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CAPÍTULO 3 – COMO VIVEMOS A COMUNHÃO PDF Imprimir E-mail
Por Consolata.org   
28 de March de 2006
10. “A vida em comum é, para nós, um valor primário” (Const 22). E “os vínculos próprios da nossa comunhão são: a participação no único pão e no mesmo cálice, a presença maternal de Nossa Senhora da Consolata, a comum vocação e a paternidade do Fundador, a qual evidencia a nossa condição de irmãos” (Const 21).

A comunhão de intentos e de vida

11. A finalidade da nossa vida em conjunto é a missão. Trabalhamos com o método da comunhão, “todos por um e um por todos”, “em comunhão de intentos” e com “espírito de corpo” (cfr. XCG 19).

11.1. O espírito de família traduz-se na corresponsabilidade, na comunicação, no diálogo e na caridade fraterna. Também se manifesta na celebração das festas de família e nos aniversários, com amor.

11.2. Os instrumentos privilegiados para a boa harmonia da vida em conjunto são: a vida de oração, a amizade, a sinceridade, a estima, a compreensão mútua, a hospitalidade e a urbanidade no trato (cfr. Const 31; XCG 32), a promoção e a correcção fraterna, o perdão e a reconciliação.

11.3. O Superior local, como primeiro responsável pela comunidade, tem a incumbência de animar os confrades e contribuir para criar um clima de confiança mútua e de discernimento comunitário (cfr. Const 27). Deverá, assim, assumir como seu dever, garantir a concretização do projecto comunitário de vida e de comportamentos condizentes com a nossa consagração e com o nosso estilo de vida.


O projecto comunitário de vida

12. O projecto comunitário de vida, como instrumento concreto que revela quem somos, especificará os objectivos do trabalho, os meios para os levar a termo e o papel de cada um. Deve ser considerado não apenas como um programa de actividades mas sobretudo como instrumento de renovação e desenvolvimento em todas as dimensões da nossa vida.

12.1. Deve ser formulado pela comunidade local logo no início de cada ano pastoral ou académico, possivelmente na presença do Superior de circunscrição ou de um membro do seu Conselho.

12.2. Estará sujeito a avaliações e a revisões periódicas.

12.3. Importa ter presente a complementaridade entre projecto pessoal, projecto comunitário de vida e as programações das outras forças pastorais que colaboram com a comunidade. O carisma unifica e promove a experiência pessoal e a vida comunitária.


A participação na vida do Instituto

13. A participação nos projectos de circunscrição, de continente e gerais do Instituto abre o missionário ao trabalho em conjunto.

13.1. O missionário participará neles activamente, pondo de lado atitudes de individualismo, desconfiança e recusa.

13.2. O missionário perspectivará os encontros de comunidade, de circunscrição e de continente como meios privilegiados de enriquecimento da sua formação pessoal, de elaboração de programas de trabalho mais inculturados e mais eficazes, e para se sentir em sintonia com os confrades das outras circunscrições.


A comunhão e a colaboração com as Missionárias da Consolata

14. Une-nos às Missionárias da Consolata um vínculo todo especial “devido à identidade de origem, de vocação e de vontade do Fundador” (Const 9); a comunhão com elas faz parte da nossa própria identidade (cfr. XCG 21).

A colaboração activa e respeitosa entre os dois Institutos:

14.1. Favorece um melhor conhecimento mútuo;

14.2. Conduz a uma reflexão comum sobre o carisma e os temas da missão, da vida consagrada e da formação contínua;

14.3. Concretiza-se em fundações conjuntas em novos campos missionários e nas várias actividades de formação, AMV, JPIC e de pastoral.


A comunhão e a colaboração com os Leigos Missionários da Consolata

15. Através da sua história, o Instituto sempre usufruiu da preciosa colaboração dos Leigos, quase sempre em serviços específicos. Nos anos mais recentes, embora dando continuidade eficaz a um laicado centrado na prestação voluntária de serviços profissionais úteis à missão, revelou-se uma nova modalidade de laicado missionário, manifestada por aqueles que desejam responder à chamada de Cristo fazendo “da missão uma opção de vida” (XCG 60): os Leigos Missionários da Consolata. Eles desejam participar mais directamente no carisma e na espiritualidade IMC sob uma dada forma de integração e responsabilidade, na sua pátria ou no estrangeiro, na AMV e noutros âmbitos da missão ad gentes. (cfr. XCG 60).

15.1. Exige-se da parte de todos os missionários “uma mudança de mentalidade para compreender e valorizar o seu papel, saber dialogar, aceitar trabalhar com eles, respeitando o seu contributo específico” (XCG 61).


A comunhão com as pessoas e com os povos

16. A nossa comunidade missionária apaixona-se com a humanidade e está atenta aos eventos da história. Por isso, ela é chamada a:
16.1. Interpretar a história como lugar “teológico” da manifestação de Deus na
vida dos povos;
16.2. Dar testemunho da alternativa evangélica face à cultura do poder e do ter;
16.3. Dar voz a quem a não tem;
16.4. Fazer partilha com os pobres.

