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A vossa oração cotidiana de toda a vida. (Conf. IMC, III, 461) Com a Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae de 16 de outubro de 2002 (daqui por diante citada com as siglas: RVM), o Papa João Paulo II proclamou o ANO DO ROSÁRIO, de outubro de 2002 a outubro de 2003. Este novo documento pontifício tem por objetivo imprimir um novo reforço à linha da renovação pastoral traçada pela precedente Carta Apostólica Novo millennio ineunte (6 de janeiro de 2001). É uma iniciativa da qual o Papa espera frutos positivos para toda a cristandade. (O Rosário) “uma oração tão fácil e ao mesmo tempo tão rica, merece de verdade ser redescoberta pela comunidade cristã” (RVM, 43). Por este motivo, o Papa se dirige aos bispos, aos sacerdotes, aos teólogos, aos consagrados, aos agentes de pastoral nos diferentes ministérios, e os encoraja a fazer experiência pessoal da beleza do Rosário, e lhes pede que se façam diligentes promotores do mesmo (cf. RVM, 43). Comovente é, sobretudo, o apelo dirigido aos leigos: “Penso em vós todos, irmãos e irmãs de qualquer condição, em vós, famílias cristãs, em vós, doentes e idosos, em vós, jovens: retomai confiantemente nas mãos o terço do Rosário, fazendo a sua descoberta à luz da Escritura, em harmonia com a liturgia, no contexto da vida cotidiana”. E conclui: “Que este meu apelo não fique ignorado!” (RVM, 43).
Durante este ano, pode ser útil refletir sobre o modo como o nosso Fundador propunha esta oração aos seus filhos e filhas. Para dizer a verdade, pode-se tentar fazer uma comparação ou procurar pontos de convergência entre a citada Carta Apostólica de João Paulo II sobre o Rosário e a doutrina do Fundador. Neste artigo, tocarei alguns aspectos, a título de exemplo, que depois poderão ser individualmente aprofundados.
I. ALLAMANO E O ROSÁRIO
1. O Rosário inserido na piedade mariana do Allamano
A estima e o amor que o Fundador demonstrou pelo Rosário e suas numerosas intervenções nas conferências, para explicá-lo e recomendá-lo, para serem devidamente compreendidas, devem ser encaixadas, de modo geral, na sua piedade mariana. A mariologia do Allamano apresenta-se simples e personalizada. Não há dúvida de que ele possua um bom conhecimento da doutrina teológica acerca de Maria Santíssima. É demonstrado pelo conteúdo de todas as suas intervenções educativas. Não é fácil contar as vezes que Allamano falou de Nossa Senhora em suas conferências! E sempre de maneira teologicamente pontual, embora usasse um estilo e forma próprios do seu tempo e dos autores aos quais se referia. Mas há um elemento que sobressai com evidência: o seu discurso acerca de Nossa Senhora traz a marca de sua experiência de vida, seja como Reitor do Santuário da Consolata, seja como Fundador de dois Institutos Missionários.
Como Reitor do Santuário da Consolata, Allamano amadurece uma espiritualidade mariana relacionada ao ambiente onde vive e trabalha e, consequentemente, conexa com o mistério da “consolação”. Revela uma simplicidade desarmante, mas muito significativa, quando afirma que Maria Consolata é a “sua” Nossa Senhora. Às irmãs confidencia: “Hoje ainda não vi Nossa Senhora; esta manhã, quando saí, [a igreja] estava ainda fechada; esta tarde, quando voltar, estará já fechada, e eu só vi Nossa Senhora na igreja catedral, onde celebrei a missa cantada. Vi aquela da catedral, mas... não é a minha...” (Conf. MC, 556-557). A expressão, certamente um tanto ingênua, revela a sua convicção de ter estabelecido com a Consolata um elo de união que considerava privilegiado, a tal ponto de se considerar “o seu Secretário” e o seu “Tesoureiro”, com “o direito de ser ouvido antes dos outros” (Noticiário das Irmãs, Filo d’oro tra la culla e il campo, n. 3 [1924], p. 11).
Com Reitor de um santuário mariano tão importante, empenha-se ao máximo para renovar a piedade mariana na vida do povo. Estava convencido da presença “consoladora” e contínua de Nossa Senhora: “Como Nosso Senhor morreu para cada um de nós, assim Nossa Senhora se ocupa de cada um de nós; ocupa-se de ti... de mim, como se não houvesse mais ninguém” (Conf. MC, III, 405). Para Allamano, a “consolação” oferecida por Maria Consolata era, concretamente, a “salvação” sobrenatural: “Nossa Senhora, em Deus, com Deus, tudo pode; ela é Corredentora do gênero humano, porque sofreu com seu Filho, participou de sua paixão” (Conf. MC, II, 598). Além disso, Maria é a “Consoladora dos Aflitos” e, portanto, “esperança e conforto” dos que sofrem ou passam por duras necessidades, pois, como afirma o oremos da festa litúrgica da Consolata, “Deus dispôs que nos concederia toda graça por meio dela” (cf. Conf. MC, II, 594). E ainda: Maria é “Mãe” e, como tal, espera ser “consolada” pelos filhos. Embora todos os mistérios de Maria estejam presentes na espiritualidade do Allamano, esta dimensão inspirada na figura da Consolata ocupa um lugar privilegiado.
Como Fundador, Allamano tem consciência de ter um relacionamento especial com Maria, exatamente a nível de inspiração e de realização. De fato, reserva à Consolata o título de “Fundadora” e, portanto, de “Padroeira” dos seus dois Institutos. Quis que seus filhos e filhas trouxessem o título da Consolata, como “nome e sobrenome”, e se sentissem “filhos prediletos” e a considerassem “mãe terníssima”. Ensina, além disso, que para eles, “quando se fala de Nossa Senhora, se supõe sempre que seja a Consolata” (Conf. MC, III, 17). Propõe-lhes que “anunciem a glória de Maria aos povos”, para favorecer a divulgação da Boa-nova: “[Os africanos] amam muito Nossa Senhora, compreendem esta devoção, porque eles gostam mais da mãe do que do pai; portanto consideram muito natural que Nosso Senhor tenha uma Mãe” (Conf. MC, III, 406).
Em particular, como educador de missionários, Allamano apresenta Maria como “modelo” eficaz, depois de Jesus, para atingir o ideal por ele proposto: “Primeiro santos e depois missionários”. Sua proposta pedagógica está sempre relacionada com o Evangelho; e quando fala de qualquer virtude, começa infalivelmente a dizer como Jesus a viveu. Em grau subordinado e análogo, pode-se dizer a mesma coisa em relação a Nossa Senhora. Na verdade, é-lhe fácil e espontâneo indicar Maria como modelo de vida, em relação a qualquer virtude; e faz isso levado pela experiência de vida mais do que por estudo.
Poderíamos continuar com outros enunciados semelhantes, comparando-os com citações das conferências ou cartas de Allamano. Limito-me a este aceno, para dizer que o assunto sobre o Rosário deve ser visto neste quadro mais amplo do seu pensamento e espírito mariano. Assim se torna mais compreensível e, seguramente, mais aceitável.
Idêntico tipo de raciocínio parece emergir da Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae de João Paulo II. Ao número 24, depois de enunciar os quatro tipos de mistérios (da alegria, da luz, da dor e da glória), o Papa usa um título significativo: Dos ‘mistérios’ ao ‘Mistério’: o caminho de Maria. Aqui faz notar que a meditação dos vários mistérios introduz o ânimo “ao gosto de um conhecimento de Cristo”, que é a síntese de todos os mistérios evangélicos, o Mistério do Verbo feito carne que supera todo entendimento (cf. Ef 3, 19). Eis a conseqüência lógica desta premissa: “O Rosário coloca-se ao serviço deste ideal, oferecendo o ‘segredo’ para se abrir mais facilmente a um conhecimento profundo e empenhado de Cristo. Digamos que é o caminho de Maria. É o caminho do exemplo da Virgem de Nazaré, mulher de fé, de silêncio e de escuta. É, ao mesmo tempo, o caminho de uma devoção mariana animada pela certeza da relação individual que une Cristo à sua Mãe Santíssima: os mistérios de Cristo são também, de certo modo, os mistérios da mãe, mesmo quando não está diretamente envolvida, pelo fato de ela viver dele e para ele” (RVM, 24). Como se vê, também para o Papa, o Rosário deve ser encaixado num contexto mais amplo, que abraça toda a personalidade de Nossa Senhora, porque cada mistério enunciado no Rosário a une com toda a vida de Cristo, por causa da relação indissolúvel que ela tem com o “Mistério” por excelência, que é o fruto bendito do seu ventre (cf. Lc 1,42).
2. Allamano “educa” para a oração do Rosário
Examinando suas intervenções formativas, percebe-se quão freqüentemente o Fundador tenha falado sobre o Rosário, propondo e repropondo, ao longo dos anos, mais ou menos os mesmos conceitos. Esta espécie de repetição não deve ser considerada como um limite, mas é um valor do ponto de vista de sua vida pessoal e de sua capacidade educativa. Isto mostra com clareza como o Allamano tinha convicções que, com o passar do tempo, se mantiveram firmes, ou, melhor dizendo, reforçaram-se e desenvolveram-se. Mais que a doutrina, que aliás é abundante, emerge nele a fé e a piedade. Allamano, mais que um teólogo que ensina, é um santo que vive e que ensina a viver, também em relação ao Rosário.
Para conhecer integralmente a sua doutrina acerca do Rosário, basta examinar um seu manuscrito que, embora não seja o primeiro em ordem de tempo, considero-o como primeiro, porque o mais completo; e também porque, na prática, foi a base de todas as suas sucessivas intervenções. (Para os missionários: cf. Conf. IMC, II, 3370-371; além disso: III, 164-165; 244. Para as missionárias: cf. MC, II, 147-148 [idêntico ao IMC, III, 164-165]; 356 [idêntico ao IMC, III, 244]. Em seguida, visto que “o Rosário é um semeado de Ave Maria” (Conf. IMC, II, 683), convém verificar a magnífica e ampla explicação que o Fundador faz desta oração, que “depois do Pai-nosso é a oração mais excelente” (cf. Conf. IMC, II, 680-687; cf. também: Conf. MC, I, 424, onde o Fundador explica tanto o Pai-nosso como a Ave Maria).
3. Realismo sadio: o risco da repetição
Antes de tudo, o Fundador demonstra um são realismo, próprio de quem possui uma firme experiência de educador. Dá-se conta de que o Rosário, por causa da repetição de suas orações, pode causar certo tédio, com o perigo de ser abandonado. Impressiona a insistência com que encoraja a superar esta sensação mais psicológica que espiritual. Em sua pedagogia, observa-se um sublinhado especial da parte afetiva com um crescendo, que procuro realçar, trazendo algumas citações diretas, sem comentá-las. Se, depois, estas citações forem consideradas muito numerosas ou exageradas, considere-se que o Fundador tratou deste aspecto praticamente todas as vezes que falou do Rosário. No seu modo de pensar, terá sido algo pedagogicamente relevante.
O risco do tédio é real. “Em relação a este bendito Rosário, receio que se fale assim, só por falar, só para tirar o peso” (Conf. MC, II, 357)... “Em relação ao Rosário, tenho sempre medo que seja considerado como um peso; em si, não seria mal que fosse considerado um peso, mas que seja um peso suave” (Conf. MC, II, 361)... “Amai, estimai e afeiçoai-vos ao Rosário, não o considereis um peso, mas um peso suave” (Conf. MC, I, 185)... “Quando por acaso sentirdes um pouco de tédio, procurai afastá-lo; e se for um peso, servirá de bênção” (Conf. MC, II, 361)... “Fazei assim, e desta forma sempre rezareis o Rosário com fervor, de boa vontade; e não achareis que é uma oração longa” (Conf. MC, II, 491)... “Rezai o Rosário deste modo, e não o considerareis uma devoção longa e enfadonha, mas curta e suave” (Conf. IMC, II, 371).
