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Vendo que se fatigavam a remar, pois o vento lhes era contrário, pela quarta vigília da noite (Jesus) dirigiu-se a eles, caminhando sobre o mar. E queria passar adiante deles (Mc 6,48).
Começo este encontro convosco – Missionários e Missionárias da Consolata, citando esta passagem do Evangelho de Marcos, porquanto, depois de dez anos de atividade missionária, podeis encontrar-vos na mesma situação dos discípulos, “cansados de tanto remar”, enfrentando as ondas com que a Missão hoje se depara: desafios sociais, políticos, econômicos, religiosos e, às vezes, desafios que envolvem a própria estruturação da pessoa, que se vê obrigada a desprender-se das bagagens adquiridas e lançá-las ao mar, se não quiser naufragar.
Quando a bagagem se identifica demasiadamente com a pessoa que a adquiriu, corre-se o perigo que o apóstolo Paulo enfrentou a caminho de Roma: “Vamos arremessá-lo ao mar, assim os deuses se aplacarão”. Devemos distinguir claramente o que é a nossa pessoa, a nossa vida, de todas as roupagens com que fomos vestidos pela nossa cultura, pela formação que recebemos, pelas teologias e espiritualidades que nos foram transmitidas. Portanto, é preciso parar, para conhecer o Espírito que habita em nós e faz com que, seguindo a Jesus Cristo, fiquemos repletos de sua força, nós e também os outros.
1. A Missão nasce de dentro e de fora
a) A Missão nasce de dentro
Que a Missão nasça de dentro é vital. Brotou do seio da Trindade e brotou do seio da Igreja: o Espírito de Jesus, quando desceu sobre os Apóstolos, logo lhes transmitiu uma força vital que os impeliu às ruas e praças de Jerusalém. Não estudaram Missiologia; mas receberam uma força que não podiam ocultar; por isso, logo sentiram a necessidade de comunicá-la. Era uma coisa muito linda, uma “boa-nova” que os outros deviam conhecer e, sobretudo, viver.
A Missão nasce no coração do cristão no dia do seu batismo. Desenvolve-a depois no contato com Deus, que é o OUTRO por excelência. Este OUTRO nos envia aos “outros”, aos que ele ama com amor de Pai. O seguimento de Jesus não nos pode deixar acomodados na tranqüilidade de algumas práticas religiosas intimistas que não exerçam suas “transcendências” nos outros. Lucas, no seu Evangelho, nos apresenta Jesus como itinerante, que vai da Galiléia a Jerusalém, sempre a caminho, evangelizando os pobres, formando seus discípulos na escola deste itinerário de evangelização. Nas noites e madrugadas de oração nasce sempre um novo caminho, que ele percorre onde há enfermos a curar, famintos a alimentar, aflitos a consolar... Enfim, onde é preciso dar respostas aos desafios que o povo lhe apresenta.
Jesus é o Missionário, cuja missão nasce de dentro (no contato com o Pai) e nasce de fora, dando respostas concretas aos homens e mulheres que lhe apresentam situações vitais que englobam todas as dimensões do ser humano na Palestina do I século.
b) A Missão nasce de fora
O Espírito, contudo, é “ex-cêntrico”. Não está no centro do mundo, onde se tomam as decisões políticas, econômicas e até religiosas. No começo foi assim. A Missão nasceu em Jerusalém e o “ad gentes” na Samaria, em Cesaréia, em Jope.
O Espírito não tem fronteiras, porque todos, pelos merecimentos de Jesus, são chamados à salvação. Quando digo que a “missão nasce de fora”, refiro-me a todos aqueles que estão distantes dos organismos decisórios da sociedade. Na América Latina isto aparece claramente: os “favelados” das grandes cidades, os índios, os negros, os camponeses do “sertão” que não interessam nem ao FMI nem aos poderes dominantes. Não produzem e não consomem o que o neoliberalismo quer impor com suas leis de mercado. Todos estes são os excluídos e os marginalizados. Eles nos apontam os caminhos da Missão.
Olhando para o rosto deste povo sofrido, chego às vezes a intuir a pergunta que nos faz: “Que Deus vocês nos trazem hoje, senhores missionários?!”
