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Linhas programática de Pastoral Indîgena no documento de Santo Domingo PDF Imprimir E-mail
Por Pe. Gaetano Mazzoleni, imc   
03 de April de 2006
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Dentre os grandes resultados obtidos pela IV Conferência do Episcopado Latino-Americano, celebrada em 1992, em Santo Domingo, um dos principais foi, sem dúvida, o amplo apoio dado aos projetos e linhas programáticas de pastoral relacionadas às populações ameríndias. Os índios sempre estiveram presentes na preocupação pastoral da Igreja, embora nem sempre tenham ocupado o mesmo espaço, nem tenham sido considerados da mesma maneira.

Não há na Igreja documentos, a nível latino-americano, que tenham oferecido tanto espaço e valorização aos temas “indígenas”, aos “povos com culturas próprias, diversas da cultura dominante”, como foi dado em Santo Domingo. Neste sentido, há um salto qualitativo em relação à maneira de abordar esta realidade: não mais uma problemática de um setor insignificante, “resíduos remanescentes do passado” (DP 398), nem tampouco uma apresentação dos índios como se fossem “os mais pobres entre os pobres” (DP 34), mas como uma realidade que é “base da nossa atual cultura” (SD, Mensagem, 38). De fato, a América Latina é “um continente multi-étnico e pluricultural”, com sua “particular identidade /.../, ponto de encontro do perene cristão com o cristão próprio da América”.
“Observando a época histórica mais recente, deparamos com frequência com as pegadas ainda frescas e visíveis de uma cultura de séculos” (SD 244, 18,21).

Em Santo Domingo, a Igreja não tomou consciência de que na América Latina vivem também indígenas, afro-americanos e mestiços, fato já conhecido, mas que a América Latina, em sua identidade mais profunda, é indígena, afro e mestiça. Isto porque, em Santo Domingo, o tema “ameríndio” não figura entre tantos outros, embora mencionado em parágrafos especiais (SD 242; 251), mas serviu como espécie de chave de discernimento de todos os temas, por sua íntima conexão com o assunto central – a inculturação do Evangelho. Todos os temas tratados pela Conferência de Santo Domingo fazem alguma alusão ao ameríndio, tanto diretamente, lembrando-o de maneira explícita, como indiretamente, quando menciona os “nossos povos”, as “nossas culturas”, os “valores autóctones”, as “raízes mais antigas”, a “nova identidade original”...

Santo Domingo, além de recolher e de aprofundar as poucas afirmações de Medellin e de Puebla, referentes aos ameríndios, torna-se porta-voz de novas problemáticas importantes, que emergiram da pastoral nos últimos trinta anos, e que nunca haviam encontrado tão largo espaço nos documentos do CELAM (Conferência Episcopal Latino-Americana).

Não são somente pobres

Os indígenas da América Latina já não são considerados “os mais pobres entre os pobres”, de acordo com a conhecida expressão de Puebla. Embora esta expressão apareça ainda pelo menos duas vezes no documento de Santo Domingo (SD 167; Mensagem 17), contudo já não é mais a expressão principal com que são designados.

São povos que têm identidade própria

Os ameríndios são pessoas que vivem em grupo e que têm uma história comum, uma cultura e um projeto específico de vida, que deve ser reconhecido, respeitado e apoiado pelas outras coletividades e pela Igreja. O termo “povo” ou “nossos povos”, aplicado aos indígenas, aparece com frequência (SD 8, 17, 31, 36, 85, 121, 123, 124, 138, 150, 168, 169, 172, 206, 219, 228, 229, 243, 244, 245, 248, 249, 251, 262, 284, 287, 288, 292, 299; Mensagem 2, 7, 22, 30, 32, 38, 39, 48). Em alguns parágrafos, utiliza-se também a expressão “comunidade” ou “populações indígenas” com o mesmo significado que é dado a “povos indígenas” (SD 54, 172, 243, 169).

Possuem riquezas humanas

A valorização que Santo Domingo faz dos ameríndios é consideravelmente elevada. Para a Igreja, as populações indígenas “possuem muitas riquezas culturais”, que se situam na “raiz da nossa cultura atual” (Mensagem 34); são as “pegadas vivas de uma cultura multissecular” (SD 21); são o “substrato mais sólido da identidade pruricultural e pluri-étnica do continente” (SD 244, 252).

Inculturaram a fé

A religiosidade ameríndia é “uma expressão privilegiada da inculturação da fé” (SD 36). Maria (Guadalupe... exemplo de evangelização inculturada) é a “marca característica da cultura do nosso continente” (SD 15). Eis porque a liturgia deve procurar “a adoção das formas, sinais e ações próprias das culturas da América Latina e do Caribe” (SD 53). O Papa pediu que “prestássemos atenção às vocações indígenas e que atendêssemos com particular interesse ao desafio representado pela formação sacerdotal dos candidatos provenientes das culturas indígenas” (SD 80, 84).