Não omitir o Rosário com a desculpa de que se trata de uma devoção enfadonha. “A oração do Rosário não nos pareça enfadonha, não a rezemos com pouca devoção, nem a omitamos quando não pudermos rezá-la com a comunidade” (Conf. IMC, I, 107; cf. também 109). (Note-se que esta é uma das primeiras conferências em que o Fundador fala do Rosário, datada de 7 de outubro de 1906.) “[... Talvez consideramos o Rosário uma oração enfadonha, e como fazem muitos cristãos, o omitimos, porque não estritamente obrigatório?...” (Conf. IMC, II, 370). “Nós também podemos experimentar um pouco de tédio ao rezar o Rosário, e assim, pouco a pouco, acabamos por deixá-lo...” (Conf. IMC, II, 372).
Repetir: “Ave Maria” é sinal de amor. “[... Que não passe pela cabeça a idéia de que ele (o Rosário) é uma repetição enfadonha. É enfadonho, por acaso, dizer a Nossa Senhora que lhe queremos bem? É enfadonho dizer a Nosso Senhor que lhe queremos bem?” (Conf. MC, II, 149)... “Alguns se aborrecem e se enfastiam... O Padre Lacordaire afirma: ‘O amor só conhece uma palavra; quanto mais a repetimos, mais doce se torna, e é sempre nova’” (Conf. MC, I, 183; cf. também: II, 360). A esta altura, o Fundador não receia apresentar a experiência pessoal muito bela: “Quando digo que eu gosto da Consolata, que devo dizer... direi sempre aquilo” (Ibid.).
Oração do coração. “No Rosário há muitas Ave Maria, tudo igual, uma depois da outra, por que não se muda?! Repetir sempre as mesmas coisas... Os que assim falam, mostram que não rezam o Rosário com o coração” (Conf. IMC, II, 687)... “Como são belas as palavras do anjo! Cada palavra da Ave Maria é ouro. Ora, quando se repete sempre uma coisa bonita e boa, a gente não se cansa nunca! Sentir enfado ao rezar o Rosário, é sinal de almas tíbias, indiferentes” (Conf. IMC, III, 468).
Nossa Senhora não se aborrece ao ouvir que lhe repetimos a saudação angélica. “Oh! repetir sempre: Ave Maria!... Não sabeis que a Ave Maria é a oração mais bela depois do Pai-nosso? Nossa Senhora ouve com prazer sempre que lhe dirigimos esta oração. Por acaso Nosso Senhor compôs um livro de orações?” (Conf. MC, III, 356)... “Não nos cansemos nunca de repetir: Ave, Maria! [...] Nossa Senhora não se aborrece de ouvir isso” (Conf. MC, III, 406).
Vencer as tentações. “Para rezar o Rosário com devoção e não se distrair tão facilmente, é preciso fazer como as abelhas que voam de flor em flor: toma-se uma palavra aqui, recolhe-se um pensamento acolá...” (Conf. MC, I, 184).
Ao concluir estas citações, tornemos a ouvir os mesmos conceitos que encontramos sinteticamente expressos na Rosarium Virginis Mariae do Santo Padre: “A meditação dos mistérios de Cristo é proposta no Rosário com um método característico, apropriado por sua natureza para favorecer a assimilação deles. É o método baseado na repetição. Isto é visível sobretudo com a Ave Maria, repetida dez vezes em cada mistério. Considerando superficialmente tal repetição, pode-se ser tentado a ver o Rosário como uma prática árida e aborrecida. Chega-se, porém, a uma idéia muito diferente quando se considera o Terço como uma expressão do amor que não se cansa de voltar à pessoa amada com efusões que, apesar de semelhantes na sua manifestação, são sempre novas pelo sentimento que as permeia” (RVM, 26).
4. O Rosário é uma oração “garantida”, “segura”
Para Allamano, o Rosário é uma oração que dá garantia e segurança. Ele se detém de boamente para ilustrar-lhe o valor, que vê resumido em cinco razões: 1) a estima que lhe tiveram os Santos e os Papas; 2) o fato de que todos os Institutos religiosos reservem no seu horário um espaço para a oração do Rosário; 3) a composição do Rosário: oração vocal e mental; 4) a celebração dos mistérios da vida de Jesus e de Maria; 5) é fonte de graças extraordinárias para nós e para os outros (cf. Conf. IMC, III, 164-165; Conf. MC, II, 147-148; 356-359).
O Fundador discorre sobre estas razões em diferentes ocasiões, fazendo, por exemplo, o elenco dos Santos e dos Papas que honraram o Rosário, ensinando como as palavras devem ser pronunciadas quando se reza em comum, explicando o significado dos quinze mistérios, lembrando os frutos espirituais que se recebe, como as indulgências e outras graças, etc.
De modo particular, em relação aos Papas que demonstraram estima pelo Rosário, encontro uma ligação entre o ensinamento do Fundador e a Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae. Allamano evoca com convicção os Sumos Pontífices. Citando o volume intitulado Conferências ao Clero, da autoria do Padre Bruno José, filipino, traça um longo elenco e refere o pensamento sobre o Rosário de cada Papa que nomeia. É interessante ouvi-lo: “Um Papa disse que o Rosário é a árvore da vida: ressuscita os mortos e conserva os vivos. Urbano IV afirmou: ‘O povo cristão recebe cada dia imensos benefícios através do Rosário’. Leão XIII disse: “Por meio do Rosário aplaca-se a ira de Deus e se obtém a intercessão de Maria Santíssima’. Sixto V disse: ‘O Rosário é a saúde do cristão’. Um outro Papa disse: ‘O Rosário é a honra da Igreja de Roma’. Adriano IV disse: ‘O Rosário é o flagelo dos demônios’. Um outro Papa disse: ‘O Rosário é a destruição do pecado e a recuperação da graça’. Pio V disse: ‘Através do Rosário vencem-se as trevas da heresia e se difunde a luz da fé católica’. Paulo V disse: ‘O Rosário é um cofre de graças’. Urbano VIII disse: ‘O Rosário faz crescer o número dos cristãos’. Todos os Pontífices receberam o calor deste Rosário” (Conf. MC, II, 358-359). Depois, em relação ao Papa Leão XIII, que fazia parte de sua experiência pessoal, Allamano escreveu: “Lembro-vos as Encíclicas sobre o Rosário do Papa Leão XIII: constituem um verdadeiro tratado do Rosário” (Conf. IMC, II, 370). É significativo que o nosso Fundador indique o ensinamento pontifício também como alicerce, para oferecer uma garantia à recitação do Rosário. Faz parte da sua mentalidade. Este apelo ao ensinamento dos Papas tem um valor não de importância secundária, enquanto se liga ao Magistério Supremo da Igreja, embora, é claro, permaneça em nível de exortação.
Idêntico apelo aos Sumos Pontífices encontramos no número 2 da Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae. João Paulo II lembra os últimos Papas: “Muitos de meus predecessores atribuíram grande importância a essa oração. Merecimento particular teve, a propósito, Leão XIII, que no dia 1º de setembro de 1883, promulgava a Encíclica Supremi apostolatus officio, alto pronunciamento com o qual inaugurava numerosas outras declarações sobre esta oração, indicando-a como instrumento espiritual eficaz contra os males da sociedade. Entre os Papas mais recentes, já na época conciliar, que se distinguiram na promoção do Rosário, desejo recordar o Bem-aventurado João XXIII e sobretudo Paulo VI que, na Exortação Apostólica Marialis cultus, destacou, em harmonia com a inspiração do Concílio Vaticano II, o caráter evangélico do Rosário e sua orientação cristológica”. João Paulo II continua depois lembrando o seu próprio ensinamento, e não receia apresentar-se também como exemplo, com palavras muito delicadas e paternas.
No que tange ao exemplo dos santos favoráveis ao Rosário, o Fundador é muito explícito. O fato tem um significado interessante, porque assim ele se coloca na linha tradicional da sã piedade popular, que sustentou muitas pessoas e comunidades cristãs: “Para afeiçoar-vos a esta devoção, basta lembrar o exemplo dos santos que, a partir de São Domingos ao Bem-aventurado Cottolengo, todos foram enamorados do Rosário. São Carlos Borromeu chamava o Rosário de diviníssima devoção. São Filipe afirmava que se tivesse deixado de rezar o Rosário completo por um só dia, não teria considerado aquele dia grato a Deus” (Conf. IMC, III, 164; cf. também: II, 370, onde são citados outros santos).
Da mesma forma, também a RVM valoriza o exemplo dos santos para emprestar força a esta expressão de piedade mariana. De específico, no que se refere ao Fundador, existe o seguinte: em relação a este ponto, o Papa valoriza os santos atuais, cuja doutrina ainda está sendo dada ao conhecimento do público, e até santos que o povo conheceu. Sob o título: “Na senda das testemunhas”, o Papa afirma: “Seria impossível citar a multidão sem conta de santos que encontraram no Rosário um autêntico caminho de santificação. Bastará recordar São Luís Maria Grignon de Montfort, autor de uma preciosa obra sobre o Rosário [intitulada O segredo maravilhoso do Santo Rosário para converter-se e salvar-se] e, em nossos dias, Padre Pio de Pietrelcina, que recentemente tive a alegria de canonizar. Além disso, um carisma especial, como verdadeiro apóstolo do Rosário, teve o Bem-aventurado Bártolo Longo. Seu caminho de santidade apóia-se numa inspiração ouvida no fundo do coração: ‘Quem difunde o Rosário, se salva’” (RVM, 8).
5. Oração completa: mental e vocal
O valor intrínseco e característico do Rosário, para o Fundador, consiste sobretudo no fato de ser uma oração completa, composta por duas partes complementares e proporcionadas: uma mental (meditação, contemplação) e outra vocal (louvor, agradecimento, pedido, súplica). É a mesma idéia que encontramos na RVM.
Antes de tudo, o Rosário é meditação dos mistérios da salvação. Que este aspecto seja o principal, o Fundador não duvida: “Como oração mental, é a melhor meditação sobre a vida de Nosso Senhor e da Virgem Maria; meditação que suaviza toda a recitação” (Conf. IMC, II, 371). Esta é a expressão que o Fundador havia preparado nos seus esquemas. A exposição, contudo, visto que foi tomada estenograficamente por Padre Albertone, é mais viva: “E a oração mental? É a que dá valor à outra; quando se medita os mistérios, aquele quartozinho de hora passa rápido como a fumaça [...] e assim nós meditamos ora uma coisa, ora outra” (Conf. IMC, II, 373; cf. Conf. MC, I, 184). Pode ser útil referir uma intervenção, na qual o Fundador explicou às irmãs um método para meditar os mistérios, enquanto se rezam as Ave Maria. O método articula-se em três modos: 1) “meditar as palavras que se dizem: pensar bem naquilo que se diz e não se cansar de o repetir” (aqui faz notar o perigo da repetição); 2) refletir sobre o valor de cada mistério e “pedir a Nossa Senhora uma virtude ou a emenda de um defeito”; 3) imaginar a cena dos mistérios: “pensar prontamente num mistério e logo aparece o quadro na frente... Rezar toda a dezena pensando naquilo” (cf. Conf. MC, II, 360).
