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Nosso Ministério de Animação Missionária PDF Imprimir E-mail
Por Missione Oggi   
10 de April de 2006


Falando de Animação Missionária, de Animadores/as Missionários/as, fazemos clara referência às nossas comunidades cristãs, às nossas Igrejas locais: o nosso serviço é fazer com que elas realizem, vivam e experimentem em todos os níveis a dimensão missionária, como elemento constitutivo da Igreja.

É nossa tarefa específica manter viva esta componente essencial da Igreja. Nós, missionários e missionárias, que fundamos comunidades e igrejas, temos perante nós esta importante tarefa, ou seja, manter aceso o fogo desta dimensão no seio das jovens Igrejas, a fim de que também elas se tornem missionárias, como também a tarefa de cultivar esta sensibilidade que impele a Igreja para além das próprias fronteiras. Esta é a nossa especial missão no seio da Igrejas locais, embora sejam de fundação recente e não estejam ainda suficientemente consolidadas em número de pessoal, em estruturas e meios. Foi o Espírito Santo que nos deu esta especial sensibilidade, esta vocação específica. É o nosso carisma ad gentes que agora, nesta terceira fase de evangelização na África, somos chamados a oferecer às Igrejas do continente.

É importante que tomemos consciência desta nossa posição na Igreja. Também a nível de Instituto estamos vivendo estas mudanças. Nos anos passados não se ouvia falar de Animação Missionária e Vocacional nas Regiões da África; era uma exclusividade da Europa e América Latina. O Espírito Santo nos chama também a nós, missionários que trabalhamos na África, a viver esta dimensão de maneira forte, evidente, embora utilizando métodos particulares e contextualizados, para que sirva de apelo insistente a todas as comunidades, a todos os batizados. Devemos ser “pessoas-apelo”, para fazermos conhecer a dimensão missionária das Igrejas locais que servimos.

Nossa tarefa, hoje, assume particular importância, porque as jovens Igrejas da África estão vivendo uma nova fase na história da evangelização. As fases dos primeiros encontros com o cristianismo já passaram; já passou o tempo do “pioneirismo”, embora haja ainda muito trabalho a fazer nos países onde desenvolvemos nossa atividade; constata-se um pouco em toda parte que as igrejas são pobres de pessoal e de organização, ou então necessitam de consolidação. Mas, ao mesmo tempo, há outras que estão em condição de caminhar com os próprios recursos. Nesta diversidade de circunstâncias, de contextos culturais e religiosos, uma coisa não pode faltar: a sensibilidade missionária. As Igrejas de Jerusalém e de Antioquia não esperaram atingir primeiro uma organização perfeita, para depois alargar as próprias tendas; antes, desde o começo, enviaram em missão seus melhores elementos (Paulo, Barnabé...).

Na história da Igreja conhecemos cristãos que, apenas batizados e até catecúmenos, já colaboraram no anúncio do Evangelho fora da própria pátria. Basta pensar nos catequistas do Malawi: ao saber que haviam chegado os Missionários da Consolata no Niassa (Moçambique), foram visitá-los e lhes apresentaram os catecúmenos preparados para o Batismo. E muitos outros casos.

A este propósito, ouçamos o que diz o documento pós-sinodal “Ecclesia in Africa”: “A Igreja na África não é chamada a testemunhar Cristo somente no continente, mas também a ela, de fato, é dirigida a palavra do Senhor Ressuscitado: ‘Sereis minhas testemunhas... até aos últimos confins da terra’ (At 1,8). Exatamente para isto /.../ é que Deus dirige o seu apelo à África, para que desenvolva a título pleno, em escala mundial, seu papel no plano de salvação do gênero humano” (n. 128). E ainda: “Nenhuma Igreja particular, nem a mais pobre, poderá ser dispensada do dever de partilhar seus recursos espirituais, temporais e humanos com outras Igrejas particulares e com a Igreja universal” (n. 129).

A frase profética de Paulo VI: “Vós sois chamados a ser missionários de vós mesmos”, deve ser entendida assim, afirma a exortação pós-sinodal “Ecclesia in Africa”: “Sois missionários para o mundo inteiro. Foi lançado um apelo às Igrejas particulares da África em favor da missão para além fronteiras de suas próprias dioceses” (idem). O mesmo documento continua afirmando: “... É muito conveniente, de fato, que as jovens Igrejas participem quanto antes da missão universal da Igreja, enviando também elas missionários e pregando o Evangelho em toda parte, inclusive quando têm escassez de clero...” (n. 130).

Nossa tarefa, hoje, é particularmente importante, pois devemos preparar e acompanhar esta nova fase missionária na África.

DIFICULDADES

Nós, missionários e missionárias, temos certa qual impressão de que estejam acabando as potencialidades que a concepção tradicional da missão continha. Mudaram os tempos, a situação política e social dos povos, a teologia da missão, a pastoral. Globalização, pós-modernismo, inculturação são termos que indicam as mudanças do mundo. Mas as situações dramáticas dos nossos povos continuam: as guerras, a pobreza, o subdesenvolvimento ainda são permanentes.