Há sintomas que nos dão a entender que a opção pelos pobres entrou na escuridão da noite: em nível de Igreja fala-se mais dos problemas eclesiásticos que dos eclesiais. Basta abrir as páginas de muitas revistas para ver que a maior parte da problemática refere-se ao clero; fala-se mais de situações de sobrevivência eclesiástica que de amor apaixonado pelo Evangelho. São poucas as revistas em que aparece a pergunta: “Onde dormirão os pobres”? A “epifania” de Jesus na sinagoga de Nazaré começa na periferia do mundo judaico, na Galiléia dos gentios, lugar de pobres e excluídos.
Se examinarmos o nosso mundo, veremos que os pobres e marginalizados crescem em proporções alarmantes. As estatísticas estão ao alcance da mão. Contudo, uma coisa é ler as estatísticas sentados comodamente na burguesia de um escritório, com ar condicionado, tecendo sobre elas reflexões espirituais, ou até propondo soluções; coisa bem diferente é sentir o drama de centenas de pessoas que diariamente batem à porta, implorando um pouco de farinha ou de arroz para matar a fome da criança que não tem o que comer!
Esperamos que esta noite escura nos purifique do grande burguesismo e acomodação que penetraram na vida religiosa e missionária; e que nos ajude a sair dela com vigor renovado, para repensar todo nosso ser a partir da periferia, a partir de Nazaré, com a mesma humildade de Jesus: “Hoje cumpriu-se esta passagem da Escritura que acabais de ouvir”. Perante esta afirmação de Jesus, creio que podemos ficar tranqüilos, citando Antônio Machado: “Caminhante, missionário,” sim, há caminho!
2. José Allamano – missionário “a partir de dentro e a partir de fora”
Em tempos de renovação e de cursos de renovação, como o vosso, temos necessariamente que olhar para aquele que é a raiz desta nossa família de Missionários da Consolata. Não devemos, porém, olhá-lo como se fora uma estátua imóvel e fria, que fica aí recordando-nos continuamente o que foi, o que disse, o que fez. Este seria o Fundador protológico (do primeiro período). Gosto de olhar para o Fundador e considerá-lo como alguém que acompanha a caminhada do Instituto, interrogando-se e dando respostas às situações cruciais do momento presente: – Que fazer perante tanto faminto, como viver os conflitos de terra e de água? – Como enfrentar o problema dos indígenas e dar voz e vez ao mundo dos afro-descendentes na América Latina? – Como promover, no século XXI, as vocações locais, como inseri-las no Instituto? E tantas outras perguntas que surgem ao considerar a realidade e as soluções que estão sendo dadas a estas situações. Um Fundador de olhar penetrante, que dá respostas aqui e agora a todas estas situações. É o que chamaria de Fundador escatológico.
a) Allamano – missionário a partir de dentro
Nossa família missionária nasce da profunda experiência espiritual do Fundador. Quando ainda jovem, quer consagrar sua vida à Missão, mas não consegue, por falta de saúde. O chamado a ser missionário ele o guardará amorosamente durante toda sua vida e florescerá durante os anos de sua maturidade humana. Sua vida espiritual, as fontes nas quais se inspira, as características que nos deixou, conhecemo-las muito bem. Não será um homem que traça linhas novas de espiritualidade, mas viverá intensamente e fará uma síntese da espiritualidade do seu tempo, marcada pela escola francesa.
É um homem de Deus, aberto à transcendência, que descobre a ternura materna do Pai na delicada figura de Maria Consolata. Estas marcas de sua vida ele as transmitirá depois aos seus missionários e missionárias, de muitas maneiras e em todas as ocasiões que se lhe apresentam. Seu pensamento: “Primeiro santos, depois missionários” não perdeu seu vigor nos nossos tempos, porque a Missão é como uma água corrente, não pode parar; a corrente só pára, se o manancial secar. É a linha de João Paulo II, que na Redemptoris Missio afirma: “O verdadeiro missionário é o santo.” Esta santidade é pedida aos seus missionários, quando declara que a santidade dos missionários deve ser heróica.