A Carta Apostólica do Papa, no número 2, também dá a entender onde está de verdade o significado meditativo do Rosário: “Sobre o fundo das palavras Ave Maria passam perante os olhos da alma os principais episódios da vida de Jesus através – assim poderíamos dizer – do Coração de sua Mãe” (n. 5). O Rosário é “oração marcadamente contemplativa” (n. 12). A razão profunda da meditação é assim explicada: “Só podemos introduzir-nos à contemplação do rosto de Cristo, escutando, no Espírito, a voz do Pai, porque ‘ninguém conhece o Filho senão o Pai’ (Mt 11,27). Nas proximidades de Cesaréia de Filipe, perante a confissão de Pedro, Jesus especifica a fonte de uma tão clara intuição da sua identidade: ‘Não foram a carne e o sangue que te revelaram isto, mas o meu Pai que está nos céus’ (Mt 16,17). É, pois, necessária a revelação do alto. Mas, para acolhê-la, é indispensável colocar-se à escuta” (RVM, 18). Mais adiante, o Papa até sugere um método para meditar os mistérios do Rosário: “Tal como na liturgia se recomendam momentos de silêncio, assim também na recitação do Rosário é oportuno fazer uma pausa depois da escuta da Palavra de Deus, enquanto o espírito se fixa no conteúdo do respectivo mistério, antes de começar a oração vocal. A redescoberta do valor do silêncio é um dos segredos para a prática da contemplação e da meditação” (RVM, 31).
O Rosário, em segundo lugar, é invocação, oração vocal. Neste contexto, são relevantes as explicações do Allamano acerca do conteúdo do Pai-nosso e da Ave Maria, que compõem substancialmente a parte da oração: “Nosso Senhor Jesus Cristo podia ensinar-nos muitas orações; entretanto, ao pedido dos Apóstolos: ‘Doce nos orare – ensina-nos a rezar’, só respondeu com os poucos pedidos do Pai-nosso; e os Apóstolos consideraram-se satisfeitos. Depois, a Ave Maria, foi composta pelo Pai Eterno com o Arcanjo Gabriel, Santa Isabel, inspirada por Deus, e a Igreja... E é tão curta!” (Conf. IMC, II, 370-371). Estas são as mesmas palavras que o Fundador tinha preparado no esquema da conferência. A exposição foi mais viva: “[A oração do Rosário] não se compõe de longas orações; e também Nosso Senhor não quer que se mude sempre: hoje esta, amanhã aquela, mas disse: “Sic orábitis – rezareis assim’, e foi suficiente, e foi suficiente... [E os Apóstolos] não lhe pediram outra /.../. O Pai-nosso contém tudo. E depois, a Ave Maria... Uniram-se três para compor uma pequena oração: o Eterno Pai, manda compor um pedacinho; depois, Isabel, inspirada, compõe outro pedaço; e a Igreja, por fim, compõe o resto. Em três para compor esta oração! E nós a rezamos como se nada fosse!” (Conf. IMC, II, 372; cf. também III, 167-168).
Também a RVM se detém na explicação do conteúdo do Pai-nosso e da Ave Maria: “Após a escuta da Palavra e a concentração no mistério, é natural que o espírito se eleve para o Pai. /.../ [Jesus] quer introduzir-nos na intimidade do Pai para dizermos com ele: ‘Abbá, Pai’ (Rm 8,5; Gl 4,6). [...] O Pai-nosso, colocado quase como alicerce da meditação cristológico-mariana que se desenrola na repetição da Ave Maria, torna a meditação do mistério, mesmo quando é feita a sós, uma experiência eclesial. Mas à luz da própria Ave Maria, bem entendida, nota-se claramente que o caráter mariano não só não se opõe ao cristológico como até o sublinha e exalta. De fato, a primeira parte da Ave Maria, tirada das palavras dirigidas a Maria pelo anjo Gabriel e por Santa Isabel, é contemplação adoradora do mistério que se realiza na Virgem de Nazaré. /.../ A repetição da Ave Maria no Rosário sintoniza-nos com este encanto de Deus: é júbilo, admiração, reconhecimento do maior milagre da história. É o cumprimento da profecia de Maria: ‘Desde agora, todas as gerações me chamarão bem-aventurada’” (Lc 1,48; RVM, 32-33).
A oração do Glória ao Pai, que conclui os mistérios, também é comentada pelo Fundador e evidenciada pela RVM. Allamano fala dela várias vezes, não tanto quando explica o Rosário, mas sobretudo por ocasião da festa da Santíssima Trindade. Insiste para que seja rezada devotamente, refletindo sobre as palavras que honram o Deus Uno e Trino. Relaciona inclusive à vocação missionária esta oração e a fé na Santíssima Trindade: “Todos devem ser devotos da Santíssima Trindade, sobretudo os missionários. Vós deveis ensinar aos fiéis este mistério, que não se pode compreender e que não se deve compreender... E se tiverdes especial devoção à Santíssima Trindade, o Senhor vos ajudará com a sua graça e fará com que aqueles corações creiam. Na verdade, é de se admirar como aqueles negros tenham aceito e creiam neste mistério de Deus Uno e Trino...” (Conf. IMC, I, 292).
A RVM também explica o significado do Glória ao Pai em relação ao Rosário e afirma: Se percorrermos em profundidade este caminho, achar-nos-emos continuamente na presença do mistério das três Pessoas divinas, para louvá-las, adorá-las e agradecer-lhes (cf. RVM, 34).
6. Oração que incide sobre a vida
O aspecto mais característico da doutrina do Allamano acerca do Rosário provavelmente é este: em cada mistério podemos descobrir virtudes próprias de Jesus e de Maria, que pedimos para nós e depois nos empenhamos em praticá-las. O Rosário, portanto, torna-se uma escola de vida; e quem o reza com fervor e regularidade, certamente progride na vida espiritual. Aqui também prefiro deixar a palavra ao Fundador, adiando a matéria para a segunda parte do estudo, onde Allamano explica como a recitação do Rosário pode influenciar positivamente a nossa vida. Idêntica preocupação pode ser encontrada na Carta Apostólica, que sublinha a incidência do Rosário na vida individual e sobretudo social: “Ao mesmo tempo o nosso coração pode encerrar nestas dezenas do Rosário todos os fatos que compõem a vida do indivíduo, da família, da nação, da Igreja e da humanidade”.
Um particular que não deve ser esquecido é o valor, sempre atual, do Rosário, como oração para implorar a paz. Como o Fundador recomendava a recitação do Rosário para obter a paz durante a Primeira Guerra Mundial (cf. Conf. IMC, II, 435; III, 165, 167), assim também o Papa, no negro horizonte do início do terceiro milênio, recomenda esta oração, porque ela é, “por sua natureza, uma oração orientada para a paz” (RVM, 40).
II. ALLAMANO ENUNCIA OS MISTÉRIOS
Pode-se rezar o santo Rosário enunciando todos os mistérios com as palavras diretas do Allamano. Se quisermos, este poderia tornar-se um método a ser atuado na vida interna do Instituto em ocasiões especiais, nas quais queremos rezar ajudados diretamente pelo Fundador.
É preciso considerar, porém, que ele nunca deu uma “aula” verdadeira e própria para explicar os quinze mistérios, embora falasse deles diversas vezes. Em alguma ocasião, todavia, enunciou-os um a um, com um pensamento particular para cada um deles. A intenção de Allamano, para dizer a verdade, era pedagógica. Neste ponto, para entrar em sintonia com o Fundador, pensemos que ele sugeria aos alunos ou às irmãs quais as virtudes que podiam ser imitadas a partir da meditação de cada mistério. Resultaram daí muitas enunciações, geralmente breves, por vezes desligadas entre si; enunciações que se referiam a determinados momentos, ou a situações particulares, no mais das vezes improvisadas. Nelas, pode-se ver como Jesus e Nossa Senhora se tornam mestres de oração e, sobretudo, de vida.
Para referir o pensamento do Fundador sobre os mistérios do Rosário, tomo como base as duas conferências do dia 7 de outubro de 1917, feitas respectivamente aos missionários e às irmãs, e completando-as, onde é possível, com pensamentos tomados de outrras conferências sobre os mesmos mistérios. Para os mistérios da luz, que obviamente o Fundador não previu, vou buscar referências nas conferências em que o Allamano trata daquele particular tema. Apresento um simples ensaio, que pode ser enriquecido e ordenado melhor.
Na exposição dos mistérios, sigo a ordem usada pelo Papa na RVM: mistérios da alegria, da luz, da dor e da glória, referindo as palavras diretas do Fundador, sem fazer nenhum comentário.
l. Mistérios da alegria (cf. RVM, 20)
Primeiro – A Anunciação: “[...] No primeiro mistério gozoso é anunciado a Maria Santíssima o Mistério da Encarnação. (Sic). Pensa-se nas virtudes que Nossa Senhora praticou neste mistério: humildade, pureza, espírito de sacrifício. Pois bem, durante este mistério, pedirei a Nossa Senhora que me ajude a amar a bela virtude da pureza. Em outra ocasião pedirei a humildade. Ela, que se denomina “Serva”, ajude-me a ser humilde. Isto se faz num momento: Ó Maria, vós que sois tão humilde, obtende-me esta graça”. (Conf. IMC, III, 168; cf. II, 373; MC, I, 184; II, 50-51; 491). “[...] Assim, numa outra circunstância, considerarei a atitude que manteve o anjo ao apresentar-se a Maria Santíssima. Imaginai com que respeito lhe falou! E pensarei: eu também sou assim respeitoso, assim devoto de Maria Santíssima?” (Conf. IMC, II, 179). “Fazei um ato de fé na encarnação do Verbo, depois considerai as virtudes praticadas por Nossa Senhora, que são particularmente três [...]” (Conf. MC, II, 149-150).
Segundo – A Visitação: “No 2º mistério, a Visitação a Santa Isabel. Fazei assim: imaginai de estar com Nossa Senhora que parte em visita a Santa Isabel. Enquanto se reza este mistério, pedi a graça de fazer sempre as coisas com ordem; Nossa Senhora, na casa de Isabel, não ficava batendo papo, nem permanecia muda: fazia o que devia fazer. Assim vós: pedi a graça de viver na comunidade como é preciso” (Conf. IMC, II, 168; cf. II, 179; 373-374; 622; MC, I, 184; 393-395). “Este mistério é feito para as pessoas de vida ativa. Nossa Senhora nos ensina a viver no mundo... Meu comportamento se parece com o de Nossa Senhora?” (Conf. MC, II, 150). (Este mistério é um dos mais comentados, em razão da festa anual da “Visitação”).
Terceiro – O Natal: “No 3º mistério, o nascimento de Nosso Senhor. E aqui, quem não pensa no Menino? Vós, que vindes do alto, fazei que eu também me eleve desta terra” (Conf. IMC, II, 169; MC, I, 184). “Neste mistério, agradecerei ao Senhor que nasceu por mim; pedirei o amor à pobreza” (Conf. MC, II, 150). (Os comentários sobre o mistério do nascimento, se quisermos, podemos encontrá-los em abundância nas conferências do Fundador por ocasião da festa do Santo Natal).
Quarto – A Apresentação de Maria Santíssima: “No 4º mistério, a Apresentação ao Templo. Simeão anuncia a Maria que teria sofrido muito; e ela tudo oferece ao Eterno Pai. Eu também quero oferecer tudo a vós, ó meu Deus” (Conf. IMC, II, 169; cf. MC, II, 488-490). “Nossa Senhora sofreu a primeira dor... Ela, toda pura, colocou-se entre as pessoas do mundo... Depois considerai: Nosso Senhor se ofereceu desde então para nossa salvação” (Conf. MC, II, 150).
Quinto – A perda e o encontro: “No 5º mistério, a perda entre os doutores. Quando eu, em minha vida, quero vencer a qualquer preço, não sou humilde como Nosso Senhor. Depois... se o Senhor quisesse ver-nos desapegados dos parentes... E se ele os chamasse a si, deveríamos, querendo ou não, desapegar-nos deles... (Conf. IMC, II, 169). “Este mistério nos ajuda a viver o desapego dos parentes, não só material, mas também espiritualmente, ou seja, com o desapego do coração” (Conf. MC, II, 150).