Internacionalidade e interculturalidade

17. O Instituto, constituído por membros de diversos países, é internacional. O missionário deve preparar-se para viver e trabalhar com confrades de outras culturas” (Const 23).

A composição das comunidades é cada vez mais internacional e multicultural, com membros que são diversos em termos de “idade, origem, preparação e competências” (Const 24). Unidos, tornam-se ícone do reino de Deus, que reúne pessoas de todas as raças, línguas, povos e nações.

Ora este facto envolve a busca de critérios para se viver um clima de interculturalidade nas comunidades apostólicas e nas comunidades de formação. Num mundo tão globalizado como o presente, frequentemente atormentado por divisões, sectarismo e fundamentalismo, elas dão testemunho de que é possível a comunhão de vida, capaz de harmonizar as diversidades e valorizar os elementos culturais, representando um testemunho missionário significativo.
17.1. Para haver uma vida comunitária mais matura e um apostolado mais eficaz, o estudo das línguas deve andar de mãos dadas com o das culturas, para se poder interiorizar o seu génio específico (cfr. IXCG 46). “A internacionalidade torna viva a exigência de personalidades maduras, que saibam superar a própria cultura, apesar de se identificarem com ela e a cultura dos outros, para realizar comunidades que tornem mais credível o Evangelho” (XCG 32).

17.2. O missionário é chamado a viver e a dar testemunho duma comunhão que valoriza a diversidade com uma atitude de kenosis de si mesmo, para dar espaço aos outros. Para o missionário, o diálogo é uma atitude fundamental; e o respeito pelas pessoas e pelas culturas torna-se para ele um horizonte operativo.

17.3. Do encontro cultural nascerá uma nova figura de missionário fiel às suas origens, aberto a partilhar os seus próprios valores e a receber os dos outros.


A inculturação do carisma

18. A inculturação – qual íntima transformação dos autênticos valores culturais pela via da integração no cristianismo e respectivo enraizamento nas várias culturas – diz respeito a cada continente e abarca todos os aspectos da vida eclesial (cfr. RM 52). Tendo sido apontada pela Igreja como uma prioridade e uma urgência (cfr. Ecclesia in Africa 59), também o Instituto a reconhece como tal. A intuição originária do Pai Fundador, que constitui o núcleo fundamentador do carisma, desenvolve-se com o crescimento do próprio Instituto e é vivenciada através do processo de inculturação, no encontro dinâmico e crítico com as culturas.

18.1. A inspiração original de José Allamano é relida e reinterpretada continuamente nos novos contextos socioculturais e eclesiais onde o Instituto está presente.

18.2. O processo de inculturação do carisma exige: compreensão e apropriação, tradução em vida prática, reformulação através da linguagem verbal e simbólica e através do testemunho. Dá-se sob a orientação do Espírito Santo e requer muito tempo até à maturação.

18.3. A inculturação não pode pedir-se apenas aos especialistas; é obrigação de todos e desenvolve-se com o contributo da comunidade do Instituto por inteiro, nas suas diversidades culturais.

18.4. Apesar da variedade das suas manifestações, o carisma é único e deve ser encarado na unidade dos seus elementos essenciais, que garantem a identificação com a nossa única família religiosa e a multiplicidade das culturas que a compõem (cfr. XCG 68-69).

18.5. Os pontos de referência inalienáveis para a inculturação do carisma são: o conhecimento profundo do espírito do Fundador, da nossa história e da nossa tradição; o estudo aturado das culturas; e a análise cuidadosa dos sinais dos tempos na Igreja e nas sociedades.


O revezamento e a disponibilidade para a missão ad extra

19. O revezamento tem por finalidade o bom funcionamento de toda a família do Instituto. A abertura de novos campos de missão, a necessidade de oferecer a todos uma tarefa, principalmente fora do país, o decréscimo de membros e as doenças pessoais, a necessidade crescente de especialização e a oportunidade de operar mudanças na direcção de outros sectores qualificados, justificam o revezamento dentro do Instituto. Exige disponibilidade de todo o missionário. No entanto garanta-se uma certa estabilidade de pessoal para amortecer os choques nas comunidades a que prestamos serviço missionário e bem assim as dificuldades de inserção num ambiente novo. O desapego da realidade que se conhecia e apreciava pode causar sofrimento e incerteza, mas também é ocasião de renovação. E deve ser vivido com grande esperança no futuro.

19.1. Passados que forem nove anos de serviço numa circunscrição, todo o missionário se deve disponibilizar para o revezamento (cfr. XCG 27).

19.2. A disponibilidade ad extra é elemento fundamental da nossa vocação; todos os missionários estarão disponíveis a exprimi-la fora do seu próprio ambiente cultural e eclesial.

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