Constituem a base da identidade latino-americana

“Os povos indígenas cultivam valores humanos muito significativos” (SD 245) “que a Igreja defende /.../ perante a força niveladora das estruturas de pecado que se manifestam na sociedade moderna” (SD 243). “Possuem muitas riquezas culturais, que se situam na raiz da nossa identidade cultural” (Mensagem 34).

São portadores das “Sementes do Verbo”

Sob o ponto de vista da fé, os valores e as convicções dos povos indígenas “são o fruto das sementes do Verbo, já presentes e atuantes entre seus antepassados” (SD 245). A inculturação do Evangelho /.../ “supõe o reconhecimento destes valores evangélicos” (SD 230); de fato, “os germes do Evangelho /.../ há muito esperavam pelo orvalho fecundo do Espírito” (SD 17).

São exemplos a serem imitados

Os povos indígenas são exemplos a serem imitados em muitos aspectos. No tema ecológico, o documento de Santo Domingo pede aos cristãos que “aprendam dos pobres a viver com sobriedade, a partilhar e a valorizar a sabedoria dos povos indígenas no que se refere à preservação da natureza, como um ambiente de vida para todos” (SD 169). Do mesmo modo, os Bispos dizem que é necessário “promover uma mudança de mentalidade em relação ao valor da terra a partir da cosmovisão cristã, que se acopla com as tradições dos setores pobres e rurais” (SD 176; cf. 172), e “que faz da globalidade – Deus, homem e mundo – uma unidade que impregna todas as relações humanas, espirituais e transcendentes” (SD 248).

Protagonismo dos ameríndios no campo da promoção humana e da inculturação do Evangelho

Em base a tudo quanto foi dito anteriormente, os povos indígenas devem ser os protagonistas do próprio desenvolvimento, a fim de “se tornarem os artífices do próprio destino”, e para que possam assim “garantir o direito que têm de viver, de acordo com a própria identidade, com a própria língua e costumes ancestrais, e de se relacionarem com plena igualdade com todos os outros povos da terra” (SD 251).

O protagonismo dos povos indígenas é reconhecido também na inculturação do Evangelho: “A fim de que o Evangelho, encarnado nas suas culturas, manifeste toda a sua vitalidade, e eles entrem em diálogo de comunhão com as demais comunidades cristãs, para o enriquecimento recíproco” (SD 299; Mensagem 11). “Por meio da inculturação, convida-se a sociedade a descobrir o caráter cristãos destes valores, a apreciá-los e a conservá-los como tais” (SD 230). “É um trabalho que se realiza no projeto de um povo, reforçando a própria dignidade e libertando-o dos poderes da morte” (SD 139); cf. 36). “Um dos objetivos da evangelização inculturada deverá ser sempre a salvação e a libertação integral de um determinado povo ou grupo humano, que reforce a sua identidade, que o leve a confiar em seu específico futuro” (SD 243).

Em alguns textos, o protagonismo dos indígenas não aparece com clareza; antes, dá-se a entender que a protagonista desta inculturação seria a Igreja, a partir de fora, por meio do conhecimento crítico dos valores indígenas e assumindo-os de forma seletiva (cf. SD 248, 254). É por isso que se fala em “permear” e em “penetrar”, com a finalidade de “introduzir a originalidade da mensagem evangélica no coração das culturas” (SD 35, 98, 229,254).

Consequências da inculturação

Juntamente com o protagonismo na inculturação, revela-se urgente também a necessidade de incentivar as vocações entre os indígenas, mediante uma formação inculturada dos candidatos ao sacerdócio (SD 80, 84, 102), a catequese inculturada (SD 19, 30), a liturgia encarnada (SD 35, 53, 151) e a reflexão teológica própria ou teologia índia (SD 177, 248). A este respeito, a Igreja se empenha em “acompanhar a sua reflexão teológica, respeitando as formas culturais próprias que os ajuda a explicar a razão da própria fé e da própria esperança” (SD 248).

Igrejas autóctones

Uma consequência necessária resultante deste assunto deveria ser o tema das Igrejas autóctones, ou Igrejas particulares indígenas; o que anteriormente se disse, é um caminho que conduz ao nascimento destas Igrejas. Assim entenderam os bispos das regiões ameríndias, quando se reuniram em Bogotá, em 1985: “A Igreja deve colaborar com o nascimento de Igrejas particulares com rosto indígena, com hierarquia e organização autóctone, com catequese, liturgia e expressões eclesiais adequadas a uma vivência cultural própria da fé, em comunhão com outras Igrejas particulares, sobretudo e fundamentalmente em comunhão com Pedro” (DEMIS, Bogotá, 1985).
Não obstante tudo, o tema não foi explicitado em Santo Domingo. Fala-se genericamente de “uma inculturação da Igreja, para se obter maior eficácia na realização do Reino” (SD 248), mas isto não nega a profundidade dos temas radicais propostos pela pastoral indígena.