2. Mistérios da luz (cf. RVM, 21)
Primeiro – O Batismo de Jesus: “(Jesus) só se pôs à obra depois de ser batizado por João e ser enviado publicamente pelo Pai: ‘Hic est...’” (Conf. IMC, I, 27). “Agora perguntemo-nos: fiz sempre todas as coisas com perfeição? Se não as fiz, procurarei fazê-las [...]. Vede que belo elogio recebeu Nosso Senhor, certamente confirmado por seu Eterno Pai: ‘Este é o meu Filho muito amado no qual me comprazo’. Imitemos nós também a Nosso Senhor, esforçando-nos por desempenhar com perfeição todos os nossos deveres” (Conf. MC, I, 418-419; cf. IMC, II, 673).
Segundo – As bodas de Caná: “Nas bodas de Caná, Nossa Senhora estava tão certa de obter o milagre, que não ficou a questionar. Grande é o poder que Nossa Senhora exerce sobre seu divino Filho! O Senhor colocou tudo nas mãos de Nossa Senhora... Se ela se preocupa tanto com as coisas materiais, se pensou em fazer com que a água fosse transformada em vinho, sem que ninguém lho pedisse, muito mais se preocupará com as coisas espirituais... Após o milagre, nas bodas de Caná, os discípulos de Jesus cederam. Será que antes não acreditavam? Já tinham deixado tudo para seguir a Jesus. Sim, acreditavam, mas sua fé era fraca; porém, quando viram o milagre [...], confirmaram-se na fé” (Conf. MC, II, 223; cf. também IMC, III, 197).
Terceiro – O anúncio do Reino e apelo à conversão: “Sicut misit me Pater, et ego mitto vos. – Como o Pai me enviou, assim eu vos envio”. [...] “O Eteno Pai enviou o Filho, o Filho enviou a Igreja, e a Igreja, por meu intermédio, vos envia... E vos envia a fazer o quê? A pregar o Evangelho a toda criatura. O vosso zelo, portanto, não deve ter limites: sois enviados ao mundo inteiro, em toda parte. Deveis trabalhar pela conversão do mundo inteiro. [...] Nosso Senhor Jesus Cristo vos diz: ‘Com a mesma missão que o Pai Eterno me confiou, assim eu vos envio para a conversão das nações’” (Conf. IMC, III, 469).
Quarto – A Transfiguração: “Vós provais como o Senhor é bom, como a gente se sente feliz em sua companhia! Quam bonum est nos hic esse – Como é bom para nós estarmos aqui!” (Conf. IMC, II, 246; MC, I, 118). “E vós, sabeis apreciar de que modo se merece a graça de morar nesta casa santa? Sabeis corresponder à mesma [vocação] com todo o vosso empenho? Dizei também vós: Quam bonum nos hic esse! – Como é bom para nós estarmos aqui!” (Conf. IMC, II, 690; MC, I, 427; cf. também MC, II, 117). A esta altura, o Fundador, citando as Obras Espirituais de Tomás de Kêmpis, explica o sentido simbólico das três tendas: a primeira – para Jesus – manso e humilde de coração, representa a humildade; a segunda – para o manso Moisés – representa a mansidão; a terceira – para Elias – que dormia numa caverna e comia como podia, representa a pobreza.
Quinto – A instituição da Eucaristia: “[A Quinta-feira Santa] é o dia do amor ao Santíssimo Sacramento [...], durante o qual “é preciso que nos tornemos como Sacramentinos” (Conf. IMC, III, 411; cf. Conf. MC, I, 342). “Sede, portanto, grandes devotos de Jesus Sacramentado... Se tiverdes esta devoção, tereis tudo... Constatareis isso depois, lá na África... Quero que esta seja a devoção do Instituto” (Conf. IMC,I, 248). “A Missa é o memorial da Paixão. [...] É preciso ter fé viva, caridade ardente, como se a gente estivesse lá no Calvário. [...] Imaginai-vos no Calvário, com Nossa Senhora” (Conf. MC, I, 224-225). “A Missa, a Comunhão e a Visita ao Santíssimo [...] devem ser os nossos três amores” (Conf. IMC, II, 609).
3. Mistérios da dor (cf. RVM, 22)
Primeiro – A agonia no Getsêmani: “No 1º mistério, Jesus no Horto das Oliveiras, deve comover-nos. Sofre por quem? Por suas dores? Sim, mas também por mim. Depois, é abandonado pelos Apóstolos!... Imaginai Jesus, no Horto, a dizer: ‘Quae utílitas in sánguine meo? – Qual utilidade no meu sangue?’ Muitos, no mundo, não tiram proveito do sangue de Jesus. Pois bem, que este sangue desça sobre mim!” (Conf. IMC, II, 374; III, 169). “São Carlos, em Varallo, sempre ia rezar na capela em que se representa Jesus na agonia do Horto. Oh! como é bonito (com entusiasmo) consolar Jesus em sua agonia!” (Conf. MC, I, 184). “Jesus, no Getsêmani, sofre, sua sangue. ‘Quae utílitas in sánguine meo?’ Imaginemos que Jesus dirija estas palavras a nós... É uma repreensão, da qual devemos tirar proveito para nós e para as almas” (Conf. MC, II, 150).
Segundo – A flagelação: “No 2º mistério, a flagelação. Quando sinto um pequeno sofrimento, gostaria que todos me cercassem de atenções. Não, daqui por diante quero sofrer com coragem!” (Conf. IMC, III, 169). “Quem vos flagelou, ó Jesus? Foram os meus pecados!” (Conf. MC, I, 185). “Ao rezar este mistério, dizei ao Senhor: Eu também quisera ser tão generoso assim, para poder sofrer alguma coisa por vós!” (Conf. MC, II, 150).
Terceiro – A coroação de espinhos: “No 3º mistério, a coroação de espinhos. Eu não sou capaz de sofrer uma pequena dor de cabeça... E quando me passarem pela cabeça coisas más, quero pensar que são espinhos que pungem Nosso Senhor e, por isso, quero afastá-las...” (Conf. IMC, III, 169). “Coroação de espinhos: por todas as coisas negativas que tenho na cabeça, etc.” (Conf. MC, I, 184). “Nosso Senhor, tão sensível, sofreu atrozmente; e eu não sou capaz de afastar do pensamento certas historiazinhas e bobagens!... Pedi a Jesus pensamentos robustos” (Conf. MC, II, 150).
Quarto – O caminho do Calvário: “No 4º mistério, a condenação à morte. Senhor, eu é que mereci a morte, não vós; eu, que sou incapaz de suportar uma palavra ofensiva do companheiro” (Conf. IMC, III, 169). “Jesus carrega a sua cruz; e eu, como carrego a minha? Talvez a faço mais pesada do que é, porque tenho alguma coisinha a suportar?” (Conf. MC, II, 150).
Quinto – A morte na cruz: “No 5º mistério, a morte de Jesus na cruz. A cruz está sempre presente na Igreja; colocai-vos com o pensamento aos pés dela... É assim que se deve meditar...” (Conf. IMC, III, 169). “A morte de Jesus! Rezando este mistério podemos refletir sobre as sete palavras que Jesus proferiu na cruz, e pedir: Senhor, derramai sobre mim o vosso sangue!” (Conf. MC, II, 150).
4. Mistérios da glória (cf. RVM, 23)
Primeiro – A ressurreição: “Primeiro mistério: Jesus ressuscita para nunca mais morrer. Eu ressuscito todos os sábados [com a confissão], e ‘non movébor in aeternum – ficarei firme para sempre’. Sim, digo isto; entretanto, depois de duas horas... encontro-me na mesma situação de antes” (Conf. IMC, III, 169). “A ressurreição: Senhor, fazei que eu ressurja dos meus pecados!” (Conf. MC, I, 185). “Pedi ao Senhor que vos faça ressurgir de uma vez por todas” (Conf. MC, II, 150).
Segundo – A Ascensão ao céu: “No 2º mistério, a Ascensão. Pensai no que Jesus disse aos Apóstolos: ‘Vado parare vobis locum – vou preparar-vos um lugar...’ E eu quero um lugar de missionário, não com as crianças” (Conf. IMC, III, 169). “Ascensão: que Jesus nos prepare um bonito lugar no paraíso!” (Conf. MC, I, 185). “Dizei ao Senhor: preparai-me um lugar de missionário/a no paraíso, e não no meio da multidão” (Conf. MC, II, 150).
Terceiro – O Pentecostes: “A descida do Espírito Santo: a impressão de estar no Cenáculo no dia de Pentecostes... Pedir que o Senhor envie o Espírito Santo: espírito de piedade, de temor de Deus, e pedir uma graça inerente àquele mistério” (Conf. IMC, II, 374). “Coloquemo-nos junto de Nossa Senhora e digamos ao Espírito Santo: Descei sobre mim! O Espírito Santo deve ser desejado” (Conf. IMC, III, 169). “Descida do Espírito Santo: coloquemo-nos entre os Apóstolos e Nossa Senhora, para recebermos também nós a grande chama do Espírito Santo” (Conf. MC, I, 185). “Colocai-vos no meio dos Apóstolos: ‘Emitte Spiritum et creabuntur – envia o teu Espírito e tudo será criado’” (Conf. MC, II, 151).
Quarto – A Assunção de Maria Santíssima: “No 4º mistério, a morte e Assunção de Maria ao céu. Desejemos que Maria Santíssima venha assistir-nos em ponto de morte. Os santos desejavam isso. O Venerável Cafasso dizia: ‘Ah! se pudesse tê-la junto ao leito de morte!...’ E ele a teve. Digamos-lhe que nos prepare um lugar no paraíso” (Conf. IMC, III, 169). “A morte de Maria... E nós dizemos: Ajuda-me a viver, tira-me desta situação!...” (Conf. MC, I, 185). “Pedi-lhe a graça de morrer santamente, a graça da perseverança final” (Conf. MC, II, 151).
Quinto – A coroação de Maria Santíssima Rainha: “No 5º mistério, a coroação de Maria Santíssima. É preciso dizer: Eu quero estar presente nesta festa. Bem sabeis que é uma festa que se renova sempre. Quero ser uma estrela na coroa de Nossa Senhora” (Conf. IMC, III, 169). “Coroação de Maria... Digamos com Santo Afonso: ‘Morro de desejo de ver-vos, ó meu Deus!” (Conf. MC, I, 185). “Neste mistério, dizei: ‘Eu também quero coroar Nossa Senhora, quero ser uma das rosas [da coroa] de Nossa Senhora” (Conf. MC, II, 151).
CONCLUSÃO
Pelo que dissemos até aqui, aparece claramente o profundo amor e a estima que o Fundador tinha pelo santo Rosário. Segundo ele, o Rosário, para os sacerdotes, é “quase um complemento do santo Breviário” (Conf. IMC, III, 164). “[...] E nós, sacerdotes, depois do Breviário, temos o Rosário” (Conf. IMC, III, 169). “Todo bom sacerdote [e nós podemos acrescentar: missionário] nunca omite a recitação diária do Rosário. Fazei isso, e alcançareis muitas graças para vós, para a Igreja e para a sociedade. Fazei isso!” (Ibidem).
Eis a conclusão para todos: “Portanto, hoje [7 de outubro de 1917] desejo que façais o propósito de rezar sempre o Rosário na igreja com os irmãos, o mais que for possível; não vades dormir sem antes ter rezado o Rosário” (Conf. IMC, III, 168). “Tomai hoje [6 de outubro de 1918] a resolução de nunca omitir a reza diária do Rosário, ainda quando não fosse possível rezá-lo com a comunidade; e rezai-o de boa vontade, não como um peso, com aborrecimento...” (Conf. IMC, III, 244 [seu esquema]).
“Que prazer não terá Nossa Senhora ao ouvir que lhe dizemos muitas vezes: ‘Ave, Maria!’ Mas é preciso que rezemos as Ave Maria com fervor cada vez maior. O santo Rosário deve ser o nosso pão cotidiano” (Conf. MC, III, 112). “Depois, o Rosário, naturalmente, deve ser a vossa oração cotidiana de toda a vida: nunca o omitais” (Conf. MC, III, 461; cf. I, 347). “É preciso fazer com que o santo Rosário se torne para nós motivo de satisfação por toda a vida” (Conf. MC, III, 138).
