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| Por P. Pietro Trabucco, IMC | |
| 06 de Março de 2006 | |
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(Segunda Parte)
29 de Junho de 2001 Festa dos Apóstolos S. Pedro e São Paulo
Caríssimos Missionários, «O Instituto precisa de aprofundar e actualizar a dimensão teológica da sua cooperação na obra de salvação». Esta afirmação do Décimo Capítulo Geral (XCG 55) soa a convite inequívoco e peremptório para todos nós, Missionários da Consolata - para empreendermos uma caminhada de aprofundamento dos fundamentos teológicos da nossa colaboração no plano salvífico de Deus em prol da humanidade. Não há renovação eficaz possível para a nossa evangelização nem para o nosso serviço missionário ad gentes sem um aprofundamento teológico sério. A confissão de fé em Deus salvador, que salva por meio de Jesus Cristo, sempre fez parte da prática da fé cristã. O anúncio do Evangelho vai sempre de mãos dadas com o gesto do Cristo que salva. Portanto, o elo entre missão e salvação é muito antigo e está bem consolidado. A missão consiste em anunciar ao mundo a salvação como dom de Deus, enquanto graça e misericórdia, libertação do pecado e do mal. Ela consiste em levar a salvação de Deus a pessoas e povos que ainda não conhecem o Evangelho nem reconhecem que Jesus Cristo é Senhor e Salvador. Mas é Senhor e Salvador em que sentido? E, acima de tudo, de que salvação estamos a falar? A tradição missionária, nas várias épocas e lugares, e, por isso, com tonalidades diversas, sempre mostrou uma ligação íntima entre a salvação e a evangelização, o anúncio claro e inequívoco do mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, que se fez homem por amor de nós e da nossa salvação. Mas também interpretou a salvação enquanto libertação do homem de tudo aquilo que o oprime e o torna menos homem e, portanto, como um compromisso com a promoção da pessoa na sua totalidade. Foi o próprio Jesus Cristo quem estabeleceu essa ligação entre a salvação e a caridade: «Todas as vezes que o fizerdes a um só destes meus irmãos mais pequenos, a Mim o fareis» (Mt 25, 40). Este compromisso de amor pelos mais fracos e marginalizados sempre esteve ligado ao anúncio da salvação e da evangelização. Releva continuamente da vida concreta, pessoal e social da pessoa porque, como escreveu o Papa Paulo VI na Evangelii nuntiandi (EN), há ligações de natureza antropológica, teológica e evangélica (cfr. 30) entre a evangelização e a promoção humana. Em termos da sua especificidade, este compromisso foi interpretado e aplicado, ao longo dos séculos, como amor do próximo em sofrimento e em necessidade, como solicitude pelos doentes e pelos pobres, como promoção da dignidade humana, como libertação e desenvolvimento da pessoa inteira e de todas as pessoas. Para podermos responder às perguntas que esta noção de salvação nos levanta - e, desta forma, analisarmos se as nossas comunidades missionárias estão à altura de lhes dar uma resposta mediante uma programação eficaz da vida apostólica - esta segunda parte do tema que o XCG decidiu aprofundar sob a designação “Despenseiros dos Mistérios da Salvação” - tem a ver com o problema da salvação sob o ponto de vista teológico e missiológico. As perguntas a que pretendemos dar resposta partem, antes de mais, duma constatação geral que é a seguinte: o homem sente em si um desejo profundo de salvação. Este desejo pode desembocar em caminhos diferentes: o do conhecimento como iluminação vinda do alto, ou o do conhecimento que deriva da racionalidade da pessoa humana, com Deus ou sem Deus. O conhecimento que tem por finalidade salvar o homem duma existência ameaçada, revela-nos uma necessidade toda especial de “sentido”; exprime a aspiração de todos os seres a uma salvação que ultrapasse e supere a mera situação humana. Esta aspiração e este desejo estão vivos de modo muito especial nas várias religiões. Elas esforçam-se por lhes dar um solução religiosa. Na Sagrada Bíblia e no cristianismo a salvação, muito embora seja uma resposta a esta necessidade humana, não provém da iniciativa humana. Não vem da pessoa, mas sim de Deus apenas. Torna-se, assim, a história de um Deus que se revela fazendo salvação. Por fim, também se procura responder às perguntas que, para o cristianismo e a missão, são de facto as mais fascinantes, mas também as mais difíceis e as mais complexas. Essas têm a ver com a pessoa de Jesus Cristo enquanto salvador e mediador entre Deus e os homens, com as características da salvação anunciada por Cristo, e com o problema do diálogo com as religiões não cristãs. Esta segunda parte constitui, então, o remate de abóbada do nosso tema bienal. Fica encaixada entre a reflexão inicial constante do Boletim 91, em que procurámos interpretar os caminhos de salvação que o Espírito suscita na Igreja para comunicar aos povos que Deus quer que todos os homens se salvem, e esta última parte, em que procuraremos apresentar as atitudes mais adequadas que cada Missionário da Consolata deve tomar para ser um verdadeiro “ministro da salvação” entre os povos. Peçamos à nossa Mãe Consolata e ao Beato Fundador que abençoem o esforço de reflexão que cada missionário e cada comunidade irão fazer. Com saudações fraternas,
P. Antonio Bellagamba, IMC P. Norberto Ribeiro Louro, IMC P. Aquiléo Fiorentini, IMC |
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