b) Allamano – missionário a partir de fora
O sonho missionário que José Allamano acalentou desde a sua juventude, floresce quando ele olha para fora. Conhecerá o Cardeal Massaia e sua impressionante obra realizada na Etiópia, ouvirá os primeiros missionários salesianos que trazem notícias da Patagônia argentina. Verá como o jovem clero de Turim, formado por ele, e numeroso naquele tempo, está quase parado. Considerando todas estas realidades, Allamano quer dar respostas; e a sua resposta é a “fundação” de dois Institutos missionários. Não se instala em sua cômoda condição de cônego, mas sobrecarrega-se de trabalho e “dá tudo” para a Missão. “Vi ho dato tutto” (Eu vos dei tudo) – dirá pouco antes de morrer.
Com seus missionários e missionárias no campo de missão, Allamano não se enclausura em seu gabinete para traçar um método de trabalho e apresentá-los aos seus, mas ele próprio se torna um aprendiz da missão. Deixa-se formar por ela e através dos seus missionários que lhe enviam notícias, que propõem mudanças, porque a missão assim o exige. Ele aprova tudo, porque os que estão na linha de frente é que vêem e conhecem as situações reais. A situação do povo que seus missionários encontram abre-lhe muitos horizontes em favor da missão: visitas, a situação da saúde, escolas, catequistas, seminário e muitas outras iniciativas que dão respostas ao mundo da missão.
Que grande intuição esta e que atitude profundamente missionária para os nossos dias! Se a situação do povo daquele tempo o leva a mudar a “visão” que tinha da missão, quantas situações não mudariam hoje em nossa atividade missionária! E que pluralismo! A missão o faz mudar de idéia e ele não mede esforços para conseguir o que é melhor para ela; não poupa nem mesmo visitas às Secretarias de Roma, procurando depender de uma congregação ou outra, visando sempre o bem da missão.
Religiosos? Não religiosos? O que é o melhor para o missionário e para a missão? A resposta é clara: ele escolhe a dependência que considera mais favorável à pessoa e à obra.
3. Algumas interpelações a partir de fora e a partir de dentro
Primeira interpelação: entusiasmo missionário. Todos sabem que o entusiasmo missionário é uma das características do Missionário da Consolata. Muitas vezes, aparentemente, demonstramos menos entusiasmo que os pastores pentecostais, que os líderes de tantos movimentos que nos cercam. Por que dedicamos tanto tempo aos problemas internos e tão pouco aos problemas da Missão? Por que, nos seminários, há tantos jovens preocupados com sua própria pessoa, com a busca de sua própria identidade ou de sua vocação pessoal?
No começo não era assim. A consciência do fim missionário do Instituto era muito forte. Os meios eram considerados simplesmente “meios” e não fins. O Fundador era um homem cativado pela Missão, como claramente o expressam as Constituições: A evangelização dos povos é a finalidade que nos caracteriza na Igreja... Este fim deve impregnar a nossa espiritualidade, orientar as opções, qualificar a formação e as atividades apostólicas; em suma, orientar toda a nossa vida (Const. 5). Pode acontecer, às vezes, que a visão dos fins chame menos a atenção que os meios. O indivíduo pode entrar no Instituto simplesmente para tornar-se sacerdote, ignorando por completo o finalidade específica do Instituto.
Transcrevo aqui ao pé da letra um texto de José Comblin: “Na América Latina, como no Terceiro Mundo em geral, dá-se um problema especial: a maioria dos institutos religiosos ou foram fundados para atender às necessidades que surgiram no Primeiro Mundo, ou são cópias dos institutos fundados no Primeiro Mundo. Poucas vezes nasceram numa situação específica própria dos índios, dos negros ou mestiços da América Latina. O religioso realiza mentalmente sua vocação em função de uma situação existente em outro mundo. Daí o surgir de inúmeros casos de desentendimento e de incompreensão que houve no passado, e que ainda acontecem na evangelização dos povos autóctones, dos negros descendentes dos escravos e dos povos mestiços. Não causa surpresa que muitos religiosos provenham de famílias de imigrantes europeus e que sejam tão escassas as vocações religiosas dos índios, dos negros e dos povos mestiços” (José Comblin, Pró-manuscrito).