Com a Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae de 16 de outubro de 2002 (daqui por diante citada com as siglas: RVM), o Papa João Paulo II proclamou o ANO DO ROSÁRIO, de outubro de 2002 a outubro de 2003. Este novo documento pontifício tem por objetivo imprimir um novo reforço à linha da renovação pastoral traçada pela precedente Carta Apostólica Novo millennio ineunte (6 de janeiro de 2001). É uma iniciativa da qual o Papa espera frutos positivos para toda a cristandade. (O Rosário) “uma oração tão fácil e ao mesmo tempo tão rica, merece de verdade ser redescoberta pela comunidade cristã” (RVM, 43). Por este motivo, o Papa se dirige aos bispos, aos sacerdotes, aos teólogos, aos consagrados, aos agentes de pastoral nos diferentes ministérios, e os encoraja a fazer experiência pessoal da beleza do Rosário, e lhes pede que se façam diligentes promotores do mesmo (cf. RVM, 43). Comovente é, sobretudo, o apelo dirigido aos leigos: “Penso em vós todos, irmãos e irmãs de qualquer condição, em vós, famílias cristãs, em vós, doentes e idosos, em vós, jovens: retomai confiantemente nas mãos o terço do Rosário, fazendo a sua descoberta à luz da Escritura, em harmonia com a liturgia, no contexto da vida cotidiana”. E conclui: “Que este meu apelo não fique ignorado!” (RVM, 43).
Durante este ano, pode ser útil refletir sobre o modo como o nosso Fundador propunha esta oração aos seus filhos e filhas. Para dizer a verdade, pode-se tentar fazer uma comparação ou procurar pontos de convergência entre a citada Carta Apostólica de João Paulo II sobre o Rosário e a doutrina do Fundador. Neste artigo, tocarei alguns aspectos, a título de exemplo, que depois poderão ser individualmente aprofundados.
I. ALLAMANO E O ROSÁRIO
1. O Rosário inserido na piedade mariana do Allamano
A estima e o amor que o Fundador demonstrou pelo Rosário e suas numerosas intervenções nas conferências, para explicá-lo e recomendá-lo, para serem devidamente compreendidas, devem ser encaixadas, de modo geral, na sua piedade mariana. A mariologia do Allamano apresenta-se simples e personalizada. Não há dúvida de que ele possua um bom conhecimento da doutrina teológica acerca de Maria Santíssima. É demonstrado pelo conteúdo de todas as suas intervenções educativas. Não é fácil contar as vezes que Allamano falou de Nossa Senhora em suas conferências! E sempre de maneira teologicamente pontual, embora usasse um estilo e forma próprios do seu tempo e dos autores aos quais se referia. Mas há um elemento que sobressai com evidência: o seu discurso acerca de Nossa Senhora traz a marca de sua experiência de vida, seja como Reitor do Santuário da Consolata, seja como Fundador de dois Institutos Missionários.
Como Reitor do Santuário da Consolata, Allamano amadurece uma espiritualidade mariana relacionada ao ambiente onde vive e trabalha e, consequentemente, conexa com o mistério da “consolação”. Revela uma simplicidade desarmante, mas muito significativa, quando afirma que Maria Consolata é a “sua” Nossa Senhora. Às irmãs confidencia: “Hoje ainda não vi Nossa Senhora; esta manhã, quando saí, [a igreja] estava ainda fechada; esta tarde, quando voltar, estará já fechada, e eu só vi Nossa Senhora na igreja catedral, onde celebrei a missa cantada. Vi aquela da catedral, mas... não é a minha...” (Conf. MC, 556-557). A expressão, certamente um tanto ingênua, revela a sua convicção de ter estabelecido com a Consolata um elo de união que considerava privilegiado, a tal ponto de se considerar “o seu Secretário” e o seu “Tesoureiro”, com “o direito de ser ouvido antes dos outros” (Noticiário das Irmãs, Filo d’oro tra la culla e il campo, n. 3 [1924], p. 11).
Com Reitor de um santuário mariano tão importante, empenha-se ao máximo para renovar a piedade mariana na vida do povo. Estava convencido da presença “consoladora” e contínua de Nossa Senhora: “Como Nosso Senhor morreu para cada um de nós, assim Nossa Senhora se ocupa de cada um de nós; ocupa-se de ti... de mim, como se não houvesse mais ninguém” (Conf. MC, III, 405). Para Allamano, a “consolação” oferecida por Maria Consolata era, concretamente, a “salvação” sobrenatural: “Nossa Senhora, em Deus, com Deus, tudo pode; ela é Corredentora do gênero humano, porque sofreu com seu Filho, participou de sua paixão” (Conf. MC, II, 598). Além disso, Maria é a “Consoladora dos Aflitos” e, portanto, “esperança e conforto” dos que sofrem ou passam por duras necessidades, pois, como afirma o oremos da festa litúrgica da Consolata, “Deus dispôs que nos concederia toda graça por meio dela” (cf. Conf. MC, II, 594). E ainda: Maria é “Mãe” e, como tal, espera ser “consolada” pelos filhos. Embora todos os mistérios de Maria estejam presentes na espiritualidade do Allamano, esta dimensão inspirada na figura da Consolata ocupa um lugar privilegiado.
Como Fundador, Allamano tem consciência de ter um relacionamento especial com Maria, exatamente a nível de inspiração e de realização. De fato, reserva à Consolata o título de “Fundadora” e, portanto, de “Padroeira” dos seus dois Institutos. Quis que seus filhos e filhas trouxessem o título da Consolata, como “nome e sobrenome”, e se sentissem “filhos prediletos” e a considerassem “mãe terníssima”. Ensina, além disso, que para eles, “quando se fala de Nossa Senhora, se supõe sempre que seja a Consolata” (Conf. MC, III, 17). Propõe-lhes que “anunciem a glória de Maria aos povos”, para favorecer a divulgação da Boa-nova: “[Os africanos] amam muito Nossa Senhora, compreendem esta devoção, porque eles gostam mais da mãe do que do pai; portanto consideram muito natural que Nosso Senhor tenha uma Mãe” (Conf. MC, III, 406).
Em particular, como educador de missionários, Allamano apresenta Maria como “modelo” eficaz, depois de Jesus, para atingir o ideal por ele proposto: “Primeiro santos e depois missionários”. Sua proposta pedagógica está sempre relacionada com o Evangelho; e quando fala de qualquer virtude, começa infalivelmente a dizer como Jesus a viveu. Em grau subordinado e análogo, pode-se dizer a mesma coisa em relação a Nossa Senhora. Na verdade, é-lhe fácil e espontâneo indicar Maria como modelo de vida, em relação a qualquer virtude; e faz isso levado pela experiência de vida mais do que por estudo.
Poderíamos continuar com outros enunciados semelhantes, comparando-os com citações das conferências ou cartas de Allamano. Limito-me a este aceno, para dizer que o assunto sobre o Rosário deve ser visto neste quadro mais amplo do seu pensamento e espírito mariano. Assim se torna mais compreensível e, seguramente, mais aceitável.
Idêntico tipo de raciocínio parece emergir da Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae de João Paulo II. Ao número 24, depois de enunciar os quatro tipos de mistérios (da alegria, da luz, da dor e da glória), o Papa usa um título significativo: Dos ‘mistérios’ ao ‘Mistério’: o caminho de Maria. Aqui faz notar que a meditação dos vários mistérios introduz o ânimo “ao gosto de um conhecimento de Cristo”, que é a síntese de todos os mistérios evangélicos, o Mistério do Verbo feito carne que supera todo entendimento (cf. Ef 3, 19). Eis a conseqüência lógica desta premissa: “O Rosário coloca-se ao serviço deste ideal, oferecendo o ‘segredo’ para se abrir mais facilmente a um conhecimento profundo e empenhado de Cristo. Digamos que é o caminho de Maria. É o caminho do exemplo da Virgem de Nazaré, mulher de fé, de silêncio e de escuta. É, ao mesmo tempo, o caminho de uma devoção mariana animada pela certeza da relação individual que une Cristo à sua Mãe Santíssima: os mistérios de Cristo são também, de certo modo, os mistérios da mãe, mesmo quando não está diretamente envolvida, pelo fato de ela viver dele e para ele” (RVM, 24). Como se vê, também para o Papa, o Rosário deve ser encaixado num contexto mais amplo, que abraça toda a personalidade de Nossa Senhora, porque cada mistério enunciado no Rosário a une com toda a vida de Cristo, por causa da relação indissolúvel que ela tem com o “Mistério” por excelência, que é o fruto bendito do seu ventre (cf. Lc 1,42).
2. Allamano “educa” para a oração do Rosário
Examinando suas intervenções formativas, percebe-se quão freqüentemente o Fundador tenha falado sobre o Rosário, propondo e repropondo, ao longo dos anos, mais ou menos os mesmos conceitos. Esta espécie de repetição não deve ser considerada como um limite, mas é um valor do ponto de vista de sua vida pessoal e de sua capacidade educativa. Isto mostra com clareza como o Allamano tinha convicções que, com o passar do tempo, se mantiveram firmes, ou, melhor dizendo, reforçaram-se e desenvolveram-se. Mais que a doutrina, que aliás é abundante, emerge nele a fé e a piedade. Allamano, mais que um teólogo que ensina, é um santo que vive e que ensina a viver, também em relação ao Rosário.
Para conhecer integralmente a sua doutrina acerca do Rosário, basta examinar um seu manuscrito que, embora não seja o primeiro em ordem de tempo, considero-o como primeiro, porque o mais completo; e também porque, na prática, foi a base de todas as suas sucessivas intervenções. (Para os missionários: cf. Conf. IMC, II, 3370-371; além disso: III, 164-165; 244. Para as missionárias: cf. MC, II, 147-148 [idêntico ao IMC, III, 164-165]; 356 [idêntico ao IMC, III, 244]. Em seguida, visto que “o Rosário é um semeado de Ave Maria” (Conf. IMC, II, 683), convém verificar a magnífica e ampla explicação que o Fundador faz desta oração, que “depois do Pai-nosso é a oração mais excelente” (cf. Conf. IMC, II, 680-687; cf. também: Conf. MC, I, 424, onde o Fundador explica tanto o Pai-nosso como a Ave Maria).
3. Realismo sadio: o risco da repetição
Antes de tudo, o Fundador demonstra um são realismo, próprio de quem possui uma firme experiência de educador. Dá-se conta de que o Rosário, por causa da repetição de suas orações, pode causar certo tédio, com o perigo de ser abandonado. Impressiona a insistência com que encoraja a superar esta sensação mais psicológica que espiritual. Em sua pedagogia, observa-se um sublinhado especial da parte afetiva com um crescendo, que procuro realçar, trazendo algumas citações diretas, sem comentá-las. Se, depois, estas citações forem consideradas muito numerosas ou exageradas, considere-se que o Fundador tratou deste aspecto praticamente todas as vezes que falou do Rosário. No seu modo de pensar, terá sido algo pedagogicamente relevante.
O risco do tédio é real. “Em relação a este bendito Rosário, receio que se fale assim, só por falar, só para tirar o peso” (Conf. MC, II, 357)... “Em relação ao Rosário, tenho sempre medo que seja considerado como um peso; em si, não seria mal que fosse considerado um peso, mas que seja um peso suave” (Conf. MC, II, 361)... “Amai, estimai e afeiçoai-vos ao Rosário, não o considereis um peso, mas um peso suave” (Conf. MC, I, 185)... “Quando por acaso sentirdes um pouco de tédio, procurai afastá-lo; e se for um peso, servirá de bênção” (Conf. MC, II, 361)... “Fazei assim, e desta forma sempre rezareis o Rosário com fervor, de boa vontade; e não achareis que é uma oração longa” (Conf. MC, II, 491)... “Rezai o Rosário deste modo, e não o considerareis uma devoção longa e enfadonha, mas curta e suave” (Conf. IMC, II, 371).
