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CAPÍTULO 1 – COMO DISCÍPULOS DE CRISTO PDF Imprimir E-mail
Por Consolata.org   
28 de Março de 2006
1. Para nós, seguir Jesus Cristo significa participar na Sua missão, tornando-nos “totalmente disponíveis para Deus, para a Igreja e para os irmãos; partimos para anunciar o Evangelho em todas as partes do mundo e testemunhamos com a vida o infinito poder do Espírito” (Const 20). Seguimo-Lo vivendo o baptismo e a consagração religiosa, que “nos configura, de um modo particular, com o mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo…imitando a vida obediente, casta e pobre por Ele escolhida e proposta aos discípulos” (ibidem).

Numa vida de intensa espiritualidade e oração

2. Só é autenticamente missionário quem se empenhar na caminhada para a santidade (cfr. RM 90). A tensão para a santidade, que nos foi apontada pelo Beato José Allamano, continua a ser um compromisso que passa pela experiência de Deus, pela centralidade de Cristo no Seu anúncio do Reino de Deus e no Seu mistério pascal, que desagua na missão vivida no espírito de contemplação incarnada no quotidiano (cfr. IXCG, 49).

Nós cumprimos este compromisso:
2.1. Numa caminhada espiritual e de oração pessoal, que se torna a alma da nossa vida em conjunto e da nossa missão, com especial atenção para com os pobres.

2.2. Na humilde e atenta auscultação de Deus através da Sua Palavra, que, de modo pessoal e comunitário, nos comprometemos a meditar, a aprofundar e a testemunhar no dia a dia da nossa vida.

2.3. Conhecendo a nossa própria realidade pessoal. A aceitação das capacidades e das fraquezas, tal como a sua integração nas várias mudanças da vida são o segredo e a força que nos abrem serenamente a porta ao amadurecimento pessoal, comunitário e apostólico.

2.4. Atribuindo valor e espaço aos momentos do espírito, aos ritmos da oração e da reflexão pessoal, aos momentos de oração comunitária (diária, dos retiros mensais, dos exercícios espirituais anuais), às manifestações da piedade popular e da espiritualidade inculturada.

2.5. Na fidelidade à Eucaristia diária, à liturgia das horas enquanto acção de graças e intercessão por todas as pessoas, e ao sacramento da reconciliação.

2.6. Habituando-nos a rezar e a celebrar com o povo das comunidades que nos foram confiadas, para fundir a oração com o trabalho apostólico, a exemplo de São Paulo (cfr. Rm 12, 1-2).

2.7. Numa atitude de conversão contínua. Todo o missionário fica convidado a formular o seu projecto pessoal de vida, para assim melhor poder orientar o seu desenvolvimento humano, intelectual, espiritual e comunitário, as suas relações interpessoais e a formação contínua (cfr. XCG 33).

2.8. Através da direcção espiritual, como instrumento valioso de desenvolvimento que é: o missionário conduzi-la-á no modo mais adequado à sua situação concreta (cfr. Const 68).

Na vida consagrada

3. Somos consagrados, na qualidade de Sacerdotes ou de Irmãos, para a vida religiosa em ordem à missão. A vida consagrada, enquanto alternativa evangélica à cultura dominante, é, segundo o pensamento de José Allamano, fonte profética e revitalização da missão que, por sua vez, a enriquece (cfr. IXCG 53).

Portanto, nós vivemos a nossa consagração:
3.1. Conduzidos pelo Espírito Santo, tendo Deus como único bem absoluto da nossa vida, e os valores do Reino, que nos foram revelados na pessoa de Jesus Cristo, como norma suprema do nosso ser e do nosso agir;
3.2. Com os votos religiosos, que dão fecundidade à nossa actividade apostólica. Na obediência procura-se e vive-se em conjunto a vontade de Deus. Na pobreza segue-se Jesus Cristo em mútua e plena comunhão e em solidariedade com os pobres. Na castidade incarna-se o amor universal de Deus.

No testemunho da vida e no martírio

4. “O testemunho do estilo de vida de Jesus tal como o propôs aos Seus discípulos, mesmo sem o anúncio explícito do Evangelho, é evangelização” (XCG 36). O Instituto tem tido e continua a ter experiência de situações de missionários ameaçados, raptados, feridos e assassinados por amor do Evangelho. Muitos vivem na insegurança e arriscam a sua vida. A verdadeira medida do discipulado está na fidelidade até à imolação (cfr. VE 331-335).

Por consequência:
4.1. Somos chamados a dar o nosso testemunho durante toda a vida e é por isso que apreciamos e valorizamos, nas nossas comunidades, a “presença de confrades idosos, devido à experiência de vida, à oportunidade de informação e de conselho, ao testemunho de fidelidade à vocação” (Const 24.2).
4.2. Aceitamos o sacrifício como parte integrante da nossa vida e do nosso compromisso com a evangelização. Os missionários doentes oferecem o contributo do seu sofrimento, e isso ajuda-os a ser discípulos de Cristo a caminho do Calvário.
4.3. A opção ideal do missionário “quando se lhe apresentam situações de conflito armado é a de ficar no meio do seu povo e partilhar do perigo e da precariedade. Nesses contextos, haja porém o cuidado de não pôr indevidamente em risco a vida do pessoal missionário” (Consulta, 50) e a vida da população local.

Para servir a missão na Igreja

5. O amor à Igreja impele-nos a sentirmo-nos unidos às igrejas locais e aos povos que servimos. O diálogo e a atenção às suas necessidades orientam-nos no discernimento sobre o nosso empenho e levam-nos a assumir atitudes coerentes e proféticas.
5.1. As nossas actividades integram-se na pastoral de conjunto manifestada nas programações das Dioceses.
5.2. Os nossos compromissos com as Igrejas locais devem ter uma formulação clara nas várias convenções celebradas com os Bispos, e devem ser submetidos a revisões periódicas.

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