comer e vestir, lugar onde morar, sem pagar, e pode até namorar."
Na periferia de uma grande metrópole, começou-se a conceder uma mesada mensal, dadas as reais condições de míserabilidade de muitos casos. Dos miseráveis passou-se aos remediados. Hoje, todos os seminaristas recebem e já interpretam este auxílio como direito próprio, inquestionável. Ai do formador que proponha revisar o costume!
Há benfeitores ajudando seminaristas, às vezes sem o conhecimento dos superiores, minando-os, desde cedo, com roupas e aparelhos eletrônicos supérfluos, e até com viagens puramente turísticas, sem nenhum sentido pedagógico-pastoral.
Não são inexistentes os seminaristas que, em suas casas, trabalham como verdadeiros bois de canga. Quando estão em algum trabalho que lhes renda um dinheirinho particular, madrugam e não perdem tempo. No seminário, recebem tudo de graça e os trabalhos só se fazem empurrados. Nós somos críticos do liberalismo, mas, parece que, dentro de nossas instituições, também há a tentação de se interessar mais pelo "lucrativo setor privado" antes do "pesado setor público".
O fenómeno dos que permanecem no seminário como meio único de estudo, sem vocação, é impossível de tratar estatisticamente. Talvez tenha diminuído, mas é certo que não desapareceu.
Nas paróquias, padres novos exigem, cedo, casa boa, carro novo e bom aparelhe de som. Há um que chegou a comprar telefone celular, não havendo torre desu serviço em sua paróquia.
Passando a nós, formadores:
Umex^entetònitidífitecrv uma kombi e o carro do reitor. Hoje, há oito carros! E não são dos seminaristas!
Perdoem-me, caros seminaristas e colegas formadores. As referências acima não querem ser generalizações, acusações moralistas. Apenas uma introdução para provocar uma reflexão sempre útil, a do uso dos bens nos seminários e casas de formação. Está havendo, de fato, um aburguesamento? Seria o reflexo de uma acomodação de quem já não dá atenção à questão social? Ou, pelo menos, já não faz o discurso da pobreza?
Ou seria exagero de quem faz críticas de avanços legitimados pela necessidade e evolução quase geral da sociedade? Por exemplo, alguém poderia criticar o ingresso de computadores em nossas casas... Mas, onde é que eles não estão? Eles são -nos anos 90 - as máquinas de escrever dos anos 50.0 mesmo vale para alguma crítica que se possa fazer aos seminários e casas de formação que ampliaram o espaço mínimo para estudar, dormir, rezar, fazer reuniões e assim por diante. Nós não podemos apinhar S seminaristas em um quarto apertado e exigir que estudem!
Aos padres que facilmente detectam aburguesamento dos seminaristas, pode-se também ponderar como vai a austeridade dos presbíteros. Se é austero, tudo bem. Porém, lembrem-se que não se pode pedir aos seminaristas que vivam em grandes parcimônias, se o que os espera é uma confortável casa paroquial, superequipada. Seria como dizer: Aguente a dureza de agora, que, logo, loguinho, você poderá ser mais um tranquilo e protegido consumidor!
Portanto, a questão é mais ampla. Não é o aburguesamento do seminarista. Não é o aburguesamento do seminário, somente. É a questão de como nós, cristãos, estamos reagindo diante do consumismo proposto na sociedade em que vivemos.
Não podemos, entretanto, fugir da parte que nos toca. Precisamos abordar a temática com liberdade e sinceridade. Eu não quero fazer juízos abrangentes sobre o país. Seria imprudente. Ademais, conheço, pessoalmente, seminários que vivem austeramente, tanto formandos como formadores. Mesmo assim, convido a uma avaliação, com espírito evangélico.
Pedagogicamente, o que fazer?
Antes de tudo, a preocupação deve ser na linha das atitudes. É a velha dobradinha "espírito-lei". É mais uni caso em que regimentos e normas servem para evitar males maiores, mas não garantem o projeto pedagógico. Antes de tudo, procuremos as atitudes que brotam do encontro com Cristo -pobre, alegre, servidor.
Podemos, então, elencar medidas pedagógicas mais concretas:
Os formadores, com alguns gestos concretos, expressem sua comunhão económica: caixinha comum, auxílio em doenças, cursos, retiros, situações de aperto, etc. Se o exemplo não vem de cima...
Os seminaristas sejam convocados a participar corresponsavelmente nas previsões orçamentarias, nas compras e na contabilidade. Assim, evita-se ver o economato como algo distante, ou inimigo.
Promovam-se experiências de partilha entre os seminaristas, por pequenas que sejam: financiar um cursinho de um colega, um retiro, um encontro, uma representação da comunidade, a aquisição de algum instrumento útil para todos.
Estimular a procura de meios para promover o sustento, sem virarem pedichões do povo e dos benfeitores.
Realizar trabalhos, durante as férias: servente, pintor, chacareiro, etc..., como parte do pagamento para sustento do seminário.
Mesmo onde não podem pagar, seria bom manter uma contribuição mínima, lembrando que o jovem está recebendo, e com alguma coisa deve colaborar.
O trabalho profissional é polémico. É experimentado em alguns lugares e congregações, mais durante a filosofia. Pode dar mais maturidade e aliviar os custo; do seminário, como pode estimular o jovem a fazer seu "mundinho" particular enfraquecendo a dimensão comunitária Quem tem sistemática experiência disto pod» enviar-nos suas reflexões.
Estas sugestões querem ser simplesmente um modo de estimular a reflexão de agentes do processo formativo. Com certeza, os interessados encontrarão meios c1 aprofundar. Desculpem a ousadia! Creio que não nos faltarão os justos e digne recursos para formarmos qualificadamente os presbíteros do novo milénio, e consonância com o espírito daquele com quem precisamos conjugar nossas atitudes, antes que o sacramento nos configure come seus ministros – Jesus Cristo.
Pe. Álvaro Luiz Pinzetta, Presidente OSIB |