Não omitir o Rosário com a desculpa de que se trata de uma devoção enfadonha. “A oração do Rosário não nos pareça enfadonha, não a rezemos com pouca devoção, nem a omitamos quando não pudermos rezá-la com a comunidade” (Conf. IMC, I, 107; cf. também 109). (Note-se que esta é uma das primeiras conferências em que o Fundador fala do Rosário, datada de 7 de outubro de 1906.) “[... Talvez consideramos o Rosário uma oração enfadonha, e como fazem muitos cristãos, o omitimos, porque não estritamente obrigatório?...” (Conf. IMC, II, 370). “Nós também podemos experimentar um pouco de tédio ao rezar o Rosário, e assim, pouco a pouco, acabamos por deixá-lo...” (Conf. IMC, II, 372).
Repetir: “Ave Maria” é sinal de amor. “[... Que não passe pela cabeça a idéia de que ele (o Rosário) é uma repetição enfadonha. É enfadonho, por acaso, dizer a Nossa Senhora que lhe queremos bem? É enfadonho dizer a Nosso Senhor que lhe queremos bem?” (Conf. MC, II, 149)... “Alguns se aborrecem e se enfastiam... O Padre Lacordaire afirma: ‘O amor só conhece uma palavra; quanto mais a repetimos, mais doce se torna, e é sempre nova’” (Conf. MC, I, 183; cf. também: II, 360). A esta altura, o Fundador não receia apresentar a experiência pessoal muito bela: “Quando digo que eu gosto da Consolata, que devo dizer... direi sempre aquilo” (Ibid.).
Oração do coração. “No Rosário há muitas Ave Maria, tudo igual, uma depois da outra, por que não se muda?! Repetir sempre as mesmas coisas... Os que assim falam, mostram que não rezam o Rosário com o coração” (Conf. IMC, II, 687)... “Como são belas as palavras do anjo! Cada palavra da Ave Maria é ouro. Ora, quando se repete sempre uma coisa bonita e boa, a gente não se cansa nunca! Sentir enfado ao rezar o Rosário, é sinal de almas tíbias, indiferentes” (Conf. IMC, III, 468).
Nossa Senhora não se aborrece ao ouvir que lhe repetimos a saudação angélica. “Oh! repetir sempre: Ave Maria!... Não sabeis que a Ave Maria é a oração mais bela depois do Pai-nosso? Nossa Senhora ouve com prazer sempre que lhe dirigimos esta oração. Por acaso Nosso Senhor compôs um livro de orações?” (Conf. MC, III, 356)... “Não nos cansemos nunca de repetir: Ave, Maria! [...] Nossa Senhora não se aborrece de ouvir isso” (Conf. MC, III, 406).
Vencer as tentações. “Para rezar o Rosário com devoção e não se distrair tão facilmente, é preciso fazer como as abelhas que voam de flor em flor: toma-se uma palavra aqui, recolhe-se um pensamento acolá...” (Conf. MC, I, 184).
Ao concluir estas citações, tornemos a ouvir os mesmos conceitos que encontramos sinteticamente expressos na Rosarium Virginis Mariae do Santo Padre: “A meditação dos mistérios de Cristo é proposta no Rosário com um método característico, apropriado por sua natureza para favorecer a assimilação deles. É o método baseado na repetição. Isto é visível sobretudo com a Ave Maria, repetida dez vezes em cada mistério. Considerando superficialmente tal repetição, pode-se ser tentado a ver o Rosário como uma prática árida e aborrecida. Chega-se, porém, a uma idéia muito diferente quando se considera o Terço como uma expressão do amor que não se cansa de voltar à pessoa amada com efusões que, apesar de semelhantes na sua manifestação, são sempre novas pelo sentimento que as permeia” (RVM, 26).
4. O Rosário é uma oração “garantida”, “segura”
Para Allamano, o Rosário é uma oração que dá garantia e segurança. Ele se detém de boamente para ilustrar-lhe o valor, que vê resumido em cinco razões: 1) a estima que lhe tiveram os Santos e os Papas; 2) o fato de que todos os Institutos religiosos reservem no seu horário um espaço para a oração do Rosário; 3) a composição do Rosário: oração vocal e mental; 4) a celebração dos mistérios da vida de Jesus e de Maria; 5) é fonte de graças extraordinárias para nós e para os outros (cf. Conf. IMC, III, 164-165; Conf. MC, II, 147-148; 356-359).
O Fundador discorre sobre estas razões em diferentes ocasiões, fazendo, por exemplo, o elenco dos Santos e dos Papas que honraram o Rosário, ensinando como as palavras devem ser pronunciadas quando se reza em comum, explicando o significado dos quinze mistérios, lembrando os frutos espirituais que se recebe, como as indulgências e outras graças, etc.
De modo particular, em relação aos Papas que demonstraram estima pelo Rosário, encontro uma ligação entre o ensinamento do Fundador e a Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae. Allamano evoca com convicção os Sumos Pontífices. Citando o volume intitulado Conferências ao Clero, da autoria do Padre Bruno José, filipino, traça um longo elenco e refere o pensamento sobre o Rosário de cada Papa que nomeia. É interessante ouvi-lo: “Um Papa disse que o Rosário é a árvore da vida: ressuscita os mortos e conserva os vivos. Urbano IV afirmou: ‘O povo cristão recebe cada dia imensos benefícios através do Rosário’. Leão XIII disse: “Por meio do Rosário aplaca-se a ira de Deus e se obtém a intercessão de Maria Santíssima’. Sixto V disse: ‘O Rosário é a saúde do cristão’. Um outro Papa disse: ‘O Rosário é a honra da Igreja de Roma’. Adriano IV disse: ‘O Rosário é o flagelo dos demônios’. Um outro Papa disse: ‘O Rosário é a destruição do pecado e a recuperação da graça’. Pio V disse: ‘Através do Rosário vencem-se as trevas da heresia e se difunde a luz da fé católica’. Paulo V disse: ‘O Rosário é um cofre de graças’. Urbano VIII disse: ‘O Rosário faz crescer o número dos cristãos’. Todos os Pontífices receberam o calor deste Rosário” (Conf. MC, II, 358-359). Depois, em relação ao Papa Leão XIII, que fazia parte de sua experiência pessoal, Allamano escreveu: “Lembro-vos as Encíclicas sobre o Rosário do Papa Leão XIII: constituem um verdadeiro tratado do Rosário” (Conf. IMC, II, 370). É significativo que o nosso Fundador indique o ensinamento pontifício também como alicerce, para oferecer uma garantia à recitação do Rosário. Faz parte da sua mentalidade. Este apelo ao ensinamento dos Papas tem um valor não de importância secundária, enquanto se liga ao Magistério Supremo da Igreja, embora, é claro, permaneça em nível de exortação.
Idêntico apelo aos Sumos Pontífices encontramos no número 2 da Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae. João Paulo II lembra os últimos Papas: “Muitos de meus predecessores atribuíram grande importância a essa oração. Merecimento particular teve, a propósito, Leão XIII, que no dia 1º de setembro de 1883, promulgava a Encíclica Supremi apostolatus officio, alto pronunciamento com o qual inaugurava numerosas outras declarações sobre esta oração, indicando-a como instrumento espiritual eficaz contra os males da sociedade. Entre os Papas mais recentes, já na época conciliar, que se distinguiram na promoção do Rosário, desejo recordar o Bem-aventurado João XXIII e sobretudo Paulo VI que, na Exortação Apostólica Marialis cultus, destacou, em harmonia com a inspiração do Concílio Vaticano II, o caráter evangélico do Rosário e sua orientação cristológica”. João Paulo II continua depois lembrando o seu próprio ensinamento, e não receia apresentar-se também como exemplo, com palavras muito delicadas e paternas.
No que tange ao exemplo dos santos favoráveis ao Rosário, o Fundador é muito explícito. O fato tem um significado interessante, porque assim ele se coloca na linha tradicional da sã piedade popular, que sustentou muitas pessoas e comunidades cristãs: “Para afeiçoar-vos a esta devoção, basta lembrar o exemplo dos santos que, a partir de São Domingos ao Bem-aventurado Cottolengo, todos foram enamorados do Rosário. São Carlos Borromeu chamava o Rosário de diviníssima devoção. São Filipe afirmava que se tivesse deixado de rezar o Rosário completo por um só dia, não teria considerado aquele dia grato a Deus” (Conf. IMC, III, 164; cf. também: II, 370, onde são citados outros santos).
Da mesma forma, também a RVM valoriza o exemplo dos santos para emprestar força a esta expressão de piedade mariana. De específico, no que se refere ao Fundador, existe o seguinte: em relação a este ponto, o Papa valoriza os santos atuais, cuja doutrina ainda está sendo dada ao conhecimento do público, e até santos que o povo conheceu. Sob o título: “Na senda das testemunhas”, o Papa afirma: “Seria impossível citar a multidão sem conta de santos que encontraram no Rosário um autêntico caminho de santificação. Bastará recordar São Luís Maria Grignon de Montfort, autor de uma preciosa obra sobre o Rosário [intitulada O segredo maravilhoso do Santo Rosário para converter-se e salvar-se] e, em nossos dias, Padre Pio de Pietrelcina, que recentemente tive a alegria de canonizar. Além disso, um carisma especial, como verdadeiro apóstolo do Rosário, teve o Bem-aventurado Bártolo Longo. Seu caminho de santidade apóia-se numa inspiração ouvida no fundo do coração: ‘Quem difunde o Rosário, se salva’” (RVM, 8).
5. Oração completa: mental e vocal
O valor intrínseco e característico do Rosário, para o Fundador, consiste sobretudo no fato de ser uma oração completa, composta por duas partes complementares e proporcionadas: uma mental (meditação, contemplação) e outra vocal (louvor, agradecimento, pedido, súplica). É a mesma idéia que encontramos na RVM.
Antes de tudo, o Rosário é meditação dos mistérios da salvação. Que este aspecto seja o principal, o Fundador não duvida: “Como oração mental, é a melhor meditação sobre a vida de Nosso Senhor e da Virgem Maria; meditação que suaviza toda a recitação” (Conf. IMC, II, 371). Esta é a expressão que o Fundador havia preparado nos seus esquemas. A exposição, contudo, visto que foi tomada estenograficamente por Padre Albertone, é mais viva: “E a oração mental? É a que dá valor à outra; quando se medita os mistérios, aquele quartozinho de hora passa rápido como a fumaça [...] e assim nós meditamos ora uma coisa, ora outra” (Conf. IMC, II, 373; cf. Conf. MC, I, 184). Pode ser útil referir uma intervenção, na qual o Fundador explicou às irmãs um método para meditar os mistérios, enquanto se rezam as Ave Maria. O método articula-se em três modos: 1) “meditar as palavras que se dizem: pensar bem naquilo que se diz e não se cansar de o repetir” (aqui faz notar o perigo da repetição); 2) refletir sobre o valor de cada mistério e “pedir a Nossa Senhora uma virtude ou a emenda de um defeito”; 3) imaginar a cena dos mistérios: “pensar prontamente num mistério e logo aparece o quadro na frente... Rezar toda a dezena pensando naquilo” (cf. Conf. MC, II, 360).
A Carta Apostólica do Papa, no número 2, também dá a entender onde está de verdade o significado meditativo do Rosário: “Sobre o fundo das palavras Ave Maria passam perante os olhos da alma os principais episódios da vida de Jesus através – assim poderíamos dizer – do Coração de sua Mãe” (n. 5). O Rosário é “oração marcadamente contemplativa” (n. 12). A razão profunda da meditação é assim explicada: “Só podemos introduzir-nos à contemplação do rosto de Cristo, escutando, no Espírito, a voz do Pai, porque ‘ninguém conhece o Filho senão o Pai’ (Mt 11,27). Nas proximidades de Cesaréia de Filipe, perante a confissão de Pedro, Jesus especifica a fonte de uma tão clara intuição da sua identidade: ‘Não foram a carne e o sangue que te revelaram isto, mas o meu Pai que está nos céus’ (Mt 16,17). É, pois, necessária a revelação do alto. Mas, para acolhê-la, é indispensável colocar-se à escuta” (RVM, 18). Mais adiante, o Papa até sugere um método para meditar os mistérios do Rosário: “Tal como na liturgia se recomendam momentos de silêncio, assim também na recitação do Rosário é oportuno fazer uma pausa depois da escuta da Palavra de Deus, enquanto o espírito se fixa no conteúdo do respectivo mistério, antes de começar a oração vocal. A redescoberta do valor do silêncio é um dos segredos para a prática da contemplação e da meditação” (RVM, 31).