Hoje a missão nos coloca perante um tempo novo: somos purificados ou estamos a caminho da purificação no que concerne a certas motivações da missão que, no passado, focalizavam mais o negativo das culturas e das religiões destes povos; livramo-nos, finalmente, de certas mesclas de colonialismo e superamos o proselitismo em relação às Igrejas da Reforma; temos outra visão das religiões não cristãs e das culturas em geral.

Eis a razão pela qual é necessário que preparemos e acompanhemos esta nova fase missionária da Igreja na África. Trata-se de ir às raízes autênticas, mais profundas e genuínas da Missão (o Evangelho, a Missio Dei, Missio Trinitatis, o Cristo, a Igreja, nós, o mundo), ou seja, devemos buscar as motivações mais autênticas, a concepção mesma do ser cristãos, a natureza da Igreja, a própria razão da existência da Igreja.

OS DESAFIOS

Os desafios são lançados pelos obstáculos que impedem o nosso trabalho. É preciso especificar alguns destes desafios que encontramos nesta nova fase missionária da Igreja e que devem ser enfrentados. Indicamos alguns. Através da análise da realidade que vós fizestes, tereis encontrado, por certo, desafios bem concretos que se apresentam no trabalho que realizais diariamente.

1. Superar o individualismo religioso ainda presente em nós e em nossas comunidades
(elas refletem os nossos defeitos). Esta atitude é fruto de uma teologia e espiritualidade que prevaleceram durante a nossa formação e nos modelaram profundamente.
Os cristãos vivem a relação com Deus, o chamado, os mistérios sagrados, os sacramentos, a oração, etc., como fatos privados, ou seja, um Evangelho que não bate com as realidades externas, mas visa somente as internas, a alma (“salvar almas”). Este individualismo é mais difuso de quanto se possa imaginar, envolve o modo comum de sentir-se Igreja, de ser comunidade, de organizar nossas paróquias: em suma, o perigo de uma pastoral existencial, a serviço dos indivíduos, pouco profética e pouco ministerial.

O primeiro desafio: assimilar uma nova autoconsciência eclesial, isto é, uma profunda tomada de consciência do que significa ser discípulo de Cristo, ser Igreja, ser cristãos no mundo. Como se pode adquirir esta autoconsciência? Somente praticando uma espiritualidade missionária. Mais que uma questão de organização, trata-se de uma espiritualidade nova e sensível aos grandes princípios da renovação conciliar. É preciso fazer com que estes princípios se tornem capilares, acessíveis a todos: Igreja, povo de Deus, Igreja-comunhão, Igreja-ministerial, Igreja-serviço.

2. O cristianismo não é apenas filantropia e solidariedade. Nesta visão, Jesus aparece somente como mestre de grandes doutrinas e valores éticos. É certo que a fé cristã exige empenho e solidariedade em todas as situações de aflição humana (escravidão, injustiça, subdesenvolvimento, marginalização, violência, guerras e conflitos de toda sorte...). Esta dimensão está diretamente ligada como componente fundamental à evangelização. Mas é preciso frisar que a fé, antes de tudo, é deixar-se amar por Deus e acolher esta sua decisão de amor por nós. Deus nos amou primeiro. Nós devemos corresponder a este amor, amando a Deus e os irmãos ao mesmo tempo. É o conteúdo essencial da nossa fé. Neste sentido, a missão nos lembra que os homens, a partir dos mais pobres, necessitam da solidariedade de Deus, além da nossa. Ele é a raiz de toda consolação, Ele é o Consolador do seu povo.

Além disso, é pura ilusão pensar que somos capazes de amar, como se amar de verdade fosse uma capacidade simplesmente natural. Somente acolhendo o amor de Deus, que se entregou em nossas mãos, que se fez um de nós, que deu sua vida por nós, é que somos capazes de fazer da nossa vida uma entrega e tornarmo-nos irmãos dos irmãos, profundamente solidários com os nossos irmãos, até ao sangue.

Não se trata de dar e fazer, mas sobretudo de amar. É necessário insistir sempre mais nas relações interpessoais, em atitudes concretas. Em cada iniciativa devemos ser sinais do amor de Deus, que não ama somente a nós, mas a todos.

Prospectivas:

a) Adquirir um novo autoconhecimento de Igreja.
A aquisição de um novo autoconhecimento de Igreja deve ser feito em todos os níveis: intelectual, afetivo, espiritual, pessoal e comunitário.

Eis algumas perguntas a este respeito:
• Que significa Igreja na Animação Missionária?
• Qual a vocação que pressentimos na vida de cada cristão?
• Que quer dizer marcar presença no mundo?
• Que responsabilidade têm e sentem as nossas comunidades pela missão além
fronteiras? Que podem fazer as nossas Igrejas, dado que são pobres de pessoal, de estruturas e meios?