Segunda interpelação: Realidade da opção pelos pobres Na América Latina a Igreja fez uma opção pelos pobres, em Medellin. Em Puebla e Santo Domingo as Conferências Episcopais renovaram esta opção com solenidade e ênfase. Neste momento, entretanto, percebemos que há uma grande distância entre a proclamação desta opção e a vida real cotidiana. Há 20 anos, a opção pelos pobres podia ter um conteúdo concreto: participação na luta pela libertação dos povos dependentes. Pensava-se que tal participação poderia realizar-se sem que houvesse necessidade de mudar radicalmente nosso modo ordinário de vida. Hoje sabemos que, atualmente, já não existe nenhuma “política de libertação dos pobres”. O que vemos é o triunfo dos ricos e poderosos. Não constitui nenhuma novidade, porque foi assim também no passado: sempre triunfaram os fortes. Tínhamos a ilusão, sem dúvida, de que os pobres pudessem vencer esta situação em poucos anos, entre uma ou duas décadas. As estatísticas das Nações Unidas nos dizem que hoje cinqüenta nações são mais pobres do que no ano de 1990.
Dentro desta situação atual, onde se situam os religiosos? Para obter uma resposta, basta que consideremos o nosso modo de viver. Hoje, os religiosos e religiosas, em sua maioria, adotam um modo de vida que nos assimila à nova burguesia. Adotamos a cultura da nova burguesia, seguimos os mesmos modelos de consumismo: veículos, alimentação, moradia, turismo e ócio. Quantos encontros, cursos e reuniões que, em grande parte, constituem uma forma de turismo! Como fazer opção pelos pobres, vivendo como vive o mundo da classe média, que se isola dos pobres?
Fazer opção pelos pobres, atualmente, é quase impossível, porque supõe uma ruptura com a cultura dominante, e não há muitos sinais de querer distanciar-se de tal cultura. A pressão da cultura da classe média é mais forte que nunca. Invade a Igreja pelos quatro lados. Com os pretextos de eficácia, de modernização, de adaptação, etc., a cultura dominante informa a Igreja e a separa dos novos bárbaros ou dos novos pobres. Os pequenos grupos e as pequenas comunidades que se inserem no mundo dos pobres sentem-se cercados, pressionados, atraídos para fora de sua opção.
Perguntamo-nos alguma vez por qual razão a nossa vida não é atraente? Se o nosso estilo de vida se iguala aos estilos da nova burguesia, é claro que não exerceremos nenhuma influência e atração sobre os jovens, mas acabaremos por ficar isolados do mundo dos marginalizados. Foi iluminador o que se escreveu, nos meses passados, por ocasião da beatificação de Madre Teresa de Calcutá: “A santidade, em Madre Teresa, passou necessariamente pelos pobres”. E nos Missionários da Consolata, a santidade por onde passa?...
Terceira interpelação: A encarnação do carisma na pluralidade das culturas Depois do Vaticano II, Medellin e Puebla a mística da encarnação partiu em busca da inserção nos meios populares, onde descobriu vivencialmente uma nova faceta da realidade latino-americana, até então quase desconhecida nos ambientes de Igreja: a variedade étnica e cultural. Em outras partes do mundo descobrimos isso quando irmãos de outros continentes, de outras raças e línguas sentaram-se às nossas mesas com os mesmos direitos que os europeus. Antes, trabalhava-se para eles, mas dificilmente sentavam-se às nossas mesas ou dormiam nos quartos das nossas residências.
A inserção nos meios populares havia sido um movimento de aproximação, de solidariedade e de identificação com os pobres. E os pobres apresentam rostos diferentes, expressam-se através de culturas diversas.