O Rosário, em segundo lugar, é invocação, oração vocal. Neste contexto, são relevantes as explicações do Allamano acerca do conteúdo do Pai-nosso e da Ave Maria, que compõem substancialmente a parte da oração: “Nosso Senhor Jesus Cristo podia ensinar-nos muitas orações; entretanto, ao pedido dos Apóstolos: ‘Doce nos orare – ensina-nos a rezar’, só respondeu com os poucos pedidos do Pai-nosso; e os Apóstolos consideraram-se satisfeitos. Depois, a Ave Maria, foi composta pelo Pai Eterno com o Arcanjo Gabriel, Santa Isabel, inspirada por Deus, e a Igreja... E é tão curta!” (Conf. IMC, II, 370-371). Estas são as mesmas palavras que o Fundador tinha preparado no esquema da conferência. A exposição foi mais viva: “[A oração do Rosário] não se compõe de longas orações; e também Nosso Senhor não quer que se mude sempre: hoje esta, amanhã aquela, mas disse: “Sic orábitis – rezareis assim’, e foi suficiente, e foi suficiente... [E os Apóstolos] não lhe pediram outra /.../. O Pai-nosso contém tudo. E depois, a Ave Maria... Uniram-se três para compor uma pequena oração: o Eterno Pai, manda compor um pedacinho; depois, Isabel, inspirada, compõe outro pedaço; e a Igreja, por fim, compõe o resto. Em três para compor esta oração! E nós a rezamos como se nada fosse!” (Conf. IMC, II, 372; cf. também III, 167-168).
Também a RVM se detém na explicação do conteúdo do Pai-nosso e da Ave Maria: “Após a escuta da Palavra e a concentração no mistério, é natural que o espírito se eleve para o Pai. /.../ [Jesus] quer introduzir-nos na intimidade do Pai para dizermos com ele: ‘Abbá, Pai’ (Rm 8,5; Gl 4,6). [...] O Pai-nosso, colocado quase como alicerce da meditação cristológico-mariana que se desenrola na repetição da Ave Maria, torna a meditação do mistério, mesmo quando é feita a sós, uma experiência eclesial. Mas à luz da própria Ave Maria, bem entendida, nota-se claramente que o caráter mariano não só não se opõe ao cristológico como até o sublinha e exalta. De fato, a primeira parte da Ave Maria, tirada das palavras dirigidas a Maria pelo anjo Gabriel e por Santa Isabel, é contemplação adoradora do mistério que se realiza na Virgem de Nazaré. /.../ A repetição da Ave Maria no Rosário sintoniza-nos com este encanto de Deus: é júbilo, admiração, reconhecimento do maior milagre da história. É o cumprimento da profecia de Maria: ‘Desde agora, todas as gerações me chamarão bem-aventurada’” (Lc 1,48; RVM, 32-33).
A oração do Glória ao Pai, que conclui os mistérios, também é comentada pelo Fundador e evidenciada pela RVM. Allamano fala dela várias vezes, não tanto quando explica o Rosário, mas sobretudo por ocasião da festa da Santíssima Trindade. Insiste para que seja rezada devotamente, refletindo sobre as palavras que honram o Deus Uno e Trino. Relaciona inclusive à vocação missionária esta oração e a fé na Santíssima Trindade: “Todos devem ser devotos da Santíssima Trindade, sobretudo os missionários. Vós deveis ensinar aos fiéis este mistério, que não se pode compreender e que não se deve compreender... E se tiverdes especial devoção à Santíssima Trindade, o Senhor vos ajudará com a sua graça e fará com que aqueles corações creiam. Na verdade, é de se admirar como aqueles negros tenham aceito e creiam neste mistério de Deus Uno e Trino...” (Conf. IMC, I, 292).
A RVM também explica o significado do Glória ao Pai em relação ao Rosário e afirma: Se percorrermos em profundidade este caminho, achar-nos-emos continuamente na presença do mistério das três Pessoas divinas, para louvá-las, adorá-las e agradecer-lhes (cf. RVM, 34).
6. Oração que incide sobre a vida
O aspecto mais característico da doutrina do Allamano acerca do Rosário provavelmente é este: em cada mistério podemos descobrir virtudes próprias de Jesus e de Maria, que pedimos para nós e depois nos empenhamos em praticá-las. O Rosário, portanto, torna-se uma escola de vida; e quem o reza com fervor e regularidade, certamente progride na vida espiritual. Aqui também prefiro deixar a palavra ao Fundador, adiando a matéria para a segunda parte do estudo, onde Allamano explica como a recitação do Rosário pode influenciar positivamente a nossa vida. Idêntica preocupação pode ser encontrada na Carta Apostólica, que sublinha a incidência do Rosário na vida individual e sobretudo social: “Ao mesmo tempo o nosso coração pode encerrar nestas dezenas do Rosário todos os fatos que compõem a vida do indivíduo, da família, da nação, da Igreja e da humanidade”.
Um particular que não deve ser esquecido é o valor, sempre atual, do Rosário, como oração para implorar a paz. Como o Fundador recomendava a recitação do Rosário para obter a paz durante a Primeira Guerra Mundial (cf. Conf. IMC, II, 435; III, 165, 167), assim também o Papa, no negro horizonte do início do terceiro milênio, recomenda esta oração, porque ela é, “por sua natureza, uma oração orientada para a paz” (RVM, 40).
II. ALLAMANO ENUNCIA OS MISTÉRIOS
Pode-se rezar o santo Rosário enunciando todos os mistérios com as palavras diretas do Allamano. Se quisermos, este poderia tornar-se um método a ser atuado na vida interna do Instituto em ocasiões especiais, nas quais queremos rezar ajudados diretamente pelo Fundador.
É preciso considerar, porém, que ele nunca deu uma “aula” verdadeira e própria para explicar os quinze mistérios, embora falasse deles diversas vezes. Em alguma ocasião, todavia, enunciou-os um a um, com um pensamento particular para cada um deles. A intenção de Allamano, para dizer a verdade, era pedagógica. Neste ponto, para entrar em sintonia com o Fundador, pensemos que ele sugeria aos alunos ou às irmãs quais as virtudes que podiam ser imitadas a partir da meditação de cada mistério. Resultaram daí muitas enunciações, geralmente breves, por vezes desligadas entre si; enunciações que se referiam a determinados momentos, ou a situações particulares, no mais das vezes improvisadas. Nelas, pode-se ver como Jesus e Nossa Senhora se tornam mestres de oração e, sobretudo, de vida.
Para referir o pensamento do Fundador sobre os mistérios do Rosário, tomo como base as duas conferências do dia 7 de outubro de 1917, feitas respectivamente aos missionários e às irmãs, e completando-as, onde é possível, com pensamentos tomados de outrras conferências sobre os mesmos mistérios. Para os mistérios da luz, que obviamente o Fundador não previu, vou buscar referências nas conferências em que o Allamano trata daquele particular tema. Apresento um simples ensaio, que pode ser enriquecido e ordenado melhor.
Na exposição dos mistérios, sigo a ordem usada pelo Papa na RVM: mistérios da alegria, da luz, da dor e da glória, referindo as palavras diretas do Fundador, sem fazer nenhum comentário.
l. Mistérios da alegria (cf. RVM, 20)
Primeiro – A Anunciação: “[...] No primeiro mistério gozoso é anunciado a Maria Santíssima o Mistério da Encarnação. (Sic). Pensa-se nas virtudes que Nossa Senhora praticou neste mistério: humildade, pureza, espírito de sacrifício. Pois bem, durante este mistério, pedirei a Nossa Senhora que me ajude a amar a bela virtude da pureza. Em outra ocasião pedirei a humildade. Ela, que se denomina “Serva”, ajude-me a ser humilde. Isto se faz num momento: Ó Maria, vós que sois tão humilde, obtende-me esta graça”. (Conf. IMC, III, 168; cf. II, 373; MC, I, 184; II, 50-51; 491). “[...] Assim, numa outra circunstância, considerarei a atitude que manteve o anjo ao apresentar-se a Maria Santíssima. Imaginai com que respeito lhe falou! E pensarei: eu também sou assim respeitoso, assim devoto de Maria Santíssima?” (Conf. IMC, II, 179). “Fazei um ato de fé na encarnação do Verbo, depois considerai as virtudes praticadas por Nossa Senhora, que são particularmente três [...]” (Conf. MC, II, 149-150).
Segundo – A Visitação: “No 2º mistério, a Visitação a Santa Isabel. Fazei assim: imaginai de estar com Nossa Senhora que parte em visita a Santa Isabel. Enquanto se reza este mistério, pedi a graça de fazer sempre as coisas com ordem; Nossa Senhora, na casa de Isabel, não ficava batendo papo, nem permanecia muda: fazia o que devia fazer. Assim vós: pedi a graça de viver na comunidade como é preciso” (Conf. IMC, II, 168; cf. II, 179; 373-374; 622; MC, I, 184; 393-395). “Este mistério é feito para as pessoas de vida ativa. Nossa Senhora nos ensina a viver no mundo... Meu comportamento se parece com o de Nossa Senhora?” (Conf. MC, II, 150). (Este mistério é um dos mais comentados, em razão da festa anual da “Visitação”).
Terceiro – O Natal: “No 3º mistério, o nascimento de Nosso Senhor. E aqui, quem não pensa no Menino? Vós, que vindes do alto, fazei que eu também me eleve desta terra” (Conf. IMC, II, 169; MC, I, 184). “Neste mistério, agradecerei ao Senhor que nasceu por mim; pedirei o amor à pobreza” (Conf. MC, II, 150). (Os comentários sobre o mistério do nascimento, se quisermos, podemos encontrá-los em abundância nas conferências do Fundador por ocasião da festa do Santo Natal).
Quarto – A Apresentação de Maria Santíssima: “No 4º mistério, a Apresentação ao Templo. Simeão anuncia a Maria que teria sofrido muito; e ela tudo oferece ao Eterno Pai. Eu também quero oferecer tudo a vós, ó meu Deus” (Conf. IMC, II, 169; cf. MC, II, 488-490). “Nossa Senhora sofreu a primeira dor... Ela, toda pura, colocou-se entre as pessoas do mundo... Depois considerai: Nosso Senhor se ofereceu desde então para nossa salvação” (Conf. MC, II, 150).
Quinto – A perda e o encontro: “No 5º mistério, a perda entre os doutores. Quando eu, em minha vida, quero vencer a qualquer preço, não sou humilde como Nosso Senhor. Depois... se o Senhor quisesse ver-nos desapegados dos parentes... E se ele os chamasse a si, deveríamos, querendo ou não, desapegar-nos deles... (Conf. IMC, II, 169). “Este mistério nos ajuda a viver o desapego dos parentes, não só material, mas também espiritualmente, ou seja, com o desapego do coração” (Conf. MC, II, 150).
2. Mistérios da luz (cf. RVM, 21)
Primeiro – O Batismo de Jesus: “(Jesus) só se pôs à obra depois de ser batizado por João e ser enviado publicamente pelo Pai: ‘Hic est...’” (Conf. IMC, I, 27). “Agora perguntemo-nos: fiz sempre todas as coisas com perfeição? Se não as fiz, procurarei fazê-las [...]. Vede que belo elogio recebeu Nosso Senhor, certamente confirmado por seu Eterno Pai: ‘Este é o meu Filho muito amado no qual me comprazo’. Imitemos nós também a Nosso Senhor, esforçando-nos por desempenhar com perfeição todos os nossos deveres” (Conf. MC, I, 418-419; cf. IMC, II, 673).