Diálogo intercultural e inter-religioso

Os povos indígenas são considerados interlocutores na Igreja. Daqui a necessidade e urgência de um diálogo intercultural “respeitoso, franco e fraterno”, para “apoiar os povos indígenas na defesa de sua identidade e no reconhecimento dos próprios valores” (SD 248, 249).
Sobre este tema convergem a antecipação de futuro e uma das afirmações mais radicais e importantes de Santo Domingo: os povos indígenas têm o direito de ser reconhecidos como diversos também em nível religioso. A Igreja é chamada a “aprofundar o diálogo com as religiões não cristãs (religiões tradicionais) presentes em nosso continente, particularmente as ameríndias, por longo tempo ignoradas ou marginalizadas” (SD 137, 138). Esta afirmação constitui um avanço a respeito das previsões anteriores onde, de certo modo, se supunha que os indígenas deveriam integrar-se na Igreja e, neste processo, aceitar a perda, se não completa, pelo menos parcial, da própria identidade cultural e religiosa.

... Reflexões, considerações e...

As conclusões de Santo Domingo não são casuais, não são sugeridas pela moda do momento, nem podem ser entendidas como contribuições puramente conjunturais; mas são o resultado da caminhada de reflexão da praxe pastoral da Igreja latino-americana dos últimos trinta anos, que percebeu o atávico silêncio das populações indígenas transformar-se, pouco a pouco, de leve murmúrio que era, em voz que agita as consciências. Em poucos anos, os ameríndios, de objetos que eram, passaram a ser sujeitos protagonistas da própria história e da Igreja.

A Exortação Apostólica Ecclesia in America sintetiza em breves parágrafos as impelentes urgências pastorais neste campo: “A Igreja reconhece que tem a obrigação de se aproximar destes americanos, a partir da própria cultura, considerando seriamente as riquezas espirituais e humanas desta cultura, seu sentido de alegria e de solidariedade, a própria língua e as próprias tradições /.../, para que as sementes do Verbo presentes em suas culturas cheguem à plenitude em Cristo” (EA 16).
“Se a Igreja na América, fiel ao Evangelho de Cristo, deseja percorrer o caminho da solidariedade, deve dedicar especial atenção àquelas etnias que, ainda hoje, são objeto de discriminações injustas /.../. E para alcançar estes objetivos, é indispensável que forme agentes pastorais competentes” (EA 64).

Na Igreja realizaram-se importantes mudanças teóricas e de atitudes em relação aos desafios pastorais dos povos indígenas da América Latina. Temos numerosos documentos oficiais e abundantes reflexões que nos convidam a assumir uma nova mentalidade e um novo estilo pastoral. As orientações e linhas pastorais de Santo Domingo são claras.

A experiência de mais de trinta anos, que me envolveu direta ou indiretamente no processo de reflexão acerca da problemática pastoral indígena, seja através do trabalho realizado diretamente com as comunidades, seja através da colaboração dada à Conferência Episcopal da Colômbia e com o DEMIS-CELAM, leva-me a admitir que bem pouca coisa, de tal sofrido caminho de reflexão, foi assumida pelas Igrejas particulares e pelas congregações religiosas missionárias. As exceções, entendidas mais como empenhos de pessoas isoladas que de instituições, confirmam a regra.

Tenho a impressão de que, no fundo, persiste um problema crônico de caráter formativo. O Papa João Paulo II exige a formação de “agentes de pastoral competentes” (EA 64).
É preciso reconhecer, ao invés, que os programas formativos para missionários e missionárias, nos seminários e faculdades teológicas, não oferecem espaço para uma preparação adequada e específica na área da pastoral indígena. Não se promovem programas adequados de formação para agentes de pastoral sobre os aspectos do primeiro anúncio e da inculturação do Evangelho. A formação, sob este aspecto, é deficiente e superficial; e, muitas vezes, confiada à boa vontade do missionário ou da missionária no exercício da pastoral. “A gente faz o que pode!” – é o eterno estribilho.

Na evangelização das populações indígenas persiste a identificação e a confusão entre “primeiro anúncio” e catequese. São escassos os esforços que se fazem para orientar a pastoral indígena na prospectiva do primeiro anúncio. São pequenos os esforços que se fazem para conhecer o pensamento dos indígenas a partir de um verdadeiro e próprio diálogo intercultural e inter-religioso. A reflexão teológica, da maneira como é concebida e apresentada, não oferece a oportunidade de um diálogo com as religiões indígenas; consequentemente, os missionários e as missionárias repetem os mesmos modelos equívocos da primeira evangelização da América Latina: catequização e cristianização.