Devemos ter a coragem de efetivar as mudanças necessárias em nível de pensamento, afeto, organização e formas operativas, em relação àquilo que fomos até agora. Devemos possuir com clareza os elementos essenciais que a nova autoconsciência de missão exige de todos nós, e procuremos os modos e os instrumentos de fazer com que esta autoconsciência se insira na pastoral normal das paróquias, das pequenas comunidades e colégios.

ELEMENTOS ESSENCIAIS DA NOVA AUTOCONSCIÊNCIA

a) Conhecimento, consciência

O primeiro elemento é ter consciência de que Deus nos ama por primeiro, Ele tomou a iniciativa e nos amou até ao extremo. É o ponto de partida da vida de um cristão. A missão nasce aqui. Ainda que seja evidente, muitas vezes este elemento essencial é esquecido e dá-se mais peso a outros elementos que, embora importantes, são conseqüências. A nova consciência eclesial, base desta nova fase missionária na África, tem aqui suas raízes mais profundas e verdadeiras.

b) O plano de amor

O amor de Deus Trindade (Deus família: as relações de amor) é expansivo, comunica-se aos homens e, por isso, pertence a todos, não é reservado a nenhum povo, não é propriedade exclusiva de uma nação. Todos têm o direito de conhecê-lo e de recebê-lo. Por isso, é amor que se dirige a todos os seres humanos. Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. Esta sempre foi sua vontade. Este é seu plano, do qual nós somos instrumentos.

c) A pedagogia

Há uma pedagogia de base que deve ser seguida na AMV. Na Escritura resulta claramente que Deus, quando elege um povo (Israel), o faz por amor de outros povos, em função dos outros, como um sinal daquilo que Deus projeta para toda a humanidade. Conseqüentemente, as comunidades cristãs não são para si mesmas, como se fossem grupos religiosos fechados, “guetos”, isso não; nós somos Igreja para os outros. Dizendo Igreja, não devemos pensar unicamente no significado de “chamados”, mas chamados para serem “enviados” aos outros. A Igreja está em permanente missão. É desta forma que devemos animar as nossas comunidades e Igrejas locais, embora sejam ainda muito jovens e pobres

A PRÓPRIA VIDA CRISTÃ CONSIDERADA TAMBÉM COMO PEDAGOGIA MISSIONÁRIA

O dom do conhecimento é acompanhado pelo dom da capacidade de responder ao amor de Deus. A vida cristã deveria revelar-se como algo de inaudito, de extraordinário, assim como o Espírito de Deus, quando acolhido, é capaz de criar pessoas dotadas de um coração novo, semelhante ao de Cristo: capazes de dar acolhida a Deus e aos outros, capazes de amar também os inimigos, capazes de consolação, de doação e de liberdade. É deste modo que as comunidades serão missionárias. Uma vida assim desvenda o significado de cada pessoa e diz claramente em que consiste a vocação de todos. O significado da comunidade animada pela missão.

A intenção de Jesus era (é) formar um novo povo de Deus, uma nova família, que mostrasse com os seus comportamentos o que significa sermos guiados por seus ensinamentos e movidos por seu Espírito. E assim atraísse os outros povos, através do estilo da própria vida. Jesus indicou elementos fundamentais para as comunidades em que transparecem estilo de vida e relações animadas por uma lógica diferente das outras: abolição da relação de dominação (cf. Mc 10,42-45; renúncia à violência (cf. Mt 5,39-42; 1 Cor 6,7); superação dos conflitos sociais (cf. Gl 3,26-29; 1 Cor 12,12ss); a praxe da solidariedade (cf. Gl 6,2; Cl 3,13; 1 Cor 12,5; Ts 5,13).

Todos nós podemos constatar que estes pontos podem tornar-se uma forte crítica e contestação da mentalidade e das práticas dominantes em nossas sociedades, fechadas em si mesmas, voltadas unicamente para os próprios interesses.

No começo falava-se de fascínio, admiração, capacidade de atração das comunidades cristãs, como sociedades nas quais se vivia de maneira muito diferente em relação às sociedades do tempo. Penso que esta praxe missionária ainda seja válida. Trata-se do ciclo normal de uma comunidade. No ensinamento de Jesus e na experiência dos primeiros cristãos aparece a concepção da missão por irradiação, isto é, por meio das comunidades que se tornam atraentes com seu estilo de vida. Ao mesmo tempo, porém, a missão por irradiação é sempre acompanhada de outra atitude missionária: a missão pelo envio.

A irradiação pode ser feita por uma comunidade já existente em determinado lugar. Quando tal comunidade não existe, deve ser formada: alguém é chamado pelo Espírito e é enviado pela comunidade a anunciar o Evangelho a outros povos, onde ainda não há comunidades cristãs. A pessoa que é mandada sai de sua comunidade e vai para um outro povo, solidariza-se com ele, entra, acompanha os seus projetos de vida e, a partir de dentro, anuncia o Evangelho. Se alguém o acolhe, dá começo a uma comunidade cristã, a novas comunidades que, por sua vez, vivem a missão por irradiação e pelo envio. Esta é a nossa tarefa, o nosso ministério de Animação Missionária e Vocacional.

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