Segundo – As bodas de Caná: “Nas bodas de Caná, Nossa Senhora estava tão certa de obter o milagre, que não ficou a questionar. Grande é o poder que Nossa Senhora exerce sobre seu divino Filho! O Senhor colocou tudo nas mãos de Nossa Senhora... Se ela se preocupa tanto com as coisas materiais, se pensou em fazer com que a água fosse transformada em vinho, sem que ninguém lho pedisse, muito mais se preocupará com as coisas espirituais... Após o milagre, nas bodas de Caná, os discípulos de Jesus cederam. Será que antes não acreditavam? Já tinham deixado tudo para seguir a Jesus. Sim, acreditavam, mas sua fé era fraca; porém, quando viram o milagre [...], confirmaram-se na fé” (Conf. MC, II, 223; cf. também IMC, III, 197).
Terceiro – O anúncio do Reino e apelo à conversão: “Sicut misit me Pater, et ego mitto vos. – Como o Pai me enviou, assim eu vos envio”. [...] “O Eteno Pai enviou o Filho, o Filho enviou a Igreja, e a Igreja, por meu intermédio, vos envia... E vos envia a fazer o quê? A pregar o Evangelho a toda criatura. O vosso zelo, portanto, não deve ter limites: sois enviados ao mundo inteiro, em toda parte. Deveis trabalhar pela conversão do mundo inteiro. [...] Nosso Senhor Jesus Cristo vos diz: ‘Com a mesma missão que o Pai Eterno me confiou, assim eu vos envio para a conversão das nações’” (Conf. IMC, III, 469).
Quarto – A Transfiguração: “Vós provais como o Senhor é bom, como a gente se sente feliz em sua companhia! Quam bonum est nos hic esse – Como é bom para nós estarmos aqui!” (Conf. IMC, II, 246; MC, I, 118). “E vós, sabeis apreciar de que modo se merece a graça de morar nesta casa santa? Sabeis corresponder à mesma [vocação] com todo o vosso empenho? Dizei também vós: Quam bonum nos hic esse! – Como é bom para nós estarmos aqui!” (Conf. IMC, II, 690; MC, I, 427; cf. também MC, II, 117). A esta altura, o Fundador, citando as Obras Espirituais de Tomás de Kêmpis, explica o sentido simbólico das três tendas: a primeira – para Jesus – manso e humilde de coração, representa a humildade; a segunda – para o manso Moisés – representa a mansidão; a terceira – para Elias – que dormia numa caverna e comia como podia, representa a pobreza.
Quinto – A instituição da Eucaristia: “[A Quinta-feira Santa] é o dia do amor ao Santíssimo Sacramento [...], durante o qual “é preciso que nos tornemos como Sacramentinos” (Conf. IMC, III, 411; cf. Conf. MC, I, 342). “Sede, portanto, grandes devotos de Jesus Sacramentado... Se tiverdes esta devoção, tereis tudo... Constatareis isso depois, lá na África... Quero que esta seja a devoção do Instituto” (Conf. IMC,I, 248). “A Missa é o memorial da Paixão. [...] É preciso ter fé viva, caridade ardente, como se a gente estivesse lá no Calvário. [...] Imaginai-vos no Calvário, com Nossa Senhora” (Conf. MC, I, 224-225). “A Missa, a Comunhão e a Visita ao Santíssimo [...] devem ser os nossos três amores” (Conf. IMC, II, 609).
3. Mistérios da dor (cf. RVM, 22)
Primeiro – A agonia no Getsêmani: “No 1º mistério, Jesus no Horto das Oliveiras, deve comover-nos. Sofre por quem? Por suas dores? Sim, mas também por mim. Depois, é abandonado pelos Apóstolos!... Imaginai Jesus, no Horto, a dizer: ‘Quae utílitas in sánguine meo? – Qual utilidade no meu sangue?’ Muitos, no mundo, não tiram proveito do sangue de Jesus. Pois bem, que este sangue desça sobre mim!” (Conf. IMC, II, 374; III, 169). “São Carlos, em Varallo, sempre ia rezar na capela em que se representa Jesus na agonia do Horto. Oh! como é bonito (com entusiasmo) consolar Jesus em sua agonia!” (Conf. MC, I, 184). “Jesus, no Getsêmani, sofre, sua sangue. ‘Quae utílitas in sánguine meo?’ Imaginemos que Jesus dirija estas palavras a nós... É uma repreensão, da qual devemos tirar proveito para nós e para as almas” (Conf. MC, II, 150).
Segundo – A flagelação: “No 2º mistério, a flagelação. Quando sinto um pequeno sofrimento, gostaria que todos me cercassem de atenções. Não, daqui por diante quero sofrer com coragem!” (Conf. IMC, III, 169). “Quem vos flagelou, ó Jesus? Foram os meus pecados!” (Conf. MC, I, 185). “Ao rezar este mistério, dizei ao Senhor: Eu também quisera ser tão generoso assim, para poder sofrer alguma coisa por vós!” (Conf. MC, II, 150).
Terceiro – A coroação de espinhos: “No 3º mistério, a coroação de espinhos. Eu não sou capaz de sofrer uma pequena dor de cabeça... E quando me passarem pela cabeça coisas más, quero pensar que são espinhos que pungem Nosso Senhor e, por isso, quero afastá-las...” (Conf. IMC, III, 169). “Coroação de espinhos: por todas as coisas negativas que tenho na cabeça, etc.” (Conf. MC, I, 184). “Nosso Senhor, tão sensível, sofreu atrozmente; e eu não sou capaz de afastar do pensamento certas historiazinhas e bobagens!... Pedi a Jesus pensamentos robustos” (Conf. MC, II, 150).
Quarto – O caminho do Calvário: “No 4º mistério, a condenação à morte. Senhor, eu é que mereci a morte, não vós; eu, que sou incapaz de suportar uma palavra ofensiva do companheiro” (Conf. IMC, III, 169). “Jesus carrega a sua cruz; e eu, como carrego a minha? Talvez a faço mais pesada do que é, porque tenho alguma coisinha a suportar?” (Conf. MC, II, 150).
Quinto – A morte na cruz: “No 5º mistério, a morte de Jesus na cruz. A cruz está sempre presente na Igreja; colocai-vos com o pensamento aos pés dela... É assim que se deve meditar...” (Conf. IMC, III, 169). “A morte de Jesus! Rezando este mistério podemos refletir sobre as sete palavras que Jesus proferiu na cruz, e pedir: Senhor, derramai sobre mim o vosso sangue!” (Conf. MC, II, 150).
4. Mistérios da glória (cf. RVM, 23)
Primeiro – A ressurreição: “Primeiro mistério: Jesus ressuscita para nunca mais morrer. Eu ressuscito todos os sábados [com a confissão], e ‘non movébor in aeternum – ficarei firme para sempre’. Sim, digo isto; entretanto, depois de duas horas... encontro-me na mesma situação de antes” (Conf. IMC, III, 169). “A ressurreição: Senhor, fazei que eu ressurja dos meus pecados!” (Conf. MC, I, 185). “Pedi ao Senhor que vos faça ressurgir de uma vez por todas” (Conf. MC, II, 150).
Segundo – A Ascensão ao céu: “No 2º mistério, a Ascensão. Pensai no que Jesus disse aos Apóstolos: ‘Vado parare vobis locum – vou preparar-vos um lugar...’ E eu quero um lugar de missionário, não com as crianças” (Conf. IMC, III, 169). “Ascensão: que Jesus nos prepare um bonito lugar no paraíso!” (Conf. MC, I, 185). “Dizei ao Senhor: preparai-me um lugar de missionário/a no paraíso, e não no meio da multidão” (Conf. MC, II, 150).
Terceiro – O Pentecostes: “A descida do Espírito Santo: a impressão de estar no Cenáculo no dia de Pentecostes... Pedir que o Senhor envie o Espírito Santo: espírito de piedade, de temor de Deus, e pedir uma graça inerente àquele mistério” (Conf. IMC, II, 374). “Coloquemo-nos junto de Nossa Senhora e digamos ao Espírito Santo: Descei sobre mim! O Espírito Santo deve ser desejado” (Conf. IMC, III, 169). “Descida do Espírito Santo: coloquemo-nos entre os Apóstolos e Nossa Senhora, para recebermos também nós a grande chama do Espírito Santo” (Conf. MC, I, 185). “Colocai-vos no meio dos Apóstolos: ‘Emitte Spiritum et creabuntur – envia o teu Espírito e tudo será criado’” (Conf. MC, II, 151).
Quarto – A Assunção de Maria Santíssima: “No 4º mistério, a morte e Assunção de Maria ao céu. Desejemos que Maria Santíssima venha assistir-nos em ponto de morte. Os santos desejavam isso. O Venerável Cafasso dizia: ‘Ah! se pudesse tê-la junto ao leito de morte!...’ E ele a teve. Digamos-lhe que nos prepare um lugar no paraíso” (Conf. IMC, III, 169). “A morte de Maria... E nós dizemos: Ajuda-me a viver, tira-me desta situação!...” (Conf. MC, I, 185). “Pedi-lhe a graça de morrer santamente, a graça da perseverança final” (Conf. MC, II, 151).
Quinto – A coroação de Maria Santíssima Rainha: “No 5º mistério, a coroação de Maria Santíssima. É preciso dizer: Eu quero estar presente nesta festa. Bem sabeis que é uma festa que se renova sempre. Quero ser uma estrela na coroa de Nossa Senhora” (Conf. IMC, III, 169). “Coroação de Maria... Digamos com Santo Afonso: ‘Morro de desejo de ver-vos, ó meu Deus!” (Conf. MC, I, 185). “Neste mistério, dizei: ‘Eu também quero coroar Nossa Senhora, quero ser uma das rosas [da coroa] de Nossa Senhora” (Conf. MC, II, 151).
CONCLUSÃO
Pelo que dissemos até aqui, aparece claramente o profundo amor e a estima que o Fundador tinha pelo santo Rosário. Segundo ele, o Rosário, para os sacerdotes, é “quase um complemento do santo Breviário” (Conf. IMC, III, 164). “[...] E nós, sacerdotes, depois do Breviário, temos o Rosário” (Conf. IMC, III, 169). “Todo bom sacerdote [e nós podemos acrescentar: missionário] nunca omite a recitação diária do Rosário. Fazei isso, e alcançareis muitas graças para vós, para a Igreja e para a sociedade. Fazei isso!” (Ibidem).
Eis a conclusão para todos: “Portanto, hoje [7 de outubro de 1917] desejo que façais o propósito de rezar sempre o Rosário na igreja com os irmãos, o mais que for possível; não vades dormir sem antes ter rezado o Rosário” (Conf. IMC, III, 168). “Tomai hoje [6 de outubro de 1918] a resolução de nunca omitir a reza diária do Rosário, ainda quando não fosse possível rezá-lo com a comunidade; e rezai-o de boa vontade, não como um peso, com aborrecimento...” (Conf. IMC, III, 244 [seu esquema]).
“Que prazer não terá Nossa Senhora ao ouvir que lhe dizemos muitas vezes: ‘Ave, Maria!’ Mas é preciso que rezemos as Ave Maria com fervor cada vez maior. O santo Rosário deve ser o nosso pão cotidiano” (Conf. MC, III, 112). “Depois, o Rosário, naturalmente, deve ser a vossa oração cotidiana de toda a vida: nunca o omitais” (Conf. MC, III, 461; cf. I, 347). “É preciso fazer com que o santo Rosário se torne para nós motivo de satisfação por toda a vida” (Conf. MC, III, 138).
Pe. Francisco Pavese, imc
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