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Por Pe. Francisco Lerma martínez   
10 de April de 2006

Neste Nº 64 de DOCUMENTAÇÃO IMC reunimos o texto de quatro reflexões apresentadas no Curso de Renovação “Retorno às fontes” para Missionários e Missionárias IMC/MC Jovens, realizado em São Paulo (Brasil), de 20 de setembro a 17 de dezembro de 2003. É material que pode ser útil para nossa formação permanente, que todos nós – jovens e menos jovens – somos convidados a realizar.

Padre Ramón Cazallas Serrano-IMC, partindo de sua longa experiência missionária, quer partilhar idéias e inquietações que, como ele próprio afirma, não são novas, mas são de ontem e de hoje. Em seu artigo: Os caminhos do Instituto são os caminhos da Missão?, apresenta a Missão como algo que nasce de dentro (“a partir da Trindade, do Espírito de Jesus, da Igreja...”); e, ao mesmo tempo, de fora, ou seja, das situações de periferia, dos excluídos: pobres, sem casa, sem terra, sem recursos... Referindo-se ao Fundador, Pe. Ramón afirma que Allamano é missionário a partir de dentro (“a partir de sua profunda experiência espiritual”) e a partir de fora (“ele deu tudo para a Missão”).

Padre Slvador Medina Gómez-IMC, em sua reflexão: Novas formas de Consolação: Justiça – Paz – Ecologia integradas na Evangelização, tenciona apresentar novos caminhos para a compreensão e a vivência do nosso carisma de consolação. Dizendo que a Missão apresenta hoje uma nova dimensão constitutiva, intimamente relacionada com a justiça, a paz e a ecologia, pergunta-se o que é em concreto e que implicações comporta para nós, missionários da verdadeira consolação. Padre Medina consulta diversas fontes antropológicas, culturais, bíblicas, teológicas, carismáticas e institucionais, mostrando implicações missionárias traduzidas em ações contextualizadas.

Padre Leonel Narváez Gómez, em seu estudo Elementos básicos da teoria do perdão e a reconciliação, nos apresenta importante contribuição em favor dos esforços que se fazem para o advento da paz no mundo. Trata-se de uma valiosa iniciativa que surgiu na Colômbia e que se difunde em outros países da América Latina, como rede de informação e de formação para o perdão e a reconciliação interpessoal, comunitária e de membros de sociedades. Não estamos fazendo referência às “Escolas de Perdão e Reconciliação” (ESPERE), fundadas pelo Pe. Leonel, e que vão penetrando nas comunidades religiosas, paróquias e instituições sociais. Com elas, pretende-se acompanhar o esforço diário que homens e mulheres fazem na construção do edifício da vida e da paz.

O conhecido teólogo brasileiro Paulo Suess, professor de Missiologia em São Paulo, em seu artigo O paradigma da inculturação revisitado, apresenta-nos o itinerário, os limites e os desafios da inculturação perante o pluralismo religioso da nossa sociedade. Inculturação e diálogo inter-religioso são os paradigmas que hoje se impõem à evangelização. Trata-se de conceitos que devem ser articulados com o da natureza missionária da Igreja, apesar das resistências contrárias (tradicionalismos e autoritarismos). Não obstante isso, novos horizontes se abrem, que não podem mais ser ignorados. “A inculturação é ainda um sonho que exige uma identidade adulta, uma sensibilidade hermenêutica e uma liberdade corajosa, capaz de acolher a experiência de Deus nos mais diversificados projetos de vida dos povos” – afirma Paulo Suess na conclusão de sua reflexão.

Pe. Francisco Lerma Martínez

Última Atualização ( 10 de April de 2006 )

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