A inserção que foi vivida como um êxodo geográfico (do centro à periferia, da cidade ao campo) e como um êxodo social (das elites ao povo humilde), passa também por um êxodo cultural (da cultura ilustrada às culturas populares, da cultura hegemônica às culturas opressas). Sem inculturação, a inserção é incompleta. Aqui está o punctum dolens (o ponto fraco) da vida religiosa. Começamos por um modelo único de cultura, a que dominava ou domina nos arredores do Mediterrâneo ou do Tâmisa..., e por que não também nos arredores do Tanganika ou nas margens do rio São Francisco, no Nordeste brasileiro? O modelo universal, na Igreja, é o modelo único? E a extensão geográfica, ou a riqueza das culturas, onde todas podem ouvir a boa-nova na própria língua?!... Os modelos continuam sendo os nossos: seminários, alimentação, bibliotecas, ócio, etc. A inculturação do carisma passa por sua capacidade de formar membros provenientes de culturas diferentes da ocidental, sem “desculturá-los”. Negros, indígenas, gente oriunda das periferias urbanas ou do campo, deveriam poder ingressar na Vida Religiosa sem ter que “embranquecer-se”, sem ter que passar à classe média, sem ter que “urbanizar-se”. O desafio é grande, se considerarmos os chamados e a unidade congregacional. Lembremos, porém, que a inculturação fará surgir formas novas de viver o carisma fundacional e enriquecerá a experiência da Congregação. Fará surgir novas sementes de renovação e vida nova para o Instituto.
Além das interpelações citadas acima, há muitas outras que me limito apenas a enumerar, mas que poderiam ser objeto de estudo ou de reflexão durante as nossas assembléias ou Capítulos: a fraternidade na inculturalidade, nossas estruturas (“obras”), a itinerância abusiva “ad intra”, a conversão a partir da própria pessoa.
Gostaria, sobretudo, de partilhar convoco o que significa espiritualidade para um missionário. A partir da Missão, surgem também interpelações para nossa espiritualidade. Qual a coluna vertebral da nossa espiritualidade? A Missão e a experiência de Deus, que nos foi transmitida pelo Fundador, acaso não exerce força suficiente para que andemos à procura de outras espiritualidades? Se a Missão é um fazer, um executar, certamente temos que recorrer a outras fontes que satisfaçam o nosso ser. Porém, a Missão é totalizante e a devemos viver, de acordo com o Fundador, “na mente, na boca e no coração”. A partilha da nossa vida com os pobres e humildes deste mundo nos apontará um caminho de espiritualidade capaz de orientar toda nossa existência; não só, mas é também aí que se encontram as nossas fontes. Deveríamos aprofundar bem mais a relação Eucaristia-Missão-Pobres. Nasceriam daí algumas opções concretas e um estilo de vida próprio do missionário. Sem isso, nossa espiritualidade se reduzirá apenas a palavras e nossa vida continuará tranqüilamente mantendo seus hábitos burgueses, levando-nos também a viver uma espiritualidade “burguesa”, que não desperta em nós nenhum questionamento, que só pode tranqüilizar aqueles que vivem a missão da mesma forma que se vive qualquer outro estado de vida.
Conclusão
Irmãos e Irmãs que já tendes um decênio de consagração missionária: quis partilhar convosco idéias e preocupações de ontem e de hoje. Não são coisas novas. Faz muito tempo que foram escritas, mas continuam a interrogar muita gente, dentro e fora do mundo eclesial. Estais vivendo uma idade muito bela; com a vossa vida, podeis marcar a missão e também a vida de nossas famílias missionárias. Concluo, narrando um fato que vivenciei. Em certa ocasião, há alguns anos, encontrava-me de passagem por uma casa provincial, logicamente situada em zona residencial da cidade. Eram onze horas da noite. Junto ao cancelo da rua um homem gritava: “Estou com fome!” E continuou assim durante cerca de quinze minutos. Ninguém ouvia este grito. Os membros da casa estavam todos perante a televisão, assistindo a uma partida de futebol. O homem, cansado, foi embora. Não seria a voz do macedônio que Paulo escutou?!
Onde estão os macedônios de hoje, que continuam a gritar? Desliguemos as “televisões” e as “internets” que nos impedem de escutar tantos macedônios que estão gritando às portas do nosso carisma e da nossa Missão!
Pe. Ramón Cazallas Serrano
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