A inculturação é, frequentemente, considerada apenas sob o ponto de vista da liturgia, ignorando-se a simbologia indígena. Muitos agentes de pastoral indígena aventuram-se em fazer adaptações forjadas, à luz de uma mentalidade alheia às culturas, de acordo com a moda da pastoral do momento, e acabam por produzir apenas algumas adaptações folclorísticas!

A inculturação do Evangelho passa pelo pensamento e a filosofia de um povo e é resultado de uma reflexão teológica própria. Uma apropriada inculturação do Evangelho e da Igreja entre os povos ameríndios exige que se promova a sistemática do seu pensamento, o encorajamento da formação de agentes indígenas de pastoral; e também que se fomente a reflexão teológica a partir da sua prospectiva, para que possa daí amadurecer uma liturgia autóctone. Na América Latina, após 500 anos de evangelização, a Igreja ainda é desafiada a se apresentar entre os povos ameríndios com um rosto próprio.

Também no que tange ao aspecto formativo é bem visível a falta de uma preparação antropológica e linguística qualificada dos agentes de pastoral indígena. Os erros do passado se repetem. Não se analisa de maneira crítica a cultura, não se penetra no pensamento e na filosofia dos povos indígenas; no máximo, chega-se a produzir pobres traduções.

A missão com os indígenas e entre os indígenas é vista ainda, frequentemente, como uma autorealização dos agentes de pastoral, mais que um serviço prestado ao desenvolvimento dos próprios indígenas. Prova disso são as frequentes e metódicas transferências do pessoal destinado a esse trabalho, um verdadeiro nomadismo religioso; os projetos de promoção humana e de evangelização, que variam e mudam com a transferência dos missionários, são uma verdadeira calamidade social, que obriga as comunidades indígenas a se submeterem a contínuas adaptações, segundo os gostos ou tendências dos recém-chegados.

As Igrejas particulares, por sua vez, quer pela dificuldade que representa a pastoral específica com as populações indígenas, quer pela falta de pessoal preparado, ou por presumidas dificuldades econômicas, não dispõem de um projeto diocesano de pastoral indígena e delegam este trabalho às congregações religiosas missionárias, as quais, de modo geral, se consideram as únicas competentes neste tipo de atividade. Os agentes de pastoral indígena pertencem, normalmente, a congregações religiosas missionárias que, por sua própria estrutura jurídica, se inserem com dificuldade nas Igrejas particulares. Por sua vez, as Igrejas particulares continuam a ignorar as linhas programáticas de Santo Domingo, acerca da pastoral indígena.

Os agentes de pastoral sentem dificuldade de reconhecer que os povos indígenas caminham para um projeto próprio e comum de afirmação e recuperação da própria identidade, da própria cultura, da terra e da autonomia: direitos estes que, explicitamente, ou então de forma embrionária, foram adquiridos e são reconhecidos nas constituições de vários países latino-americanos. Ignora-se o conteúdo jurídico e antropológico do campo de trabalho da pastoral indígena.

Numerosos agentes de pastoral, inseridos nas escolas para indígenas, não dispõem de preparação específica para o caso; não conhecem os princípios gerais, normalmente aceitos, que regem a etno-educação, isto é, a educação bilíngue intercultural. Ainda persiste, infelizmente, entre missionários e missionárias, uma mentalidade generalizada que considera os indígenas como “coitados”, achando que é suficiente ensinar-lhes a ler e a escrever. Utilizam-se materiais didáticos obsoletos, traduções de programas de ínfima qualidade, impedindo assim as crianças e os alunos indígenas de se beneficiarem do melhor conteúdo que a psicopedagogia dispõe hoje na formação do pensamento. O resultado de uma instrução fraca e superada continuará a deixar indivíduos dependentes, unicamente capazes de copiar ou de imitar os piores aspectos da sociedade majoritária e dominante.

A voz dos indígenas, no começo isolada e dispersa, foi, aos poucos, impondo-se, graças não só ao apoio que a Igreja lhes ofereceu, mas sobretudo graças à desesperada necessidade de sobrevivência, à tenacidade e à força de organização dos próprios indígenas. “Começaram a abrir os olhos, começaram a ver, começaram a soltar a própria língua, começaram a recuperar a palavra, começaram a falar com coragem, começaram a pôr-se em pé, começaram a caminhar, começaram a organizar-se, começaram a assumir atitudes de transcendental importância para si, para os países da América e do mundo” (Mons. Leônidas Proaño, 1989).

Ainda fica valendo esta pergunta: “Qual será, no futuro, a resposta que os missionários e as missionárias ad gentes darão a este desafio?”

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